Obsesso
20 19. Akatsuki entra em cena
Notas iniciais
Sasuke levava os sobrinhos de volta para casa. Já era tarde da noite, e nenhum deles jantara. Teria de pedir pizza novamente.
— Tio Sasuke! – chamou Aya.
— Hm?
— Cadê o bebê da tia Ino?
Sasuke estranhou a pergunta, e tentou pensar em alguma metáfora infantil, mas não nascera para criar metáforas ou eufemismos.
— Ele não tava com ela – concordou Naoto.
— Ele não veio ainda – Sasuke disse apenas.
— É a cegonha que vai trazer, né?
Sasuke olhou a garota pelo retrovisor. Parecia bem concentrada, tentando entender tudo o que acontecia. Ficou em dúvida se concordava ou tentava explicar a verdade.
— Não é não, sua boba – discordou Naoto. – Se fosse, ela já teria trazer.
— Trazido – corrigiu Sasuke.
— Mas foi o que eu disse! Ela já trazer.
Sasuke não se prestou a corrigi-lo novamente, e deixou que ambos resolvessem aquilo entre eles. Esperava que o assunto se prolongasse, mas, é claro, eles queriam a opinião de um adulto.
— Fala, tio Sasuke. Cadê o bebê?
— Tá na barriga da tia Ino.
Aya arregalou os olhos e lágrimas o invadiram. Ela recomeçou a chorar, deixando Sasuke levemente desesperado.
— Por que tá chorando?!
— A TIA INO COMEU O BEBÊ DELA!
“Puta que pariu, o que eu digo agora?!” Sasuke começou a se desesperar, mesmo sem demonstrar, e então Naoto começou a chorar também.
— Mas ela queria o bebê! Por quê, tio Sasuke?
— Ela não comeu o bebê!
O choro parou. As crianças começaram a limpar seus rostinhos, confusas. Sasuke as encarava pelo espelho do carro, sem saber exatamente o que responder à pergunta que ele sabia que se seguiria.
— Mas… então como que ele foi parar na barriga dela? – perguntou Aya.
Sasuke engoliu em seco. Aya tinha quatro anos, e não estava pronta para saber a verdade ainda. O que responder?!
— Ela… é a natureza, Aya.
— Mas como? – incentivou Naoto.
Sasuke teve a desagradável imagem de Ino e Gaara transando. Retorceu a expressão, não tinha como responder àquilo.
— Perguntem pra tia Ino.
Aya ficou em silêncio por alguns segundos, e então começou a rir.
— Você não sabe, né, tio Sasuke?
Sasuke desviou o olhar, e percebeu que Naoto também ria. Como explicar aquilo?!
— Eu sei.
— Então conta pra gente.
Aya ainda ria, certa de que Sasuke não sabia de onde vinham os bebês. O Uchiha percebeu que aquela era realmente uma boa forma de sair da situação. Fingir que não sabia a resposta era a única maneira de manter sua sanidade intacta.
— Você está certa, eu não sei.
Aya e Naoto começaram a rir descontroladamente, e Sasuke manteve seus olhos na estrada. Acabou por rir também, sem saber o que mais fazer. Esperava que Ino se saísse melhor com aquela pergunta do que ele.
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Depois de alimentar e colocar as crianças para dormir, Sasuke finalmente pôde descansar. Suspirou e se jogou sobre a cama, pegando o celular em seguida. Ainda precisava saber o que Naruto queria. Se ele tivesse se metido em problemas de novo…
Discou o número que Shikamaru lhe enviara e esperou. Foi atendido no sexto toque.
— Alô?
A voz que o atendera fora arrastada e sexy, e Sasuke piscou uma vez. Ele devia estar dormindo antes de atender.
— Uchiha Sasuke. O que queria comigo?
Ouviu o outro engasgar do outro lado, e conteve a vontade de rir. Gaara comentara que Naruto forçara uma voz feminina ao ligar, tentando se manter no anonimato. Tão ingênuo.
— Eu não… como você… não… eu não liguei pro Sabaku-san.
— Não quer falar comigo, então?
Sasuke sabia que ele queria, mas estava com pouca paciência para lidar com enrolações. Detestava conversas demoradas ao telefone, mesmo sem saber exatamente o porquê; apenas preferia ser prático.
— Quero! Quero, mas, só…
E Naruto voltou a se complicar e enrolar. Sasuke suspirou, querendo dormir.
— O que é? – interrompeu as desculpas que nem ouvia.
— Precisamos conversar.
Sasuke revirou os olhos. O sono chegava, e ele só queria dormir. Começou a, lentamente, remover suas roupas. Era prático; queria dormir.
— Estamos conversando. O que quer?
— Um problema surgiu.
O Uchiha revirou os olhos novamente e colocou o celular sobre a cama. Retirou sua camiseta e o colocou no ouvido novamente.
— Uchiha-san?
— Tô aqui.
— O que tava fazendo?
Sasuke piscou. Aquela conversa definitivamente estava indo para o lado errado, e estava durando muito tempo. Deitou-se confortavelmente debaixo das cobertas, trajando apenas sua roupa íntima. O sono o atingiu como nunca.
— Nada, Uzumaki. Só fale de uma vez.
— Minha identidade é falsa, assim como meus documentos, e meus cartões…!
Naruto começou a se desesperar do outro lado da linha, e Sasuke bocejou. Mais um problema…! Suspirou, sem ter realmente o que fazer.
— Segunda eu passo na sua casa e conversamos sobre isso. Tem dinheiro para sobrevier até lá?
— Sim, mas…
Sasuke desligou. O problema fora resolvido, ao menos temporariamente. Suspirou uma última vez antes de entrar no mundo dos sonhos. Estava exausto. Ainda bem que o dia seguinte era sábado e ele não precisava trabalhar.
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Sasuke foi sacudido várias vezes antes de abrir os olhos e ver Aya na cama com ele. Observou a garota por um segundo, antes de voltar a fechar os olhos.
— O que foi?
Ela deitou-se e o encarou. Começou a mexer no rosto do tio.
— Eu não to com sono.
Sasuke suspirou e abriu os olhos. Afastou as mãos pequeninas que ainda apertavam seu rosto e olhou seu celular. Eram sete horas da manhã. Sábado.
— Aya… eu to realmente exausto.
— Você é chato. Papai acordava pra brincar comigo.
Sasuke suspirou, cansado, e voltou a fechar os olhos.
— Papai era mais legal que eu.
A menina ficou em silêncio por alguns segundos, e Sasuke pensou que poderia voltar a dormir. Mas, é claro, ele não poderia.
— Tio Sasuke, o pra sempre vai demorar muito?
Sasuke abriu os olhos um pouco confuso.
— Como assim?
— Papai vai dormir pra sempre, né? Mas já faz um tempão! Quando que o pra sempre acaba?
O sono sumiu, e o Uchiha desviou o olhar dela. Encarou o teto, sem saber exatamente o que dizer. Viu que a sobrinha ainda esperava uma resposta.
— O pra sempre não acaba, Aya.
— Mas tudo acaba, você disse já pra mim. Quando eu perguntei sobre a sua amiga morena e você falou que a amizade tinha ‘cabado.
Sasuke soltou uma risada nasalada. Itachi tinha o dom de aparecer em sua casa sempre que ele estava acompanhado. Não lembrava mais o nome da tal morena, mas sabia que os sobrinhos haviam chegado na hora certa. Dez minutos antes e teriam visto coisas que os fariam ter pesadelos.
— O pra sempre não.
— Papai disse que ia amar eu pra sempre.
Sasuke desviou o olhar pra ela, e Aya chorava em silêncio. Ele não soube o que fazer, mas não a puxou para um abraço.
— Papai ama você ainda. Em algum lugar.
— Ele tá com o Papai do Céu?
Sasuke era ateu. Olhou para a garota, e deu de ombros.
— Tá em algum lugar, com alguém.
Acreditava que ele simplesmente deixara de existir, mas… ela tinha quatro anos. Crianças existiam para que os adultos mentissem para elas sem culpa.
— E você acha que ele pensa em mim?
— Todos os dias, Aya. Ele deve sentir muita saudade de você e do Naoto.
— Ele deve mesmo.
Sasuke assentiu com a cabeça, e a encarou. Ela não chorava mais – ainda bem, porque ele estava a ponto de adquirir problemas de audição por causa do choro dela –, mas parecia pensativa.
— Agora que o papai não tá mais aqui e é você quem cuida da gente… você é nosso papai?
Sasuke congelou. Ele… pai? Mas que merda era aquela?
— Não – respondeu rápido. – Eu sou o tio Sasuke ainda.
Ela assentiu com a cabeça.
— A gente tinha que falar do papai na aula ontem. Eu vou pegar meu caderno pra ti, tio Sasuke.
Sasuke observou a menina sair de sua cama apressada, quase caindo, e correr pela casa. Suspirou e esfregou seu rosto, cansado. Não servia para aquilo. Em que universo estava preparado para cuidar de uma criança? Ainda mais uma menininha indefesa… encarou o teto, quase conseguindo ouvir a voz de Itachi em sua cabeça.
“Idiota, idiota, idiota!” reclamou. Por que Itachi tinha que morrer?! Queria-o vivo, cuidando de Aya. Ele… pai? Não. Ser tio já era suficientemente complicado.
Aya voltou correndo e jogou o caderno cor-de-rosa sobre a cama, subindo em seguida.
— A profe escreveu, mas eu falei.
— Você ainda não sabe escrever? – Sasuke franziu o cenho.
— Eu sou criança, tio Sasuke!
— Hm.
Ele, aos quatro anos, já escrevia. Ligaria para aquela escola em outra hora, querendo saber o motivo do atraso. Aya estava para completar cinco, já devia saber essas coisas.
Pegou o caderno que ela estendia e viu um cartão colado. Nele, a caligrafia bonita de uma adulta respondia às questões que haviam sido impressas.
— Lê em voz alta, lê!
Ele suspirou, mas acabou cedendo.
— No que seu papai trabalha? Ele é um herói. – Sasuke tinha o dom de ler num tom monótono. – Como ele se chama? Itachi. Você mora com ele? Moro com o tio Sasuke, porque o papai tá lá no céu cuidando de mim… – ele parou. Aya tinha os olhos brilhando em expectativa. Sasuke continuou. – Você ama seu papai? Amo o papai e o tio Sasuke, porque agora ele é um papai pra mim… Do que ele gosta? Papai gosta de mim, e o tio Sasuke gosta de trabalhar. – Sasuke sentiu um nó na garganta ao ler aquilo. Era verdade, entretanto também gostava de Aya. A seu jeito, mas gostava.
— A profe pediu pra eu falar de você depois disso, porque o Nao tava chorando por causa do papai… mas quando o pra sempre acabar, aí ele volta, né?
Sasuke não respondeu, apenas voltou a ler.
— Do que ele não gosta? Tio Sasuke não gosta de acordar, nem de falar, e nem de brincar – Sasuke franziu o cenho. – Eu gosto de algumas coisas, Aya.
— Gosta de brincar comigo e com o Nao?! – o sorriso dela foi de orelha a orelha, e Sasuke percebeu que Aya estava certa. Ele não gostava.
— Às vezes… – mentiu.
A menina sorriu mais ainda e se jogou contra o mais velho. Acomodou-se nos braços dele de forma a conseguir fingir que lia o que o tio também lia. Sasuke acomodou-a melhor e sentiu a cabeça pequena ajeitar-se em seu peito. Aya estava quentinha… sentiu vontade de beijar o topo da cabeça dela, mas se conteve. O que era aquilo?
— Hãn… o que você gosta nele? O tio Sasuke tem o melhor colo do mundo. Ele é forte, e bom de abraçar…
Sasuke riu de leve, observando a menina que o envolvia com seus bracinhos. Apoiou sua bochecha no topo da cabeça dela e a abraçou um pouco mais forte. Até segundos atrás, achava que ela estava começando a odiá-lo…
— Deixe uma mensagem pro papai: Papai, eu sei que você tá aí no Céu, mas eu ainda gosto muito de você, e acho que tinha que voltar logo. O tio Sasuke também gosta muito de você, papai. Ele sente a sua falta, que nem eu e o Naoto. Mas tá tudo bem. Ele vai cuidar da gente até você voltar. Amo você…
Sasuke sentiu sua camiseta molhar com as lágrimas de Aya, e seus próprios olhos marejaram.
— Ele não vai voltar, né tio Sasuke?
Sasuke colocou o caderno de lado e abraçou Aya mais forte. Ela soluçava e se agarrava a ele como se nada mais no mundo importasse.
— Não, Aya. Itachi se foi.
Uma lágrima solitária escorria pelo rosto de Sasuke também, mas Aya não a viu. Se Sasuke pudesse deixar uma mensagem a Itachi? “Seu imbecil, como pôde morrer? Volta… cuida dela, cuida do Naoto… volta pra cuidar de mim também. Eu sinto sua falta, Onii…”.
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Naruto suspirou, mas tocou a campainha. Já estava mais do que na hora de ter aquela conversa.
Esperou apenas por alguns segundos, e então Tsunade apareceu com sua cabeleira loira amassada. Parecia estar de ressaca, e Naruto riu ao perceber os olhos fundos e a expressão cansada.
— A festa foi boa ontem, baa-chan?
Tsunade arregalou os olhos castanhos e trincou os dentes. Acertou um tapa na cabeça de Naruto, quase o mandando ao chão, para depois abraçá-lo bem forte. Ele conseguia sentir o cheiro de saquê que vinha dela, e aquilo o incomodou.
— Cale a boca, moleque. Vamos, o que está fazendo aqui fora no frio?
Tsunade levou o quase neto para dentro e fechou a porta. Naruto colocou seu casaco junto dos de Tsunade e seguiu até o sofá. Aquela casa era conhecida a ele. Mesmo que morasse em Worcester, Tsunade o trouxera muitas vezes àquele lugar, principalmente quando Jiraya precisava trabalhar até tarde quando ele era pequeno. A mulher ajeitou os cabelos e caminhou apressada até a cozinha.
— Você quer um biscoito? Um leite? – gritou de lá.
Naruto sorriu. Ela sempre oferecia aquilo a ele.
— Sim, por favor.
Segundos depois ela voltava com cookies e um copo de leite gelado. Colocou-os em frente ao Uzumaki, na mesinha de centro, e depois se sentou ao lado dele no sofá. Encarava-o com os olhos tristes e preocupados. Ele odiava vê-la assim.
— Como você está? Seu amigo…
Lee. Naruto suspirou, mas sorriu.
— Não éramos tão amigos. Eu to bem.
Tsunade sorriu e assentiu com a cabeça. Sabiam que precisariam tocar naquele assunto: o sumiço dele. Mas a tensão se instalaria, e Naruto não queria aquilo. Sentira tanta falta daquela mulher!
— Está trabalhando com Sasuke agora, hm?
— O conhece? – surpreendeu-se Naruto.
Tsunade assentiu com a cabeça.
— Ele é o delegado. Já teve sua cota de machucados, acredite.
Naruto sorriu. Não queria falar de Sasuke, mas não sabia como explicar que ficara sem vê-la por todo aquele tempo pela mais profunda vergonha. Estava envergonhado.
— Vamos, Naruto. Explique esse seu sumiço. Eu tava ficando maluca, gaki.
Naruto bagunçou seus cabelos, nervoso, e suspirou.
— Eu fui atrás dele. Achei que tava tudo bem, baa-chan… mas não tava. Kiba apareceu com o nome do idiota e… ele seria preso no dia seguinte… era minha chance, eu…
Naruto parou, sentindo as lágrimas invadirem seus olhos. Era difícil contar aquilo a ela. Tsunade ficara ao seu lado e o ajudara mesmo quando Naruto não quis ser ajudado. Convenceu-o de que não devia buscar justiça com as próprias mãos, e fez de tudo para que ele superasse a morte de Jiraya, apesar de ela também estar precisando de apoio.
Era vergonhoso ter que descrever seu fracasso.
— Você o matou?
Naruto negou com a cabeça, sentindo lágrimas escorrerem por seu rosto. Tsunade sorriu e o puxou para um abraço. O loiro acomodou-se nos braços da mulher que o cuidara como uma mãe faria – ou uma avó –, e chorou como uma criança. O leite e os biscoitos jaziam esquecidos sobre a mesinha.
— Tá tudo bem, moleque. Eu sabia que você tomaria a escolha certa.
— Desculpa. Eu não queria te decepcionar, mas eu não consegui. Eu prometi que não ia atrás dele, mas eu fui. Eu tava tão perto, baa-chan… tão perto.
Tsunade sentiu lágrimas escorrerem de seus próprios olhos e beijou o topo da cabeleira loira. Naruto soluçava, e ela sorria.
— Está tudo bem, gaki.
Naruto dirigia tão rápido que infringia todas as leis de trânsito que existiam em Worcester. O desgraçado morava tão perto… tão malditamente perto…!
Estacionou de qualquer jeito e saltou do carro. A arma carregada pesava em sua mão, mas Naruto não se importava realmente. Era sua arma de serviço, e todos saberiam que fora ele a eliminar o energúmeno, mas não se importava. Nada mais importava. Precisava vingar Jiraya, porque quatro anos já se haviam passado desde a morte dele, e o buraco em seu coração continuava sangrando.
Pulou o muro e contornou a casa, encontrando o assassino a fumar maconha no quintal. Aquilo o irritou ainda mais, e Naruto se jogou contra o homem, que nem soube o que o atingiu.
— Mas que merda…?!
— CALA A BOCA! – Naruto gritou. — VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE FALAR.
O homem o encarou com os olhos arregalados, e Naruto percebeu que ele nem ao menos sabia o porquê de estar sendo agredido daquela maneira. O Uzumaki sentiu ainda mais raiva, e pegou sua arma, apertando-a contra a cabeça do assassino.
— Você nem se lembra dele, né? VOCÊ O MATOU, E NEM SE LEMBRA DELE!
— Não matei ninguém não!
— MATOU! Jiraya.
O olhar continuou confuso, e Naruto acertou um soco com o punho da arma na bochecha do homem, que caiu ao chão. Naruto não o deixou caído, e logo o levantou de novo.
— MEU AVÔ! ELE ERA UM POLICIAL, E VOCÊ O MATOU!
Talvez o ruivo tenha se recordado de ter matado um policial, ou talvez Naruto estivesse cego demais para diferenciar o olhar que recebia de outro olhar qualquer. O Uzumaki começou a tremer de ódio e destravou a arma. Apontava para a cabeça do ordinário, e queria muito apertar o gatilho. Acabar com a vida dele.
— Me matando ou não, seu avô não volta. Você vai só espalhar mais ódio.
— VOCÊ COMEÇOU COM ESSE ÓDIO! É SUA CULPA!
Naruto começou a gritar tudo que estava em sua garganta. Gritou toda a falta que sentia de Jiraya, gritou sobre a solidão que o envolvia. Gritou o quanto o odiava por ter matado seu avô, e o quanto Jiraya era bom. Contou àquele estranho tudo o que Jiraya já fizera por si, e chorou. Mas o apertou não afrouxou. Estava firme. Decidido.
E Naruto estava pronto. Aceitaria passar o resto de sua vida na cadeia. Valeria a pena… e então o rosto de seu pai invadiu seus pensamentos. O Uzumaki estava meio bêbado e podia estar alucinando. Era provável que estivesse. Independente daquilo, Naruto via seu pai e sua mãe. Eles haviam morrido para que ele fosse preso? Viu Jiraya. O velhote desperdiçara sua vida para criar um assassino? Viu Tsunade. Ela cuidara dele daquele jeito apenas para que fizesse aquilo?
Naruto travou a arma novamente e acertou a lateral da cabeça ruiva, fazendo o homem desmaiar. Eles não mereciam aquilo.
Tremendo, o Uzumaki fugiu correndo.
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O loiro sorriu e jogou o chiclete que mascava fora. Adorava o que o uniforme policial fazia com seu corpo. Ficava sexy. Sexy o suficiente para ter vontade de usar o uniforme como fantasia um dia. Talvez quando Sasori estivesse cheio de desejos.
Caminhou despreocupadamente até chegar à entrada. Mostrou o distintivo, e logo foi aceito. Loiro de olhos azuis. Não olharam para a foto nem por dois segundos, e o homem que caminhava fizera questão de deixar seus cabelos arrepiados, como os do outro que lhe rendera aquela ótima noite em Worcester.
Normalmente não se envolvia ao fazer algo como aquilo, mas… bem, Naruto era gostoso. E fora mais simples assim. O policial estava tão bêbado que nem reparou que seu parceiro quase não bebera álcool na noite. A partir daquilo fora simples. Apesar da gostosura, Naruto babava e roncava ocasionalmente. Dormira tão profundamente que não percebera o que lhe acontecia. E Deidara se aproveitou disso, trocando todos os cartões que já sabia que o loiro tinha. Naruto era observado há semanas, e nem ao menos sabia. Desde o momento em que decidira se mudar para Boston. Ele fora escolhido para levar a culpa.
Sasuke já descobrira, e provavelmente suspeitava do loiro. Era o plano, ao menos. Sasuke não devia ter descoberto que o distintivo era falso, mas aquilo não mudava muito o que Orochimaru queria. Sempre era fácil enganar os Uchihas. Tão moralistas e crédulos… acreditando em família e amigos. Há! Desperdícios.
Entrou no galpão de evidências e pegou um item em específico. A caixa de evidências de um crime antigo; mais de quinze anos já se haviam passado. Depois disso também pegou algumas armas.
— Não acredito que vou ter que carregar tudo isso… – murmurou contrariado.
Colocou as armas em uma mochila, e depois começou a pegar um objeto qualquer de alguns crimes que estavam anotados em um papel. Equilibrou a caixa e as mochilas em seus braços, e então fez sua arte.
Quando já estava a vários quilômetros de distância, uma explosão foi ouvida. Deidara sorriu. Novamente, um trabalho impecável.
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