Obsessão
1 Obsessão
Notas iniciais
POV Edward
Mais um dia costumeiro...
Acordar cedo, me arrumar para ir ao trabalho, trabalhar o dia todo e voltar para casa. Vida legal, não? É, mas fazer o que? Essa é a minha vida.
Sou Edward Cullen, tenho 26 anos, trabalho em uma empresa de publicidade, Different Vision. Sou agente de publicidade, gosto muito do que faço. Precisei estudar muito, além da faculdade, fiz uma pós, além de ser fluente em mais de uma língua, por isso falo também espanhol e francês, e ainda estou pensando em fazer mais um curso, quem sabe mais para frente.
Talvez as pessoas pensem que eu sou infeliz, mas tenho uma vida até que harmoniosa, geralmente aos fins de semana, corro para o apartamento dos meus pais, do contrário, fico aqui mesmo.
Para um homem que vive sozinho, deveria morar em um apartamento também, porém, gosto da sensação de casa, privacidade, algo só meu, sem muitas pessoas por perto. Tenho vizinhos, claro, mas quase não os vejo, com quem tenho mais contato, é a minha vizinha da frente, porém não quero falar sobre isso agora.
Sou um homem normal, eu acho pelo menos, fui criado com muitos mimos por ser filho único, meus pais dedicaram todo seu tempo a mim.
Meu pai, Carlisle Cullen, um renomado advogado, que pensou que talvez pudesse seguir sua carreira, mas achei que não condizia com meu perfil e quando escolhi minha profissão, recebi todo o apoio.
Minha mãe, Esme, é uma linda arquiteta. Ela quem reformou toda minha casa para que ficasse com a minha cara, prática, elegante e masculina. Um lugar onde pudesse me sentir especialmente bem, além disso, sempre tive muitos amigos e quando cresci, isso não mudou. Só as amizades que ficaram mais sérias e o tempo mais escasso para estar com eles.
Não sou o cara mais pegador da turma, mas gosto de aproveitar boas companhias, meu último relacionamento sério terminou há dois anos, nos dávamos bem, mas sabíamos que não éramos o que o outro procurava, hoje somos até bons amigos.
Desde então, o máximo que tive foram relacionamentos breves ou de noite, fazer o que?
Mas a vida não tem sido tão legal assim comigo...
Faz mais ou menos um ano que a encontrei.
Eu não sei seu nome, nunca falei com ela, não sei o que faz da vida, só sei que habita a minha, desde então.
Ai alguém se pergunta, como isso pode acontecer? Eu simplesmente não sei dizer.
Ela está em todos os lugares e o único que acho que é real de fato, é quando nos encontramos em um parque próximo a casa dos meus pais, pois costumo sair para correr e sempre a vejo, mas nunca tive coragem de ir falar com ela.
Só a olho de longe, enquanto caminha com seu fone no ouvido, cada dia com uma combinação diferente e o cabelo sempre preso em um rabo de cavalo alto, a única coisa que consigo sentir com clareza é o seu perfume, que depois de tanto tempo, já reconheço por ser um delicioso Channel 5...
Desde então, ela não sai dos meus pensamentos, dos meus momentos, para resumir, da minha vida.
Acho que ela já virou uma linda obsessão.
Deixando todos os meus devaneios para trás, resolvi levantar da cama e ir me arrumar.
Até que sou um cara bem apessoado, tenho 1,85 de altura, olhos verdes, um porte de corpo legal, não sou um tanque de músculos, mas tenho braços fortes e barriga sarada, o único problema que vejo em mim, é referente ao meu cabelo.
A cor tem um tom estranho de bronze e é mais revolto do que juba de leão, não consigo arrumá-lo, talvez esse tenha sido mais um dos motivos de não ter seguido a carreira de advogado. Não conseguiria domá-los para parecer bem apresentado.
Ri do pensamento tolo.
Tomei banho, aparei a barba, me perfumei e sai do quarto, ainda de toalha. Abri a janela e a encontrei, do outro lado da rua, olhando para mim. Com o sorriso doce e ao mesmo tempo sexy e envolvente.
Ela é tão linda, com o cabelo longo, caindo em cascata, parecendo um mar de chocolate, mas não, o verdadeiro chocolate está localizado em seus olhos, tão intensos e quentes, que dão vontade de mergulhar.
Quando menos percebi, notei a retribuição do olhar, junto a um aceno, retribui todo empolgado, vendo um lindo sorriso se abrir.
Disposto a perguntar seu nome, fui barrado por suas palavras.
— Bom dia Edward. Como vai?
— Você sabe o meu nome?
— Edward, sou sua vizinha há três anos. Acha que ainda não sei seu nome?
Pisquei os olhos focando melhor.
— Rose, me desculpe, pensei que fosse outra pessoa.
— Não se preocupe. Já estou acostumada com essa sua mania. Só queria saber quando você vai realmente falar com ela.
— Do que está falando?
— De nada, Edward, nada. Tenha um bom dia.
— Você também.
Fechei a janela, ainda confuso.
Mas sabendo que não posso continuar confundindo-a com aquela mulher.
Isso é loucura.
Abro a janela e do outro lado eu vejo o rosto dela.
Na minha vizinha, que não tem nada que ver com ela.
Faço mil sinais, ela sorri, mas não entende nada.
Estou ficando louco, olhei de novo para a mulher errada.
Terminei de me arrumar, me vestindo adequadamente, tomei café, tranquei a casa e sai.
Entrei no carro, seguindo em direção ao trabalho. Preciso colocar as ideias no lugar, não posso deixar as coisas continuarem assim. Rose está certa, não é a primeira vez que essa mulher, que não conheço, atormenta meus pensamentos.
Balancei a cabeça tentando esquecer e continuando a dirigir, até que parei em um farol, olhei pela janela e fiquei intrigado ao observar um outdoor, com a propaganda de uma marca de roupas, mas não consigo prestar atenção no que diz, apenas na mulher exposta.
Ela é tão linda e sexy, as roupas deixam seu corpo tão bem marcado, tudo encaixado, completando a perfeição da obra...
Então ouvi o som de buzinas e sai do estado de torpor, mas quando olhei de novo, não era mais ela e sim uma modelo...
Saio para o trabalho e o tempo todo estou pensando nela.
Em cada outdoor há uma mulher que é o retrato dela.
Caramba! Eu vou enlouquecer!
Sério, poderia bater o carro por ficar parado, olhando aquela mulher em um outdoor e nem era ela, ao final das contas, que raiva.
Para tentar me distrair, resolvi ligar o rádio em uma estação qualquer, deixei a música embalar o ambiente e dispersar meus pensamentos para outros lugares...
Estava até curtindo, conseguindo esquecer um pouco minhas paranoias diárias, até uma nova canção começar a tocar.
Parece ser muito bonita, com uma letra profunda e significativa. E a voz da cantora é simplesmente sensacional, uma tom doce, suave. Nem nos momentos mais agudos, perde a nuance adocicada.
— Está foi cantora Leona Leviws. Da nossa rádio direto para vocês...
— Será que esse é seu nome? Mas não pode ser, já vi fotos da cantora e ela não se parece em nada com a minha mulher.
Sua mulher! Francamente Edward. Agora além de louco obsessivo, ainda é pegajoso.
Realmente posso me considerar um louco mesmo, até a voz da mulher estou comparando às outras, mas não posso evitar, desde o dia que consegui ouvir, às vezes até sonho com aquela linda voz...
— Olá moço. Poderia me ver um sorvete.
— Claro. Que sabor a senhorita quer?
— De chocolate, por favor.
— Aqui está. Obrigado e tenha um bom dia.
— Igualmente.
Desde esse pequeno instante captado em meio ao parque, não consigo mais esquecer sua voz. Isso foi há um pouco mais de quatro meses e olha só, já estou evoluindo, daqui a pouco quem sabe não acabo sabendo seu nome real.
Ligo o rádio para me distrair e uma canção tão bela.
A canção é linda, mas para mim, quem tá cantando é ela.
Parei de pensar besteira, assim que estacionei, já dentro do prédio da empresa, peguei o elevador e subi direto para o meu andar, logo na entrada das salas encontrei Angela, sentada prontamente em sua mesa, ela não é a minha secretária e sim de Alice, minha chefe, mas sempre é muito gentil comigo e eu com ela, sendo assim, sempre que pode, me auxilia.
— Bom dia Angela.
— Bom dia Edward.
— Alguma coisa para mim?
— Por enquanto nada, mas fique tranquilo. Caso alguém o procure, informarei.
— Obrigado Angela. Agora vou indo, porque tenho muito trabalho.
Ela assentiu e voltou a concentrar-se em seu computador, entrei em minha sala, logo me ajeitando e começando a analisar os projetos.
A manhã passou rapidamente e sem mais frustrações, graças a Deus, ao notar, já era hora do almoço, pensei em sair, mas refleti melhor...
— Depois da manhã que tive, se for a algum restaurante, é bem capaz de cantar a garçonete achando que é ela. É melhor pedir para entregarem só um lanche mesmo e pronto, hoje só saio desse escritório direto para casa.
Depois de resolvido o problema, liguei para um lugar de fast food e pedi algo para comer e ainda poderei ficar aqui adiantando o resto dos trabalhos, excepcionalmente perfeito.
O resto da tarde continuou calmo, poderia até sair um pouco mais cedo, já que trabalhei bastante. Por isso, arrumei minhas coisas, desliguei o computador e ia saindo da sala, quando alguém bateu na porta.
— Pode entrar.
— Edward, com licença.
— Pode entrar. O que deseja Angela?
— A senhorita Brandon deseja falar com você.
— Certo, eu estava me arrumando para sair, mas antes dou uma passada na sala dela, obrigado e até amanhã.
— De nada e até.
Ela saiu e eu fui logo atrás em direção à sala de Alice.
Bati na porta, ouvindo um entre e segui.
— Edward, eu queria tratar uma questão com você.
— Claro, pode dizer.
— Então, estava analisando uns projetos e queria saber sua opinião antes de acertar. Você pode vir aqui dar uma olhada comigo?
Assenti e caminhei em direção a sua mesa, ficando ao lado da sua cadeira e olhando a tela do computador.
Ela começou a falar, mas comecei a notar algo estranho, um despertar diferente, até que descobri o problema, é o seu cheiro, o perfume tão dela.
Abri os olhos e a vi na minha frente.
O que ela está fazendo sentada no lugar da minha chefe?
Não sei dizer, mas com o olhar sedutor, virou o pescoço, deixando o perfume ainda mais forte em meu olfato. Não resisti e acabei dando um beijo no lindo pescoço tão perfumado...
— Edward! O que pensa que está fazendo?
Olhei atordoado, encontrando Alice olhando-me de modo incrédulo.
— Alice?
— É claro. Quem mais poderia ser?
— Deus. Me desculpe. Não foi minha intenção, eu só me distrai um tempo e... Mas Alice, me diga uma coisa, você trocou o seu perfume, não foi? Porque nunca tinha sentido essa essência em você.
— Como sabe?
— Só responda.
— Sim. Eu ganhei um perfume novo do meu noivo e comecei a usar hoje, mas...
— Seu noivo te deu um Channel 5?
— Sim, Edward, o que está havendo? Porque por mais que sejamos próximos, não chegamos a esse nível.
— Eu sei, só me desculpe. Realmente sinto muito e prometo que isso nunca mais vai acontecer. É que eu tive um dia cheio. Você me daria licença para ir embora?
— Sim, claro. Espero que resolva esse problema logo.
— É o que também queria, mas acho que ainda não vai ser agora. – Ela me olhou confusa. – Só novamente, desculpe e nos vemos segunda, tchau.
Não esperei sua resposta, apenas sai praticamente correndo de sua sala.
Depois dessa, porém realmente não merecia isso, mas não pude evitar, com minha chefe do nada começando a usar o perfume dela...
Mamãe resolveu comprar um presente para o meu pai, para comemorar seu aniversário. Ela ainda não sabe o que dar, por isso, como filho, tive que vir junto, pois segundo sua opinião, a visão de outro homem nessas horas é fundamental.
Eu discordo nesse caso, pois não tem ninguém que conheça melhor meu pai, do que minha mãe, mas fazer o que? Já estou aqui mesmo.
Depois de muito rodarmos, ela resolveu entrar em uma perfumaria, talvez dar um perfume realmente seja uma boa escolha.
Fiquei apenas olhando os perfumes, sem realmente me interessar por nenhum.
— Olá. Posso ajudá-lo?
Uma atendente questionou, ao aparecer do meu lado.
— Ah, não. Estou só dando uma olhada.
— Não vai querer nada para você e nem para uma namorada?
— Eu não tenho namorada, mas obrigado.
— Talvez seja esse o problema. Você já pensou em dar um perfume a ela? Talvez se o fizer, ela aceite ser sua namorada.
Olhei abismado para a mulher.
De onde ela tirou que posso ter alguém a presentear?
— Tem um perfume que tenho certeza que ela vai adorar, experimente.
Prestes a protestar, a vi borrifar um pouco da essência no papelzinho e me dar para sentir o aroma, na hora só pude me lembrar dela.
É o seu perfume, será que essa mulher é vidente e sabe da minha obsessão?
— Então, gostou?
— Qual é o nome desse perfume?
— É um exclusivo Channel 5, senhor.
— Pode embrulhar. Eu vou levar.
— Com certeza.
Naquele dia, minha mãe comprou um relógio novo para o papai e sai da loja com o perfume, a mocinha deve achar até hoje que o dei a alguém, mas mal sabe ela que o frasco está guardado junto com as minhas coisas e sempre que não a vejo, procuro sentir o cheiro, para recordar terrivelmente daquela mulher.
Chego ao trabalho e a minha chefe quer falar comigo.
Olho para ela e ela pressente que há qualquer perigo.
O perigo está no seu perfume. que é igual ao dela.
Só depois que abraço e beijo a chefe, eu olho e não é ela.
Praticamente voei até em casa, nem prestei atenção no trânsito, talvez depois ganhe uma multa por velocidade, mas valerá a pena, pelo menos não vi mais ninguém, não ouvi música e tão pouco vi um outdoor.
Ao entrar, joguei as coisas no sofá e corri para o banheiro, tomei um banho bem demorado, pois minhas costas doem e minha cabeça também, a água estava boa, mas nem ela pôde aliviar toda a tensão desse dia massacrante.
Sai do banho e vesti apenas uma cueca e uma calça de moletom, voltei para a sala para dar uma ajeitada nas coisas e liguei a TV, deixei em um canal qualquer, terminei de arrumar a bagunça e sentei no sofá para olhar o que está passando.
Essa é à hora do jornal, concentrei-me nas notícias, mas logo minha visão foi desviada para a âncora, é impressão minha ou ela está mais bonita hoje?
Fiquei empolgado para realmente assistir e assim que acabou, deu um boa noite, que para mim, pareceu ter o destino certo do meu olhar.
À noite ligo a televisão para ver se esqueço dela.
O que fazer se a moça do telejornal para mim é ela?
— Boa noite.
Respondi e assim que as letrinhas começaram a subir, vi a ancora se mover e outra mulher aparecer em seu lugar.
— Mas é claro que ela não me deixaria em paz. Nem dentro da minha própria casa. Quer saber? Cansei. Vou dormir.
Sei que ainda não são oito horas, mas já estou cansado.
Apaguei tudo voltando ao quarto. Ao entrar, qual minha surpresa em vê-la deitada no meu lado da cama.
Pela primeira vez no dia, sei que não passa de uma ilusão, mas, como dizem, se não pode com eles, então, junte-se a eles...
Deitei a agarrando bem apertado, quem sabe assim possa ter uma noite calma de sono...
Vou para o quarto e eis que em minha cama ela sorri tão bela.
Não sei se é ilusão, mas por que não dormir nos braços dela?
Um barulho insistente está perturbando meu sono, realmente estava querendo continuar a dormir, mas parece que o ser que me incomoda pensa de outra forma.
Resolvi levantar e ver quem é o infeliz que bate a minha porta as dez da noite, ao caminhar, percebi que começou a chover forte.
— Já vai.
Gritei ao me aproximar da porta, nem me dei ao trabalho de olhar quem era, só abri e paralisei.
— Olá, desculpe incomodar, ainda mais há essa hora, é que meu carro quebrou e a porcaria do meu celular está descarregado. Eu juro que não incomodaria se não fosse importante, mas será que posso usar seu telefone?
— Ah, não. Era só o que me faltava! Não basta ter me atormentado o dia inteiro, agora chega essa hora da noite, me acorda para delirar com você? Isso já está me cansando, sabia?
— Desculpe, mas do está falando?
— Já sei. Vou fechar os olhos e quando abrir, você terá sumido.
Fechei os olhos, contei até três e balancei a cabeça, porém ao abri-los continuei vendo-a, com uma expressão confusa.
— Dessa vez você está mais resistente. Mas já sei, passar a mão você sumirá como fumaça. – Peguei em seu braço, sentindo carne e osso, além da pele macia. – Você é de verdade?
— Como? Olha, se está bêbado ou drogado, tudo bem. Quem sou eu para julgar? Mas acho que estando assim, não deveria lidar com ninguém. Eu vou indo procurar outra pessoa e desculpe ter incomodado.
— Espera, qual é o seu nome?
— Você não está bêbado ou drogado e após falar meu nome, vai me puxar para dentro e fazer mal, não é mesmo?
— Não, claro que não. Eu só tive um dia cheio e você me pegou de surpresa, mas me diga, qual é o seu nome?
— Isabella Swan.
Caramba.
Acho que a mulher está realmente aqui, na minha porta, falando comigo, depois de tanto tempo, e eu? Estou agindo como um idiota.
— Prazer Isabella, sou Edward Cullen, me desculpe por esse momento meio estranho. Você disse que precisa usar o telefone, não foi? Entre, prometo que não farei nada.
— Tudo bem, é que meu carro parou de repente aqui em frente, eu não sei mexer e ainda com essa chuva, não poderia fazer muita coisa, não é? Então queria ver se posso usar o telefone para ligar a um mecânico ou guincho, algo assim.
Agora que reparei em suas roupas molhadas e ela está ainda mais linda do que o costume, quando a vejo aos domingos, com a roupa de ginástica.
Hoje ela parece outra mulher, vestida prontamente de roupa social, provavelmente deve trabalhar em algo importante, para se vestir assim.
— Aqui é o telefone, tem uma agenda ao lado com números úteis, vou te deixar a vontade para fazer a ligação.
— Obrigada Edward.
Ouvi-la dizer meu nome pela primeira vez me deixou totalmente sem chão, resolvi sair logo daqui antes que faça mais alguma besteira.
Fui para o quarto e entrei no banheiro da suíte, lavei o rosto e tentei me acalmar, mas porra, a mulher está aqui na minha casa e eu fiquei agindo como um perfeito babaca. Só eu mesmo para fazer uma coisa dessas, resolvi voltar para a sala e ver se ela já resolveu seu problema.
— Não, tudo bem, obrigada. Igualmente.
Ela desligou o telefone e sua expressão não é das melhores.
— Algum problema Isabella?
— Sim, os mecânicos estão todos fechados e o guincho que consegui falar, disse que só volta a operar amanhã de manhã, ou seja, terei que ficar empacada aqui esperando sua boa vontade.
— Nossa.
— Agora vou indo, obrigada por me deixar entrar e usar seu telefone, tchau.
— O que? Não. Como assim vai embora? O carro não está pegando, para onde você vai?
— Vou ficar no carro até amanha. Só uma noite não fará mal e meu carro é bem espaçoso.
— Você pode dormir aqui. – Ofereci de pronto. – Tem o quarto de hóspedes que está vago.
— Imagina. Você não pode abrigar alguém que nem conhece. Eu agradeço muito, mas não posso ficar.
— Eu faço questão. Que espécie de homem seria se deixasse você dormir em um carro apertado, sendo que tem uma casa quente e confortável a sua disposição? Eu insisto, como forma de me desculpar pelo jeito estranho que agi quando você chegou.
Ela pareceu pensar na situação e realmente é algo a se considerar, porque, afinal, para todos os efeitos, essa é a primeira vez que nos vimos, mas não posso perder a oportunidade de ter um tempo de verdade com ela.
— Por mais maluco que isso possa ser. Eu aceito. Muito obrigada.
Sorri como uma criança que ganha o presente esperado na manhã de natal. Ela também sorriu, mas logo tremeu um pouco e reparei que continua com as roupas e o cabelo molhados da chuva.
— Você quer tomar um banho Isabella? Você está com a roupa molhada e tremendo, acho melhor trocar de roupa e tomar um banho para se aquecer e não pegar uma gripe.
— Eu realmente queria poder recusar, mas sei o que acontecerá caso não troque de roupa, então aceito a sugestão do banho. Mais uma vez, obrigada Edward. Você está sendo totalmente gentil comigo essa noite.
— Não tem de quê. Venha por aqui, vou lhe mostrar onde é o banheiro.
— Ah, só preciso ir ao carro pegar minhas coisas e fechá-lo.
— Certo. Quer que a acompanhe?
— Não, eu volto já. Só indique onde fica o banheiro, por favor, porque quando entrar, já posso seguir direto.
— Ok, é só seguir o corredor, a primeira porta a esquerda. Têm toalhas limpas no gabinete e sabonetes também. E qualquer outra coisa que precisar, é só me chamar.
— Tudo bem. Eu volto já.
Acabei emprestando um guarda-chuva, para que não se molhe tanto e fui ao quarto de hóspedes arrumá-lo. A sorte é que minha diarista veio justamente hoje e os lençóis estão trocados e tudo arrumado, só precisei pegar um edredom novo e um lençol, caso sinta calor, ao deixar tudo pronto, sai.
Ao passar pela porta do banheiro, ouvi o barulho do chuveiro e mal posso acreditar que ela está realmente aqui, na minha casa, no meu banheiro, tomando banho, deixando a água escorrer por seu corpo...
Edward, se controle! Ou realmente vai comprovar que você é um tarado e só quer se aproveitar.
Resolvi ir à cozinha e ver o que posso fazer para comer, afinal, fui deitar sem jantar, por estar cheio de paranoias com essa mulher, que agora justamente está aqui, totalmente irônico, eu sei.
Olhei dentro dos armários e não encontrei nada fácil para fazer, apesar de morar sozinho, não sou um expert na cozinha, sendo assim, como mais congelados ou compro algo ao vir do trabalho. E hoje, como não tive tempo para parar, estou aqui, sem saber o que comer.
Ouvi passos e voltei à sala, para ver se ela precisa de algo e quando a vi, atestei que quem precisará de algo, serei eu, talvez um babador ou uma bomba de oxigênio para o ar voltar aos meus pulmões.
Como essa mulher aparece assim? Aqui, na minha casa. Nem nos meus melhores sonhos a imaginei assim. Com um shortinho curto, não, curtíssimo e uma camisetinha que pode parecer inocente a outros olhos, mas aos meus, é totalmente indecente, pois acentua perfeitamente seu corpo, evidenciando suas curvas, fechando com o cabelo solto que acabou de lavar e de chinelos, como se estivesse em seu próprio lar.
— Edward... Tudo bem?
— Claro. É que achei estranho você ter uma muda de roupa, só isso.
— Ah, sim. É que nós mulheres temos que ser precavidas e sempre andar com uma muda de roupa a mais na bolsa e no meu caso, deveria andar até com duas, do jeito que sou desastrada.
Ela sorriu diante do comentário e eu a acompanhei, mas seu sorriso e risada são tão lindos, que me dá vontade de vê-la sorrir sempre e ainda mais, ser o causador dos seus sorrisos.
— Entendi, menos mal, mas Isabella, você já jantou? É que estava procurando algo, mas não achei nada e se estiver com fome, posso pedir algo.
— Não tem nada na sua dispensa? Ou não encontrou nada que seja fácil cozinhar?
— Acho que a segunda opção é a mais exata.
Sorri e ela me acompanhou.
— Sabia. Você deve ser igual ao meu pai, uma negação na cozinha, mas mostre onde fica, prepararei algo para nós.
— O que? Você vai cozinhar? – Ela me olhou com uma expressão brava, como se estivesse duvidando de seus dotes culinários. – Não é que eu duvide de você, de maneira nenhuma, é só que não precisa fazer isso.
— Por favor, Edward, você está me abrigando muito gentilmente em sua casa, e não vou nem fazer um jantar para nós? Poupe-me, ande, vamos logo à cozinha, que verei o que posso fazer e nem adianta contestar.
Realmente essa mulher é fogo.
A levei a cozinha e expliquei onde pode encontrar o que precisa, ela logo se habituou a tudo e começou os preparos. A vi fazer uma salada fria e pegar um frango que tinha na geladeira, os transformando em grelhado, além de um macarrão ao molho branco.
Enquanto prepara tudo, fomos conversando e finalmente estou podendo conhecê-la. Ela é advogada, tem 24 anos, mora sozinha, tem uma família pequena, como a minha, só o pai, a mãe e ela. Gostamos dos mesmos tipos de música, livros e filmes.
Ela é tão mais linda do que imaginava, sua beleza ultrapassava o corpo escultural, mas seu coração consegue ser ainda melhor. Ela ajuda uma instituição de caridade e vai lá todos os domingos, fiquei pensando se é depois da caminhada que dá no parque, mas engraçado, ela disse todos os hobbies que costuma fazer, mas não falou sobre caminhar no parque aos domingos, também fiquei quieto, se ela não sabe da minha existência por lá, tão pouco revelarei...
Por fim, decidi ao menos arrumar a mesa, aproveitei e peguei um vinho para acompanhar o jantar magnífico que ela preparou.
Comemos praticamente em silêncio, apenas trocando algumas palavras, eu para elogiar sua excelente comida, com ela respondendo encabulada. E pude observar outra façanha, quando fica envergonhada, seu rosto atribui uma linda coloração rosada, que a deixa ainda mais encantadora.
— Você já esta cansada Isabella?
— Por favor, me chame de Bella. Acho Isabella muito formal e já tenho que ouvir o dia inteiro no tribunal. Gosto que as pessoas mais íntimas me chamem de Bella.
— Agradeço a concessão. Eu não tenho um apelido, então pode continuar me chamando de Edward. – Demos risada. – Mas Bella, você não está cansada?
— Não, mas se você quiser ir dormir, fique a vontade.
— Não, seria o contrário. Quero saber se não gostaria de continuar tomando vinho na sala, podemos ouvir uma música e conversar mais.
— Será ótimo.
Pegamos as taças e eu a garrafa, e sentamos no tapete no chão mesmo, coloquei tudo na mesa de centro e liguei o som.
— Sua casa é muito bonita Edward. Dê os parabéns a sua mãe por mim.
— Com toda certeza, ela vai adorar mais um elogio a sua coleção. Mas é estranho, não acha? Somos duas pessoas solteiras e gostamos de morar sozinhos, quando ainda poderíamos viver na casa dos nossos pais.
— É verdade. Eu até passo uns dias por lá, mas gosto de saber que tenho a minha casa, o meu canto, onde posso fazer o que bem entender. Posso chamar amigos para conversar, ficar apenas sozinha ou ainda levar alguém especial.
Quando disse isso, meu coração falhou uma batida, é horrível pensar que enquanto fico aqui, sempre pensando nela. Ela vive a vida cercada de outras pessoas, outros homens, melhor dizendo.
— Você leva muitas pessoas especiais a sua casa?
Citei com a voz um pouco alterada.
— Sim. Eu adoro de vez em quando levar algumas das crianças do orfanato. Isso geralmente não é muito permitido, mas como não posso dormir lá, dou um jeito de levá-las a minha casa.
— As pessoas especiais são as crianças?
— Claro. Quem mais poderia ser?
— Não, ninguém. Você é uma mulher fantástica Bella, fiquei muito feliz que tenha aparecido aqui essa noite e que possamos nos conhecer. Acho que há muito tempo procurava alguém como você, com uma conversa tão boa, cabeça feita e ainda muito linda.
Ela corou, abaixando os olhos, mas, por fim, respondeu.
— Eu também estou feliz em finalmente poder encontrar você, Edward. Sinceramente, faz muito tempo que não conheço alguém tão agradável, gentil, hospitaleiro e bonito, como você.
Essa é a minha deixa, se não fizer nada agora, com certeza não farei nunca mais.
Tomei o último gole da minha taça, a coloquei sobre a mesa e me aproximei. Acariciei seu rosto suave e seu perfume entrando em minhas narinas está me deixando completamente embriagado.
— Bella, quero fazer uma coisa desde muito tempo e caso não queira é só dizer, mas eu preciso tentar.
Encostei nossos lábios em um leve roçar, só para que tenha ideia do que estou falando, mas quando ia me afastar, sua mão segurou minha nuca e a boca entreabriu, em um convite mudo para que continue e foi o que fiz.
Afaguei novamente seus lábios e introduzi a língua, então, tudo explodiu.
Há quase um ano venho sonhando com essa mulher e agora ela está aqui, literalmente em meus braços.
Nos beijamos como se não houvesse amanhã, é como se ela também estivesse esperando por isso, tanto quanto eu.
Fui deitando o corpo por cima do seu no tapete e comecei a explorá-lo com as mãos, passei do rosto, descendo pelos ombros passando pela barriga lisa e encontrando suas pernas bem torneadas. Ela enrolou uma delas em meu quadril e impulsionou de encontro a mim, percebendo a minha já crescente ereção. Soltei seus lábios, mas não o corpo, descendo trilhas de beijos por seu queixo e pescoço.
— Bella, preciso saber se você está certa disso. Porque se formos em frente, não conseguirei parar.
— Edward, eu quero. Quero você como nunca quis outro alguém. Quero tanto que chega a me faltar o ar em pensar no tanto que esperei por isso. Me faça sentir plena, me faça sua essa noite...
— Eu farei. Farei tudo por você.
Voltamos a nos beijar, suas mãos vieram afoitas para o meu peito e costas, eu estar sem camisa já ajudou muito.
Resolvendo que a amarei lentamente e o chão da minha sala não é lugar para isso. Levantei a puxando comigo, ainda com as pernas entrelaçadas no meu quadril, continuamos aos beijos até o meu quarto e assim que a depositei na cama, parei um minuto para contemplar a mulher maravilhosa, deitada entre os meus lençóis, esperando ser amada por mim.
Deitei por cima dela e voltamos a nos beijar, levei as mãos à barra da blusinha e comecei a acariciar...
— Tira.
Ela sussurrou e prontamente atendi, levantando a peça e constatando a ausência de sutiã, evidenciando seus seios perfeitos, passei a blusa por sua cabeça e joguei em um canto qualquer.
— Perfeita.
Comecei a passar a mão, vendo-a suspirar a cada toque. Abaixei começando a beijar do umbigo até chegar próximo aos seios, olhei em seus olhos, pedindo permissão para continuar e ela apenas assentiu, tendo um brilho diferente em seu olhar.
Então os beijei, intercalando entre os dois e quando não aguentei mais, comecei a lamber, mordiscar e chupá-los, parecendo um bebê esfomeado, encontrando o tão sagrado alimento.
Ela geme e ronrona palavras sem sentindo, parecendo uma gatinha manhosa, suas mãos estão na minha bunda, me puxando mais contra si e assim, começou a descer minha calça, a ajudei ficando apenas com a boxer, que já não omiti quase nada da minha excitação por ela.
Desci os beijos de volta em direção à barriga e olhei o minúsculo short, que é a verdadeira tentação. Puxei o tecido, olhando em seus olhos, mas quando o tirei, quase voei nela.
Isso pode ser considerado uma calcinha?
— Isso aqui é para tirar toda a minha sanidade, não é mesmo?
— Você ainda tem? Porque a minha foi embora quando o vi com a boxer.
Declarou com uma expressão sexy demais.
Essa mulher vai ser minha morte, fato.
Comecei a acariciá-la, ainda por cima do pedaço de pano e caramba, dá para sentir como está molhada, totalmente entregue, assim como eu.
Ela se esfrega tanto em minha mão, que já estou perdendo o juízo, então resolvi tirar o pedacinho de pano, pois não faz quase nenhuma diferença mesmo.
— Acho que não poderá mais usá-la.
— Não tem problema. Eu tenho algumas outras em casa.
— Sua provocadora.
Olhei para seu sexo livre e ela é realmente perfeita, está mesmo encharcada.
Passei os dedos pelas dobras, a provocando.
— Por favor.
Ela choramingou e por estar querendo tanto quanto ela, coloquei um dedo vendo-a continuar a remexer, introduzi outro e previ a morte, ela é tão apertada, não sei nem se conseguirei me colocar todo.
— Edward, não me tortura. Eu preciso de você.
— Eu estou aqui Bella. O que mais precisa?
— Eu preciso de você. Todo dentro de mim, agora!
Sua boca tremeu e cabelo começou a grudar no rosto suado, a imagem da luxúria.
— Seu pedido é uma ordem.
Comecei a retirar a boxer e ela se levantou para me ajudar, aproveitando para acariciar-me.
— Você, não disse que estava com pre... Pressa.
Gaguejei quando suas mãos apertaram um pouco mais.
— E estou, mas não perderia a oportunidade de te tocar. Onde tem camisinha?
— Segunda gaveta.
Ela se afastou e pegou o preservativo, ao voltar abriu começando a me vestir, passando as mãos e me deixando totalmente pronto para tê-la.
Avancei sobre a deitando de novo e prendendo os braços no travesseiro.
— Estou tentando ser delicado, mas você não esta colaborando.
— Eu só quero te sentir. Delicado ou não, forte ou não, do jeito que for. Eu quero sentir você, Edward. Quero que me ame, só como você é capaz.
Quando terminou de falar, a penetrei, arfamos juntos e parece que saímos do espaço, a sensação de preencher seu corpo é inexplicável.
Fiquei um tempo parado, para nos acostumarmos um ao outro, mas apesar de ser bem apertada e meu membro parecer muito grande para o espaço, o nosso encaixe foi perfeito para o nosso prazer.
Ela rebolou procurando mais atrito e foi minha deixa para começar a dança sensual que só com ela posso fazer.
Movimentamo-nos juntos, em total sincronia, suas mãos nas minhas costas, me arranhando, mas sem realmente causar dor, isso acontece toda vez que alcanço um ponto além.
Em retribuição, estou com a boca em seus seios, um lugar maravilhoso para se ficar, diga-se de passagem.
— Huuum. Edward. Assim. Você é perfeito...
Olhei em seus olhos, encontrando-os focados em mim e a beijei com toda a paixão que sinto, talvez até amor, porque faz muito tempo que sei que sou apaixonado, talvez até já a ame, agora só preciso fazer com que ela se apaixone por mim...
Ela impulsionou o corpo e nos sentamos, ela começou a cavalgar e essa visão não sairá jamais da minha mente.
Seu corpo se movendo junto com o meu, o cabelo molhado, boca entreaberta, sussurrando palavras de prazer e os seios diante dos meus olhos.
— Bella, estou indo a loucura, não sei se aguentarei muito mais.
Estar aqui, com ela, é o céu e meu corpo já não está mais aguentando o imenso prazer.
— Eu também não, preciso que você venha comigo.
— Sempre.
Nos deitei e com mais alguns movimentos, a senti começar a me apertar ainda mais e era o que faltava para explodir junto consigo.
Se já tive um orgasmo assim, não lembro, mas provavelmente não, porque o prazer se deve a mulher incrível ao meu lado.
Deitei a cabeça em seu ombro e tentei não soltar o peso todo do meu corpo em cima do seu, pouco a pouco nossas respirações foram se acalmando e levantei o rosto para olhar o seu.
— Você está excepcional, com essa expressão de satisfeito.
— E estou mesmo muito satisfeito, obrigado Bella.
A beijei.
— Eu que tenho que agradecer. Você me fez sentir plena e foi tudo perfeito. Agora só quero me agarrar contigo e dormir sem pensar em mais nada, será que posso?
— Claro, eu já volto.
Levantei, tirei a camisinha, dei um nó e joguei no lixo, voltei para a cama, encontrando-a linda, com os olhos fechados, deitei ao seu lado.
— Já dormiu?
— Não, estava só pensando. – Ela deitou a cabeça em meu peito e eu nos cobri. – Obrigada Edward, por ser real e ter me deixado entrar agora em sua vida.
— De nada.
Me aconcheguei melhor, tendo a melhor noite de sono da minha vida, porque pela primeira vez, não tenho que imaginar sobre estar ao seu lado, porque de fato, estou.
Comecei a acordar e imediatamente senti falta de algo ao meu lado, bati as mãos e não encontrei nada, acordei sobressaltado e olhei o vazio.
— Ah, que legal Edward. Agora você realmente se superou. Sua imaginação não tem limites, não é? O que vai ser da próxima vez? Sonhar que esta casando com ela?
— Se essa mulher que quer casar for eu, posso dizer que aceitaria com todo o prazer.
Olhei para a porta, encontrando-a com a mesma roupa de ontem e uma bandeja com café.
— Bella? É você mesmo?
— Pensei que tínhamos deixado essa fase para trás, não é?
Ela caminhou em direção à cama e sentou, deixando a bandeja no meio.
— Bom dia.
Me beijou e retribui.
Caramba, é ela mesmo e está me beijando, ou seja, tudo o que aconteceu ontem foi verdade.
Deus, valeu. O Senhor é mesmo O Melhor, pensei olhando para cima e dando uma piscadinha...
— Releve, é de manhã e ainda não acordei completamente. – Justifiquei.
— Eu entendo, mas acho que se ainda não está completamente acordado, sei de alguém que parece estar bem ativo.
Olhei para baixo, vendo meu amigo com um belo sinal de vida.
— Desculpe Bella, é que eu não posso evitar. Não quero que ache que sou um tarado.
— Edward, deixa de besteira. – Me beijou de novo e pegou um morango na bandeja, me dando na boca. – Eu não ligo, agora vamos tomar café e saiba que se comportarem-se bem, posso até dar uma atenção depois.
Disse e piscou.
— Você não existe, sério. Deixa só eu levantar e lavar o rosto, já volto. Não sai dai.
Corri para o banheiro, fiz a higiene matinal e coloquei outra boxer, se ela quer terminar o café, tenho que pelo menos me prevenir.
Voltei à cama, encontrando-a linda e sentada, comemos em meio a beijos e brincadeiras, quando terminamos, coloquei a bandeja no chão e deitei com ela novamente encostada ao meu peito.
Ficamos um tempo em silêncio, só aproveitando a companhia um do outro.
— Edward, tenho uma coisa para falar.
— Diga.
— É que é meio sério. E bem estranho e confuso. – Levantei para olhá-la e ela sentou de frente para mim. – E talvez depois que ouça, nem queira mais me ver, mas preciso falar.
— Tudo bem Bella, pode dizer.
— É que ontem não foi a primeira vez que te vi.
— Não?
— Não, eu já te conheço a um bom tempo, quase um ano para ser mais exata...
Então ela me via no parque? Não posso acreditar. Sempre pensei que fosse invisível a ela.
— Também tenho que confessar algo. – Ela concordou, me incentivando a continuar. – Eu também te conheço de antes, na verdade acho que é do mesmo lugar, o parque, todos os domingos...
— Você me via lá? Eu sempre tentei ficar escondida e não deixá-lo me ver.
— Por quê?
— O que você pensaria de uma louca que ficava te olhando feito boba todos os domingos e nem sequer tinha coragem de falar, oi.
— Eu pensaria que ela é uma linda mulher e que adoraria se ela me falasse, oi, o seu nome, endereço e o resto todo.
Ela sorriu e a beijei, quando estava começando a aprofundar o beijo, ela parou.
— Tem mais uma coisa.
— O que?
— É que, além de ficar te olhando, também tinha certa obsessão por você. – A olhei intrigado. – É uma coisa estranha, mas desde que comecei a vê-lo, não parei de pensar em você e acabava entrando nas maiores encrencas. Achava que te via por todos os lugares, te confundia com as pessoas. Quantas vezes já não quase perdi o emprego ou apanhei de mulheres por ai, por ficar o olhando os homens delas, achando que era você. Sei que é loucura, eu até tentei procurar um psicólogo, mas na primeira sessão, fiquei doida, porque o perfume dele era igual ao seu, então desisti.
Fiquei impactado, ela é realmente a mulher certa.
Todo esse tempo, eu aqui, louco por ela e ela louca por mim.
Essa vida é coisa de loucos mesmo.
— Edward, Edward, fala comigo. Eu sabia, você vai me mandar embora e nunca mais vai querer me ver. E ainda vai me processar, pedir um mandato de restrição para que nunca mais chegue perto de você, eu entendo.
Diante da fala descontrolada, não encontrei alternativa, a não ser beijá-la, o impulso foi tão grande, que caímos na cama, comigo por cima.
Após o susto, ela correspondeu o beijo, tão afoita quanto eu e quando o finalizamos, abri um sorriso lindo, apesar da sua expressão confusa.
— Fica quieta ai.
Levantei para pegar o perfume que comprei só por sua causa dela, rapidamente voltei à cama e o entreguei.
— Sabe por que tenho esse perfume?
— Não, é o que eu uso, mas por que você tem um perfume feminino? Ah, você tem uma namorada...
— Bella, não. Eu não tenho namorada, ainda. – Disse olhando dentro dos seus olhos. – Mas você está certa, eu sei que esse é o seu perfume, por isso o comprei, para poder ficar mais perto de você. É loucura eu sei, mas você não é a única que tem uma obsessão secreta. Todas as mulheres que conheço e até as que não, devem achar que sou louco, porque as confundo com você, e é assim com imagens, músicas, etc. Tudo me faz lembrar você. Ontem, fiquei ali daquele modo, porque pensei que era mais uma ilusão, mas não, finalmente era verdade e você estava lá. E está aqui. O que quero dizer, é que venho sonhando com você há muito tempo e não posso deixá-la escapar.
Bella parece abismada, eu também, claro.
Nunca pensei que um dia confessaria isso a alguém, ainda mais, a mulher que era a causadora de toda essa loucura.
— Isso é totalmente inacreditável. – Murmurou.
— Eu sei.
— E o que faremos agora?
Questionou, já com um sorriso no rosto.
— Acho que você pode começar a frequentar mais a minha casa, meu trabalho, a minha vida. E vamos ver se toda essa obsessão, dará em algo.
— Isso quer dizer que vamos ficar juntos?
Ela me deitou, ficando sentada em cima de mim.
— Juntos até quando você quiser.
— Então você terá que me aguentar por muito tempo, porque não quero te largar nunca mais.
— Então esse é o começo do nosso para sempre...
— Para sempre...
Ela me beijou e nos entregamos ao poder da nossa muito louca, estranha e perfeita, obsessão!
Obsessão, não, não. Obsessão.
Essa mulher virou a minha cabeça e o meu coração...
FIM.
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