Obsessão Fatal

Capítulo III

Sasuke percorreu o dedo indicador pela face lateral do loiro adormecido ao seu lado, retirou um dos fios dourados que haviam grudado em seu rosto umedecido de suor. Alisou também o pequeno ferimento no canto da boca dele, o qual ele mesmo provocara tentando controlar a intensidade dos seus desejos. O rapaz moreno encarou o filete de sangue que corria dali e sentiu algo estranho: um desejo incontrolável de experimentá-lo.

Aquele sangue...

Parecia ter um gosto bom.

Fixou seus olhos no filete rubro e acabou colocando sua língua para fora e tocando o queixo, onde o sangue morria, percorrendo-a até a boca de Kitsu, onde ele iniciara. Sasuke ficou por um instante tentando decifrar se o gosto era bom ou não, concluindo um pouco depois que sim. O sangue de Kitsu tinha um gosto bom.

O loiro se mexeu ao sentir a lambida e vagarosamente abriu seus olhos azuis, fitando os negros a sua frente.

— Você é insaciável, é? — perguntou em um tom de reclamação, já que entendera a lambida como uma nova chamada para transarem. — Olha que eu também não sou do tipo que me sacio facilmente, principalmente quando encontro alguém bom, mas foram três fodas em seguida e mais duas com intervalos. Eu estou realmente acabado, nem consigo me mexer mais — explicou Kitsu, voltando a fechar os olhos.

— Desculpe? — O rapaz moreno pediu.

— Sem problemas.... — o loiro resmungou, com uma voz sonolenta.

Sasuke continuou acariciando a lateral do rosto dele. Achava que Kitsu tinha um rosto diferente, mas não parecido com de uma raposa, era bonito, sem imperfeições. Não entendia como uma pessoa de rua, sem recursos, como ele dizia ser, tinha um rosto e uma pele tão bem tratados como ele.

— Te incomoda? — Sasuke perguntou de repente.

— Do quê ‘cê ‘tá falando, Sasuke?

— Se te incomoda a carícia no seu rosto?

— Não incomoda. É bom.

— Você parece um gato e não uma raposa.

— Cada um tem seu ponto de vista, e se fosse por você então eu me chamaria “Neko” e não “Kitsu”.

— Eu não gosto de gatos.

— Por que, não?

— Eles arranham.

Kitsu riu, ainda de olhos fechados.

— É. Você tem razão. Foi mal pelo que fiz nas suas costas. Mas não tenho controle sobre meus impulsos quando me proporcionam um prazer tão fora do normal.

— Você está quase dormindo — Sasuke observou.

— É o tom da sua voz. É tão agradável que me dá sono. Aliás, eu estou querendo dormir desde a hora que você me pagou o ramen e você não deixa...

Ao terminar de falar o loiro passou a respirar mais alto, como se tivesse pegado no sono. Mas como precisava ir embora, Sasuke balançou um dos ombros ele.

— Ei? Não durma ainda. Eu tenho que ir — avisou.

— Wakatta ‘te bayo... — ele resmungou, virando o rosto para o outro lado e o acomodando melhor no travesseiro. — Tchau.

Sasuke balançou a cabeça negativamente.

— Você vai ficar bem? E aquele cara?

— Esquece ele. O Neji é que nem cachorro que ladra mas não morde, ele não vai fazer nada.

— Como pode ter tanta certeza? Ele saiu furioso daqui. Não acha melhor se esconder em outro lugar? — sugeriu.

Mas o outro permaneceu em silêncio e logo Sasuke pôde ouvi-lo ressonando.

— Ei, Kitsu?

— Vai embora logo e me deixa dormir, Sasuke. Que porra...

— Boca suja.

— Foda-se...

— Eu venho amanhã cedo para ver como você está. Amanhã, por volta das dez, está bem?

— Você está aqui ainda? Cai fora... E faça o que quiser.

O moreno assentiu. Kitsu se virou no futon. “Ele era mesmo um malcriado”, pensou, afagando mais uma vez os cabelos loiros antes de se levantar e recolocar suas roupas.

Um pouco antes de sair daquele cômodo, observou mais uma vez o corpo nu de bruços e sentiu uma pontada dolorida no peito, acompanhada de uma estranha vontade de ficar. Não queria deixá-lo sozinho. Estava com um pressentimento ruim, medo que o tal Neji voltasse para colocar em prática suas ameaças. Mas ainda estava chovendo, a temperatura caindo e a noite chegando. Talvez Neji não voltasse devido ao clima ruim e teria tempo durante a noite em pensar em como tiraria Kitsu daquele lugar sujo e desconfortável.

Também tinha seu tutor, precisava chegar em casa antes dele. Lembrar daquele fato o fez consultar o relógio de pulso: já eram quase seis da tarde. Se Kakashi chegasse ao apartamento e não o visse lá faria o maior alarde. Respirou fundo, crispou os punhos e saiu do cômodo rapidamente, antes que seus argumentos para ir embora não o convencessem mais.

...

Ao ouvir a porta do galpão batendo, Kitsu abriu os olhos e abraçou-se ao travesseiro embaixo da sua cabeça. Apesar do sono, estava irritado. Não queria que Sasuke tivesse partido, mas não achava justo prendê-lo naquele lugar horrível.

O rapaz loiro ponderou e chegou a conclusão de que nunca havia sentido um prazer tão inflamado com outro homem antes. Além de tudo, Sasuke era bonito, carinhoso e bem diferente dos outros homens com quem já se deitara na vida.

“Posso beijá-lo?”

Kitsu elevou os dedos e tocou seus lábios, sentindo todo ardor que Sasuke lhe proporcionara. Ainda conseguia sentir o gosto dele impregnado na sua boca. Só a forma ávida com a qual os lábios dele consumiram os seus, fora capaz de incandescê-lo quase ao ponto de fazê-lo gozar, mesmo sem ser penetrado. Levou à mão direita para o meio das pernas e apertou vagarosamente o membro, sentindo-o rijo mais uma vez. Se continuasse pensando naquilo iria ficar aceso de novo e não tinha mais forças.

“Não, na verdade, eu já estou bem aceso...” ele constatou ao se apalpar. “Merda! Será que eu voltarei a vê-lo? Por que você teve que fazer meu corpo se incendiar desse jeito, Sasuke? Por que, merda?”, Kitsu resmungou, socando o travesseiro.

...

Sasuke saiu do galpão observando tudo a sua volta, se certificando de que não havia nada de suspeito. Deixou o cadeado só encostado, conforme estava quando entraram. Provavelmente Kitsu não tinha a chave, por isso o largava aberto. Depois ergueu a touca do casaco vermelho na cabeça e saiu correndo na chuva.

A noite havia caído e aqueles becos eram mal iluminados. Pensar em “mal iluminado” fez Sasuke notar algo inusitado: atravessou a escuridão do galpão sozinho e agora estava andando em um beco desconhecido e escuro e até o momento não sentira nenhum dos sintomas de sua fobia.

“Será que estou curado?” se perguntou, ficando realmente satisfeito, aumentando a velocidade dos passos. “Kitsu. Meu anjo da guarda. Você realmente me faz bem.”

Não muito distante do galpão, dentro de um carro preto e de vidros fumê que estava estacionado atrás de um container de lixo, um rapaz de boné verde, que estava no banco do motorista, virou-se para a pessoa no banco de trás e o informou:

— Saiu alguém.

— Sim. Eu vi — confirmou o outro, se preparando para descer. — Era o que eu estava esperando. Eu vou entrar.

— Quer que eu vou atrás daquele outro cara, Neji?

— Não, Lee. Ele não me interessa. O único com quem tenho que acertar contas é com aquele filho da putalá dentro.

— Mas o que você pretende afinal, Neji? Só vai dar um susto nele, não é? Não vá fazer besteiras. Você sabe que tem um nome importante a zelar.

— Não se preocupe com isso, Lee. Ninguém vai saber que eu estive envolvido. Afinal, quem vai se importar com um lixo como o Kitsu? Eu só vou ensinar para aquela raposa de duas caras que não se brinca com um Hyuuga. Me dá essa sacola que está aí na frente — pediu ele, estendendo a mão para o colega na frente.

— Tem certeza que vai usar essas coisas com o Kitsu-kun, Neji? — perguntou o outro, preocupado, após entregar uma sacola preta a ele.

Neji sorriu de canto, mantendo a expressão perversa no rosto.

— Só vou devolver para ele os brinquedinhos que a gente usava para se divertir. Acho que ele vai precisar deles para se divertir com o novo amiguinho. Cadê o pacote da farmácia?

— ‘Tá aqui no porta-luvas — informou o rapaz moreno e de sobrancelhas grossas, após abrir o porta-luvas, retirar o pacote de lá e entregá-lo para o colega no banco de trás. — O que você comprou aí, Neji?

— Estimulantes. Pelo tempo que eles ficaram lá dentro ele deve estar exausto agora, dormindo feito uma pedra. Isso fará com que ele desperte.

O rapaz ao volante suspirou preocupado, não estava gostando nada daquela ideia.

— Neji, isso tá me cheirando a problema...

— Chega, Lee — pediu ele, com um tom de voz claramente irritado. Em seguida apertou o ombro do colega. — Eu sei muito bem até onde posso ir com aquele vadio de beira de esquina. Não vou fazer besteiras. Aproveite para descansar um pouco. Eu vou demorar.

— Vou ficar em alerta, isso sim. Vai que o outro cara retorne. Qualquer coisa te dou um toque no celular.

— Certo. Valeu, Lee.

Neji desceu do carro e seguiu em direção ao galpão.

...

Assim que o policial Hatake Kakashi entrou no apartamento sentiu algo diferente na atmosfera. De início, não soube identificar o que era. Abaixou a máscara preta que encobria parcialmente seu rosto e farejou o ar. Apesar de parecer algo grotesco de se fazer, era assim que ele conseguia identificar cheiros alheios no ambiente.

O homem era portador de uma deformidade rara: o seu olfato era mais aguçado do que os dos humanos comuns, equivalendo ao faro dos cachorros. Este era um dos motivos pelo qual sempre teve que usar uma máscara escondendo metade do rosto. Afinal, seu estômago e a sua cabeça eram normais e não suportavam a invasão excessiva de determinados odores.

Fora também esse fato, que fizera dele um policial perito. Com o seu olfato e instinto aguçados, Kakashi conseguia captar até os mínimos detalhes nas cenas dos crimes, muitas vezes imperceptíveis aos seres humanos comuns.

Entrou em casa, após descalçar o coturno e largá-lo na soleira da porta e acendeu a luz da sala. Parecia que tudo estava no seu devido lugar e não havia nenhum cheiro estranho no ar. Seguiu andando pelo corredor e estacou diante da porta do quarto de Sasuke. Era ali que sentia algo de errado. Apoiou sua mão na maçaneta e empurrou o batente de madeira, adentrando o ambiente escuro. Ascendeu a luz e notou seu protegido na cama, Sasuke parecia em sono profundo.

“Espera...” ele parou para pensar, arregalando os olhos em seguida. “Tem realmente algo de errado”, deduziu para si mesmo e deu meia volta, retomando o ponto de partida, refazendo o caminho que acabara de fazer. Saiu do quarto, fechou a porta, para em seguida, reabri-la novamente. Estacou mais uma vez dentro do quarto. Não, não estava certo, ainda faltava algo. Olhou o interruptor, o apagou, e então voltou a fechar a porta mais uma vez. Ao reabri-la, acionou o interruptor, depois desligou novamente, para acioná-lo mais uma vez.

Ficou perplexo por um tempo.

Era a primeira vez em dez anos que Sasuke dormia com a luz apagada. Fora exatamente aquele fator que estranhara ao entrar em casa. O facho de luz que sempre vinha do quarto do rapaz não estava lá, criando reflexos nas paredes. Adentrou novamente o cômodo e com as sobrancelhas franzidas encarou o interruptor como se este fosse um corpo totalmente adverso ali.

Deteve-se então ao lado da cama de Sasuke, descansando as mãos dentro dos bolsos da sua calça do uniforme e analisando o protegido encoberto pelo edredom, dormindo só com a cabeça para fora. Estava respirando alto, o que o fazia acreditar que ele havia pegado no sono profundo há algum tempo. Sorriu, verdadeiramente contente. Após todos aqueles anos convivendo com Sasuke já o considerava um filho e se sentia contente por ele finalmente estar vencendo seus temores. Queria muito vê-lo como um garoto normal.

Examinou mais uma vez o quarto, correndo seus olhos rapidamente pelos os quatro cantos. Estava tudo em seu lugar. Nada de anormal. O livro de informática que ele costumava ler antes de dormir estava ali, jogado no carpete. Apanhou-o e olhou a página marcada: trezentos e cinquenta e sete. O livro tinha quatrocentas páginas, mais alguns dias e ele o terminaria. Sorriu mais uma vez e deixou o livro sobre teclado do computador. Depois disso saiu do quarto, após apagar a luz. Precisava fazer uma ligação.

...

Do outro lado da cidade a psicanalista de cabelos cor mel estava inquieta, batendo a caneta em cima da mesa da sua escrivaninha, enquanto observava aqueles dois prontuários abertos a sua frente. Ainda não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer.

— Vamos avisar ao Kakashi agora mesmo — ela se lembrou da primeira coisa que disse quando o delegado de polícia lhe deu aquela notícia perturbadora no fim da tarde.

— Espere um pouco, Tsunade — o homem a impediu de apanhar o celular na bolsa ao segurar seu braço. Assim que ela se deteve e voltou sua atenção para ele, Danzou se explicou: — Kakashi esteve de plantão a noite passada e ainda assim trabalhou hoje o dia inteiro a meu pedido. Deixe-o descansar. Daremos a notícia a ele pela manhã.

— Mas essa notícia é muito grave para...

— Tsunade, eu pretendo designar outra pessoa para essa investigação.

A notícia pegou a médica de surpresa.

— Outra pessoa? — ela perguntou espantada com a novidade dita calmamente pelo chefe de polícia. — Mas o Kakashi é o agente mais velho no caso. Foi graças a ele que conseguimos encontrar o paradeiro de Itachi naquela noite.

— Doutora, eu não estou desmerecendo a capacidade do nosso perito. Só estou dizendo que existe uma pessoa mais eficiente que ele no quesito “investigação”. Eu já entrei em contato com essa pessoa e ele irá assumir o caso amanhã cedo. É um rapaz bem jovem. Está na polícia apenas há três anos. Mas é um gênio, com uma percepção aguçada. Quero que a senhora e o Kakashi conversem com ele e o deixe a par de todo o caso Uchiha, desde o princípio. Inclusive, quero que repasse a ele o histórico psiquiátrico dos dois irmãos.

— Por que o histórico de Sasuke também? O Sasuke não tem motivo para ser investigado — ela ponderou em um tom alterado. — Ele não é um maníaco como o irmão.

— Não? — O homem arqueou uma das sobrancelhas, evidentemente irônico. — Então ele faz sessão de análises psiquiátricas diariamente por hobby?

— Chefe... — Tsunade se dirigiu a ele com os dentes cerrados e a feição contraída, tentando conter a raiva que a fazia desejar socar a face daquele homem que considerava insuportável. Mas buscou inspirar lentamente e se acalmou. — O senhor não está só sendo indelicado, mas está desmerecendo o meu trabalho de anos como a médica psiquiátrica que trata daquele jovem. Se eu estou cuidado da saúde mental de Sasuke, eu posso garantir que ele é só um rapaz traumatizado e não alguém com o gênio maligno do irmão.

O homem apenas esturrou, balançando a cabeça de um lado para outro.

— Estou exausto, doutora. Por favor, eu não sou criança, eu sou uma autoridade. Estou usando a minha forma lógica de pensar. Se sentiu-se desmerecida, desculpe-me, mas foi porque a carapuça serviu. Agora, por favor, vá para casa descansar e amanhã conversaremos melhor.

A mulher esmurrou sua própria mesa ao lembra-se da petulância daquele homem.

“Como aquele desgraçado ousa a me tratar daquele jeito? Eu sou a neta do prefeito atual da cidade. Filha do anterior. E provavelmente serei a futura prefeita. Eu me lembrarei da sua petulância em meu mandato, Danzou.” ela esbravejou e socou a mesa mais uma vez, fazendo alguns objetos pularem para o chão, inclusive o celular, que começou a tocar no momento em que caiu no carpete.

— Quem será a essa hora? — ela se perguntou, levantando de onde estava e apanhando o aparelho do chão, atendendo-o sem antes ver quem era.

— Hai?

— Senju? Espero não tê-la acordado — ouviu a voz conhecida do agente Kakashi e sorriu pela coincidência.

— Não, eu estava acordada, Kakashi. Você nem vai acreditar, ainda estava pensando em você nesse exato momento.

A declaração repentina fez o homem do outro lado da linha engolir a própria saliva. Só então a mulher notou que havia feito uma observação de duplo sentido. Sentiu sua face se aquecer de constrangimento, por mais que o policial lhe parecesse um homem atraente, nunca havia pensado nele com segundas intenções, por isso tratou de desfazer o mal-entendido.

— Não é nesse sentido que você está pensando, Kakashi — ela desfez imediatamente o engano.

— Ah... — o ouviu suspirar aliviado no fone e aquilo acabou deixando-a irritada.

— Também não precisa se sentir tão aliviado, não é? Apesar de ser mais velha, eu não sou uma mulher de se jogar fora.

— Yare, Yare… — ele comentou e Tsunade praticamente o visualizou coçando a cabeça do outro lado da linha. — Não foi isso que eu quis dizer, Senju-san. Seria até ao contrário. Eu que não saberia o que fazer se uma mulher do seu porte, bonita, inteligente e rica, se interessasse por alguém como eu.

A mulher sentiu o coração bater mais rápido e ficou alegre ao ouvir o elogio. Fazia muito tempo que não pensava em ninguém depois da morte de Minato. Mas sabia que aquele também não era o momento e só tentou se esquivar do cortejo.

— Não venha com suas gracinhas, Kakashi — ela o repreendeu mansamente, então mudou o assunto. — Qual é o motivo da ligação? Aconteceu algo com o Sasuke?

— Sim. Você nem vai acreditar. Depois dele ter dormido sem tomar os calmantes na noite passada. Essa noite, além dele não tomar os remédios, dormiu com a luz do quarto apagada. É a primeira vez em dez anos. Fiquei tão surpreso que achei interessante lhe contar a novidade — Kakashi concluiu com um tom de voz verdadeiramente contente. — Achei que iria gostar de saber, já que as análises diárias dele com você estão suspensas.

A mulher sorriu, soltando um suspiro de alívio. Estava mesmo feliz por Sasuke ter vencido, ou estar vencendo, mais uma das suas fobias. Só achou estranho a coincidência: aquilo estar acontecendo bem no momento em que algo totalmente inesperado também havia acontecido com seu irmão.

— Kakashi, eu estou realmente contente com essa informação. Mas estou surpresa por isso ter acontecido justo hoje, quando um fato inusitado também ocorreu com o irmão dele.

— Com Itachi?

— Sim.

— O que houve?

Ela suspirou fundo.

— Antes disso, me promete que não vai falar nada com seu chefe, ele me proibiu de te contar isso hoje. Ele alegou que você esteve de plantão uma noite e um dia seguidos e estaria exausto, por isso ele queria te deixar a par do ocorrido só pela manhã.

— Fique tranquila. Danzou não vai saber que me contou.

— Itachi Uchiha tentou se suicidar na cadeia essa noite.

— Nani?

...

Enquanto isso, em um quarto de hotel em Suna, cidade localizada a 740 quilômetros de Konoha, uma jovem loira ofegava e contorcia o rosto em caretas doloridas, ao sentir as estocadas profundas do namorado em seu interior. Por mais que ele estivesse impondo força para tentar recuperar o clima quebrado pelo telefonema que havia acabado de atender, a mente dele ainda parecia distante.

A moça soltou outro gemido, agora mais dolorido, fazendo com que o rapaz se detivesse.

— O que foi?

— Você não está concentrado, Shikamaru... — ela disse, correndo as mãos espalmadas pelo tórax dele e subindo até alcançar os ombros o qual massageou.

— Pois é. As pessoas tinham que ter um desconfiometro e saber quando não devem ligar no celular dos outros — resmungou ele.

A moça sorriu.

— O seu desconfiometro também anda desregulado, não é? Deveria ter colocado o celular no silencioso.

— Sou um agente especial da polícia, você sabe que não posso fazer isso.

Ela arqueou uma das sobrancelhas.

— Ai, ai... Mulheres são tão problemáticas.

— Então arrume um homem, já lhe disse várias vezes.

Desta vez foi ele quem sorriu.

— Nem brinca com isso. Não é hora de me fazer sentir enjoo.

A provocação da namorada fez com que o agente voltasse a se concentrar no momento a dois deles e em um movimento rápido ele a abraçou e girou seus corpos, trocando-os de lugar. O rapaz sabia que aquela era a posição preferida da namorada, porque ficar por cima e poder dominá-lo era tudo o que ela desejava. Ele também não tinha do que reclamar da posição, pois daquele ponto tinha uma visão bem privilegiada, além do sexo ser mais intenso.

A loira, ao sentir o membro do namorado se alojar em seu interior devido ao peso do seu próprio corpo, inclinou a cabeça para trás, fazendo seus seios já rijos pularem e soltou um alto gemido. Sentiu as mãos do rapaz apertarem firmes a sua cintura e mordeu o lábio inferior, tentando conter o orgasmo que ameaçou vir ao sentir aquela dor leve, mas que considerava prazerosa, quando o membro do membro do rapaz atingiu o limite em seu interior.

Ela se deliciou ainda mais com o passeio que a mãos atrevidas de Shikamaru faziam sobre seu corpo. Primeiro o namorado alisou suas coxas, depois estendeu o passeio para seu quadril e subiu apalpando sua pele até chegar aos seios os quais ele dedicou uma massagem firme com as palmas das mãos abertas. Lentamente, ela começou a se mover sobre ele, que em recompensa, passou a ouriçar os bicos dos seus seios; que já estavam sensíveis.

Não demorou e os movimentos da jovem se tornaram mais intensos, fazendo com que Shikamaru elevasse o tronco e alcançasse um dos seios dela o qual ele abocanhou e passou a estimular com a boca: sugando-os, lambendo-os e mordiscando. Em resposta sentiu as paredes internas dela comprimirem ainda mais seu membro a medida que os movimentos se subida e descida aceleraram. Mordeu o bico do seio que tinha na boca e ele ouviu a namorada soltar um gemido chiado, tão prazeroso, que o fez abraçá-la com força e passar a movimentar seu quadril ao encontro dos movimentos dela, aumentando assim o ritmo da cavalgada.

Assim que o ritmo se tornou frenético a loira se paralisou e gemeu alto ao sentir as contrações do orgasmo espalhando por todo seu corpo aquelas sensações de intenso prazer.

Shikamaru, por sua vez, ao sentir as paredes internas de sua namorada se contraindo, se arrematou mais algumas vezes para dentro dela e se paralisou, deixando-se ser invadido pelo prazer.

As mãos da jovem acariciaram o rosto do rapaz e ela aproximou seus lábios úmidos e inchados do ouvido dele e segredou-lhe em um sussurro.

— Eu te amo tanto, Shikamaru...

— Eu também te amo, Temari — ele retribuiu a declaração e os dois se beijaram.

Alguns minutos depois Shikamaru estava sentado na beira da cama, os olhos fixos na pequena janela do quarto de hotel e os pensamento distantes. O que chamou atenção da namorada que se encontrava deitada de bruços atrás dele e com apenas um fino lençol cobrindo seu corpo nu. Temari, ao inclinar a cabeça para trás e perceber a feição contemplativa do seu companheiro, se sentou na cama, passou as mãos nos cabelos para alinhá-los e subiu o lençol para encobrir o quadril, depois se abraçou aos ombros do rapaz, encostando seus seios nas costas dele.

— Está tão pensativo — ela observou, dando-lhe um beijo na nuca, e apoiando seu queixo no vão entre o ombro e o pescoço dele. — O caso é tão grave assim?

— Hm — confirmou ele apenas com esse resmungo, alisando as mãos da loira em torno do seu pescoço.

— Não vai me dizer do que se trata?

— É confidencial.

Ela sorriu.

— Sempre é.

— Verdade.

— Vai voltar para Konoha quando?

— Preciso estar lá pela manhã.

A resposta fez Temari se desencostar do corpo do namorado e fitar as costas dele com um ar de desapontamento.

— E quando você volta?

Mesmo sentindo a decepção no tom de voz da namorada, Shikamaru soube que não poderia dar a ela aquela resposta, por mais que fosse considerado um “gênio” não conseguia medir quanto tempo duraria uma investigação daquele clivo sem antes saber de detalhes importantes.

— Certo, então quer dizer que vamos adiar o jantar com o meu irmão mais uma vez? — ela vociferou o que a incomodava e já tendo conhecimento da resposta, juntou os joelhos, abraçou-os e encostou a cabeça neles, ficando emburrada. — Você vai quebrar sua promessa mais uma vez por causa do seu trabalho.

O rapaz suspirou e massageou a nuca.

— Nós já esperamos tanto, qual o problema de esperarmos mais um pouco?

— Ah!

Shikamaru a ouviu resmungar e se deitar de bruços na cama. Temari era irmã mais velha do jovem prefeito daquela cidade. Depois que o pai deles, o ex-prefeito da cidade, morreu em um atentado, foi Gaara quem assumiu as responsabilidades da casa e também a sucessão do pai no partido político, mesmo ele sendo o ente mais novo da família. Mas isso ocorreu devido a notoriedade que o rapaz ganhou na mídia após dar continuidade as investigações sobre o assassinato do pai, mesmo depois da polícia ter tido o caso como encerrado, alegando que o prefeito fora vítima de latrocínio[1].

Foi assim que Shikamaru e Gaara se conheceram, o irmão de Temari o contatou através da internet, onde mantinha um anúncio como “Sombra, detetive particular”. Na realidade, até antes do caso do prefeito de Suna, Shikamaru era somente um calouro de direito que fazia bicos como detive particular para desvendar casos os quais ele considerava simplórios, tais como: encontrar pessoas perdidas, ou desvendar casos de traição em relacionamentos. Mas fora a primeira vez que ele fora contatado para algo grande e, apesar do receio, Shikamaru aceitou o desafio. Não demorou muito tempo e Gaara e ele chegaram aos verdadeiros culpados. O prefeito havia sido morto ao descobrir que um grupo de políticos corruptos financiavam, com verbas da prefeitura, uma organização criminosa. Também descobriram que esses políticos planejavam assumir a liderança de cidades tanto de Suna quanto da vizinha Konoha.

A repercussão do caso trouxe grandes mudanças na vida de ambos. Gaara fora chamado para assumir a liderança do antigo partido do pai e acabou sendo eleito o prefeito mais jovem do país. Quanto a Shikamaru, acabou sendo contratado pelo DIEPOK — Departamento de Investigações Especiais da Polícia de Konoha, aonde morava. Foi assim também que Shikamaru conheceu Temari, a irmã mais velha de Gaara, por quem se apaixonou e com quem mantinha um relacionamento sério desde então.

Mesmo tendo sido o responsável pela solução do assassinato do ex-prefeito, Shikamaru sentia que Gaara não “engolia” bem o fato dele ter aproveitado a situação para se aproximar da irmã dele. Apesar que aquela era uma impressão do próprio investigador, que não conseguia ler as reações do jovem prefeito em sua expressão sempre séria e enigmática. Totalmente contrária à do outro irmão mais velho dos dois, Kankuro, que era do tipo esquentado, expressivo e que diz o que vem na cabeça. Desses tipos Shikamaru podia dizer que gostava mais, pois eram previsíveis, fáceis de lidar, diferentes daqueles que só o observavam calado, como Gaara.

Por esse fator que Shikamaru vinha adiando há algum tempo o jantar com Gaara, pois não considerava tão simples atender o capricho da namorada que insistia que ele fizesse o pedido da mão dela em casamento primeiro ao irmão.

— Ei, Temari? Vamos fazer assim.... — Ele deu início a uma sugestão, sentindo pena de vê-la tão incomodada depois do sexo tão intenso que tiveram. — Não precisamos de um jantar para eu pedir sua mão em casamento para o seu irmão. Amanhã, antes de eu voltar para Konoha, passo na sua casa e faço o pedido na hora do café. Depois só precisaremos marcar o jantar para oficializar o noivado e podemos fazer isso na primeira folga que eu tiver depois que o caso estiver concluí-....

Antes que ele terminasse sua fala, Temari se ergueu da cama e se agarrou ao pescoço dele novamente, chorando. Shikamaru suspirou e se voltou para ela, correspondendo ao abraço. Apesar de ele ser um detetive de raciocínio acima da média, se encontrava ali diante dele um dos maiores mistérios da humanidade: um coração feminino.

— Ei, ei... Cadê aquela mulher durona que nunca vi chorar por nada, hm? Não chore, por favor. Está cortando meu coração.

Então o investigador se deslumbrou ao ver sua futura mulher se afastar dos seus braços, limpar o rosto com as costas das mãos e em meio a face ruborizada, lhe abrir o mais lindo e belo sorriso do mundo.

— Gomen, Shikamaru? É que estou tão feliz que não consegui segurar as lágrimas...

Ele também sorriu e repousou a mão sobre a cabeça dela.

— Acalme-se. Não sou tão grande coisa assim para você se emocionar tanto em saber que logo será minha mulher, né? — ele ressalvou, levantando-se e dando um beijo na testa dela. — Vou tomar um banho.

— Hai — Ela concordou, secando as lágrimas com as costas das mãos.

Assim que o rapaz entrou no banheiro e fechou a porta, Temari abraçou a própria barriga e a acariciou.

— Gomen, bebê? Eu ainda não quero contar ao seu pai sobre sua chegada. Não, antes dele colocar um anel de noivado no dedo da sua okaasan. Não quero que ele se sinta forçado só por causa da sua chegada...

...

Na manhã seguinte, Kakashi observava Sasuke tomar seu café da manhã como fazia todos os dias. A conversa com a Tsunade na noite anterior ainda pulsava em sua mente. Não conseguia entender o motivo que levaria uma pessoa como Itachi Uchiha tentar suicídio. Uma possibilidade que chegava ser incabível para alguém que é um psicopata e não possuí sentimento de culpa.

— Kakashi-san?

O chamado de Sasuke interrompeu os pensamentos do tutor.

— Sim?

— Está mais silencioso do que o normal, aconteceu alguma coisa?

O investigador mudou a expressão e sorriu por debaixo da máscara, levantando-se da mesa e recolhendo seus utensílios do café, levando-os para pia. Havia concordado com Tsunade que era melhor esperarem antes de dar aquela notícia sobre Itachi para Sasuke.

— Não é nada. Coisas do trabalho.

— Hm.

— Ah. Eu estou orgulhoso de você, Sasuke — o homem se lembrou de comentar, abrindo a torneira e tentando soar casual. — Você conseguiu dormir com a luz apagada ontem, não foi?

— O senhor notou.

— Não tinha como não notar, você está se tratando durante anos, exatamente para se livrar dessa fobia — ele comentou, terminando de enxaguar a xícara e o prato, colocando-os para escorrer no escorredor de louças, se voltou para Sasuke. — Me conta, como aconteceu? — quis saber, curioso.

Sasuke estava esperando aquela pergunta e havia se preparado para ela. Afinal, não podia simplesmente contar ao tutor sobre o encontro com Kitsu, o mesmo que o salvara de ser atropelado e que era um morador de rua problemático, que estava fugindo de um cara. Muito menos relatar que havia transado com ele, alguém do mesmo sexo, sem proteção alguma, e tantas vezes em um único dia, que conseguiu esgotar até a última gota de energia do seu corpo, ao ponto de fazê-lo apagar ao se deitar sem se preocupar com todos medos que há dez anos o impedem de pegar no sono como as pessoas comuns.

— Há algum tempo atrás a Tsunade havia me ensinado uma técnica pra tentar pegar no sono sem se preocupar com a luz. Eu deveria pensar em fazer coisas que me agradassem com alguém que eu gostasse. Antes não tinha ninguém assim, acho que por isso não estava dando muito certo. Mas ontem eu... pensei muito em alguém e deu certo.

— Alguém? — Kakashi perguntou, surpreso.

— É.

— Uma garota?

— Seria estranho se fosse um garoto?

Kakashi riu e, entendendo a pergunta de Sasuke como uma brincadeira, respondeu:

— Nos dias de hoje até que não seria — comentou, coçando a nuca. — Mas quer dizer que você está interessado em alguém? Alguém da sua idade é isso?

— Sim.

— Está apaixonado?

O rapaz ficou sério.

— Não tenho certeza.

Kakashi sorriu e então se aproximou do protegido, tocando em seu ombro e tentando fazê-lo relaxar da expressão tensa que adquiriu com sua pergunta.

— Não há nada mais natural que gostar de alguém, Sasuke. Não se preocupe tanto com isso, apenas relaxe e deixe acontecer.

— Hm.

— Você já se declarou?

O rapaz meneou a cabeça.

— Certo. Tudo no seu tempo. Mas não demore tanto pra fazê-lo, pois quero saber quem é essa pessoa, isso, se já não a conheço, não é? — ele comentou, piscando um dos olhos e sem esperar uma resposta se despediu. — Bem, vou trabalhar. Ittekimasu.

— Itterasshai.

...

Sasuke cronometrou quinze minutos após a saída de Kakashi e também saiu. Na rua, ele andava com uma mochila nas costa, onde carregava seu notebook e mais dois celulares. Em uma das mãos trazia duas sacolas. Havia passado em uma conveniência perto do seu prédio e comprado algumas coisas para levar para o Kitsu: frutas, leite, suco de laranja, biscoitos e claro: Ramen de preparo instantâneo.

Apesar de que, sua preocupação ainda era o tutor. Kakashi parecia diferente aquela manhã. Estava mais aéreo que o normal. Sasuke não conseguia negar que também estava incomodado por ter omitido do tutor a história sobre Kitsu. Quer ele quisesse ou não, Kakashi era no momento a única família que tinha. Mas, acima de tudo, ele era um policial e, como bom policial que era, se soubesse sobre Kitsu ele certamente pediria para que se afastasse, além de começar a investigá-lo.

Sendo assim, havia traçado alguns objetivos: o primeiro e o mais certo deles, era que queria ficar com Kitsu e iria ficar com ele não importando quantos problemas teria para consegui-lo. No entanto, o loiro não seria aceito por Kakashi tão facilmente, ainda mais com a intromissão de Tsunade. Era aí que entrava seu segundo objetivo: fugirem juntos para outra cidade. Não Suna. Uma cidade distante, onde ninguém conhecesse o passado deles e onde pudessem recomeçar juntos.

Mas para isso, Sasuke precisaria traçar seu terceiro objetivo de maneira minuciosa: levantar todo o dinheiro necessário para saírem de Konoha e não precisar viver de favores com ninguém, muito menos, pedir nas ruas. Sabia do capital que existia em seu nome. Todos os bens, negócios, investimentos e propriedades em nome da família já tinham sido convertidos em espécie na época em que o irmão ainda administrava os bens. O único bem que Itachi não tinha convertido em dinheiro era a mansão em que viviam. Então, além da propriedade, tinha conhecimento da boa quantia em dinheiro que tinha depositada em seu nome, mesmo depois do bloqueio judicial e dos pagamentos das indenizações para a família das vítimas do irmão. Isso, por que algumas das famílias não entraram na justiça para requererem indenização como era o caso da sua psicanalista.

Porém, o tutor tinha um aval judicial para administrar sua conta e como Kakashi nunca fora muito familiarizado com tecnologias, desde muito cedo é ele próprio quem acessa a conta e faz os pagamentos das despesas mensais da casa. Mas precisaria pensar em como faria uma retirada grande do banco sem chamar atenção. Além disso, não deixaria o tutor desguarnecido, só sacaria quantidade suficiente para que pudessem viajar e comprar um apartamento.

Sasuke passou pela banca de jornal e o jornaleiro, ao reconhecê-lo, cumprimentou-o.

— Ohayo, filho.

— Ohayo, san.

— Vai recomeçar a procura?

Sasuke negou com um balançar de cabeça.

—Ontem mesmo eu o encontrei.

— Mesmo? Isso é que chamo de sorte. Com tanta gente nesse mundo e você...

Sasuke não era de ler jornal, contudo as letras em caixa-alta de uma manchete estampada em um dos folhetos pendurados bem na sua frente, chamou tanto sua atenção que não foi capaz de ignorá-la.

— “Tentativa de suicídio dentro da prisão de segurança máxima...” — Sasuke leu e sentiu o estômago contrair.

— Estranho, não é? — comentou o jornaleiro. — A notícia ainda diz que a polícia tentou negar o fato, mas depois de algumas fontes declararem ter sido verdade, eles confirmaram que houve sim uma tentativa de suicídio e que o preso foi transferido para o Hospital da Polícia. Mas ainda se negam a informar o nome do prisioneiro.

— Talvez... — O rapaz pronunciou em um tom de voz sussurrado, enquanto seus olhos ficavam mortiços e na sua mente um filme de terror, exibido a uma década atrás, o qual desejava intensamente manter submerso no mais profundo e obscuro do seu subconsciente, começava a se reprisar em flashes.

— O que disse, meu rapaz?

— Talvez estejam querendo esconder o fato de alguém aqui fora — Sasuke concluiu, erguendo os olhos para encarar o senhorzinho.

— Mas quem aqui fora se importaria com a tentativa de suicídio de um criminoso que está na penitenciária de segurança máxima?

— Quem sabe algum familiar — Sasuke sugestionou.

— Pode até ser. Mas se fosse um parente meu, com certeza eu não me importaria, por que já teria riscado o nome dele da minha árvore genealógica há muito tempo.

O rapaz estreitou os lábios tentando esboçar um sorriso discreto e meneou a cabeça para o senhorzinho.

— Tem razão — apenas concordou, sentindo uma certa urgência tomar posse do seu interior. — Tenho que ir. Até mais.

— Já vai, filho? Tenha cuidado! — O homem se despediu, acenando para o jovem que se afastava depressa. — Está aí um rapaz que certamente não tem motivos para se preocupar com bandidos desse clivo.

Enquanto andava mais depressa, Sasuke teve certeza de que aquele era o motivo por Kakashi estar tão atordoado à mesa do café. Seu irmão havia tentado suicídio. O que por si só deixaria até uma pessoa leiga desconfiada, afinal Itachi não é do tipo de criminoso que se arrependeria dos atos que cometeu ao ponto de tentar se matar. Mas do que ninguém, Sasuke o conhecia, na verdade, experimentara na pele, toda a frieza e a crueldade do irmão mais velho.

“Isso é ridículo, Itachi nunca tentaria se matar. Nunca! Se for ele esse pessoa, a algo de muito distorcido nessa informação.” O rapaz deduziu, começando a ficar ofegante.

Assim que Sasuke chegou diante do galpão aonde que Kitsu estava morando, ele olhou o relógio e constatou que ainda era cedo: nove da manhã. Certamente Kitsu acordava tarde. Observou o céu e notou que ainda havia nuvens de chuva cobrindo o sol apesar de o dia estar um pouco mais claro. Parou por um instante e procurou regularizar a respiração, precisava se acalmar. Não queria que o loiro notasse sua alteração e o nervosismo. Pensaria sobre irmão mais tarde. Mas já tinha certeza: se Itachi estava planejando algo, aquele motivo era o suficiente para que acelerasse seus planos e sumisse com Kitsu de Konoha o mais rápido possível.

Sentindo-se mais calmo, Sasuke suspirou fundo e decidiu entrar. Mas ao segurar a grande maçaneta da porta metálica notou algo que chamou sua atenção: a corrente que havia transpassado na maçaneta estava no chão. Juntou as sobrancelhas em estranhamento e empurrou a porta devagar. Com a claridade do dia entrando pelas janelas notou melhor as grandes máquinas encobertas por lonas velhas e muita poeira. No entanto, foi algo no chão que chamou mais sua atenção.

Ao se aproximar daquela mancha perto da escada seus olhos se arregalaram. Sasuke se abaixou até que seu rosto ficasse rente ao chão e então passou o dedo naquele borrão viscoso e vermelho, sentiu a textura em seus dedos e então elevou ao nariz e reconheceu imediatamente aquele cheiro: era sangue.

“Não... Não pode. Por favor, não. Isso não pode ser o que estou pensando. De novo isso não!”

Sasuke largou as sacolas no chão e subiu as escadas em uma velocidade que ele desconhecia, ao chegar na parte de cima entrou no cômodo que Kitsu fazia de quarto e quando seus olhos finalmente os encontraram sentiu o coração falhar algumas batidas e a sua tão conhecida vertigem fazer sua cabeça girar.

“Eu não posso desmaiar agora...” ao pensar aquilo, Sasuke puxou ar com urgência para dentro dos pulmões e se esforçou para inspirar e espirar e continuar lúcido. Quando sentiu que a vertigem estava passando ele voltou a olhar aquela cena e sentiu seus olhos arderem.

Crispou os punhos com forças.

Tudo que ele sentia naquele momento era raiva. Raiva de tudo e de todos que tentavam roubar o sentido que encontrara viver.

— Estou cansado de ser bonzinho...

Continua...

Vocabulário

Ojisan: tio.

Naze: Porque?

Hai: sim.

Chooto matte kudasai: Espere um momento, por favor.

Nani: O quê?!/ Como?!

Otooto: Irmão mais novo.

Gomen: desculpe?

Daijoubu: Está tudo bem?

Ie: não;

Baka: idiota, bobo, tolo, (e mais uma porção de sinônimos mais próximos)

Ittekimasu — Estou indo (mais informal)

Itterasshai – “por favor volte em segurança”, ou melhor, “te vejo mais tarde.” Resposta dada a itekkimasu.

Ohayo: bom dia.

Ja ne: Tchau, até mais, até logo, até mais tarde, etc.

Sound Track:

“Se eu olhar para o arco-íris agora eu vejo como um garoto. Não há mais as sete cores. Somente neblina e névoa... Assim como o tempo passa, e o mundo meu redor muda...” Sunao Na Niji – Surface

Momento Propaganda

Então, não é só de escrever que vivemos, então é hora de prestigiar os trabalhos dos meus colegas ficwriter. Sei que tem muita gente boa por aqui no Nyah! Mas enfim, eu não consigo ler tudo. Mas vou fazer algumas recomendações do que já li:

— Sad Reallty – ficwriter Aido – Começa com um SasuNaru traumático, mas logo eles se adéquam a uma vida normal. Quando do nada, acontece uma reviravolta com uma nova história de guerras e bijus ao fundo, muito interessante.

— Uma Noite inesquecível – da minha fofolete Gabhy-chan: SasuNaru com muito mel e cobertura de chantily (xD). Sim, a fic é um doce. E tem suas doses apimentadas. Confiram.

Por enquanto são essas. :D

[1] Latrocínio: roubo seguido de morte.

Notas finais
Sim! Eu sei, eu sei. Vão querer me matar por ter parado o capítulo bem aí. Mas esse é mais um dos motivos para vocês deixarem reviews. Pelo menos, para xingarem até a minha quinta geração. (._.) Shikamaru (Amo de mais ele!) e Temari (sei que é muito Canon). Estou sendo bem conservadora em se tratando de alguns casais como perceberam. Apesar de que não tenho vontade de dividir o meu Shikamaru com ninguém. (-.-) Enfim... E então, o que Neji fez com Kitsu, afinal? Será que ele o matou? (._.) E o maníaco Itachi Uchiha tentou mesmo suicídio? Façam suas apostas! See you next! o/