Obsessão
25 Mate a Surpresa.
Notas iniciais
A surpresa é algo que te deixa imóvel, e depois te mata por dentro.
(...)
— Coloquem a Incursio para testes. – disse Esdeath jogando a chave para Daghta, ela retirou o núcleo de Susanoo de seu bolso e entregou para Daidara, ambos estavam curvados, e ela estava sentada em seu trono, já havia retornado, ela ponderou se deveria seguir o restante da Night Raid, mas não seria necessário, já havia os abalado muito. – Vão agora. – ela se sentou mais confortavelmente no trono, com uma forte dor de cabeça, estava exausta?
— Essa porra de exército... – ela dizia pra si mesma, com raiva pela existência deles. – Naruto... Como você está? – ela adquiriu um costume nos últimos tempos, ela conversava com sigo, como se Naruto pudesse responder, ela estava preocupada com ele. – Suas drogas... Você não está usando elas a uma semana.
Ela se levantou e começou a andar de um lado pro outro. – Shikis... Shikis. – andava para lá e para cá com suas mãos na cabeça. – Espiões inúteis que morrem por bestas. – ela levantou sua voz irritada, mas dando atenção para Kuromada que abriu a porta há alguns segundos e estava observando as ações dela. – Kuromada...
Ele se curvou levemente. – Minha Imperatriz. – ele se ergueu para olhá-la melhor. – O exército revolucionário conquistou Sekirin, nossos soldados bateram em retirada... Sem as mantas.
Ela suspirou pesadamente. – Trinta e três mantas para o exército, aqueles fudidos. – ela dizia mais pra si do que para Kuromada, mas ele ouviu e só pode rir em silêncio com isso, ela odiava perder. – Bom, se é isso, a Guerra não irá demorar muito, lutas por todos os lados, alguns dos meus generais já morreram por Akame... E aquele grupinho.
Kuromada ficou apenas em silêncio ouvindo, interrompê-la agora, não era uma escolha boa.
— Se eu usar meu contingente de ataque rápido poderá dar um dano enorme, mas as perdas seriam ainda mais enormes... É um risco. – ela dizia andando de um lado pro outro, completamente nervosa, a pressão não era pouca. – Há soldados novos?
— Comparado aos dias anteriores, depois da queda de Sekirin, o número antes exorbitante diminuiu demais, é como se eles estivessem dizendo que desacreditam em você agora que perdeu Sekirin. – ele respondeu com todo o cuidado que tinha.
— Entendo... – ela se afastou de Kuromada e fez a volta para a porta. – Obrigado por isso.
Kuromada olhou para isso com olhos turvos, ela estava agradecendo-o? Seria a primeira vez desde que chegou ali. – Sentindo-se sentimental, minha imperatriz?
— Uma pessoa me disse que eu sou um monstro, tenho que me convencer de que sou o contrário, caso não o faça, não o terei. – ela respondeu casualmente, apesar de seu coração estar em sangue agora que se lembrou de Naruto, as drogas ele precisava delas. Seus espiões eram inúteis. – Até mais tarde Kuro, tire o dia de folga, você não é mais necessário.
Ele se curvou. – Agradecido, permita-me acompanhá-la até ir para seu caminho
— Como queira. – ela passou pela porta vermelha dupla e deixou Kuromada a fechar e seguir seus passos até o corredor, Kuromada pensou que ela desceria as escadas para visitar os canibais. Mas esse não deveria ser o caso agora. Ela parecia não estar mais tão interessada neles, o motivo... Provavelmente Naruto e suas palavras, era incrível a dominância que ele tinha sobre o corpo dela.
— Vou ir até minha sala, preciso documentar algumas coisas. – disse Kuromada no corredor central, onde todos os corredores se encontravam, ele tomou o da ponta direita, onde os servos geralmente ficavam.
— Faça seu trabalho e vá embora. – ela respondeu mal o olhando. Kuromada apenas deu as costas e seguiu seu próprio rumo, ela tinha o dela, ela iria para a sala dos médicos, foi dito a ela para fazer outros testes. Ela sentia seus ossos melhores e sua mobilidade também melhor, o gelo estava mais suave, porém mais resistente talvez Extrato fosse mais que apenas um demônio.
— Naruto também é mais do que um guerreiro forte, ele é quem eu entreguei meu coração, devo responder a força dele também. – ela recitava pra si mesma, dobrando no final do corredor central e indo até a porta onde ela faria os testes, para a surpresa dela, um médico já estava ali, Jorg. Os cabelos compridos e brancos dele e sua barba negra sempre lhe causaram náuseas, mas ele era competente o suficiente para ela o tolerar. Ele estava olhando o relógio, se algum deles estava a esperando significava coisas boas.
Quando ela se aproximou ele apenas deu passagem pra ela. – Boas novas. – ele a fechou calmamente. – Você está há pouco tempo para aceitação total do sangue do imperador, só precisava de uma leve incisão na medula. E sobre a aceitação de extrato com a contabilidade quente de Kurama, não houve melhorias, está na estaca zero.
— Nem tudo são flores. – ela respondeu. – Ao menos controlar a Teigu definitiva será útil o meu propósito. – ela se dirigiu para a mesa onde sempre tinha os tubos a esperando, ela mesma cravou em seu corpo, era desnecessário usar anestesia em seu corpo. – Ligue. – ela ordenou.
Novamente líquidos de cores vermelhas distintas uma da outra foram drenadas e levadas para seu corpo, mas dessa vez houve algumas coisas novas. Ela recebeu um pote, com uma coisa verde dentro. – O que é essa coisa? – ela perguntou verdadeiramente curiosa, a aparência era horrível.
— Desenvolvemos os nutrientes para se acoplar com as vitaminas e proteínas de alimentos com carboidrato. – disse Jorg ao seu lado com um sorriso doente. – É os nutrientes para o tutano se desenvolver ainda mais forte.
— Isso é algo de arroz por acaso? – ela analisava o pote com descrença. – Você está ficando velho Jorg.
Ele apenas riu humorado e tomou o pote das mãos dela e abriu. – A velhice é poder, conhecimento é o caminho do poder, você é jovem, mas não é nada comparada a minha velhice.
— O que diz tem fundamento para pessoas rasas, eu sou profunda e poderia te matar antes das modificações.
— Se você assim o fizesse, nunca teria evoluído ainda mais, e sem nós. – apontou para os que estavam vendo a discussão amigável. – Você nunca poderia ser um desafio para seu animal de estimação.
— Não o chame assim. – os instintos defensivos subiram rápido. – Ele não é um animal, o propósito dele não é esse...
— Então me esclareça. – ele colocou o objeto verde dentro da maquina, transformando ela em líquido e nutriente. – Se ele não era isso, por que você o tratava como um? Talvez até mesmo pior do que você trata seus canibais.
Ela não soube o que dizer. – Não sei como te responder.
— Você é jovem, daqui a alguns anos você achará uma resposta mais plausível. – disse Jorg novamente com um sorriso doente; Ele retirou uma seringa com um líquido verde. – Você está preocupada com seu amiguinho escuro, essa é uma nova droga, de nível onze.
Os olhos dela travaram a partir de drogas de nível sete o corpo ficava com uma abstinência duas vezes maior e fica mais dependente sem elas. Imagine uma de nível onze. Jorg sabia o que ela estava pensando, ela era jovem demais, os pensamentos eram fracos.
— Não terá conseqüências severas, terá dependência, mas aliviamos os níveis de glócios para ajustar a reação na corrente sanguínea, o corpo só sentira a falta de drogas de até nível oito.
Ela olhou para a seringa com olhos mais saudáveis. – Obrigada. – ela pegou a seringa, fechando a mão, seus dedos estavam pesados, mas ficando leves aos poucos. – O que terá de melhorias com a leva de agora?
— Você poderá voar com mais facilidade, e seu gelo irá evoluir para suportar temperaturas de mil graus Celsius. As amostrar de gelo que você deixou na última vez mal suportaram quatrocentos. Este irá ser muito melhor e resistente a fogo.
— E o fogo de Kurama, qual a temperatura máxima? – ela precisava perguntar isso.
— Há setecentos anos registramos que um dos antigos usuários perdeu o controle e atacou uma cidade vizinha de Sekirin, o calor passou batido dos sete mil. Isso com seis caldas ativas.
Ela não entendeu. – Ativas?
Ele suspirou, poucos sabiam sobre essa arma. – Dizem que você lutou contra o usuário da arma Kurama, não se sinta mal com o que eu vou dizer a você. – ele suspirou. – Dificilmente você irá poder o vencer, o poder dele não estava nem perto de estar completo, e você foi derrotada, a grande verdade é essa.
— Então as caldas que ele usou contra mim, não eram o real poder? – ela questionava ainda mais interessada, retirando os tubos agora, já havia acabado.
— Não. – respondeu Jorg com um olhar quase orgulhoso. – Mas você conseguiu lutar contra ele, sua força também é incrível, mas não é nada comparada a Kurama, comprar Extrato com Kurama é como comprar gelo contra fogo, é como comparar uma raposa contra um gato, ou comprar a terra contra o universo, você é pequena perto dele.
— Me sinto dez vezes melhor agora. – ela disse sarcástica. – Então não há muito sentido em tudo o que eu estou fazendo, mesmo que eu evolua ainda mais, não há motivo pra tal, se eu não posso lutar contra ele, muito pior manter.
— As caldas que você lutou eram apenas energia. – disse ele. – Como eu sei disso?
Era uma boa questão, se perguntou ela.
— Meus tataravôs foram responsáveis pela mutação dela pra arma. – ele respondeu. – Mas nem mesmo eles foram capazes de fazer isso completamente, Incursio tem apenas a carne viva, Kurama tem tudo vivo dentro de um pouco de sangue.
— O que quer dizer?
Ele suspirou, era difícil explicar com palavras básicas. – Quer dizer que a Teigu tem consciência própria, vontade própria, é algo vivo, que reage apenas a vontade de seu usuário, o limite já registrado, foram seis caldas brutas, não de energia como você lutou, se o novo usuário conseguir usar as caldas brutas, você será apenas lixo aos pés dele.
— Essa arma é tão forte assim? – ela perguntava impressionada agora. – Me diga. – ela o chamou novamente depois de pensar algo. – A teigu definitiva, pode a vencer?
Ele sorriu como um porco nojento. – Se você for lutar contra Kurama totalmente transformada em sua forma original com sua arma secreta, arrisco a dizer que você pode a vencer, mas não a subestime muito, ela é a única arma que pode voltar a sua forma, a teigu imperial não vai vencê-la facilmente.
— Kurama é tão poderosa assim... – ela dizia pra si mesma mordendo os lábios. – Como um corpo humano pode manter tanta energia?
Ele sorriu novamente, Esdeath não gostou desse sorriso. – Aí é que está. – ela não gostou disso. – O corpo do novo usuário provavelmente deve estar sentindo a fadiga e o dreno da vida, além das drogas, ele tem a própria arma sugando sua energia vital, você apenas ajudou o tempo de vida dele encurtar... Parabéns.
Ela sentiu-se péssima com isso. – Ele vai morrer?
Ele suspirou novamente, estava claro que Esdeath amava o garoto com unhas e dentes, mas ela era culpada disso em parte. – Sim, ele vai. – ele retirou os óculos e limpou com um pano. – A vida dele é como uma lente para velhos está ficando embaçada a cada momento, logo a lente se perde e o embaço vence. É uma boa analogia.
— Como posso reverter? – ela perguntou sem rodeios. Ela ouviu uma risada nojenta.
— Não pode. – disse ele rindo. – Esse é o destino dele, ele aceitou os termos de remoção de selo, ele pediu pra morrer cedo.
— Quanto tempo ele ainda tem?
Ele ficou alguns bons minutos em um puro silêncio, os piores da vida dela. – Não me lembro dos detalhes, mas com as droga ajudando a morte, não mais do que seis ou cinco anos. Ele provavelmente já deve estar sentido os efeitos.
— São ruins?
— Você é retardada minha imperatriz? – ele adorava zombá-la. – Ele deve estar sentindo uma dor inimaginável, além dos espasmos da droga, pense que o coração dele está sendo pressionado por duas paredes e as veias dele de distribuição para os órgãos estar sendo raspadas, é algo assim que ele está sentindo. – ele colocou os óculos novamente. – Eu não ficaria surpreso se ele voltar aqui em busca de sua ajuda.
Ela levantou a cabeça com os olhos quase brilhando. – Você acha?
— Se eu estou morrendo e tenho noção disso, vou fazer o que puder pra ficar vivo, nem que seja um dia mais, o ser humano é assim, desesperado pra continuar vivo. – ele respondeu. – Os exames acabaram, volte semana que vem.
— Entendo... – ela murmurou sombria e colocou seu chapéu de volta. – Eu gostaria que ele voltasse.
— Ele provavelmente não vai gostar de ter que voltar com o rabo baixo pra você. – ele disse categoricamente. – É bem possível que você faça algo com ele novamente.
Ela mordeu os lábios em desgosto. – Não farei... – ela respondeu. – Quero que ele saiba que pode confiar em mim.
— Claro, claro. – ele zombou. – Vá cuidar da filha dele, já que mão é inútil e morreu.
Ela não gostou do modo de como ele falou de Chelsea, ela não merecia isso, ela não se preocupou também do motivo de ter pensado assim.
— Obrigada pelos serviços.
— Ho...
Ela não esperou mais nada e fechou a porta.
Ela olhou para as janelas, ainda cedo. Não mais do que oito ou nove horas, o sol estava desaparecendo. – Vou tomar um banho gelado com Aika. – ela sorriu com o pensamento, era um de seus costumes agora. – A risada dela é tão gostosa quanto à do pai para ouvir.
Ela se dirigiu pra lá. A noite era uma boa hora pra relaxar, ela nem viu o tempo passar. – Naruto precisa de mim... Preciso ajudá-lo. É a única maneira de me redimir.
Andando para o corredor.
Seu coração...
Parou.
Uma pausa brusca, bruta, uma pausa cruel que a fez grafar, ela conhecia...
Aquele cheiro...
Aquela fragrância, só havia uma pessoa no mundo com aquele cheiro tão característico.
Corredores nunca se tornaram tão longos como agora.
Era ele.
Só podia ser ele.
Ela estava falando dele agora pouco, Deus estava ouvindo seu desejo, ele o trouxe até ali pra ela.
Ela correu pouco se importando em tombar em uma das empregadas em mandá-la para o chão, sua expressão em choque.
‘’ Se você está aqui, então você veio por causa das drogas, ou por Aika, não por mim. ‘’ – pensava enquanto corria, ela sabia que isso era errado de se pensar, dentre todas as coisas que ela fez pra ele, era loucura pensar que ele estava sentindo saudades e queria voltar apenas para vê-la, o monstro que tirou tudo o que ele tinha. – ‘’ Tudo o que eu queria era que você voltasse aqui por minha causa, é um desejo tão egoísta? ‘’ – ela se perguntava, dobrou o último corredor que faltava para a porta de seu quarto no final deste.
Ela parou de correr, olhou para o lado, a janela quebrada.
Seus olhos travaram quando ela viu uma pequena poça de sangue no carpete vermelho que ia até a porta de seu quarto.
‘’ Quero acredita que se cortou com o vidro da janela, quero muito acreditar nisso. ‘’ – ela pensava andando lentamente, tão lento quanto uma lesma agora, ela sentia seu corpo pesar muito agora. Ela chegou até a frente da porta, ela viu a maçaneta dourada, manchada de vermelho, ela sentiu sua respiração ficar ofegante. ‘’ Estou preocupada? ‘’ – ela se perguntava, colocando a mão na maçaneta, algo dentro dela queria muito abrir a porta, outro algo, não queria nunca mais chegar perto dali.
Ela respirou fundo, muito fundo. Soltou o ar quase como se estivesse apreensiva, e na verdade, estava sim.
Ela abriu a maçaneta, ela ouviu um grunhido, na verdade ouviu dois grunhidos. Um parecia ser doce e melodioso, outro parecia estar sufocando um grito, a porta estava entre aberta, ela a abriu logo com um baque silencioso e calmo, a fazendoela ranger levemente, ela passou os olhos para o chão no momento em que abriu a porta, ele estava ali.
Estava sentando na beira da cama, apoiando suas costas na parede com Aika em seu colo, mas, estava segurando apenas com um braço, apertando o frágil corpo dela contra seu peito levemente, como precaução pra ela não cair.
Ela nunca o viu tão em paz como agora. Ela só estava olhando pra ele com o canto dos olhos erguidos, sua cabeça ainda estava olhando para o chão, ela fechou a porta antes de qualquer coisa. Ela simplesmente retirou suas botas, ficando descalça no piso gélido, mas não importava, ela também era gelada.
Naruto parecia se importar menos com sua presença do que com a mosca que pousou na testa de Aika, que ostentava dois orbes brilhantes, os olhos misturados dos dois pais. Ele estava em transe, se lembrando de coisas que provavelmente nenhum ser no mundo poderia lembrar.
Esdeath amaldiçoou-se quando ela notou um rastro de sangue em seu rosto e nos cantos de seus lábios, ele é quem estava sangrando. Ela não se deu conta que já estava sentada ao lado dele na cama, limpando o rastro de sangue com os dedos, também foi inconsciente quando ela levou os dedos até a boca.
Naruto nem ao menos estava olhando pra ela.
Doeu-lhe tão mal.
Sua alma parecia ter sido repartida em mil pedaços.
Era uma dor excruciante.
Ela fez menção de tocá-lo levemente no ombro, mas nesse momento ele a olhou.
Os olhos tão calmos a fizeram recuar.
Aquela calmaria era perigosa, ela tinha noção disso, e Aika estava ali, qualquer desentendimento rápido teria uma luta, e sabe se lá o que aconteceria dessa vez.
Ela olhou para o braço dele, ou o que restou dele, ainda estava com o capuz de Ishiki, ele não tratou?!
— Seu braço. – ela disse com a voz mais branda que podia fazer. – Por que não colocou uma prótese?
Silêncio, e caricias, não em seu corpo, mas sim em Aika, ela estava brincando com o dedo, começou a chupar o polegar dele como se fosse um pirulito, a mãe estaria orgulhosa. Seus costumes foram passados pra filha.
— Você ao menos tratou do ferimento? – ela perguntou novamente com uma voz suave. Ele nem ao menos se indagou a olhá-la novamente. Muito menos parecia interessado em responder, outro rastro de sangue começou a sair, ela viu uma mancha em sua orelha, e em seu olho, no canto, uma gota de sangue iria pingar na testa de Aika.
Esdeath colocou a mão em cima do rosto. Fazendo a gota pingar em sua mão. – São os efeitos do contrato?
Ele a olhou levemente interessado no assunto estabelecido. – Como descobriu? – nada mais do que isso saiu.
— Meus médicos e cientistas conhecem sua amiga felpuda. – ela disse calmamente, um sorriso se formou no rosto de Naruto, mas não parecia um sorriso dele.
— Ela não gostou do que você disse. – ele comentou casualmente, voltando os olhos para Aika em seu braço. – Ela disse que se pudesse soltar-se de mim sem me matar, ela arrancar sua garganta com as presas e faria você se engasgar com suas vísceras, talvez não nessa ordem.
Ela riu sem humor, movendo a mão levemente até os cabelos de Aika. Ela timidamente começou a dar um leve afago nos cabelos dela, como se estivesse tímida de fazer isso agora na presença do pai dela. – Você vai morrer se você a libertar? – ela tentou parecer desinteressada na pergunta, mas ela mesma sabia que isso não era possível, mais sangue começou a cair do rosto dele, ele virou o rosto e o rastro de sangue pingava no lençol, ele se ergueu da cama. – Naruto?
— Irei tomar um banho. Não vou parar de sangrar tão cedo. – ele respondeu casualmente retirando o manto do braço retirado, Esdeath viu que o ferimento nem havia sido desinfetado, ela rosnou baixo com isso. Ela se dirigiu até a porta e pediu para as empregadas trazerem algumas coisas. No final ele não a respondeu. Jorg estava certo, deve estar sendo difícil pra ele vir até ela agora, depois de tudo...
Ela tentou fortemente não olhar pra ele se despindo, mas ela não conseguia, era involuntária, a tentação de ter ele com ela foi demais, ela própria retirou sua roupa e pegou Aika nos braços, um banho dos três, poderia ser bom. Não sabia dizer se isso seria certo ou errado, mas não ligava agora, ela simplesmente andou em direção a porta dentro do quarto.
Ela a aberto rápido, Naruto a olhou desinteressado, como se estivesse acostumado com isso, como se a invasão dela agora não o preocupasse mais, era o que ele estava dizendo com os olhos, ele já sabia que ela ia fazer isso, ela alternou os olhos para Aika, a banheira estava sendo cheia de água fria.
Ela não se importava de estar como veio ao mundo para as pessoas, ela era o que era nada mais e nada menos, mas depois de tudo, vê-lo olhando pra ela, ela se sentia envergonhada. Lembranças de coisas que ela não se orgulhava agora vieram em sua cabeça. Mas ela se aproximou dele, abriu ainda mais a torneira, a água caiu mais constantemente, foram minutos de silêncio, Esdeath, procurando rosto dele, e ele olhando apenas para o chão, com Aika nos braços dela.
— Não é saudável banhar uma criança em meio ao sangue do próprio pai. – para a surpresa dela, ele disse algo, mas novamente, não era relacionado a ela. – Não deveria ter vindo aqui no final das contas.
— Então se você pensa desse modo, por que está aqui?
Silêncio. Sem respostas objetivas, talvez apenas alegações falsas da parte dele.
— Eu sinto dor a todo o momento... – ele começou com a voz descendo oitavas. – Preciso das drogas... Ishiki injetou algumas de nível oito, não serviram nem para amenizar.
Ela suspirou resignada, como se aquele lixo pudesse cuidar dele.
— Eu tenho algumas de nível onze, talvez ajude você. – ela disse se aproximando dele e fazendo se virar pra ela, ela ainda era mais alta. – Eu posso te ajudar, de verdade.
— Como as outras vezes? – ele disse calmo, tão calmo quanto um oceano sem ondas, não havia oscilações em sua voz. – Acha que eu estou aqui por gostar? Você sabe minha situação.
— É exatamente por isso que quero te ajudar. – ela adentrou na banheira, era grande, cabiam facilmente mais duas pessoas adultas ali. – Você sempre foi teimoso comigo.
Ele riu sem humor, adentrando também, sentando na frente dela, Aika no meio dos dois, sendo segurada por uma água cristalizada, como um piso de gelo pra ela se divertir, o moreno pareceu gostar da temperatura, ela notou isso, ele conseguiu relaxar com isso, suas costas se curvaram, só ai ela viu uma mancha escura nas costas dele, parecia um hematoma, mas com a cor mais forte, e com certeza não iria sumir tão cedo.
— O que está havendo com seu corpo? – ela perguntou genuinamente preocupada. Ela tencionou se deveria passar os braços ao redor do pescoço dele e abraçá-lo, mas isso não parecia ser o certo, não agora.
Ele parecia gostar de ficar em silêncio.
— É algo sobre o contrato?
Ele apenas confirmou com sua cabeça em um aceno lento. Ela suspirou pesadamente e jogou a cabeça para trás. Aika subiu em seus seios, como almofadas, Naruto viu isso com o canto dos olhos, ele sorriu ao vê-la feliz. Esdeath olhou para isso admirada.
— Eu pensei que você nunca mais iria sorrir assim.
Ele a olhou no fundo dos olhos, ela se arrependeu de ter dito qualquer coisa agora. – Você ainda não me quebrou o suficiente pra me fazer esquecer-me da minha única alegria agora, a outra está morta, curiosamente, não por você.
Ela ficou em silêncio, ela queria que a situação voltasse pra muito tempo atrás, quando eles tinham uma relação boa, mas isso nunca aconteceu de verdade, ela sabia disso agora. – Eu sou um encosto pra você?
Ele não virou a cabeça, apenas continuou virado pra frente, a voz baixou novamente, talvez estivesse se controlando pra não explodir. – Você é algo pior do que isso, o que você é ainda não tem nome.
Ela estava se sentindo péssima, doeu-lhe tão mal. Mas ela sabia que isso era o mínimo, ouvir palavras duras, ela podia lidar com elas.
— Responda minhas perguntas, por favor. – ela pediu humildemente, sem orgulho algum de parecer frágil.
— Atire.
— A mancha escura nas suas costas, o que ela é?
— Você já havia descoberto.
— É sobre o contrato?
— Sim. – ele respondeu por fim.
— Ela parece crescer aos poucos, o que vai acontecer quando você for tomado por ela?
— Eu morro.
Simplesmente isso? Ela quase perguntou isso, mas optou por ficar em silêncio. – Entendo... – na verdade não entendia. – Há como eu fazer alguma coisa pra reverter?
— Não, não há nada, Kurama me disse que a escolha era a minha, e eu fiz a escolha.
— Escolheu morrer em cinco anos?
— Depende, se eu ativar a Teigu, cai mais alguns meses. – ele respondeu, ignorando a cara desesperada dela. – Eu escolhi o que achei certo.
— Você está louco?! – ela perdeu próprio controle, a idéia dele morrer, não lhe caia bem. – Por que você fez isso com você mesmo? Não precisava ser assim.
— Se eu não fizesse você me acharia uma hora ou outra, e me deixaria preso, você me deixou no inferno Esdeath, e nem se deu ao mínimo direito e dever de me visitar depois que parou de fazer suas loucuras, eu fiz o que fiz, por sua culpa, se eu morrer cedo, a culpa se concebe, não a mim, não a Ishiki, mas sim a você, dito isso, ainda quer levantar a voz pra mim? – ele virou seu rosto, uma figura escura se fez presente, a sombra de seu cabelo a fezela querer recuar.
— Desculpa. – ela disse humilde. – Só não quero que você morra.
— Querer não é poder. – ele se virou e viu Aika olhar nos olhos dele, os olhos dela eram tão bonitos. – Eu queria poder ver minha filha ter seus filhos, mas a vida tem suas turbulências, e eu tenho negócios a trata com você.
— É sobre as nações vizinhas?
— Então você já sabe? Isso me encurta fala e poupa saliva, fique atenta, eu irei avisar o exército em pouco tempo, uma guerra na cidade imperial, não vai ser boa.
— O que você sugere? Cancelamento de guerra e deixamos o exército ter a última palavra? Não é assim que funciona, eles não aceitam a realidade da própria fraqueza, eles vão queimar Naruto, é simples.
— Todos irão assim que estiverem fracos, as nações vão invadir e eu duvido que somente eu e você consigamos pará-las.
— Está sugerindo que você lutará comigo?
— Não, estou dizendo que vou te ajudar contra as nações, mas meu lado é o exército, se eu tiver a chance de te matar, não duvide, eu farei. – toda a esperança dela foi tirada com isso, ela só conseguiu suspirar resignada com isso.
— Bom, nem tudo são flores rosa. – recitava ela. – E agora? O que vai fazer?
— Ficar um pouco com minha filha, eu não vai conseguir ver ela durante um bom tempo. – ele quebrou a água cristalizada a pegou no colo com seu braço, a fazendoela ficar apoiado na curva de seu pescoço, Esdeath gostou da visão, Naruto claramente se sentia bem com ela. Talvez devesse ser Chelsea realmente, a ficar ao lado dele. Não ela.
— Vai sumir? – ela perguntou levemente interessada, ela não queria que ele fosse embora, mas era a vontade dele.
— Preciso resolver umas coisas com os Shikis.
— Então você está com eles... – ela meditou. – Ishiki, ele está bem?
— Que ironia você preocupada com quem torturou. – ele disse zombando.
— Não estou preocupada, só estou curiosa pra saber como ele vai estar quando eu o matar.
— Isso é bem mais a sua cara. – ele comentou solene.
— Você está desviando de algumas coisas, falando coisas sem sentindo, está escondendo algo?
— De você gostaria até de esconder meu cheiro, mas você parece conhecê-lo bem demais. – ele respondeu honestamente, brincando com sua filha usando seus dedos, a risada dela fazia-lhe tão bem aos ouvidos.
— Vocês são uma ótima visão. – Esdeath sorrindo de canto. – São lindos.
— Viu Aika? – ele a virou pra si, o sorriso dela retirou um dele também. – Uma assassina psicótica te achou bonita, isso é perigoso.
Esdeath riu com gosto, o clima estava melhorando, mas ela sabia que isso podia ser uma atuação muito bem feita dele. Ela desfez o sorriso.
— No tempo que você ficar aqui, me deixe cuidar de você, pelo menos do seu braço.
— Eu aceito uma prótese. – ele novamente viu um filete de sangue, ele entregou Aika par ela e se dirigiu para a outra ponta. – Isso me traz recordações...
— Quais? – ela perguntava interessada, ignorando que Aika estava brincando com seus cabelos agora, como se fosse algo comestível.
— Daquela conversa que tivemos. – ele respondeu calmamente. – No final das contas, eu tive uma leve esperança que você ia mudar Esdeath, eu queria que você melhorasse, mas isso não aconteceu, você só piorou.
— Eu sei. – ela disse calma. – Eu não sei como posso ter o seu perdão, talvez eu nunca o tenha, mas se tiver algo pra me redimir, por favor me fale.
— Têm sim. – ele disse sem rodeios, apontando pra Aika. – Não deixe nada faltar pra ela, não faça nada de ruim pra ela, eduque ela como uma pessoa deve ser, ensine o certo, e o errado, isso será o bastante.
— Você vai me perdoar se eu fizer isso?
— Não, só vou te tolerar, mas ainda vou te matar com minhas próprias mãos. – ele disse honestamente.
— Eu queria poder dormir com você essa noite. – ela pediu.
Ele a olhou de esgueira, suspirando calmamente. – Primeiro me ajude, depois vemos como isso funcionará.
— Isso é um sim?
— Não, acabei de dizer que vamos ver o que fazer, então é um talvez eu te mate enquanto dorme, ou talvez eu te mate agora.
— Me parece algo razoável. – ela disse categórica. – Talvez nossa relação seja assim a partir de agora, não é ruim.
— Não fique com esperança em teu coração frio Esdeath. – a cortou rápido. – Eu nunca vou ficar com você, pode-se dizer que eu estou te usando.
— Não me importo se for você. Eu te amo.
— Eu não ligo, agora vamos sair, já conversamos demais.
Ele se ergueu e foi em direção a porta, ela se ergueu com Aika, e passou o braço livre no pescoço dele, falando em seu ouvido. – Eu faço de tudo pra ter você comigo de novo, qualquer coisa.
— Qualquer coisa?
— Sim, qualquer coisa. – ela respondeu.
— Então morra. Isso será o bastante.
Ela riu sem graça. – Infelizmente, essa é uma coisa que não vai acontecer, vou buscar os sedativos. Ela entregou Aika pra ele e saiu do banheiro, os deixando sozinhos, Aika esbanjava um sorriso no rosto. Ele a olhou com carinho.
— Ela cuidou de você, minha querida. – ele a olhava com zelo. – Sua mãe adotiva parece gostar de você. – ele beijou a ponta de seu nariz, como um pai faria. – É uma pena que no fim, ambos iremos morrer talvez você mesma quando for mais velha, enfie uma espada em vossos corações.
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