Gray estava entediado na casa, mesmo estando alerta a qualquer tipo de movimentação próxima da casa, ele estava completamente jogado no sofá encarando o teto e pensando no terrível convite que havia recebido há alguns dias atrás.

Basicamente haveria um baile reunindo todos os magos para uma confraternização ou algo do gênero, ele não havia lido muito bem. O maior problema era que o baile só podia ir acompanhado e com isso ele seria obrigado a ir com sua atual noiva.

Ele simplesmente odiava a garota, coisa que ela retribuía completamente, era um casamento arranjado, suas famílias queriam unir ambos para que gerassem filhos que pudessem utiliza mais de uma magia elemental no caso gelo por parte de pai e água por parte da mãe. O problema era que ambos se odiavam e não estavam nem um pouco contentes com essa união forçada.

O nome de sua noiva era Juvia, uma jovem mulher de corpo esbelto, possuía cabelos azuis e olhos que pareciam o próprio céu de tão celeste. Assim como ele, ela estava sem o sobrenome, era um costume para magos perderem seus sobrenomes na época do noivado para demonstrar para outros magos que estavam comprometidos, um ato que Gray achava completamente estúpido, pois ele odiava estar noivo de alguém que não gostava.

Estava perdido em pensamentos quando escutou um barulho de um corvo, ele rapidamente se levantou do sofá e viu a cabeça de um corvo atravessando a porta segurando um envelope. Aquilo poderia ser estranho para pessoas comuns, mas era completamente normal para um mago, corvos eram criaturas místicas, ótimas para serem entregadoras e tinham um jeito peculiar de entrega-las.

Ele caminhou até o corvo que o encarava e pegou o envelope escutando o pássaro gruir e retirar sua cabeça. Achava tão estranho os corvos gostarem de enfiar a cabeça na porta e deixar um buraco mostrando que estiveram ali, seria tão mais fácil deixar o próprio correio entregar as cartas. O moreno não era do tipo que olhava as correspondências dos outros, entretanto aquele envelope era muito familiar.

—Mas que merda! – Falou Gray vendo melhor do que se tratava aquilo.

—Algum problema? — Perguntou Mira atrás do moreno o fazendo encara-la um pouco nervoso.

—Natsu foi convidado para o baile! – Falou o moreno com certo nervosismo.

—O que?! Impossível ele nunca foi chamado! – Falou Mira preocupada junto ao moreno — O que a carta diz?!

—Você quer que eu abra um convite que foi enviado para ele?! Pode ter uma maldição nisso aqui! -Falou Gray nervoso — Eu sou o único mago que é amigo dele, não imagino outra pessoa sendo amigável lhe enviando isso, só pode ter algum tipo de feitiço.

—Me dê isso logo – Falou Mira pegando a carta do moreno e começando a abri-la revelando apenas um papel branco com uma belíssima caligráfica.

“O senhor está convidado para meu baile. E leve sua adorável hospede com você. ”
—Só isso?! — Perguntou Gray pegando a carta e a virando.

—Quem mandou a carta?! Não está escrito nada além disso... — Perguntou Mira vendo o papel do envelope para ver se encontrava alguma coisa.

—Só existe um mago, rico e chato o suficiente que fica fazendo essa palhaçada de bailes — Falou Gray revirando os olhos — Mas não tem nem o endereço! Sorte que no meu convite está completamente detalhado, eu informo o Natsu depois do local.

—Você está louco?! Ele falou para levar a Lucy! Isso não é normal — Gritou Mira.

—Parando para analisar, realmente não faz sentido. Nunca nenhuma humana fora convidada para esse tipo de lugar, se bem que um demônio mago também não é algo que se vê todo dia em uma festa – Falou o moreno coçando a cabeça — A gente joga fora então?

—Claro que não! Eu vou arrumar a carta para que pareça que não a abrimos — Falou Mira pegando a carta da mão do moreno — Natsu gosta de abrir suas próprias cartas, até mesmo quando eu já as abri, daí sempre as fecho novamente.

—Coisa ridícula — Falou Gray vendo a albina revirar os olhos e lhe dar as costas — Espero que ele não aceite o convite.

—Eu também – Falou Mira deixando o moreno sozinho novamente.

—Aconteceu alguma coisa? — Falou uma voz vinda das escadas fazendo com que o moreno se assustasse e encarasse Lucy, que estava apenas com uma camisola rosa de mangas curtas aonde o comprimento ia até suas canelas — Eu escutei a Mira gritando.

—Ah não foi nada, desculpe se isso lhe assustou – Falou Gray um pouco nervoso já que Natsu iria lhe matar caso o visse conversando com a loira — Se está com fome posso pedir para que Mira lhe leve algo afinal está de pijama.

—Isso é um vestido – Falou Lucy fazendo uma careta.

—Foi mal, eu não sei muito de roupa feminina — Falou o moreno coçando a cabeça e vendo a loira descer os últimos degraus fazendo com que ele repasse que ela usava pantufas — Agora parece ainda mais um pijama.

—Eu gosto de usar pantufas — Falou a loira emburrada.

Um barulho na porta foi ouvido fazendo com que o moreno a encarasse achando um pouco suspeito, afinal a casa havia campainha, por qual motivo iriam bater na porta?

De repente uma fumaça negra começou a entrar pela porta fazendo com que ele corresse e ficasse na frente da loira que não estava entendendo nada daquilo.

A fumaça fez três corpos completamente feitos de fumaça. Gray estava um pouco desesperado com aquilo, afinal, não era todo dia que a casa de Natsu era invadida, ainda mais por criaturas de baixo nível. Ele não entendeu o motivo daquilo, mas ao sentir Lucy segurar sua camisa ele entendeu, não estavam aqui para ver Natsu, queriam a garota.

As criaturas começaram a ir à direção dos dois mesmo com o moreno jogando sua magia de gelo nas criaturas, o gelo atravessava-os já que elas não possuíam um corpo físico o que deixou Gray completamente irritado. Então o mesmo se afastou um pouco da loira e juntou as mãos e as levantou fazendo com que um círculo mágico aparasse em seus punhos, ele começou a recitar uma magia e logo abaixou o braço rapidamente.

Ele congelou por completo as criaturas, havia utilizado uma magia de gelo aonde não importava o que fosse seria completamente congelado pela extrema baixa temperatura. Ainda com o circulo ativado, ele apertou o punho fazendo com que as criaturas congeladas fossem completamente destruídas deixando apenas rastros de gelo pelo chão.

Um pequeno grito fez com que ele virasse e visse outra criatura de fumaça, ela havia cortado o braço de Lucy com sua mão em forma de lança e continuava a ir à sua direção, o corte fora fundo e estava sangrando muito. O grito chamou atenção de Mira que chegou correndo e ficou sem reação ao ver aquela cena. O moreno rapidamente fora até a criatura que abriu um sorriso e logo desapareceu.

O mais estranho é que quando ela desapareceu uma roupa feminina ficou no chão perto ao sangue da loira, estava bastante rasgada o que deixava as coisas mais estranhas. Mira rapidamente se aproximou e analisou o corte de Lucy vendo que era bastante grave, com cuidado ela a pegou no colo e saiu correndo para cuidar dos ferimentos.

—Mas que merda foi essa?! – Falou Gray irritado se agachando e vendo a roupa que a criatura havia deixado.

—Estou de volta – A porta se abriu revelando Natsu entrando pela mesma.

Natsu encarou o moreno agachado próximo a uma roupa feminina completamente rasgada com sangue junto a uma poça de sangue. O cheiro entrou em suas narinas fazendo com que ele ficasse em choque ao sentir o cheiro de Lucy vindo dali, ele começou a rosnar na direção do moreno que se levantou rapidamente.

—Natsu espera! Não é o que você ta pensando – Gray se desesperou percebendo que o amigo havia sentindo o cheiro do sangue da loira.

Mas já não havia mais como trazer o amigo de volta, seu corpo começou a estralar e se modificar ficando maior a ponto de quebrar a entrada da casa. Parecia uma besta gigantesca negra com dentes afiados, um pouco do seu rosto de crânio estava à amostra junto aos imensos chifres, mas boa parte estava coberta por uma pelagem escura.

Gray começou a sair correndo precisava mostrar para o amigo que Lucy estava viva e bem, mas sabia que não teria como conversar com o demônio que se encontrava naquele estado. Estava pior do que nunca a ponto de não ter nem um pedaço de pelagem rosa era completamente tudo negro e mortal, principalmente os olhos grandes e vermelhos que assustavam Gray.

Natsu tentava pegar o moreno e lhe atingir com suas garras, mas Gray desviava, mesmo com extrema dificuldade. Irritado com isso ele enfiou a mão para dentro do chão fazendo com que inúmeras lanças negras saltassem para cima indo na direção do moreno antes que ele pudesse fazer algo, as lanças ficaram moles e com vida e lhe agarram lhe segurando lhe arrastando para próximo do demônio que rugia.

—Natsu?! – Falou uma voz um pouco distante daquilo tudo.

Com o braço enfaixado Lucy estava próxima a entrada da cozinha vendo a cena. O demônio encarou a loira e ficou sem reação aos poucos ele retirou sua mão de dentro do chão fazendo com que Gray fosse solto e soltasse um suspiro aliviado que ainda se encontrava no chão.

Ele encarou suas próprias patas e percebeu o estado que ele estava, era a mesma forma que havia assustado Lucy daquela vez. Com certo receio de ver aquilo novamente ele deu as costas e começou a se retirar um pouco triste achando que aquilo poderia fazer com que a loira lhe odiasse.

—Natsu, está tudo bem — Falou a loira abraçando uma de suas patas traseiras.

—É seu idiota eu salvei ela — Falou o moreno no chão soltando um suspiro — E você me trata assim!

—Para de reclamar — Falou Mira lhe encarando.

Natsu encarou Lucy que possuía um sorriso gentil, ele aproximou o rosto da loira que o abraçou fazendo com que ele ficasse surpreso pelo ato já que não esperava que ela ficasse tão a vontade com aquela forma depois de tudo. Até mesmo Gray ficou surpreso e abriu um sorriso vendo como o amigo havia finalmente encontrado alguém.

O demônio pegou gentilmente Lucy nas mãos e foi rapidamente para o segundo andar, claro que destruindo mais coisas pelo seu enorme tamanho, ele tocou uma porta que começou a ficar maior a ponto dele conseguir passar ele entrou ainda segurando a loira que estava sem entender o que estava acontecendo.

Um quarto cheio de almofadas e com uma baixa luminosidade Natsu se ajeitou se deitando e colocou Lucy no chão. A porta ainda estava aberta como se esperasse ela sair para se fechar, a loira então entendeu que aquele lugar era aonde Natsu provavelmente ia para se acalmar, ao invés de sair ela andou até o focinho do demônio e o abraçou mostrando que preferia ficar ali com ele, então a porta se fechou deixando os dois sozinhos.

—Ótimo vou ter que limpar tudo isso sozinha... — Murmurou Mira vendo toda a destruição que seu mestre havia feito.