Obsessão
4 Mate o Dia
Notas iniciais
Dizem que confiança é que nem papel, uma vez que é usado nunca mais volta ao normal.
Mas ninguém disse que não se podia dar um novo papel.
(...)
Com um suspiro atrofiado, Naruto abriu seus olhos, a claridade do como, muito luxuoso não fez bem a seus olhos já claros. Sua garganta parecia estar mais seca do que um deserto, instintivamente ele tentou rolar e entrar em posição de combate, mas quando ele ergueu seu dorso, ele sentiu uma dor excruciante na região. Ele colocou a mão na região de seu estômago, e logo viu que estava com ataduras por de baixo de um pano simples, logo se lembrou. Numa... Onde ele estava? Como estava seu povo? Não sabia dizer.
Ele logo foi tomado por dois braços fortes e acolhedores, enterrando seu rosto em um de seus seios com força, parecendo-o sufocar. Ele sentiu o corpo maior o fazer o deitar, ele estava sendo abraçado como um travesseiro de dormir. Ele sabia que só havia uma pessoa que fazia isso com ele. Seu General.
– Deite-se Naruto.
– Esdeath? – sussurrou Naruto com a voz seca, piscando confuso, sua sonolência repentina estava desaparecendo pouco a pouco, ele conseguiu ver o perfeito sorriso alegre dela mesmo que seus olhos tivessem dificuldade de ver alguma coisa.
– Não faça nada por enquanto, seu ferimento feito pelo príncipe de merda foi muito profundo. – ela disse, alisando seus cabelos loiros, logo se aproximou e inalou novamente o perfume que eles sempre exalavam, parecia um costume pra ela.
Naruto piscou confuso, ele tinha certeza que aquele ferimento era profundo. – Como... Como me salvou?
Esdeath por um segundo parou a carícia no seu cabelo, Naruto sentiu um leve aperto em seu braço que estava o abraçando, parecia que ela não gostou de lembrar.
– Seu estômago foi muito danificado, eu coloquei todos os médicos competentes te atender, não havia muitos feridos, e os que eram tinha ferimentos superficiais. E mesmo assim, eu assisti você gritar... Foi horrível. – ela o abraço mais forte, trazendo ele para mais perto, passando suas pernas torneadas pelas suas, se enlaçando entre ele, em completo desespero.
– Mas, como... Você conseguiu preencher o buraco? – perguntou Naruto, pela primeira vez, aceitando o abraço, para a alegria dela que apertava ainda mais forte.
– Kurama ajudou, eu imagino. Enquanto Kurama reconstruía todo o seu tecido e órgãos nós lhe dávamos uma transfusão de sangue e nutrientes por meio de tubos. – ela disse entre um beijo em sua nuca, o ar gélido como sempre o deixava arrepiado. – Demorou dois longos e intermináveis dias para você me presentear com seus olhos abertos.
Naruto virou para sua frente, ainda sendo abraçado por ela, na cama eles estavam no mesmo nível dos olhares, azul com azul. Esdeath... Notou algo diferente nos olhos dele, parecia preocupação? Mal estar? Estaria ele sentindo dor?
– Naruto... – ela lhe chamou a atenção. – O que você está sentindo?
– Nada... – ele respondeu, escondendo o rosto no travesseiro. – Não é nada para você se importar.
Esdeath travou os lábios, um pouco irritada. – Tudo que resume a você é do meu interesse e de minha preocupação! Pensei que estivesse óbvio. – ela retirou seu abraço, havia um pequeno criado mudo, com uma jarra d’água com um copo de vidro, ela estendeu isso para o loiro, que lentamente se colocou sentado sobre a cama, tomando o líquido como se fosse algo sagrado, não tomava água a dois dias, pelo que soube.
Naruto notou que ela parecia um pouco chateada, e novamente fazendo algo que não era de seu feitio. Ele colocou a mão sobre a dela, como um pedido de desculpas silencioso, que Esdeath havia aprendido que significava muito, ela gostava de suas súbitas demonstrações de carinho, mesmo que fossem raras. Ela novamente o abraçou, ele nem tentava se rebelar por agora. Apenas aceitava.
– Nós vencemos mais rápido graças a você. – ela comentou lhe dando um cafuné. – Se você não tivesse ferido gravemente Numa Seika ele teria fugindo com sua centena e escapado de nós, como o perfeito rato que ele é, e ainda não estaríamos no Império.
– Estamos no Império agora? – perguntou Naruto surpreso, a expressão adorável nos olhos da mais velha, ela passou os dedos sobre seus bigodes de raposa, pelo menos era isso que Naruto dizia ser.
– Respectivamente, no meu quarto, em nossa cama a partir do momento que você colocou os pés na cidade. – ela lhe respondeu feliz. – Eu... Posso te beijar? – ela perguntou timidamente. E isso definitivamente não era de praxe dela. Naruto pensou por um segundo, a mulher mais forte do Império, estava pedindo um simples beijo... Nas outras vezes, ela não se perguntou sobre sua opinião sobre isso, talvez ter um furo no corpo tivesse sido útil para isso.
– Só dessa vez. – ele disse com um pequeno sorriso nos lábios, um pequeno coro no rosto, como todas às vezes, sua inexperiência com as mulheres era obra disso. Sem precisar ouvir de novo, Esdeath baixou levemente seus lábios. E pressionou com força, era gelo contra fogo, a língua quente do loiro contra a sua áspera, em uma dança de dois elementos diferentes mas que se combinavam, podia se ver um pequeno rastro de saliva saindo dos dois, Esdeath podia se importar menos, novamente, ela passou sua língua sobre os lábios dele, apenas para guardar o gosto para si. Se afastando, ela viu talvez um pequeno sorriso de canto dele, parando para pensar, ela nunca conseguiu ver um sorriso verdadeiro dele...
– Satisfeita? – perguntou Naruto, escondendo o rosto com um dos braços, como uma tentativa de esconder a vergonha que sentia.
Ela o olhou novamente, e sentiu uma tentação enorme de o levar ali, mas ela não estragaria o pequeno momento feliz, isso era raro entre eles. Ela estava ficando mais humana, principalmente após vê-lo em uma poça com o próprio sangue, ela não tinha como não se importar com isso.
– Por enquanto, é o suficiente. – ela respondeu – Consegue caminhar? Tenho uma surpresa para você.
Naruto estreitou os olhos levemente, surpresas de Esdeath geralmente significavam a desgraça de vários. Mas dado os seus últimos feitos, iria depositar sua confiança, uma única vez. Mas ele tinha uma pergunta ainda.
– Esdeath? – ele chamou, ela logo virou seu rosto para ele, já estava pé, fazendo a volta para ajudá-lo a se erguer. – Como fica minha recompensa?
Ela pareceu sorrir. – É claro que você iria perguntar, quanto a isso, não se preocupe, logo após a surpresa, nós iremos até o Imperador, lá teremos a recompensa e eu me certificarei de enviar sua parte para a sua aldeia.
Ele se sentiu feliz, é para isso que ele veio, mesmo com todas as tribulações, ele iria ter o dinheiro, mesmo tendo jogando sua honra para o inferno, ele teria como salvá-los. E isso lhe rendeu uma pontada de felicidade em seu coração triste, ele sentiu seus olhos ficarem úmidos de repente, uma pequena lágrima de felicidade saiu deles, não demorou um segundo sequer, para os dedos gélidos de Esdeath a retirarem dali.
– Seu choro é muito bonito. – ela disse, com a voz doce, apesar da situação nada comum.
Naruto deu um pequeno riso. – Não sei se devo me preocupar com essa ultima declaração. – ele disse honestamente.
O que gerou um pequeno riso dela, feminino, não um completo psicótico como ela sempre fazia enquanto se divertia no seu parque de diversão conhecido como câmera de tortura.
– Bom, acho que não precisa se preocupar com isso. – ela disse finalmente, o ajudando a levantar. – Agora vamos para a surpresa, sim?
Naruto novamente estreitou os olhos, mas agora ele já havia aceitado. – Essa surpresa... Você não vai fazer nada de ruim... Sabe eu confiei em você Esdeath, peço que se lembre que nunca mais irei fazê-lo se a surpresa for ‘’ desagradável ‘’.Nunca mais irei confiar em você se for isso.
Eles estavam andando para a enorme porta vermelha e dourada do quarto dela, ela ficou em silêncio durante alguns passos. – Pode confiar em mim... – ela disse, novamente ficando em silêncio, Naruto podia jurar que ela deu uma leve mordida entre seus lábios.
Eles andaram mais um pouco, pela janela Naruto conseguiu ver várias flores brancas, parecia que elas possuíam umas pequenas bolinhas amarelas no meio, ela iria levar para um canteiro? Preocupou-se a toa então. Deu um suspiro aliviado.
Mas, quando ele chegou mais perto, e passando por outras janelas, ele viu ás três bestas, porque elas estariam sobre um canteiro... Porque elas estariam segurando correntes nas mãos, que gritos roucos eram esses que seus ouvidos começaram a ouvir.
Ele se exasperou, tirou o braço do ombro de Esdeath e tentou correr, mas tudo o que conseguiu foi mancar mais rápido, seu estômago doía como o inferno. Ele passou pelo corredor de colunas, ele viu gotas de sangue no corredor, ele se lançou pelo canteiro, e quando ele passou pelas costas dos três, ele viu pessoas. Nuas, com marcas de queimaduras e chicotes nas costas, coleiras sobre seus pescoços, seis pessoas ajoelhadas, com seus rabos empinados, sem qualquer dignidade. As três bestas estavam segurando suas correntes, como se eles fossem seus animais de estimação, nenhum deles direcionou um olhar sobre eles, ele olhou para trás, onde o barulho do salto de Esdeath se fez presente, mas. Ela não estava sozinha, ela própria estava levando alguém que mal conseguia andar. Seja lá quem fosse, seu corpo já não possuía metade dos dois braços, não havia pano algum sobre eles, seu corpo, estava retalhado em todos os lugares, ele de longe conseguiu ver pequenos buracos cobertos por gelo, seu rosto, inchado, sua boca cortada, e parecia que ele sentia um leve desconforto sobre suas pernas, como se a cada passo algo se machucasse entre as pernas, ele estava usando farrapos de uma calça, suas canelas estavam em carne viva, o maldito não tinha braços!
Ele observou Esdeath passar por ele sem levantar sua cabeça, parecia não querer encontrar o seu olhar desapontado, o olhar de Naruto, passou para as três bestas, e as três o olharam em silêncio, mirando os sentimentos que sempre seus olhos passavam, não importasse a situação, seus olhos sempre denunciavam o que ele sentia. E nesse momento ele nunca se sentiu tão traído e desapontado. Quando Naruto viu o cabelo do homem, ele soube quem era na hora.
– NUMA! – Naruto gritou, o homem foi posto de joelhos, sua boca sangrava, parecia se engasgar com o próprio sangue. Esdeath parou ao lado de Numa, segurando sua corrente e seu chapéu, evitando olhares com ele. Naruto se virou para ás três bestas. Seus olhos estavam vermelhos, os riscos em suas bochechas estavam mais graves, muito mais visíveis. Seu selo queimava, suas garras estavam longas novamente, ele estava irado. Esdeath levantou seus olhos e encarou o loiro.
‘’ Você sabe que eu nunca mais ir confiar em você. ‘’
‘’ Você sabe que eu nunca mais irei confiar em você’’
‘’ Você sabe que eu nunca mais irei confiar em você ‘’
Essas palavras batiam forte sobre sua cabeça, não conseguia as tirar da mente, ela olhou para o amante, nos olhos dele, ele transmitia muitos sentimentos, raiva, dor, ódio, amargura, tristeza, pena... Decepção.
Por mais raivoso que ele pudesse estar, seus olhos estavam opacos, ele estava com raiva, seu rosto mostrava isso, mas ele estava triste, desapontado, desapontado com ela. Ela tinha feito ele ter esse olhar, ela o tinha feito mal, acima de todos. Foi ela que o fez estar assim, mas era tudo por um propósito maior.
– Podem soltá-los... – disse Esdeath com sua voz não passando de um sussurro, totalmente diferente. Os três soltaram as correntes, mas os cinco homens e a única mulher não se moveram, sabiam que não tinham como fugir.
Naruto observou as reações de medo deles quando foram soltos, o medo varreu seus corpos de tal maneira que se eles de alguma forma escapassem vivos, eles nunca esqueceriam esse medo que os dominou agora. Ele se colocou de pé. Ele estava sem sua espada, mas ele não precisava dela, foram cinco minutos silenciosos até ele quebrar as correntes e as coleiras dos seis, cada um o olhando com medo, mas surpreso por ele fazer algo a essa altura.
– Me responda uma coisa... General... – começou ele, sua voz esbanjava perigo para quem ouvisse, e ela estava totalmente direcionada para ela, sua generala. – Você... Você me disse que eu poderia confiar em você, e eu acreditei nisso...
Ele deu passos mais a diante, indo devagar pelo ferimento no estômago, que parecia começar a doer a cada passo novo. – Por que você fez isso com Numa... Não bastava prendê-lo com os outros?
Esdeath continuava em silêncio, sem ter o que dizer, apenas o olhando com pesar. Ela tentou dizer algumas coisas, mas nada saía de sua boca.
– Me responda, por favor... – ele pediu, caminhando em sua direção lentamente. – Quantos morreram por caprichos seus? Todos, não é? Você não deixaria ninguém vivo... Eles são fracos... Não é? Quantos será que morreram por serem fracos...
– Contando com os civis... – ela começou falando baixo, não sorrindo com a fala das mortes do povo do norte, pela primeira vez ela não se sentiu bem em falar de morte. – Cerca de trezentos e cinqüenta mil ou quatrocentos mil...
Os olhos de Naruto pesaram mais ainda, ele parou de andar. Numa, até então. Não podia dizer nada, mas se o arrependimento matasse, ele estaria morto a cada segundo, o único que demonstrou alguma compaixão para com ele e seu povo, foi o garoto que ele perfurou e quase matou, e agora estava sofrendo, sofrendo com o sofrimento deles. Ele tentou se levantar, mas Esdeath o colocou no chão, pisando com seu salto sobre sua cabeça, mas a surpresa veio ali.
O demônio, o loiro que ele julgou como a personificação do mal, estava chorando...
Derramando lágrimas como criança, fungando como um bebê recém nascido, sofrendo por eles, sofrendo pelo sofrimento do outro, verdadeiramente se importando com ele. Chorando como uma criança, dizendo palavras que ninguém conseguiu entender, os prisioneiros também começaram a chorar. Numa chorou, fungou sobre a grame e sobre o pé da General do Gelo, as três bestas nada diziam, apenas se mantinham aléias, apesar de olharem constantemente para o seu companheiro loiro.
Esdeath não gostou do que viu, ela não queria que o relacionamento deles fosse desse jeito, ela não queria que cada decisão que ela tomasse acarretasse em lágrimas dele, ela retirou o que disse, o choro dele não era nada bonito, parecia lhe furar o coração, seu coração estava batendo fraco, sem vontade, por um segundo ela ponderou em deixar todos livres, apenas para fazer ele parar de chorar, para fazer ele parar de parecer um fraco diante de seus olhos.
– Pare de chorar... – ela disse. Naruto levantou seus olhos, o canto totalmente vermelho devido ao choro. – Por favor... Não seja um fraco... – ela sussurrou. – Não chore como um fraco na minha frente, você não é... Fraco.
– Então... – fungou. – Solte-o... – ele tentou dizer sem gaguejar. – S-solte... Todos eles. Eu irei... Parar, por favor... Não faça eles sofrerem mais do que sofreram...
– Eu... – ela disse. – Eu não posso fazer isso, eles são inimigos do Império... – ela prendeu o corpo de Numa sobre a grama com o gelo ao redor, deixando apenas suas feridas abertas a mostra. – Eles machucaram você, eles te tiraram de mim, eu não vou deixar esses filhos da puta vivos depois de terem tirado você de mim, eles te fizeram sofrer... Eu não os perdôo.
– Você está me fazendo sofrer mais ainda. – ele disse em voz alta. Esdeath que iria se dirigir para as flores estancou no lugar, os olhos graves, em uma surpresa aguda e dolorosa, mas ela só viu a verdade nos olhos dele. – Você está me fazendo pior, do que qualquer soco, do que qualquer espada ou lança poderia me fazer, você está me fazendo mais mal do que tudo no mundo, você é a fonte do meu sofrimento, Esdeath...
Esdeath ficou parada, não sabia o que dizer, olhou nos olhos das três bestas, mas não encontrou nenhum apoio em suas ações. Mas ela não iria parar, se ela teria que ouvir tudo desse jeito, ela ouviria.
– Existem dois tipos de pessoas no mundo. – ela se abaixou e pegou duas flores, Naruto não entendeu, mas dado a reação dos seis, não era uma flor bonita. – Os fortes, que sobrevivem e continuam a viver. E a pior raça, a raça dos fracos, eles são os que morrem pelos fortes. Eu não deixarei você ser um fraco!
Ela se aproximou de Numa, que tentou sair desesperadamente sobre o domínio do gelo dela...
– Vocês três... – ela chamou as bestas. – Sabem o que fazer.
Sem dizer uma única palavra. Os três pegaram mãos cheias daquelas flores. Quando eles se aproximaram dos seis, eles só puderam tremer.
– Naruto... – ela o chamou, sua voz estava fria, fria como o gelo que agora se tornou. – Você vai ter que fazer uma escolha. – Esses seis, são a família de Numa, seus irmãos, e sua irmã. Você vai ter que escolher, salvar eles, que não fizeram nada a você, ou matá-los e salvar aquele que quase te tirou de mim, escolha com cuidado...
Naruto já tinha parado de chorar, mas aquilo lhe pegou com surpresa, por que ele tinha que fazer isso? Por que só coisas ruins aconteciam com ele? Por quê? Por quê? Não sabia dizer, mas ele não teve muito tempo para pensar.
– Essas flores. – ergueu a mão com duas delas. – São as flores mais interessantes do mundo para um torturador do Império, sabe por quê?
Naruto engoliu em seco. – Não... Por quê?
Ela não respondeu com palavras, colocou uma flor inteira no buraco dos braços de Numa, que só pôde gritar em dor aguda, sem poder fazer nada, ele cuspia sangue, logo os seis também começaram a gritar, as flores estavam sendo esfregada em seus ferimentos, a dor era tanta que um deles estava quase desmaiando.
– Essas flores são como um aroma coercivo, a ardência que ela entrega aos torturados, é magnífica. E não deixa nenhum rastro, fazendo com que a diversão continue sem danificar o corpo, apenas para continuar servindo de brinquedo, é muito útil. – ela se afastou e pegou mais, e fez a mesma coisa, os olhos de Numa estavam quase fazendo a volta sobre seu rosto, lágrimas e mais lágrimas saíam.
Os seis estavam na mesma, a única diferença é que não estavam sem seus braços. As bestas passaram as flores por todo o seu corpo, e deixando as partes amarelas dentro das feridas, gritos e mais gritos podiam ser ouvidos de longe, mas ninguém que passava ali ficou para olhar, para eles era só mais um dia normal no Império com a presença de Esdeath.
– Que melodia adorável... – ela disse, erguendo os braços para o céu, a carranca feita de pura alegria doentia. – Eu quero mais, muito mais, me dêem mais! – e novamente o processo continuou.
Naruto não agüentou, quando Esdeath foi para repetir novamente, ele segurou seus pulsos, olhando em seus olhos, com uma raiva nunca vista antes.
– Pare com isso, agora! – ele rugiu alto. – Não faça mais nada com eles!
Esdeath riu, mas queria ver aonde isso iria. – E por que eu deveria ouvir o que você diz? Eu estou no controle aqui, e você vai escolher um lado, e esse lado vai morrer.
– Se você ameaçá-los novamente, eu vou... – ele tentou dizer, mais um grito de Numa chamando por seu nome o interrompeu.
– GAROTO! – Numa disse entre sangue. – ME MATE! ELES SÃO TUDO O QUE ME RESTOU, NÃO ME DEIXE SOFRER MAIS QUE ISSO! MATE-ME! – ele disse entre pulmões, tudo o que restava para ele agora era implorar. – ELES SÃO MINHA FAMÍLIA, NÃO QUERO VIVER SABENDO QUE TODOS FORAM MORTOS POR CAUSA DE UM INÚTIL QUE NÃO PÔDE PROTEGÊ-LOS COMO EU!
– Numa... – Naruto tentou argumentar, mas ele novamente o interrompeu, Esdeath apenas olhava divertida. Ele estava quebrado, como era bom ver a face orgulhosa dele se romper e dar lugar ao desespero podia o encarar por horas. – Você vai morrer.
– Você acha que eu não estou preparado para morrer? – ele disse. – Esses dois dias, foram os piores dias da minha vida... – ele sussurrou, doía só de recordar. – Acabe com o meu sofrimento, esse é o meu último pedido em vida, você irá honrar isso, Naruto?
Naruto soltou os pulsos de Esdeath, que jogou as flores no chão, em um movimento de mão as bestas pararam com as flores nos seis outros prisioneiros. Esdeath formou uma lança de gelo, e entregou para Naruto, que a pegou com hesitação.
– Ele quase te tirou de mim com uma lança, você irá dar o seu paraíso com uma ponta de lança também. – ela disse, abrindo espaço para o loiro passar, os olhos dele estavam um azul, mas parecia um azul diferente. O olhar dele parecia estar quebrado também, parecia um azul nublado com nuvens escuras, ela notou isso. E não gostou.
Naruto com os olhos turvos foi em direção a Numa. – Desfaça o gelo ao redor dele. – olhou para Esdeath, os olhos dele pareciam estar sem emoção, sua voz estava mecânica. Parecia não ter emoções, como se tivesse as perdido para fazer isso, Esdeath fez isso, não era como se Numa pudesse fugir.
– Eu peço o seu perdão. – disse Naruto com a voz vazia, se curvando para frente. Numa viu que o garoto sentimental pareceu dar espaço para outro. – Espero que não grite.
Sem dizer mais nada, Naruto foi rápido e misericordioso, cravou a lança sobre sua cabeça, fazendo um rombo enorme, a atravessando facilmente, uma morte limpa e rápida, Numa já pode sorrir para o outro mundo, seja esse o inferno ou o paraíso, seria melhor do que o lugar onde os seis estavam.
Podia se ouvir palmas sendo batidas, por Esdeath, o sorriso dela trouxe repulsa a Naruto. Que agora pôde sentir pesar por ter feito aquilo com Numa, mas ambos sabiam que isso era o melhor que poderia ser feito. E ele o fez. Mas a morte dele estava sobre suas mãos, ele não guardava rancor do homem, o admirava por oferecer sua vida em troca dos outros.
– Eu fiz... – ele sussurrou para Esdeath. – Eu escolhi o lado, solte-os... – ele disse, seus olhos ainda sem expressão, mas sua voz demonstrava só a tristeza, nada podia ser feito agora.
– Acho que temos um problema aqui... – ela disse, baixando o seu chapéu e mostrando um sorriso que trouxe medo a Naruto. – Você escolheu a ordem errada, podem fazer.
Não demorou um segundo, e Naruto se virou e viu um jato de sangue sendo esgueirado do pescoço da única irmã de Numa, sua garganta atravessada pela mão de Rio sem nenhum momento de hesitação. Seus outros irmãos tentaram parar, mas dois deles tiveram seus corpos cortados no meio, suas metades caindo desfalecidas lado a lado, a grama verde cheia de sangue, algumas gotas dos sangues deles foram derramadas pelas flores, deixando elas com gotas vermelhas, na opinião de Esdeath ficaram mais bonitas.
Nyah puxou uma pequena adaga de seu bolso, cravou na testa de outro, e logo começou a retirar seu rosto com um sorriso no rosto, alheio a qualquer outra coisa que não fosse o morto, como o louco que ele era. Só restaram dois. Naruto correu em sua direção, sem se importar com o ferimento em seu estômago, ele próprio estava sangrando, ele viu nos olhos dos únicos restantes.
Nada mais do que aceitação, aceitando o fato, de que iriam morrer de um jeito cruel e nunca seriam lembrados mais do que apenas diversão pela generala do Império, eles aceitaram isso, eles sorriram em direção a Naruto, que estava com os olhos cheios de pena, ele tentou correr até eles, mas Esdeath o parou com estacas de gelo fazendo a volta sobre seus pulsos e pernas, ele estava tão preso quanto o cadáver de Numa estava, aquele lugar cheirava a morte. Apenas isso, era como se tudo o que fosse acontecer ali, seria apenas a morte de todos, não restaria uma alma do norte naquele lugar, Esdeath se encarregaria disso, ela mataria todos.
– Você pode ficar vendo ai. – ela disse ao seu lado, não olhando para ele, não perderia a extinção do norte por nada nesse mundo. – Acreditaria se eu dissesse que eles eram os únicos sete sobreviventes que eu deixei? Você teve a honra de matar o mais podre deles, agora deixe seus companheiros terem a sua glória e matarem a escória restante.
Naruto só conseguiu deixar seus olhos subirem, ela matou todos.
– POR FAVOR, NÃO MATE ELES. – gritou Naruto, sem se importar com o seu próprio sangramento. – NÃO FAÇA ISSO, POR FAVOR, OS DEIXE FICAREM VIVOS! – ele tentou e tentou.
Esdeath olhou aquilo, e uma idéia passou por sua cabeça, quando Daidara estava pronto para partir o crânio dos últimos dois. Ela ergueu sua mão. E Daidara parou na mesma hora.
– Venham aqui... – ela os chamou. Os dois ficaram parados, sem saber o que fazer o medo lhes batia no coração. – Não vou repetir... – sua voz ficou mais baixa, seus olhos ficaram graves, sua voz gélida fez com que eles viessem passo a passo durante o caminho, o medo gritando nos olhos. Era algo risível para ela, os fracos se desesperam por suas vidas.
– Vocês vêm esse ferimento? – ela apontou para o estômago enfaixado, ambos olharam para Naruto que estava preso sobre o gelo, ele não gostava do rumo que isso estava tomando. – Batam nele até que ele desmaie, podem colocar a mão dentro de seu corpo se for preciso. Se vocês conseguirem fazer isso, eu os deixarei vivos.
Ambos olharam para o menino, todo aquele sentimento de conforto e de aceitação, sumiram de seus olhos, só havia o desejo de sobreviver, Naruto não conseguiu entender, não bastou um segundo sequer, e eles lhe deram um potente soco na boca do seu estômago, ele cuspiu sangue, Esdeath olhava para isso com um olhar frio, mais frio do que o próprio gelo que ela podia criar.
Os homens não se indagavam a se desculpar, nem a dar um mísero olhar para Naruto, ele não conseguia falar, seu estômago doía, o sangue estava presente na sua boca mais do que tudo, ele podia sentir o gosto do ferro de sangue em sua língua. Ele só podia gemer e deixar seu sangue fluir, suas calças escuras estavam vermelhas, sua camisa branca estava vermelha por baixo, ele não conseguia falar nada. E isso pendurou por muito tempo, ele ficou sem entender, porque eles estavam fazendo isso, ele os tentou ajudar, e eles estavam fazendo isso com ele.
– Agora você entende não é? – disse Esdeath, seus punhos apertando, a raiva grande em seus olhos. – Eles não demonstraram hesitação nenhuma em te fazer sofrer, como eu posso deixar vivas pessoas que fazem o mal para quem eu amo? Eles não são nada mais do que lixo, apenas diversão que deve ser descartada, agora, você pode entender o porquê deles terem que morrer.
Dito isso, ela fez dezenas de cristas de gelo se formar atrás de si, com um movimento dos dedos, se lançaram para os dois homens que estavam surrando o loiro, eles morreram tendo seu corpo furado em todos os lugares.
Esdeath desfez o gelo que prendia Naruto e o que mantinha ele de pé, ele estava quase desmaiando. Mas antes dele cair maduro no chão, Esdeath o pegou em um abraço carinhoso, parecendo outra pessoa agora. Naruto teve sua cabeça erguida novamente, ele sentiu a boca de Esdeath invadir a sua, ela começou a sugar sua boca, sugando seu sangue para dentro dela, seu pescoço estava sendo sujo com o sangue dele, o sangue que ela estava bebendo, o sangue dele. Ela era louca.
Ela continuou com isso durante um tempo, até que se sentiu satisfeita, lambendo os lábios com a língua vermelha por seu sangue, ela parecia feliz. – Seu gosto é maravilhoso, meu amor.
Naruto não conseguia raciocinar direito. Eram tantos acontecimentos em um espaço tão curto. Ele se sentiu tonto, seu sangue estava se esvaindo de si muito rápido.
Ele sentiu Kurama lhe chamar ele só queria fugir dali. Deixando seu corpo ali, ele adentrou para o fundo de sua mente. Ele só queria escapar daquele lugar, escapar da triste realidade que Esdeath o mostrou.
Em frente à jaula, estava sua única amiga, Kurama, ele descobriu que seu nome era Kurama, era um nome bonito. Ela estava rosnando, estava irritadiça, seus olhos estavam em brasa vermelha, não por ele, mas sim pela mulher azul.
– Naruto... – ela o chamou, este apenas se direcionou até ela, Kurama não podia sair da jaula sem a permissão dele, mas ninguém disse que ele não podia entrara pelas enormes barras, era um costume. – Você quer morrer?
A pergunta o pegou de surpresa, ela estava pergunto se ele queria morrer? Era isso?
– Por que essa pergunta agora? – ele questionou curioso, seus olhos levantando e encontrando o seu, seu rosto tentando parecer calmo mas ele parecia estar entrando em um colapso de emoções pelos olhos, ele estava sentindo muitas coisas diferentes durante um longo tempo.
– Você não merece sofrer desse jeito, pelas mãos dessa mulher sem escrúpulos. – ela respondeu suas caldas se laçando no corpo menor dele e trazendo para perto dela, ela estava irada, seus olhos mostravam, mas ela se importava com ele. – Você vai morrer mais cedo ou mais tarde se continuar com ela.
Naruto apenas ficou encostado em seu corpo imenso e peludo, conversando como uma classe Ultra como conversava com qualquer homem, ele era um cara de sorte, e de azar ao mesmo tempo. – Eu preciso dela, por mais doloroso que seja dizer isso, se eu fugir com você, mesmo que eu te libere, e nós conseguíssemos ir até minha aldeia antes dela, quantos dias iríamos viver em viagem? E eu não consegui pôr a mão no dinheiro ainda.
Kurama ficou em silêncio, sem saber o que dizer. – Se você mudar de idéia, farei qualquer coisa para te ajudar.
– Eu sou eternamente grato a você. – ele respondeu, fechando os olhos e ficando em silêncio, ele precisava pensar, e Kurama não iria estragar isso.
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– Quando ele estiver melhor levem ele até meu quarto e o deixem sobre minha cama, entendido? – disse Esdeath sobre a ala dos médicos, bem a baixo de onde os Generais ficavam, e certamente era uma ala bem distante da ala onde o Ministro e o Imperador ficavam. – Não irei tolerar incompetências.
Ela se virou e fechou a porta atrás de si, seus pensamentos estavam confusos. Rio... Seu companheiro de batalha mais leal e de mais tempo, ele foi contra suas ações, ele. O que mais era devoto a ela. Nyau e Daidara não pareciam ser contra a sua maneira de educar seu companheiro, mas as palavras de Rio a calaram fundo.
‘’ Mesmo que você o eduque como quiser, isso não irá o impedir de evitar você, e de possivelmente, tirar a própria vida no futuro. ‘’
Ele iria se suicidar se continuasse a viver assim, ela não entendia por que todas as suas ações deixavam a relação deles ainda pior, quando ele acordou, ele a permitiu o beijar lhe deu um leve carinho, algo que ele não fazia.
E ela quebrou sua confiança.
As palavras dele pareciam martelar em sua mente. Ele confiou nela, e ela quebrou sua confiança em milhares de pedaços, talvez seus métodos de educação deveriam ser repensados.
Ela nunca sentiu algo assim por ninguém antes, talvez sua falta de experiência no assunto seja o principal problema entre eles, talvez sua dominância natural nas coisas seja o problema, ela nunca ouviu um não, ela nunca se preocupou com o que os fracos sentiam, mas ela tinha que se preocupar com o que o loiro sentia, ele era seu semelhante agora, seu igual.
Ela precisava achar alguém que entendesse do assunto de amor.
Mas isso era para outra hora, ela precisava dar a razão para ele continuar com ela, iria requisitar sua recompensa para enviar a parte de Naruto a sua aldeia. Como um lembrete para ele continuar a ficar com ela.
Ela virou para o corredor, passando pelos quadros de todos os figurantes importantes do Império, prestando sua homenagem silenciosa.
Ao entrar pela imensa porta dupla forjada de mármore revestido com ferro, ela teve o vislumbre de ver seu pequeno Imperador, acompanhado do Primeiro Ministro ao seu lado, a dupla que governava, todos ficavam felizes com eles. Elas também por causa do Ministro que mais parecia ser o próprio Imperador todos tinham seus interesses atendidos, ela dava proteção ao ministro, e ele lhe dava poder absoluto e batalhas para ela se divertir.
Mas ela não podia ter o coração do loiro em suas mãos, por enquanto. Ela acharia um jeito que não fosse ruim para ter ele para ela.
– Hora, Esdeath-shogun, eu soube que ás conquistas do norte foram muito bem feitas. – disse Makoto segurando seu cetro em sua mão direita. – Fico feliz em saber que a demora não foi muito, excelente trabalho.
– Sim. – ela disse de joelhos sobre sua frete, a cabeça baixa em respeito. – Agradeço os elogios.
– E então, você ainda não requisitou sua recompensa, fale, e será seu. – o imperador disse. – Não é mesmo Daijin?
O primeiro ministro Onest estava ao seu lado, como sempre comendo seu pedaço de carne mal passado, como o perfeito fora de forma que era. – Com certeza ela merece uma excelente trabalho.
Ela lhe deu um sorriso de cúmplice, todos tinham os seus interesses atendidos, pela sorte do Imperador não ser nada mais do que um garoto.
– Eu pretendo apenas me apegar ao dinheiro, eu tenho tudo o que eu preciso por agora. – disse Esdeath se colocando pé e colocando seu chapéu. – Obrigada pela preocupação.
– Entendo, e que tal... – ele pareceu pensar. – 10 mil moedas de ouro, é uma quantia aceitável?
– Sim. – ela respondeu, certifique-se de enviar para meus soldados no norte, mas eu preciso de mil moedas separadas em um saco no meu quarto o quanto antes.
– Entendido. – disse o Imperador com um sorriso. – É por algum motivo importante?
– Sim. – disse se virando e indo embora.
– Esdeath-shogun é muito reclusa, você não acha? – disse Makoto. – Ela deveria se soltar mais.
– Ela está bem assim, todos fazem o seu trabalho. – respondeu Onest. – Bom, agora vamos comer, estou morrendo de vontade de comer outro bife assado.
Makoto só se deixou rir, Onest sempre foi obcecado por carnes.
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– Onde ele está? – perguntou Esdeath a um dos guardas que ficavam em frente a sua porta.
– Ele nos disse que você autorizou sua passagem para dar uma volta. – respondeu o guarda incerto, sua mão sobre sua lança tremendo pelo olhar que a mulher lhe deu. – Sinto muito por ter acreditado!
Esdeath já não estava mais ligando, ela entrou no seu quarto e viu que o saco de dinheiro já estava sobre a mesa, mas o dono do dinheiro estava passeando.
O primeiro lugar que ela pensou que o loiro poderia estar era onde eles estavam quando Numa morreu. Ela passou pelos corredores e foi até onde geralmente todos passavam, os jardins das flores. Ela ficou feliz ao ver sua silueta por lá, ele estava encostado em um dos pilares, os pés esticados sobre a grama, olhando pro céu, a noite lhe caia bem sobre os olhos, ela tentou avançar em silêncio, mas ele a ouviu, seu movimento na cabeça o denunciou.
– O que você quer Esdeath-sama? – ele perguntou com a voz distante, ela não esperava ser recebida com flores de rosas por ele depois do que aconteceu, mas ela não queria que ele lhe tratasse formalmente.
– Você não precisa atentar-se a me chamar por títulos superiores, basta me chamar pelo nome. – ela disse com a voz baixa, tornando-se a sentar ao lado dele. Ele não disse mais nada depois disso, um silêncio ruim se instalou.
Ela o encarou, e ele a encarou, nos olhos dela, a busca pelo perdão, nos olhos dele ela só via o sentimento de decepção, ela o desapontou. Sua tática de educação não serviu para o propósito que ela queria.
– Eu só queria te ajudar. – ela disse depois de um tempo, olhando para a lua como ele estava olhando. – Meu jeito de demonstrar isso não é da melhor maneira que poderia ser, mas eu não tenho experiência nisso.
– Você não sabe demonstrar seu carinho algumas vezes. – ele disse simplesmente, não a olhando. – O seu jeito de ensinar é por ameaças e surras, você deixou eles me surrarem para me ensinar, não posso dizer que foi uma boa maneira, mas aquilo foi útil por outro lado.
Esdeath o olhou novamente, não escondendo a surpresa com sua última declaração. – Então você... Você gostou? – ela perguntou em um sorriso.
O olhar resignado que ele lhe deu foi o suficiente para ela entender que ele não era masoquista.
– Estou querendo dizer que eu aprendi uma lição, mesmo que de maneira ruim. – ele respondeu. – Ás pessoas se agarram a sua vida, elas descem baixo para continuar vivos, descem tão fundo que muitas vezes não há mais volta para elas.
Ela apenas o escutava. – E o que você pensa sobre isso, você deve ter visto, eles se agarraram em mentiras podres de vida, e lhe causarão sofrimento, perdi a conta de quantas vezes me segurei para não matá-los só de ver sua dor.
Ele riu sem humor. – A sua maneira de demonstrar preocupação não era das melhores.
– Era? – ela perguntou confusa.
Sim. – ele respondeu, olhando para seu estômago. – Você se deu ao trabalho de separar minha parte do dinheiro, é certo que você fez isso apenas como um incentivo para mim não me matar ou ir embora, ou qualquer coisa do gênero, mas ainda sim. É uma preocupação, quando eu acordei, você me deu conforto, e eu precisava disso, e eu gostei do seu conforto. A única coisa ruim de hoje foi o que se sucedeu após você quebrar a confiança que eu depositei em você.
Até certa parte parecia as mil maravilhas para os ouvidos dela, mas a verdade era cruel. Ela de fato quebrou sua confiança, e ela tinha ciência que isso poderia demorar e muito a acontecer novamente.
– Você viu o saco de dinheiro então. – ela disse. – Como?
– Quando eu saí da ala médica eu passei por ele. – Naruto respondeu. – Ele me ofereceu uma bebida com veneno. Kurama já cuidou disso.
Os olhos de Esdeath diminuíram novamente o ar ao redor dela ficou gélido. Mas uma mão desceu sobre sua cabeça. Naruto havia dado um leve golpe em cima dela.
– Você deveria parar de querer matar tudo o que me toca. – ele repreendeu. – Isso parece obsessão, não amor.
Ela o estudou por alguns segundos, os olhos dele pareciam nostálgicos, pareciam voltar no tempo, algo que ela nunca viu ele fazer, tudo o que os olhos dele já lhe mostraram eram recordações breves. Mas ele parecia estar em outro lugar.
– Se lembrando de algo? – ela perguntou após alguns segundos de silêncio, a pergunta pareceu o despertar do transe.
Ele riu de leve. – Só me recordei de algumas coisas. – ele respondeu, Esdeath parecia ter ficado ainda mais curiosa. – O que foi?
– Parando para pensar, você parece saber tudo sobre mim, mas eu não sei nada sobre você, nem seu nome direito eu sei. – ela comentou, levando um dedo até o queixo. – Eu posso te perguntar algumas coisas?
– Pedindo permissão é? – ele brincou, não parecendo o mesmo de antes. – Continue assim, que eu até um dia me apaixono por você...
Apesar de ele ter falado em um tom de brincadeira, isso pegou efeito imediato nela, suas bochechas geralmente pálidas ficaram vermelhas em coro, ela tinha como o conquistar!
– Vou me lembrar disso. – ela falou sonhadora. – Mas, então. Eu me pergunto como seus pais devem estar sentindo sem você por perto. – ela comentou, a reação diferente de seus braços chamaram a atenção, ele os encolheu, como se estivesse se abraçando, tocou em um assunto errado?
– Eu não me preocuparia com meus pais, Esdeath. – ele falou baixo. – Eles não tem o porquê de sentir alguma coisa agora.
– Eles... – ela tinha uma vaga idéia do que era a reação diferente dele.
– Sim, ambos morreram quando eu nasci, minha mãe me teve em meio a floresta, meu pai morreu para nos proteger dos ursos da montanha e minha mãe correu comigo nos braços perdendo seu sangue a cada passo, ninguém me contou isso. – ele respondeu, ele puxou um pequeno colar, Esdeath nunca soube que ele tinha um. – Os mais velhos me disseram que isso era meu por direito. – era um colar com a unha de um urso da montanha. – Algo como boa sorte.
Esdeath tentou ler seus olhos, mas eles estavam ilegíveis, ela não conseguiu o ler, não conseguiu entender o que se passava por sua cabeça. – Sente falta deles, não é?
Naruto acenou com a cabeça. – Você também deve sentir a falta do seu pai, Esdeath. – ele disse se voltando para ela. – Você disse que se sentia triste por ele ter morrido, mas ele morreu por ser fraco, essa parece ser sua filosofia.
– Sim, é minha filosofia, mas eu não consigo sentir falta dele. – Esdeath respondeu. – Talvez porque eu o conheci, então a sua memória antiga me basta, quem sabe?
– Talvez se eu também, tivesse ficado ao menos um dia com eles, eu não sentiria tanto isso. – ele colocou a mão sobre seu peito. – É doloroso.
Dois braços se enlaçaram sobre ele. – Temas sombrios demais por agora, vamos voltar, estou com frio.
Com essa fala ela conseguiu arrancar uma leve risada dele, que foi o bastante para melhorar o seu próprio humor. – Você sabe que isso é apenas uma desculpa para dormir comigo, não é?
– Sim... – ela disse sem preocupação. – Eu não quero que nossa relação seja assim, eu quero concertar tudo, e quero sua confiança de volta.
– Falar é fácil. – ele respondeu entre risos baixos. – E Esdeath... – ele a chamou.
Quando ela se virou para ele, seus lábios foram tomados pelos dele, um pequeno beijo.
Ela ficou parada por um tempo, vendo ele ir embora após fazer isso, ela se sentiu boba.
Por mais que hoje tivesse sido um dia ruim, no final. Alguma coisa foi boa para ambos.
Mas ela viu nos olhos dele, ele nunca esqueceria esse dia, não importa o quanto ambos quisessem tentar esquecer ou apagar, ela errou com ele, e ela mesmo que conseguisse o seu perdão, o erro ficaria gravado nela.
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