Obsessive
2 Chapter Two
Notas iniciais
Previously in Obsessive:
– Por que você sempre é tão seca comigo, Ally? — Perguntou o loiro confuso enquanto ambos andavam pelo corredor.
– Se não fosse por você ele ainda estaria vivo. Por que você teve que fazer aquilo, Austin? — Perguntou Ally em um tom de mágoa. Antes que ele pudesse responder ambos encontraram seu destino. Ally abriu a porta e adentrou na sala, Austin suspirou e a seguiu.
(...)
– Vocês tem que proteger Piper de Dallas, ambos estão no último ano do ensino médio.
– Tenho que trabalhar nesse caso com ele? — Perguntou Ally com desgosto.
– Sei que você me ama, Ally. — Austin disse irônico. Toda vez que eles se esbarravam era assim: Irônia, algo relacionado ao passado ou uma conversa seca. Nunca um abraço, nunca uma conversa civilizada.
(...)
Ambos bufaram, Austin foi o primeiro a sair.
– Ally, o que aconteceu com vocês? Eu lembro que vocês eram... — Antes que Drake pudesse continuar, Ally o interrompeu indo em direção a porta.
Now:
Pov Ally
Bufei quando eu e Austin terminamos de colocar nossas coisas no quarto. A Space já tinha abastecido a geladeira e, ao contrário do que Drake disse, o armário estava com várias roupas para ambos. Achei estranho a cozinha estar abastecida, mas deixei para lá.
Suspirei e me sentei na cama de casal que tinha no quarto, Austin também se sentou.
Cruzei os dedos mentalmente para que nossa identidade falsa não fosse algo relacionada á casamento ou coisa do tipo. Abri o envelope e espalhei os papeis pela cama. Peguei um em especial e comecei a ler.
– O que somos? – Perguntou Austin, senti um pouco de duplo sentido, mas ignorei.
– Somos amigos desde pequenos que fugiram de casa. Um ex-namorado meu, Braddy, me engravidou e deu o fora, eu tive que fugir porque meu pai não aprovava, aí você, como meu melhor amigo, fugiu comigo. Eu perdi o bebê, mas não podemos voltar depois de fugir. – Finalizei sorrindo. Eu não iria ter que fingir estar num relacionamento com aquele ser loiro. Mas depois reli aquilo e engoli seco. Um pouco próximo da realidade, talvez. Passei a mão no rosto e suspirei. – Posso ficar nesse quarto? – Minha voz saiu um pouco baixa e rouca, pigarreei fazendo minha voz voltar ao normal.
– Pode. – Austin suspirou e começou a levar suas coisas para o quarto do lado.
Li todos os papeis e suspirei, esse tal de Dallas era mesmo um maníaco. Organizei todos os papeis, os colocando dentro do envelope, e fui até o quarto de Austin. Bati e ouvi um entre.
Girei a maçaneta e coloquei o envelope na frente dos olhos, eu apostaria meu salto exagerado e desnecessário que estava corada. Ouvi a risada de Austin e bufei.
– Você disse que eu podia entrar! – Disse irritada, ainda com o envelope no rosto.
– Não é como se você não tivesse me visto de toalha. – Disse Austin como se fosse óbvio, tudo bem, era. Senti o envelope ser pego. Revirei os olhos e olhei para Austin. Os cabelos loiros estavam molhados. Mordi o lábio, ele estava sem camisa, apenas com uma toalha. Austin deu um sorriso malicioso. – Ou sem isso.
Virei à cabeça de um lado para o outro, acordando do transe, dei minha melhor expressão de irritada para ele e sai do quarto.
Cheguei ao meu e ajustei meu despertador. Joguei-me na cama e suspirei, amanhã era segunda, ou seja: Escola.
Adormeci segundos depois.
On the Monday...
Me levantei assim que o despertador tocou. Era um fato: No primeiro dia de aula todas acordavam cedo.
Peguei minha roupa e fui ao banheiro, tomei um banho, fiz minha higiene matinal e me arrumei.
Sai do banheiro – senti um cheiro de queimado, mas ignorei- e procurei um sapato, sempre achei estranho e ridículo quem usava saltos no colégio, mas a Space só tinha comprado saltos, e o sapato que eu tinha viajado era um salto. Suspirei e peguei o primeiro salto que vi, achei exagerado, mas mesmo assim peguei uma bolsa (Também exagerada! Será que a Space não sabia comprar coisas simples não?!), coloquei o que tinha que colocar lá e desci.
Austin já estava lá comendo cereal de cara, ri internamente ao ver uma frigideira na pia.
– Você nunca soube cozinhar panquecas. – Comentei com um ar risonho. Ele me fitou.
– Minha mãe e você que faziam, agora nenhuma das duas faz. – Resmungou ele parecendo uma criança, não consegui segurar o riso. Peguei uma maçã.
– Não se atrase, Moon. – Disse, me dirigindo para garagem. Cheguei lá e só tinha um carro. – EU NÃO ACREDITO, PRIMEIRO A MERDA DO CARTÃO DE CRÉDITO E AGORA A PORRA DO CARRO?! –Gritei raivosa. Tudo bem, ter que dividir o cartão de crédito com o Austin eu conseguia, mas ter que dividir o carro?!
– Ally? O que aconteceu? — Perguntou Austin chegando em disparada na garagem.
– Vamos ter que dividir o mesmo carro! – Disse indignada. Austin arqueou a sobrancelha. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa tomei a frente. – Vamos logo para o colégio, não quero me atrasar. – Austin me olhou com descrença e entrou em casa, bufei esperando ele voltar. Logo o garoto apareceu e entrou no carro. – Eu dirijo. – Avisei. Ele mexeu as chaves nas mãos e sorriu. Bufei. – Austin!
– Ally! – Ele riu e eu cruzei os braços. Ele também cruzou, me imitando. Quantos anos nós tínhamos, três? Tudo bem, é dia das crianças, mas já passamos dessa fase, eu acho! Fui até ele e tentei pegar a chave, ele levantou o braço e eu fiquei pulando, tentando inutilmente pegar a chave. A diferença de altura deixava óbvio que aquilo não ia acontecer. Parei de pular e fiz bico. Austin abaixou o braço com um ar risonho. Nós estávamos perto, perigosamente perto.
Austin se abaixou um pouco e se aproximou mais de mim, eu prendi a respiração.
O que eu estava fazendo? Isso não podia acontecer! Por culpa desse garoto ele estava morto!
Me afastei de Austin, ele destravou o carro e nós entramos, o caminho todo foi em silêncio.
In school...
Assim que eu e Austin descemos do carro eu sai em passos apressados de perto dele.
Não foi como nos filmes que Deus e o mundo nos encaram quando saímos do carro, mas algumas das pessoas nos olharam. Por conta disso, abaixei a cabeça e fui procurar a secretária no colégio.
Tentei, tentei e tentei. Mas nada. Um ruivo estava passando com juntamente com uma loira, decidi pará-lo e me surpreendi.
– Dez! – Disse o abraçando em seguida e ele retribuiu. Eu e Dez éramos amigos quando ele morava em L.A., ele saiu do colégio quando seus pais e sua irmã, Didi, se mudaram. Ele era alguns anos mais novo que eu, por isso ainda estava no último ano da escola.
Dez tinha um irmã gêmeo, Calum, eu, ele, Austin e Trish sempre fomos muito amigos. Calum nos apresentou Dez e aí nosso grupo ficou completo. Mas Calum acabou falecendo num acidente de carro, ele e Trish namoravam. Com a morte de Calum no nosso último ano na escola, os pais e a irmã de Dez decidiram se mudar.
– Ally! – Dez retribuiu o abraço e depois me soltou. – Eu não acredito, primeiro a Trish e agora você! – Dez me dei um abraço dramático, colando nossas bochechas e olhando para o lado. – Como nos velhos tempos. – Disse com uma voz estranha, eu ri e fiquei confusa.
– Trish? – Disse me soltando.
– Trish, ela se mudou e vai começar na escola hoje! – Dez disse animado. A loira do lado dele me olhava confusa. – Carrie, essa é a Ally. Ally, essa é a Carrie, minha namorada.
– Ah, você é a Ally que namorava o Austin que era amigo da Trish que era amiga do Dezinho que era amigo do cara da loja de calculadoras que era irmão da cabeleira da prima da amiga da Stella? – Quando Carrie terminou de falar, ela soltou o ar. – Puxa! – Ela me abraçou e eu sorri. Ao que percebi, a Carrie era tão maluquinha quanto Dez.
– Sou eu? – Soou como uma pergunta, eu ri. – Como assim a Trish vem pra cá? – Perguntei curiosa para Dez.
– Ela não me deu tantos detalhes, só me mandou isso. – Dez pegou o celular e procurou alguma coisa. Depois me entregou e eu vi uma mensagem de Trish.
Espero que você ainda more em Miami e estude no Marino, eu estou indo morar e estudar aí, começo na segunda!
Achei aquilo estranho, eu mantinha praticamente nenhum contato com Trish, ás vezes eu falava com ela, mas bem raramente, e tive que ir embora com Austin uma semana depois da formatura por causa da Space. Mas, sem dúvida alguma, aquilo era bem estranho. Por que Trish voltaria a estudar se ela tinha se formado comigo e Austin?
O primeiro sinal tocou, avisando que faltavam 15 minutos para o começo das aulas. Pedi para Dez e Carrie me levarem até a secretária, peguei o que tinha que pegar, eles foram comigo até meu armário e depois me levaram até a sala de aula. Me sentei na carteira, era aula de química, e me deixei minha mente voar. Senti alguém sentar do meu lado, era uma garota loira.
– Oi, eu sou a Piper. – Ela deu um sorriso. Sorri de volta, ela era a garota que eu e Austin tínhamos que proteger. Obrigada, destino. Pelo menos nisso você me ajuda. – Você é nova?
– Sou, meu nome é Ally. – Sorri e o professor chamou nossa atenção.
Suspirei e o assunto Trish não saiu da minha mente durante toda a aula, mesmo com minhas conversas com Piper que, aliás, parecia ser muito legal.
Tinha algo estranho relacionado a volta de Trish para escola, principalmente para mesma escola que dois agentes da Space e um psicopata estavam.
Trish não podia ter virado uma agente... Podia? Pior ainda: Uma agente de uma empresa ‘’rival’’. Pior ainda do pior ainda: Uma agente de uma empresa de criminosos rival.
Não, não! É na Trish que eu estou pensado, ela nunca faria nada disso! Deve ter uma explicação racional para a volta dela, tem que ter e tem.
Certo?
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