Obsesso
27 26. Chapeuzinho de Neve
Notas iniciais
Aya estava agitada, olhando para a porta a cada cinco segundos. Naruto ligara e dissera que as tintas haviam chegado, portanto Sasuke buscara os sobrinhos na creche e agora os três esperavam pela chegada do Uzumaki.
Sasuke continuava a analisar o arquivo que encontrara na casa de Itachi. Fazia anotações em um caderno, além de relacionar os nomes com flechas. Achava que isso lhe daria um novo ângulo. Precisava desesperadamente de um novo ângulo.
— Tio Sasuke, ele vai demorar muito?
— Não sei, Naoto.
— Mas você falou com ele no telefone, ele disse se demorava? – perguntou Aya.
— Não me disse nada.
— Mas…
Porém a frase foi interrompida pelo toque da campainha. Aya pulou do sofá e saiu correndo até a porta. Sasuke sentiu um pânico absurdo tomar conta dele. E se fosse Kakuzu? E se fosse um assassino a esperá-la?
— Aya, espera!
Sasuke levantou e correu atrás dela. Quando a alcançou, porém, a garota já abrira a porta.
— TIO NARU!
Aya pulou nos braços do loiro que a pegou por puro reflexo. Sasuke sentiu que podia respirar novamente. Abriu a porta para Naruto, que colocou Aya no chão e pegou as tintas que deixara cair.
— Oi, pequena. Pronta pra pintar seu quarto?
— Sim, sim, sim!
— Eu também tô, tio Naru – disse Naoto, ainda no sofá.
Naruto sorriu para Naoto, que sorriu de volta, tímido. Gostava de Naruto. O garotinho correu para o lado do loiro, mas não chegou a encostá-lo.
— Aya mostra onde fica o quarto. Já removi todos os móveis e forrei o chão com o jornal. Não façam bagunça. Limpem tudo depois e não façam barulho. Estarei trabalhando aqui na sala.
Momentaneamente, Naruto sentiu-se um empregado doméstico. Assentiu com a cabeça, vendo Aya apenas revirar os olhos e Naoto também concordar.
Sasuke deu as costas aos três e voltou à mesa. Continuou com seus rabiscos e observações. Naruto deu de ombros.
— Por aqui, tio Naru, por aqui.
Aya correu pelo corredor e Naruto não teve o que fazer além de correr atrás dela. Carregava mais de quatro litros de tinta, mas ninguém parecia se importar com o fato. Sasuke podia ao menos ter se disposto a ajudá-lo a carregar.
Chegou ao quarto dos pequenos e ficou levemente constrangido ao se recordar de sua casinha. O quarto de Aya provavelmente era maior do que sua sala. E ele teria que pintar tudo aquilo. Sentiu que fizera besteira ao propor aquilo à garota Uchiha, porém era um jeito de pagar pelo que estava recebendo de Sasuke. Um dinheiro que Naruto começava a aprender que não lhe fazia falta nenhuma.
— Ok. Preparados pra se sujar?
Os dois pequenos assentiram e Naruto colocou um rolinho na mão de cada um. Sabia que Aya e Naoto mais pintariam um ao outro do que ajudariam com as paredes, porém aquilo era parte da diversão.
— Vamos começar pintando aquela parede ali de branco. Eu pinto em cima e vocês pintam embaixo, ok?
— SIIM!
Aya pegou o rolo e mergulhou na tinta. Ao retirá-lo, tinta pingava por todo o chão. Naruto riu, agradecendo pelo jornal.
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Sasori detestava fazer os outros esperarem, porém o trânsito estava impossível naquele dia. Levaram quarenta minutos. Encontraram Nagato parado no lado de fora do hospital.
— O que foi? Sasuke se acidentou e ninguém ficou sabendo?
Nagato negou com a cabeça.
— É mais sério do que isso. O que eu vou falar agora deve ser segredo de absolutamente qualquer outra pessoa. Se eu souber que vocês contaram a alguém, farei com que desejem a morte.
Sasori estreitou os olhos e Deidara recuou um passo. Nenhum deles vira Nagato daquele jeito antes. Nunca.
— O que aconteceu? – Deidara finalmente perguntou.
— Alguém estuprou Konan, e eu quero descobrir quem foi o desgraçado.
Deidara sentiu primeiramente raiva, mas depois um prazer macabro. Independente de quem fosse, sofreria mais do que qualquer outra pessoa na face da Terra. O bastardo pagaria por aquilo.
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A primeira parede fora pintada. Aya estava deitada no chão, atirada como se estivesse em uma cama.
— Isso caaansa, tio Naru!
Naoto estava do outro lado da sala, igualmente cansado.
— Cansa um pouquinho, mas pelo menos posso fazer isso.
Ele esticou o rolo, que tinha preso em uma haste longa para alcançar a parte alta da parede, até Aya e ameaçou pintá-la. A menina riu como boba e rolou pelo chão. Naruto então foi atrás de Naoto, que também ria. O garotinho correu até seu próprio rolo – mas esse pequeno –, e depois se aproveitou da distração de Naruto – que perseguia Aya novamente – e pintou as costas da camiseta dele.
O loiro gritou de susto e Naoto saiu rindo. Naruto estreitou os olhos.
— Ah, não, agora você me paga. Vou te mergulhar na tinta e pintar a parede contigo.
Naoto começou a rir e saiu correndo. Aya também corria e os três pararam com a pintura para brincarem de pega-pega. Sasuke apareceu na porta nem quinze minutos depois. O barulho chamara-o. Pensara que odiaria, porém… a cena não era assim tão perturbadora.
Ficou observando as três crianças – Naruto não poderia ser considerado um adulto naquele momento – correrem de um lado para o outro. Quando Aya caiu no chão e começou a chorar, Sasuke percebeu que era hora de terminar com a brincadeira.
— O que eu disse sobre bagunça?
Caminhou apressado até Aya, que chorava com o joelho sangrando. Não era nada profundo, apenas um arranhão.
— Não precisa chorar tanto, Aya.
— MAS TÁ DOEEEENDO, TIO SASUKEE!
— Aya-chan, calma. Já já vai passar, ok? Eu prometo – falou Naruto, agachando-se ao lado dela.
— Mas dói, dói.
Ela ainda chorava. Sasuke suspirou.
— Vou fazer um curativo nisso.
Ele saiu do quarto, e Naruto sentou-se em frente a ela. Puxou Aya para seu colo.
— Eu acho que vou te contar uma história.
Ela fungou, ainda sentindo a perna arder.
— Que história?
— A da Chapeuzinho de Neve.
Aya piscou confusa.
— Não tem essa.
— Tem sim.
Naoto sentou-se quietinho ao lado do loiro; queria ouvir também. Colocou a mãozinha no ombro da irmã, e Aya agarrou a mão que a tocava. Era bom sentir Naoto pertinho.
— Era uma vez uma menina que tinha os cabelos negros como a noite e a boca vermelha como tinta. Ela ganhou da vovó dela um chapeuzinho vermelho, e usava ele sempre.
— Você tá misturando tudo, tio Naru! – falou Naoto rindo.
Naruto sorriu de volta e continuou.
— A Chapeuzinho Vermelho, vulgo Branca de Neve, amava muito o papai dela. Mas, um dia, esse papai casou com uma mulher muito má, que tinha outras três filhas. Essas filhas faziam com que a Branca de Neve, vulgo Chapeuzinho, ficasse limpando a casa toda, todos os dias.
— Não, tio Naruto, essa é a Cinderela! – disse Aya.
— Mas a madrasta da Cinderela, vulgo Chapeuzinho de Neve, tinha muito ciúmes da beleza dela. Então, com seu espelho mágico, decidiu que iria matar a nossa heroína.
Sasuke chegou com os curativos, mas não disse uma palavra. Ficou a ouvir a versão misturada de todas as estórias. Mantinha um sorriso contido no rosto.
— Matar?! – assustou-se Naoto.
— Uhum. Mas a Chapeuzinho tinha uma fada madrinha. A fada madrinha transformou os anões de jardim da casa dela em ratos, e esses ratos foram atrás da madrasta má.
Aya riu muito, assim como Naoto. Sasuke começou a mexer no joelho dela, e a menina agarrou a mão do irmãozinho.
— Dói, tio Sasuke!
Ela recomeçaria a falar, mas Naruto retomou sua narrativa.
— A madrasta ficou tão assustada com os ratinhos que tentou sumir com todos eles usando a sua magia. Mas ela não podia, porque Branca deixou seu sapatinho de cristal atrás dela, aí a mulher tropeçou e caiu. Os ratinhos subiram nela e começaram a fazer cócegas assim.
Naruto começou a fazer cócegas na garota, que ria e se contorcia no colo dele. O movimento fez com que Sasuke fosse incapaz de continuar com o curativo.
— Aya, fique quietinha.
— Mas o tio Naru tá fazendo cosquinha! Para, tio Naru, para!
Naruto beijou o topo da cabeça dela logo depois de parar. Aya sorriu para ele, e Naruto sorriu de volta. O Uzumaki olhou para Naoto e bagunçou os cabelos dele. O menino abriu um sorriso tão enorme que fez até com que Sasuke levantasse levemente os lábios.
— Tio Naru já parou.
Aya ficou quieta e choramingou enquanto o curativo era feito. Sasuke fez tudo com o capricho de um policial treinado em primeiros-socorros, o que fez com que Naruto admirasse a dedicação dele.
— Ah, não! Agora perdi minha ajudante! Vou ter que arrumar tudo sozinho?
— Tio Sasuke ajuda!
Aya pareceu amar a ideia do irmão e desviou o olhar para Sasuke, que não aparentou achar a ideia assim tão boa. Naruto sentiu-se constrangido ao perceber que colocara o Uchiha em mais uma situação desconfortável.
— Naoto, o combinado foi que vocês ajeitassem tudo. Eu disse que não ia participar.
— Deixa, Nao, o tio Sasuke precisa trabalhar.
Aya desviou o olhar do tio e agiu como se ele não estivesse na sala. O Uchiha conseguia sentir a raiva nem-tão-velada com que ela dizia as palavras. Tentou não se irritar com ela.
— Sim, Aya, eu preciso. Mas você não corre mais, ok? Nem você, Naoto. Tentem não se machucar.
— Tio Sasuke, você tem que ficar aqui cuidando da gente. Não trabalha.
Era uma mistura de ordem e pedido. Sasuke odiava receber ordens.
— Naruto está aqui cuidando de vocês. Eu preciso trabalhar.
— Não precisa! Tá trabalhando sempre, tio Sasuke.
— Sim, Aya, porque o meu trabalho não acaba até quem matou o seu pai estar morto também.
Aya ficou emburrada.
— Isso vai demorar muito, tio Sasuke! Ele não vai ficar velhinho rápido. Vai demorar anos! E daí você não vai brincar nunca!
Naoto entendera um pouquinho melhor do que a irmã o que tio Sasuke quisera dizer. Cutucou Aya.
— Aya… ele quis dizer até que ele ache o cara mau…
— Não, Nao! Tio Sasuke é um herói, e heróis não matam gente, lembra? Só se for sem querer. Né, tio Sasuke? Você quis dizer que ia esperar, né?
Sasuke não sabia de quem Aya puxara aquela inocência. Até mesmo Naoto percebia a verdade por trás de suas palavras, mas ela não. Aya era tão… ingênua. Mesmo para uma menina de cinco anos, ela era ingênua. Sasuke sentia que ela permaneceria daquele jeito, e aquilo o assustou de uma maneira que fez com que se sentisse sem ar. Apesar de amar aquele jeitinho todo dela, também o temia. Ela era alvo fácil para qualquer Deidara ou Sasori que tentassem se aproximar.
— Sim, Aya. Foi o que eu quis dizer.
— Viu, Nao?
Naoto assentiu com a cabeça, mas ele era mais observador do que Aya. Ele viu a sombra que passou pelos olhos do tio, e sentiu aquele medo estranho que sentia às vezes. Aquele medo que fazia com que ele achasse que seu titio era capaz de fazer coisas ruins. Sentia aquilo com o papai também. Quase nunca, mas às vezes passava aquela sombra pelos olhos de Itachi, e Naoto sentia muito medo. A sombra era ainda mais presente nos olhos de Sasuke. Aproximou-se um pouco de Naruto e escondeu o rosto no braço dele.
— O que foi, Naoto? – perguntou Naruto.
Naoto apenas negou com a cabeça e ficou ali, quietinho. A sala ficou em silêncio por vários segundos. Talvez Sasuke tenha percebido que Naoto sentira algo, ou talvez ele tenha apenas ficado com vergonha ao perceber que deixara todo o trabalho para Naruto. O que se sabe é que ele levantou e pegou o rolo com a haste longa.
— Vamos pintar esse quarto ou não?
A risada de Aya tomou o lugar e Naruto deixou a menina observar a tudo do chão. Naoto foi ajudar os homens, e ela ficou apenas observando enquanto os três pintavam.
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Nagato abriu a porta e olhou Konan deitada na cama. Ela estava sedada, e tinha um curativo na barriga. Fechou a porta novamente e caminhou até a recepção.
— Onde posso marcar um aborto?
A mulher levantou os olhos assustada. Tinha uma pele bonita, clarinha, mas olhos ruins. Nagato detestou-a.
— Apenas a mulher pode fazer isso.
Nagato suspirou. Não era o melhor dia para testarem sua paciência.
— A mulher em questão não pode no momento, está sedada. Eu gostaria que tudo fosse feito antes de ela acordar, por favor.
A recepcionista arqueou uma sobrancelha, e abriu um sorriso irônico tão desrespeitoso que fez com que Nagato precisasse usar todo o seu autocontrole para não matá-la bem ali.
— Desculpe, mas um aborto não acontece assim não. É preciso que a mulher esteja consciente e de acordo com tudo o que vai acontecer. Eu sei que nossa sociedade é machista, mas homem algum tem o direito de tomar esse tipo de decisão e não é só porque você não vai arcar com as consequências que nós agendaremos um aborto.
Nagato sentiu uma veia pulsar. Tudo o que menos precisava era de uma pseudofeminista a dar-lhe lição de moral.
— A mulher em questão está sedada porque ela tentou arrancar a porcaria daquela criança com as unhas. A porcaria da concepção não foi consensual e o bebê definitivamente não foi planejado. Agora poderia, por favor, parar de dar chilique sobre a vida de quem não conhece E ME DIZER COM QUEM EU AGENDO A PORCARIA DO ABORTO?!
A mulher calou-se. Ela engoliu em seco, percebendo que aquele era um péssimo dia para ela também. Não devia ter-se deixado levar, porém ele não era o primeiro homem a vir pedir aquilo, e já vira tanta mulher bacana sendo obrigada a abortar por namorados idiotas que… engoliu em seco. Nada justificava a forma como falara.
— Desculpe-me senhor, eu me excedi. Esse assunto deve ser tratado com o médico da paciente.
Nagato não agradeceu ou a desculpou. Apenas saiu à procura do médico infeliz. Não demorou a encontrá-lo. A situação foi explicada e a cirurgia marcada. Fá-la-iam ainda naquele dia.
–-//--//--//--//--//
Faltava uma parede. Sasuke suava, cansado. Na casa, o ambiente era de vinte e cinco graus. Quente demais para um trabalho como aquele. Naruto mal conseguia disfarçar os olhares de soslaio, o desejo contido naqueles olhos azuis tão profundos. Sasuke achava aquilo extremamente engraçado, principalmente porque sabia que o Uzumaki não nutria sérias esperanças de ficar consigo. Resolveu provocar.
Deixou a haste com tinta no chão e apoiou as mãos nos joelhos, como se tivesse corrido muito.
— To cansaaado, tio Sasuke! – reclamou Naoto, deitando no chão.
Sasuke assentiu com a cabeça.
— Eu também to. Mas falta só uma agora.
O Uchiha removeu sua camiseta e deixou o abdômen à mostra. Naruto engoliu em seco, sabendo que aquilo não ia prestar. Quase desviou o olhar, mas não conseguia. Sasuke era tão gostoso… podia mordê-lo inteirinho três vezes só por diversão.
Olhou para os olhos negros, e sentiu o toque risonho neles. Não risonho de verdade, porque aquele era Uchiha Sasuke, vulgo o diabo, vulgo Sem-coração Uchiha. Mas o mais próximo disso que esse cara podia representar. E Naruto finalmente percebeu que Sasuke já notara sua atração e estava só brincando consigo. Não sabia se sentia raiva ou se aquilo o excitava ainda mais, sabia apenas que aquele era um jogo para dois.
Removeu sua camiseta também.
— Que caloooor!
— Também vou, também vou!
Naoto removeu sua própria camiseta levemente suada e Aya olhou para os três homens à sua frente. Naruto era o mais definido, mas Sasuke não parecia menos musculoso por isso. Eram ambos lindos à sua forma.
— Também quero!
Aya também retirou sua camiseta, o que fez com que Naruto risse.
— Aya, você nem tá trabalhando.
— Mas eu quero, oras!
Sasuke suspirou.
— Por enquanto você pode. Se ficar tirando sua camiseta na frente de homens quando for mais velha, teremos uma séria conversa.
Aya franziu o cenho, confusa.
— Por que não pode, tio Sasuke?
Naruto riu. Aquela conversa parecia que ia ser tão divertida…
— Porque você é menina, oras! – Naoto respondeu.
Aya inflou as bochechas.
— E daí se eu sou menina? Posso ficar pelada se eu quiser!
— Não na frente de outros meninos, porque todo mundo sabe o que eles querem – respondeu Naoto.
Ele não sabia o que os meninos queriam, mas ouvira aquela frase num filme e ela nunca mais saíra de sua mente. Naruto controlava todo o seu ser para não sair rolando pelo chão de tanto que ria. Sasuke apenas tentava não entrar em desespero pelo rumo que aquela conversa tomava.
— Eu não sei. O que os garotos querem, Naoto?
— Aquilo, oras!
Aya piscou, confusa, e olhou para Sasuke.
— O que os garotos querem, tio Sasuke?
“Puta que pariu, puta que pariu, puta que pariu”.
— Eles querem… coisas que você nunca vai dar a ninguém, ok?
Aya piscou novamente confusa.
— Minhas bonecas?
— Quase isso.
Naruto caiu sentado e escondeu o rosto entre seus joelhos. Sasuke tentando explicar aquele tipo de coisa era tão hilário, tão hilário… que nem mesmo hilário era uma boa palavra para descrever.
— O que eles vão querer com bonecas?
— Meninos não gostam de bonecas, tio Sasuke! – protestou Naoto.
— Esse assunto é muito adulto pra vocês.
Aya começou a rir novamente.
— Você nem sabe o que os garotos querem, né, tio Sasuke? Tá só enrolando a gente, que nem fez quando eu perguntei da dinda Ino.
Naruto não conseguia parar de rir. Recebeu um chute nas costelas por isso.
— Pare com isso, Uzumaki.
— Desculpa, mas é que… – mas a crise de riso o atingiu novamente.
— Por que o tio Naru tá rindo tanto? – perguntou Naoto.
Naruto respirou fundo e tentou parar de rir. Depois de alguns segundos conseguiu.
— Os garotos querem que você case com eles, Aya-chan. É isso que você não pode fazer, e por isso que não pode sair assim se pelando quando crescer.
— Ninguém quer casar com a Aya! – protestou Naoto, irritado. Sua irmãzinha não casaria com ninguém!
— Agora ainda não, mas quando os meninos crescem, é só em casamento que eles pensam. Quando você crescer, também vai pensar só em casamento, Naoto. E quando isso acontecer, vai ter que conversar com o titio pra ele te explicar como as coisas funcionam. Casamentos são complicados, mas depois que você entende eles são bem bacanas.
— Casamento? – Aya perguntou confusa. – Eu acho que ia gostar de um casamento.
O olhar de ódio que Sasuke lançou a Naruto naquele momento arrepiou cada pelinho que o Uzumaki tinha na nuca.
— Não, Aya. Casamento não é que nem aparece na tevê não.
— Não é?
— Não. Quando você casa, precisa dividir tudinho com seu marido. Até seu titio e o Naoto.
As bochechas inflaram novamente e ela levantou, esquecendo-se por completo da dor no joelho.
— Eu não vou casar nunca! Tio Sasuke e o Naoto são meus!
Naoto riu.
— Eu vou casar e daí você vai ter que dividir eu.
— Você vai ter que dividir a Aya quando casar também, Naoto – lembrou-lhe Naruto.
Ele negou com a cabeça.
— Eu não divido nada.
Naruto riu. O egoísmo não era característica única de Sasuke.
— Anda, Uzumaki, ainda temos a parede azul da Aya pra pintar.
Naruto assentiu com a cabeça e os três homens recomeçaram o trabalho. Por algum motivo, Naoto sentia-se muito másculo por estar sem camisa. Naruto recusou-se a observar as costas bem-feitas e moldadas de Sasuke, mas seus olhos fugiram para o corpo dele vez ou outra. Era uma visão perfeita demais para não ser apreciada.
–-//--//--//--//--//
A parede ficou pronta e Naruto jogou-se no chão. Seus braços doíam e estavam dormentes.
— Eu to morto.
— NÃÃÃÃO! – gritou Aya, que correu assustada até ele.
— Calma, Aya, to brincando só. É jeito de dizer que to cansado, só isso.
— Não! Sem dizer essas coisas. Não, não, não!
— Tudo bem, tudo bem.
Aya deitou-se com a cabeça no peito de Naruto. Estava quase deitada todinha sobre ele.
— Não diz.
— Não digo mais, juro.
Ela assentiu com a cabeça e ficou um minutinho ali, só ouvindo o coração dele bater. Era um som muito bom. Encolheu-se e bocejou.
— Acho que vocês precisam de um banho. Eu e o Uzumaki também.
Naruto acariciou os cabelos negros de Aya e tentou olhar para Sasuke ainda deitado. Quase quebrou o pescoço ao fazê-lo.
— Eu não trouxe roupa nenhuma, acho que vou pra casa.
— Não! – disse Naoto, subindo para o colo de Sasuke. – Tio Sasuke empresta roupa, né tio Sasuke? O tio Naru pode dormir hoje aqui.
Sasuke sentiu que aquela não seria uma boa ideia. Não confiava tanto assim em Naruto, apesar de o loiro não ter lhe dado grandes motivos para desconfiar até o momento.
— Acho que dormir não, Nao. Mas ele pode jantar, se quiser.
— Sim, sim, sim! – pediu Aya.
Naruto riu e assentiu com a cabeça. Se Aya queria…
— Eu arrumo umas roupas para você. Pode usar meu banheiro. Vou usar o outro para dar banho nesses dois.
— Não quero banho… – murmurou Aya. – Nem to fedida.
— IIIIH, eu sinto o cheirinho daqui – disse Naruto, tampando o nariz com um dedo.
— Nem to.
— Sem discussão, Aya. Pega seu pijama no quarto do Naoto.
Ela crispou os lábios.
— Por que pijama?
— Porque já é tarde. Agora vai.
Ela fez um biquinho, mas acabou obedecendo-lhe. Naoto não precisou que o tio mandasse-o ir, apenas foi.
Sasuke e Naruto ficaram sozinhos pela primeira vez.
— Por aqui.
Naruto levantou e caminhou alguns passos até alcançar Sasuke, que já saía corredor afora. A bunda dele era tão… afastou os pensamentos, sabendo que não se podia dar ao luxo de ter uma ereção naquele momento.
— Vou deixar algumas roupas para você sobre a cama. Tenho uma cueca nova, então pode usá-la.
— Não precisa, eu…
Mas Sasuke agia como se Naruto não estivesse falando.
— Acho que minhas roupas vão servir tranquilamente no seu corpo. As toalhas estão no banheiro, pode usar qualquer uma.
— Não precisa mesmo, eu coloco essas roupas aqui mesmo.
— Qual é o objetivo de se tomar banho e não trocar de roupa?
Naruto riu constrangido.
— Nem tá tão fedido assim…
— Não discuta, Uzumaki. Darei banho em Aya e Naoto, depois volto.
— Ok…
Mas Sasuke já fora.
–-//--//--//--//--//
— Tio Sasuke…
Sasuke encarou Naoto. Ele brincava com o patinho de borracha que Itachi lhe comprara há bastante tempo.
— Hm?
— Você gosta do tio Naru?
Sasuke poderia interpretar aquela pergunta de mil formas diferentes, porém tentou contextualizar. Naoto tinha quatro anos. Não, agora cinco.
— Ele é legal.
Naoto sorriu.
— Eu também gosto dele.
— Eu também! – disse Aya. – Eu gosto muitão.
Sasuke continuou a banhá-los. Aya parecia pensativa.
— E na frente de meninas, posso ficar pelada?
“Puta que pariu, ela não esquece isso?!”
— Não também.
— Mas são meninas!
— Mas meninas também podem querer coisas com meninas.
— Tipo casar?
— Isso.
Aya arregalou os olhos, como se nunca houvesse escutado nada parecido. Sasuke percebeu que teria que ter uma conversa séria com ela, ou correria o risco de ser odiado no futuro.
— Então você quer casar com o tio Naru?!
— Oi?
“…”
Sasuke realmente não conseguia imaginar de onde aquela pergunta surgira. Sabia que falavam sobre “casamento” e sobre ela ficar pelada em frente a meninas, mas… de onde aquela maldita pergunta surgira?
— Você quer?! – Naoto também arregalou os olhos, assustado.
— Não!
Mas talvez quisesse. Uma transa apenas. Ele era gostoso.
— Mas você ficou pelado na frente dele!
— Eu não fiquei pelado, eu tirei a blusa.
— Então eu também posso tirar a blusa. Não é ficar pelado.
Sasuke deixou sua cabeça cair, cansado.
— Não Aya, não pode.
— Por quê?
— Porque você é menina.
— E daí?
Como explicaria aquilo a ela?!
— Hm… pergunta pro tio Naru.
Aya voltou a rir.
— Ai, tio Sasuke, você não sabe de nada, né?
Sobre crianças? Não, ele realmente não sabia.
–-//--//--//--//--//
Naruto deixou a água cair pelo seu corpo. Normalmente não demorava muito no banho, mas que chuveiro era aquele?! Sentia que estava recebendo água diretamente do Céu. Não conhecia direito aquela temperatura. Era algo entre o fogo do inferno e o gelo do ártico com os quais estava acostumado.
Ficou vários minutos ali, só sentindo aquela água maravilhosa escorrer por seu corpo. E não era apenas a água, mas a pressão também. Nem sabia que um banho podia ser assim tão prazeroso. Depois de muito tempo – mais do que devia, verdade fosse dita –, Naruto saiu de debaixo d’água e quase se perdeu no conforto daquela toalha. Deus, era algo tão… macio.
Secou-se três vezes, apenas para sentir o pano escorrer por sua pele. Bagunçou os cabelos molhados e sentiu a água escorrer novamente. Sorriu. Encontrara mais um motivo para se secar. Foi nessa brincadeira de seca e molha que o deixou distraído demais na hora de entrar no quarto. Não percebeu que Sasuke já estava deitado na cama até ser tarde demais. O Uchiha já vira tudo o que seu corpinho tinha a oferecer.
— Demora mais que Aya – disse ele apenas.
— Eu tava… hm… é…
Sasuke deu de ombros e levantou da cama. Naruto não se preocupou em cobrir o resto que havia ali. Sasuke já vira igual.
Quando o Uchiha estava fechando a porta do banheiro, voltou-se para Naruto:
— Nice ass*.
Naruto começou a rir, e Sasuke fechou a porta. Não sabia que o diabo era capaz de fazer brincadeiras, mas esperava que elas tivessem um fundinho de verdade. Vestiu-se e saiu à procura das duas crianças.
*Seria algo como “bunda bonita”, ou “bunda legal”, ou algo nesse sentido.
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