Obsessão Fatal

Capítulo VIII

Kakashi chegou ao seu apartamento e foi direto para o banho. Precisava eliminar aquela pontada que sua intuição insistia em dar em sua cabeça, e sabia que a única forma seria ir até Suna e conversar com o jovem prefeito da cidade. Tinha quase certeza que lá encontraria a resposta para metade das suas dúvidas sobre o caso de Neji e o garoto de programa.

O banho foi rápido. Vestiu uma roupa comum, jeans, camisa cinza de malha fria e tênis, só levaria seus documentos, a credencial da polícia e sua a arma.

Olhou para dentro do móvel e se sentiu estranhamente vazio. Não gostava da ideia de viajar sem se despedir. Resolveu ligar para Tsunade para ter certeza de que Sasuke estava bem. Afinal, havia decidido desobedecer as ordens do seu superior e viajar sem contar ao afilhado que o irmão fugira da cadeia. Mas já havia tudo programado na sua cabeça. Se saísse aquele horário, pegaria a rodovia sem trânsito e estaria em Suna em torno das duas da manhã. Conversaria com Gaara no máximo por duas horas e retornaria para Konoha. Estaria na cidade ao amanhecer e iria direto para mansão da Senju, tomar café com Sasuke e esclarecer à ele tudo o que estava acontecendo.

...

O motorista abriu o portão eletrônico com o controle do carro. Tanto ele quanto a médica ao passarem pela guarita viram de relance o porteiro sentado, com os braços cruzados no peito.

O condutor deixou sua patroa na porta de casa, despediu-se e recolheu o carro para garagem.

Ao entrar em casa, a primeira coisa que Tsunade viu foi o novo investigador que Danzou arrumara estirado no sofá da sua sala, latas de cerveja vazias espalhadas pelo carpete e a caixa de pizza destampada. Revirou os olhos.

— Esse é o ótimo investigador que eles arrumaram? — A mulher balançou a cabeça em negação e suspirou. — Danzou ainda acha que a esperteza da juventude vence a experiência. Quanta bobagem. Trocar Kakashi por um irresponsável desses? Só Danzou mesmo pra isso...

Não deu tanta importância para o rapaz, precisava ver como estava Sasuke. Saiu da sala e subiu os lances de escada a passos pesados. Estava exausta.

Chegou ao quarto de hóspede que fora preparado para Sasuke e abriu a porta devagar, estava escuro, acionou o interruptor e banhou o quarto em luz. Mas foi o tempo de colocar sua carteira sobre o gaveteiro que se lembrou de que Sasuke aprendera dormir de luz apagada há pouco tempo, então devolveu o botão do interruptor a posição que estava, deixando a penumbra ganhar o ambiente novamente. Aproximou-se do leito calmamente, tentando não fazer muito barulho.

A fuga de Itachi a havia abalado definitivamente. Ainda assim sua maior preocupação naquele momento era com Sasuke. Sasuke e Kakashi durante esses dez anos preencheram um espaço vazio do seu coração. Além da esperança de encontrar seu filho vivo, fora a presença dos dois em sua vida foi o que a permitiu viver durantes aqueles anos. Por esse motivo não permitiria que Itachi Uchiha voltasse a machucar as pessoas que haviam se tornado especiais para ela, principalmente, Sasuke.

Ela pôs a mão no cobertor que o encobria, mas no momento que iria descobri-lo, ouviu o seu celular tocando na pequena carteira de mão que havia deixado na cômoda. Apavorou-se. Iria despertá-lo no susto. Pegou a carteira de cima do móvel e saiu do quarto rapidamente, encostando a porta. No corredor, retirou o aparelho da bolsa e atendeu-o com uma voz sussurrada.

— Alô?

— Tsunade, sou eu.

— Kakashi? — ela soltou um suspiro de alívio. — É bom ouvir sua voz.

— Como ele está?

— Dormindo feito um anjo — ela afirmou, reabrindo somente uma brecha na porta e espiou o interior do quarto, percebendo que Sasuke não despertara com o barulho. Sorriu e voltou a fechá-la.

— Que ótimo. Era o que eu precisava ouvir. Você chegou faz tempo?

— Acabei de chegar.

— E o Sombra?

— Humpf. — Ela soltou aquele resmungo. — Dormindo feito uma criança babona no meu sofá da sala, acredita?

O homem sorriu.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Podemos deduzir que ele não teve mais sorte que a gente em tirar algo dele, não é?

— Mais do que estamos tentando durante esses anos todos? Duvido, Kakashi. Só o Danzou para acreditar que essa criança conseguiria um feito desses em algumas horas. Se ele o fizesse poderíamos chamá-lo de milagreiro, não concorda?

— É verdade.

— Mas... — ela sorriu brevemente. — Achei bom de alguma forma. Isso serviu para mostrar para aquele bendito delegado em quem ele deve confiar.

Kakashi não respondeu.

— Alguma novidade nas investigações sobre a fuga de Itachi? Ouvi uns comentários absurdos na festa de hoje.

— É, mas foi algo absurdo mesmo. Ele e o médico residente do lugar voaram pela janela do décimo segundo andar em uma asa-delta.

— Meu Deus. O médico do próprio hospital foi seu cúmplice?

— Sim. Mas ele já teve o que mereceu por se envolver com alguém como Itachi Uchiha. Há pouco encontramos o corpo dele abandonado em um galpão no subúrbio da cidade com um tiro no peito.

Tsunade sentiu um calafrio.

— Ele matou o próprio comparsa?

— Sim.

— Por Deus, Kakashi. Esse maldito mal acabou de fugir da cadeia e já começou a fazer vítimas?

— Tsunade, se acalme. Iremos encontrá-lo. Ele vai voltar para cadeia. Mas eu não liguei para isso — Kakashi voltou ao foco. — Sei que quer desabafar. Eu também me altero completamente quando o assunto é ele, mas eu não tenho muito tempo.

— O que houve?

— Estou saindo de viagem, faz parte da investigação do caso do sobrinho do político, Neji Hyuuga, mas estarei de volta pela manhã. Não posso entrar em detalhes agora. Só precisava mesmo saber se você e Sasuke ficarão bem.

A médica corou discretamente, e sorriu um pouco envergonhada. Achava estranho sentir o coração acelerar daquele jeito por alguém depois de tantos anos, mas precisava assumir que há algum tempo passara a pensar em Kakashi e Sasuke de maneira diferente, não só como o policial do caso do filho e paciente, mas, talvez, como o filho e o marido que perdera.

— Eu estou bem — ela confirmou, sentindo ainda o rosto quente, repreendeu-se mentalmente por estar se sentindo como uma boba adolescente. — Sasuke também está bem. Está dormindo profundamente. Viaje tranquilo.

— Certo, vou deixá-la descansar também. Conversaremos mais pela manhã.

— Kakashi?

— Sim?

— Tome cuidado.

O homem ficou em silêncio de repente, depois Tsunade ouviu dele um suspiro e a confirmação.

— Fique tranquila. Tome conta de Sasuke por mim e também se cuide.

— Eu prometo.

Os dois desligaram.

...

O homem de óculos vermelhos, mochila nas costas e boné na cabeça, parou diante do que fora sua antiga residência. A casa com estilo arquitetônico ocidental ainda continuava ali, do mesmo jeito que a deixara há dez anos, nada havia mudado. Fora impossível não sentir-se nostálgico.

— É quase como se o tempo não tivesse passado — observou. — Por hoje irá servir. Conhecendo bem a polícia de Konoha, eles devem acreditar que eu não buscaria um lugar tão óbvio para me esconder.

O rapaz ergueu o boné da cabeça, retirou dos cabelos um grampo e com ajuda dele e um pouco de paciência conseguiu abrir a porta principal da casa. Adentrou o ambiente e sentiu a diferença na temperatura. Do lado de fora, o tempo nublado e com chuviscos, fazia da madrugada fria. Fechou a porta atrás de si e se viu submerso no escuro. A única claridade provinha da iluminação do lado de fora do terreno que entrava pelas janelas de tamanhos exagerados da casa. Subiu a grande escadaria principal lentamente. Quase que invadido pelo jovem que fora há dez anos.

Mas foi colocar o pé no corredor que levava aos quartos que Itachi notou algo que lhe chamou a atenção: um facho de luz invadia a extensão. A claridade vinha da porta aberta do antigo quarto do irmão caçula. Não era possível. Sabia que o irmão não morava na casa. Havia um invasor? Outro além dele?

Retirou a arma da cintura e a empunhou, aproximando-se devagar. Estacou quando chegou em frente a porta aberta do quarto e seus olhos se arregalaram com aquilo que contemplaram. Era quase surreal, como as cenas que fantasiara em sua cabeça enquanto sofria de abstinência sexual na cadeia. Havia um jovem, de costas para onde estava, se masturbando, deitado sobre a cama que fora do irmão caçula. Aquilo era possível?

Abriu um sorriso de canto. Estava com tanta sorte assim? O que havia feito de tão bom pra ganhar aquele brinde?

Pendeu a cabeça para o lado e viu esforço demasiado que o rapaz fazia para penetrar dois dos seus dedos no seu pequeno orifício anal e movê-los para dentro e para fora de forma a lhe proporcionar prazer. Itachi sentiu um arrepio correr a espinha. Retirou a mochila das costas e a deixou no chão, perto da porta, colocou a arma, as luvas e o sobretudo sobre a mochila. Era óbvio que não deixaria aquele rapaz, aparentemente apetitoso, ter aquela trabalheira toda sozinho. Pôs os pés para dentro do quarto e sua presença foi notada. O rapaz arqueou a cabeça para trás ao ouvir o barulho da sua invasão e, então, repousou seus olhos de um azul esplendido sobre ele. Os cabelos dele eram loiros e da boca escorria um fio de saliva. O Uchiha mais velho sentiu o coração parar por um instante ao ter a estranha sensação de que o conhecia.

O conhecia? Mas de onde? De quando?

Seu coração voltou a bater, e bem mais rápido, de um jeito que há muito não batia. Puxou ar com urgência para dentro do peito e engoliu em seco. Não era a beleza exagerada daquele rapaz que o despertara daquela forma, mas sim o fato dele se parecer com alguém que conhecera. Uma criança do seu passado. Sentiu seu sexo pulsar e ficar ereto dentro da calça.

O loiro continuava encarando-o, sem deter seus movimentos, quase que rindo com aqueles olhos azuis tão claros carregados de luxúria. De onde estacara conseguiu ver que com a outra mão ele masturbava seu membro. Ele não se sobressaltara com sua entrada, não falara nada, era quase como se o tivesse esperando...

Esperando?

Por quanto tempo?

— É, Senhor Fantasma... — Finalmente Itachi o ouviu pronunciar algo. — Vai continuar me assombrando... Ah... Até... Nesse m- momento... Estou quase... Eu estou quase conseguindo... Ah... — O rapaz passou a língua nos lábios ressequidos e continuou falando daquele jeito ofegante, entrecortado. — Vai... ficar me assombrando até nessa hora? — conseguiu perguntar enfim, sem parar o esforço de tentar proporcionar prazer ao seu próprio corpo.

“Senhor Fantasma?”

— Se você fosse de carne e osso... — O loiro continuou falando, aumentando o ritmo do movimento dos seus dedos. — Você bem que poderia me ajudar. É difícil f- fazer isso sozinho, sabe... Você é bonito... faz meu tipo.

O rapaz sorriu ao concluir e aquele sorriso, assim como olhar, eram pura perversão. Itachi sentiu uma forte pontada na virilha.

— Eu posso te ajudar — o rapaz de cabelos comprido se dispôs, descendo o zíper da sua calça e deixando aparecer o pênis que já estava ereto e pulsando de excitação.

O loiro apenas arregalou os olhos, demonstrando pela primeira vez alguma surpresa. Mas Itachi se divertiu ao imaginar que a surpresa dele fora devido a sua ereção e não a sua presença. E, sem paciência de esperar a resposta, arrancou a camisa por cima da cabeça, abaixou a calça e a tirou junto com a cueca e o coturno. Aproximou-se da cama. Puxou o elástico que prendia os cabelos, deixando-os cobrir suas costas e contemplou mais uma vez o rapaz nu, de corpo magro, mas de traços bem definidos, deitado na cama.

O loiro, por sua vez, lambeu os lábios, maravilhado com o que via. O seu fantasma era incrivelmente bonito e além de tudo “bem dotado”. Seus olhos eram negros, profundos e lembravam os de Sasuke.

Itachi tocou a mão do rapaz, fazendo-o retirar os dedos lambuzados daquela parte que ele agora tomaria conta.

Kitsu, ao sentir a mão fria daquele homem tocar a sua, finalmente sobressaltou. O fantasma que o tocara há pouco transpassara seu corpo como se fosse névoa, fumaça. Mas aquele ali não. Aquele era consistente, de carne, ossos, músculos e um belo pênis.

O que aquilo significava, afinal? Seu fantasma havia se materializado do outro plano só para fodê-lo? Riu daquela ideia idiota, e concluiu que estava ficando louco. Deveria ser os malditos remédios que Sasuke lhe dera e estavam causando alucinações.

Mas, obviamente, não iria desperdiçar aquela chance de ter uma experiência sexual sobrenatural com um ser do além divino. Deitou-se de barriga para cima, repousou suas duas mãos com as palmas viradas para cima no leito, ao lado de seu rosto e abriu as pernas, deixando aquele ser majestoso se pôr entre elas. Não lhe interessava se era um fantasma, um demônio, ou só sua imaginação. Estava excitado, louco para gozar e se aquele diante dele iria ajudá-lo a alcançar os céus, aceitaria a ajuda de bom grado.

Itachi sorriu ao ver o rapaz se oferecendo.

— Aceito sua ajuda. Você é bem bonito, Senhor Fantasma. — O rapaz loiro observou, estendendo um dos braços e fazendo seus dedos alcançarem o peito do fugitivo. — Será que isso tudo vai entrar em mim? — perguntou, paralisando o indicador na margem que iniciava o órgão ao qual se referia. — Vai ter que forçar um pouco — concluiu ele mesmo, lambendo os lábios, já imaginando o prazer que sentiria ao ter aquele homem bem dotado se movimentando dentro dele.

— Se importa se doer?

Kitsu gargalhou de uma forma gostosa e voltou a encarar aquele homem de olhos tão maliciosos e de semblante tão altivo. Havia criado uma imagem errônea sobre os seres do além, achava que eles tivessem expressões mais melancólicas e depressivas.

— Ao contrário, Senhor Fantasma, eu gosto e muito quando dói.

Ao ouvir aquilo, Itachi não conseguiu conter a euforia que correu cada fibra do seu corpo. E, sem se preocupar com as preliminares, encaixou seu membro na entrada do rapaz loiro e se arremeteu de uma única vez para o interior dele, sentindo seu sexo entrar rasgando-o e atingi-lo no fundo na primeira estocada. Então o mais fascinante aconteceu: Itachi viu o loiro arquear o corpo da cama e soltar um urro agonizante que o extasiou por inteiro. Gritos de dor simplesmente o fascinavam, mexiam com todos os seus sentidos, deixando-os mais sensível ao prazer. Em meio aquele grito sentiu que o interior do rapaz se contraía, massageando seu pênis dentro dele.

Ele estava gozando com aquela única estocada?

“É um demônio com cara de anjo...” concluiu com um sorriso breve.

Novamente Itachi Uchiha sentiu-se invadido por uma forte nostalgia que o fazia recordar do único que fora capaz de marcá-lo de alguma forma. O cheiro quente que exalava da sua pele, o sorriso carregado de luxúria, seu êxtase descomedido ao sentir dor, tudo naquele loiro o remetia aquele outro do passado.

Observou o rosto que ainda se contorcia do prazer que sentia. As mãos agarradas aos lençóis da cama. As pernas que pressionava a lateral do seu corpo. A respiração desregular. Era simplesmente encantador.

Notou então que o pênis dele ainda estava ereto, quase ao ponto de gozar. Será que ele teria ficado ali, esperando por sua volta, por todos aqueles anos?

Itachi então interrompeu seus pensamentos ao perceber que o loiro recobrara um pouco dos seus sentidos, pois o viu subir novamente as pontas dos dedos por sua barriga.

— Desculpe, eu estava tão necessitado e você foi tão intenso que não consegui segurar — explicou ele, olhando dentro dos seus olhos, ainda rindo, ainda arfante, ainda excitado. — Mas pode continuar metendo, estou sentindo que ainda está duro, então ainda não gozou. E eu quero gozar de novo, com você.

Itachi suspirou, tentando se controlar. Então deitou sobre o corpo menor na cama, deixando seu peso recair sobre ele. Embrenhou suas mãos entre os fios loiros e os segurou com firmeza, buscando todo apoio o qual precisaria. Depois, correu a língua úmida pelo pescoço dele, enquanto começava a se movimentar devagar, somente o quadril, tirando e recolocando seu membro lentamente, friccionando o seu ventre contra o dele, massageando o pênis dele no processo. O loiro não demorou a dar sinais de que estava em deleite novamente, seus dentes trincaram um no outro e ele passou a emitir um chiado excitante com a boca. Itachi então o beijou, enquanto aumentava o ritmo dos seus movimentos, retirando e recolocando seu membro cada vez mais rápido e com mais força.

Kitsu escapou dos lábios dele para conseguir respirar.

— Ah! Ah! — gemia ele, totalmente fora de controle.

— Quem é você? — perguntou Itachi aos pés do ouvido dele.

— O cara que você está fodendo...

Itachi riu.

— Você gosta disso, não é? — perguntou, sentindo que o atingia próstata.

— Ah- ah- ah, e como eu gosto...

— Posso dizer besteiras no seu ouvido?

O loiro riu alto.

— Deve.

E enquanto continuava se movendo com vigor, Itachi passou a dizer obscenidades no ouvido do rapaz, fazendo-o gemer e se contorcer ainda mais.

— Continua falando, estou gostando — pediu ele, gemendo mais alto, abraçando os ombros do moreno e riscando as costas dele com suas unhas.

— Vadio, pervertido, putinho, masoquista, vagabundo... — continuou Itachi sussurrando no ouvido dele, observando-o rir divertido. — Adoro caras sem frescuras, que sentem prazer sem vergonha, que não escondem que gostam de ser enrabado.

Itachi sentiu seu membro ser preso, contraído dentro dele.

— Está fazendo isso de propósito?

— Já disse que gosto que doa, não disse? Assim vai ficar mais gostoso. Me faz gritar, vai? Me fode com força.

— É você quem está pedindo...

Itachi ergueu as pernas do rapaz loiro e segurou-as para cima, tendo o caminho livre para poder fazer como ele pedia, então começou a se movimentar com mais liberdade, cavalgando rápido, fazendo seu membro entrar e sair em uma frequência quase frenética, fazendo com que o choque do seu quadril com as nádegas dele propagasse um barulho parecido com tapas.

— Ah! Ah! Assim! Assim! Mais forte! Mais forte! Mais! Mais forte! — Kitsu o incentivava aos gritos.

Itachi tinha certeza. Era ele. Não sabia como, mas era. Sentiu vontade de rir. Não conseguia mais segurar seu próprio anseio. Esforçou-se tanto que seus movimentos fizeram a pequena cama de solteiro ranger, batendo a cabeceira na parede.

Kitsu contorcia o rosto, virava-o de um lado para o outro, fechava os olhos, cravava os punhos no lençol. Era delicioso assistir como ele se entregava. O quanto era quente. Itachi sentiu que seu pênis queimando ao deslizar dentro dele. Sentiu que atingia a próstata novamente e manteve os movimentos cadenciados ali. Ao pressentir que ele estava prestes a gozar, Itachi apertou suas mãos atrás das coxas dele e as empurrou, fazendo o corpo do loiro dobrar de uma forma que o próprio pênis dele quase alcançasse sua boca. Então, passou a investir com mais velocidade, quase brutalidade. As expressões do loiro se tornaram ainda mais luxuriosas, seu rosto foi coberto por um intenso rubor e ele abriu a boca, expondo a língua para fora, como se quisesse alcançar seu próprio sexo, mas na verdade, fora para receber o sêmen que começou a ser expelidos em gotas, mas logo em seguida se tornou jatos constantes que preencheram sua boca e lambuzaram seu rosto.

Ver aquela cena fez Itachi perder o controle sobre seus sentidos, não conseguiu mais segurar, seu pênis latejou, espremido fortemente pelas contrações que se iniciavam novamente dentro dele. O grito de prazer que agora escapava da boca de Kitsu fora tão intenso que fez um arrepio varrer as costas do criminoso que voltou a se movimentar dentro dele, mesmo quando seu orgasmo já o preenchia, espirrando e escorrendo para fora do orifício anal.

Conteve seus movimentos somente quando o corpo abaixo do seu perdeu totalmente as forças e então viu seu pênis escorregar para fora daquele rapaz lentamente, junto com todo sêmen com o qual o havia preenchido e alguns resquícios de sangue. Perdera o controle. Havia sido uma experiência sem igual.

...

Kakashi chegou à Suna conforme o horário programado. Não demorou muito encontrar o endereço do prefeito. Era uma enorme mansão, quase no centro da cidade. Após abordar o porteiro da residência mostrando sua credencial, este o permitiu entrar. Estacionou quase em frente à entrada da casa e viu a porta ser aberta por uma jovem loira um tanto sonolenta, vestida com um hobby branco de flores azuis.

— Polícia de Konoha? — A menina admirou o crachá que o policial mostrava à ela. Conhecia muito bem aquele documento. Era idêntico ao do noivo. — Entre, meu irmão já está descendo.

— Boa noite. — O cumprimento veio de outro rapaz, que se aproximava do policial com a mão estendida.

— Oficial Hatake Kakashi — apresentou-se e apertou a mão do rapaz, respondendo ao cumprimento. — Desculpe-me incomodá-los a essa hora.

— Kankuro. Irmão mais velho de Gaara. Prazer. — O rapaz soltou da mão do agente e apontou a sala. — Por aqui. — disse ele, caminhando na frente. —Estamos surpresos com o horário, achamos que receberíamos sua visita somente pela manhã.

— Novamente, perdoe-me perturbar o sono de vocês — desculpou-se Kakashi mais uma vez, adentrando a imensa e luxuosa sala dos Sabaku. — Mas estão acontecendo muitas coisas em Konoha de uma única vez, então decidi vir o mais rápido possível.

— Se refere a fuga do serial Itachi Uchiha? — O rapaz apontou a poltrona e sentou-se em outra. A irmã sentou-se na banqueta do bar, que ficava em diagonal aos estofados.

— Isso — confirmou. — Então, já sabem? As notícias andam realmente rápido pelo que percebo — disse Kakashi, apoiando os cotovelos nos joelhos e entrelaçando os dedos das duas mãos uns nos outros.

— Mais rápido do que o senhor imagina — confirmou Kankuro. — Agora, mudando para o motivo da visita do senhor, meu irmão é mesmo suspeito do que aconteceu com Neji?

— Não disse nada dele ser suspeito. — O policial desfez o engano imediatamente. Não tinha intenção de criar um clima de hostilidade na conversa. — Na verdade, temos um suspeito, e é sobre esse suspeito que vim saber mais.

— Kitsu? — Todos os três se voltaram para a entrada da sala, onde o rapaz de olhos verdes e cabelos ruivos, havia estacado, sem que percebessem.

O policial ia se levantando, mas o jovem não o permitiu.

— Pode ficar onde está — disse e caminhou até o bar onde a irmã estava.

Entrou na parte de dentro após passar por uma portinhola.

— Quer que eu prepare para você, Gaara? — se propôs a irmã mais velha ao perceber que o mais novo procurava por um copo.

— Não, eu gosto de fazer do meu jeito. — O rapaz negou a ajuda, pegando ele mesmo o balde de gelo, despejando três pedras no copo e juntando nele dois tipos de bebidas destiladas, um líquido branco e outro âmbar. Mexeu o copo com a mão, movendo-o em círculos, fazendo o barulho do gelo que batia no vidro propagar um tilintar alto no ambiente agora em silêncio. Depois, levou a bebida na boca e virou quase metade da mesma no primeiro gole. Estalou os lábios, sentindo o calor do álcool lhe aquecendo por dentro, e então, voltou-se para o agente. — O que quer saber, policial? — perguntou sério, repousando o copo no balcão.

Kakashi não tinha tempo, precisava voltar para Konoha o mais rápido possível, por isso foi direto ao ponto.

— Tudo que puder me contar sobre esse garoto de programa chamado Kitsune. Poderia começar por onde o conheceu — sugeriu Kakashi, ligando seu gravador e o depositando sobre a mesa central da sala.

...

Sasuke adentrou a mansão e a primeira coisa que observou é que estava tudo silencioso demais. Olhou o ambiente de um lado a outro, parecia tudo no seu devido lugar. Contudo, a atmosfera estava densa. Era como se houvesse algo a mais no ar.

Ou...

Alguém?

Ao pensar naquilo, apressou o passo. Itachi não podia refugiar-se ali, seria idiotice demais. Subiu os degraus pulando-os de dois em dois até chegar ao piso superior. Apertou o vidro de spray de pimenta no bolso da blusa de frio e se aproximou do quarto. Antes de entrar, perto da porta, viu cacos de vidros. Havia algo grudento que fora derramado ali, pois a sola do seu tênis aderiu ao chão. Notou também manchas de sangue. Desesperou-se e entrou no quarto, que estava com a porta fechada, de uma vez e chamou pelo loiro em um grito.

— Kitsu?!

— Aqui! — gritou o rapaz de volta, escondido atrás da porta, com a intenção clara de pregar em Sasuke uma peça.

Sasuke virou-se para o loiro, atônito. Quase soltara um grito com o susto que ele lhe dera. O loiro era um maluco, pensou consigo mesmo. Seu coração estava quase saindo pela boca. Mas foi apenas uma piada. Estava feliz e aliviado de vê-lo bem. Ele ria da sua travessura, enquanto sua feição se suavizava.

— O que pensa que está fazendo?

— Esperando por você há horas... — reclamou, fazendo um bico com os lábios. — Achei que não vinha mais. Já me masturbei usando os dedos, pensei em usar o joystick como pênis postiço — enumerava as opções com dedos. — E transei... — relutou em dizer, mas os olhos espantados de Sasuke fizeram-no continuar, queria ver a reação do seu moreno. Assim, abriu um grande sorriso e concluiu: — Fiz sexo selvagem com uma alma penada.

O moreno não sabia se ria, ou se franzia as sobrancelhas.

— Do que está falando? Transou com um fantasma?

— É — confirmou sorrindo. — Ele saiu da minha cabeça, se materializou em um homem muito gostosão e então ele meteu em mim até eu gritar coisas desconexas como: “Chega! Não! Pare!”. Quer dizer: “Não pare! Não pare! Vai! Força! — Ele repetia os sons de forma zombeteira.

— Pare de inventar bobagem.

— Eu to falando sério. Olha! — ele pegou o lençol e retirou da cama, mostrando para Sasuke uma mancha amarelada com um pouco de sangue. — Eu não conseguiria meter em mim com os dedos até sangrar, conseguiria?

— Mas poderia ter usado o controle do videogame? — Sasuke sugeriu, arqueando uma das sobrancelhas.

— Mas eu não usei — rebateu, devolvendo o lençol pra cama. — Estou falando sério. Eu vou mostrar o joystick. Para onde eu chutei aquela porcaria mesmo? — se perguntou, coçando a cabeça e olhando o chão.

— Tá Kitsu, eu já entendi. Agora, me diga, o que são aqueles cacos de vidros no chão na entrada da porta?

— Eu vi o fantasma pela primeira vez parado ali, na hora que estava voltando da cozinha com o lanche. Aí, puft! Derrubei tudo! E de quebra, cortei meus pesinhos nos cacos, viu? — Ele mostrou a sola dos pés cheia de riscos avermelhados.

Pelo menos aquilo não parecia invenção.

— Você estava delirando e não vendo fantasmas de verdade — concluiu Sasuke, retomando seu semblante sério.

— Se aquilo foi mesmo um delírio, preciso delirar mais vezes. — Kitsu concluiu, envolvendo o pescoço de Sasuke. — Você demorou muito. E então, vamos transar?

— Espera — pediu ele retirando as mãos do rapaz do seu pescoço. — Antes, precisamos conversar. Aconteceram algumas coisas e ...

— E? — o loiro o instigou a continuar, se afastando e colocando as mãos na cintura, em sinal de impaciência, ainda fitando-o com chateação.

— Eu descobri sua família, Kitsu. Eles são daqui de Konoha.

— Ah! — O menino girou os olhos nas órbitas, batendo as mãos ao longo do corpo. — Eu não tenho família, Sasuke.

— Tem. E eu os conheço. Eu... Espera, é melhor você ver com seus próprios olhos. — O moreno retirou a foto dobrada do bolso da calça e a entregou para Kitsu. — É você nessa foto, não é? Os traços são idênticos, e além de tudo, o colar no pescoço desse outro rapaz, seu tio, é o mesmo que você usa.

Sasuke ficou observando o rapaz analisar a foto, revirando-a de um lado a outro como se não tivesse visto ali nada interessante.

Então engoliu em seco, ao pensar que ainda tinha que contar a pior parte.

— Tem outra coisa que você precisa saber também, Kitsu... — Ele percebeu o loiro erguer somente os olhos para si. — Nem todos nessa foto estão vivos. Para falar a verdade, só a mulher está viva, a sua mãe. Os outros...

Sasuke não terminou de dizer a frase, pois a reação de Kitsu fora tão estranha que o assombrou. Ele estava... sorrindo? E não era aquele riso moleque que conhecia. Era um sorriso debochado, sarcástico. Ele ainda não estava acreditando no que dizia, era isso? Será que aquela foto não era prova o suficiente? Será que ele ainda não queria acreditar?

— Kitsu, isso é real — voltou a afirmar. — Não estou brincando com você, estou...

— Sabe, Sasuke... — O loiro o interrompeu com um tom sério, o qual nunca havia usado antes com sasuke. — Eu não tenho mais família. — Ele insistiu no argumento, rasgando a foto ao meio. Em seguida juntou as duas partes rasgadas e as rasgou mais uma vez. — Porque eu simplesmente os enterrei. E, sabe de mais uma coisa... — Ele juntou os pedaços mais uma vez, e tornou a rasgá-los, desta vez, usando-se de força para picá-los em retalhos menores. — Não é legal você ficar desenterrando os mortos dos outros. Deixe-os descansar em paz. — Ele jogou os pedaços no ar, fazendo-os dançar em volta de si como se fossem confetes. — Eles podem ganhar vida novamente e voltar para assombrá-los.

— Mas...

Sasuke iria argumentar, mas perdera a voz quando Kitsu o interrompeu novamente.

— Não estou certo, Itachi-nii-chan?

Os olhos do moreno se arregalaram com a forma como Kitsu pronunciara o nome do seu mais velho, era como se ele estivesse ali? Foi então que Sasuke prendeu a respiração ao ver sair detrás da cortina do seu quarto o próprio irmão, Itachi Uchiha.

Petrificou-se.

Então, quando achava que a situação não poderia ficar pior, ela ficou. Itachi se posicionou atrás do loiro e o segurou pela cintura, repousando o rosto na curva do pescoço dele, como se o conhecesse muito bem. Pior do que isso, como se fossem íntimos, amigos, namorados...

Cúmplices?

O loiro por sua vez não se sobressaltou com aproximação. Muito menos rejeitou o toque. Ele fez na verdade fora se recostar ao torso do outro, como se estivesse se aconchegando nos braços dele. Então o timbre rouco do seu mais velho, o qual há muito não ouvia, se fez claro e audível no pequeno cômodo.

— É exatamente isso, Naruto-kun — concordou Itachi, depositando um beijo no pescoço dele.

Ambos abriram um exagerado sorriso um para o outro e Itachi puxou o rosto de Naruto para si e os dois se beijaram, logo depois, voltaram a encarar a expressão perplexa do Uchiha mais novo.

Desta vez, Sasuke não suportou as náuseas que o assolou naquele momento, revirou os olhos para cima e caiu desmaiado aos pés dos dois. Do lado de fora, relâmpagos se propagaram, anunciando que a tempestade iria continuar.

Continua...

Sound track:

Não tente parecer tão esperto

Não chore porque você está certo

Não se apegue a crenças ou medos

Porque você se odiará no final

Wind — Akeboshi

Notas finais
Olhem! Eu fiz um capítulo mais curto. (‘o’). Milagres acontecem, não? (:D). Os comentários diminuíram absurdamente, exatamente a metade. Não mereço mais? Tá chato? Podem reclamar eu aguento. (._.) Mas sem reviews eu não me animo a terminar. (ç_Ç’) Reviews? Onegai? See you next (?) (.-.)