Obsessão Fatal
3 Capítulo 2
Obsessão Fatal
Capítulo II
Sasuke permanecia sentado na cama do quarto do hospital particular para onde fora levado após ter sido socorrido pelo serviço de emergência. Havia acabado de sair da ala de atendimento e ser alocado em um quarto. Apesar de se sentir exausto ainda não queria deitar e dormir. Não ainda.
Achava exagero ter que passar por tantos exames quando sequer tinha tido um arranhão, mas não era acostumado expor sua opinião de forma simplória como muitos faziam, por isso se resignava, mesmo não concordando com algo.
Correu os olhos rapidamente pelo cômodo onde estava. Um leito só para ele, uma televisão tela plana presa em um tripé na parede de frente para a cama, um pequeno armário com duas repartições, uma mesinha do lado da cabeceira e a porta que provavelmente levava ao lavabo. Todos os móveis do quarto tinham tons neutros, se não brancos. Estava se sentindo em casa.
Olhou pela janela o céu escuro, ainda nublado. O tempo ruim parecia que não daria trégua tão cedo. Apesar de não ter onde consultar, Sasuke imaginou que fosse por volta das onze da noite. A recomendação dada pelo plantonista era que ficasse em observação até de manhã.
Ainda a pouco seu tutor estava no corredor do lado de fora conversando com o médico que o atendera. Também ouviu quando Kakashi ligou para sua psicanalista. Não gostava de saber o quanto estava amarrado aquela mulher; nem entendia o porquê do seu tutor relatar a ela tudo que lhe acontecia de “anormal” sendo que ele próprio o faria nas sessões.
Suspirou fundo e fechou os punhos que descansavam sobre a cama, imaginando que não precisava perder mais tempo se irritando com a intromissão da sua médica quando ela já ocupava a maior parte dele.
Mas a ligação do seu tutor havia ao menos lhe rendido uma boa notícia: Tsunade o havia dispensado das sessões de análise por três dias. Isso somavam cinco dias sem vê-la, já que ela não o atendia nos fins de semana.
Seu belo anjo lhe trouxera sorte. E era exatamente por ele, — seu anjo salvador —, que estava contente em se livrar das sessões de análise com Tsunade. Teria tempo para procurá-lo sem ter que relatar a médica que o estava fazendo.
Sentia aquela estranha ansiedade de saber quem ele era crescendo a cada minuto que passava.
“Ah... Não posso esquecer de pagar mais um ramen para o garoto-laranja. Se não fosse por ele minha monótona rotina não teria sido quebrada e eu não teria sido salvo por alguém tão... perfeito, como o meu anjo da guarda.” Sasuke pensou, sentindo as pálpebras pesarem.
A adrenalina provocada por aquele incidente finalmente estava se esvaindo e dando lugar ao cansaço. Deitou-se e fechou os olhos. Precisava dormir. Queria estar disposto no outro dia para iniciar a caçada ao seu anjo.
“Não sei o que é isso que estou sentindo, mas preciso muito revê-lo....”
...
No dia seguinte, Sasuke teve alta do hospital pela manhã. Seu tutor tinha um chamado urgente para atender e pediu para que ele pegasse um táxi e voltasse sozinho para o apartamento. Sasuke concordou, mesmo que não tivesse nenhuma intenção de voltar imediatamente para casa. Ele tinha outro destino: o centro da cidade, onde ficava o prédio do consultório da sua psicanalista. Iria vasculhar as redondezas a procura do seu anjo salvador.
Acreditava que alguém com características tão incomuns como as dele seria facilmente encontrado, mas se percebeu equivocado logo nas primeiras horas da sua procura. Andou por toda a região onde ocorrera o incidente, entrou em inúmeros estabelecimentos, perguntou para várias pessoas se elas se lembravam de um rapaz loiro, de olhos azuis e provavelmente da sua idade. Todas as respostas foram negativas. Alguns ainda acrescentavam que a descrição era incomum para moradores da região, até mesmo do país. Outros não sabiam responder sobre o rapaz loiro que o salvou, mas chegavam a reconhecê-lo.
— Você é o rapaz que desmaiou no meio da rua na noite passada, não é? — perguntou o senhor da banca de revistas onde havia parado para se proteger dos chuviscos que haviam recomeçado. Após dizer que sim e perguntar se ele tinha visto quem foi a pessoa que o salvou, o homem lhe respondeu: — Olha, meu jovem, está difícil. Várias pessoas te rodearam e foi mais de um que te carregou.
Sasuke fitou o céu nublado, observando com certo temor o brilho elétrico que percorria por dentre as nuvens.
“Essa garoa logo vai virar uma tempestade”, ele pensou. “Será que vou ter que desistir por hoje?”, se autoquestionou, soltando um suspiro cansado.
— Achei que o sol finalmente fosse surgir... — reclamou para si mesmo, fazendo o dono da banca olhá-lo preocupado.
— Você está mesmo bem, filho? — perguntou ele, com a voz arrastada, tão característica das pessoas idosas. — Parece um pouco pálido.
— Hm — respondeu monossilábico, batendo a mão no agasalho vermelho que Kakashi havia lhe trazido pela manhã e afastando os pingos de chuva que o molhavam.
— Pode ser alguém que só estava de passagem pela região ontem, não acha? — o senhor continuou insistindo em puxar assunto.
— Hm.
— Você pode continuar procurando outro dia, não acha melhor? A chuva logo vai aumentar e você quase sofreu um acidente ontem, não acha que deveria estar de repouso?
Sasuke achou que o senhorzinho já estava se intrometendo demais em seus assuntos, mas teve que concordar com ele. Quantas pessoas não andavam “só de passagem” por aquela região todos os dias? Soltou os ombros em sinal de desânimo e decidiu cessar a busca naquele dia.
— Está certo. Vou indo. Arigatô, ojii-san — respondeu educadamente, curvando a cabeça para frente.
O senhor repetiu o gesto e emendou:
— Se eu encontrar alguém parecido com quem está procurando, pego um contato com ele para você.
Sasuke se limitou a assentir com a cabeça e saiu de volta para calçada, a fim de encontrar um ponto de táxi. Porém, uma voz escandalosa o fez se deter.
— Ah? Como não tem dinheiro, ojii-san, ‘tebba? Deve ter alguma coisa aí nessa pasta!
— Mas que petulância! Vai trabalhar, seu vagabundo! Vê se tenho dinheiro pra ficar sustentando marmanjo? Me deixa em paz ou eu chamo a polícia!
Sasuke piscou algumas vezes, admirado daquela pessoa que incomodava as outras que passavam. Não acreditou no que estava vendo. Era uma reprise do dia anterior. O mesmo cara que o abordara estava ali novamente, com os mesmos trajes encardidos e os mesmos argumentos para pedir dinheiro. Resolveu se aproximar dele enquanto o via levar uma nova bronca, desta vez, de uma senhora.
— Eu não sou sua tia, idiota! — gritou a mulher, dando bolsadas no braço dele. — E não se aproxime de novo ou vou chamar a polícia!
Sasuke sentiu uma ádvena vontade de sorrir, a qual não conseguiu segurar por muito tempo e acabou deixando que um risco discreto, — com os lábios estreitados —, se desenhasse em sua face. Achou a cena muito engraçada, mas fazia tanto tempo que não sorria, que achou a sensação esquisita e voltou a ficar sério.
Estava curioso com aquele sujeito, tanto que decidiu abordá-lo.
— Ei? — o chamou ao se aproximar o suficiente para que ele o visse. — Você já gastou todo o dinheiro que conseguiu com o celular?
O rapaz se voltou para ele e abriu um exagerado sorriso por debaixo da touca encardida.
— Sasuke! É você, cara? ‘Tá vivo? — ele exclamou como se fossem conhecidos de longa data, ignorando a pergunta sobre o celular. — Você já ‘tá legal para ficar andando por aí? Como é que você foi desabar no meio da rua daquele jeito? — ele perguntou abrindo os braços de maneira teatral.
— Eu tenho um problema de saúde e as vezes sinto uma vertigem incontrolável.
— Ah? Vertigem? Que coisa mais de menininha é essa? — ele perguntou, sorrindo debochadamente, mas nem permitiu que Sasuke respondesse e continuou. — Levei um baita susto quando vi os carros buzinando e você estirado no meio do asfalto. Mas, fala aí, não quebrou nada, né? Tipo, tu ‘tá inteiro?
Sasuke sentiu novamente vontade de sorrir, aquele cara, fazia-o sentir confortável.
— Hm — afirmou.
— Que bom, né? E aí? Tem outro celular para doar por acaso?
Sasuke balançou a cabeça de um lado para o outro, incrédulo no que ouvira. A vontade de sorrir crescendo. Aquele estranho era do tipo incorrigível, mesmo assim sentia simpatia por ele. Imaginou que talvez fosse por ele ser o único, até aquele momento, que despertara novamente em si a vontade boa de sorrir.
— Não tenho — respondeu. — Mesmo se eu tivesse eu não lhe daria.
— Sabia que dizer a verdade machuca as pessoas? Você é cruel, Sasuke.
— Foi você mesmo quem disse que eu podia dizer o que pensava.
Ele riu.
— Pô! Você leva mesmo as coisas ao pé da letra, né?
— Ei?
— Quê?
— Eu não tenho o celular, mas posso te pagar um ramen.
— Você disse que não andava com dinheiro.
— Hoje meu tutor me deixou dinheiro para pegar um táxi.
— E você não vai pegar o táxi?
— Tenho o suficiente para o táxi e para o ramen.
— É?
— Hm.
— Yosh! — o rapaz desconhecido comemorou, fechando os punhos e dando socos no ar. — Vamos lá, então! Tem uma barraca logo ali que vende o ramen mais maravilhoso que já comi na vida.
O rapaz de cabelos negros assentiu e os dois caminharam juntos até a tal barraca que vendia o tal do ramen “mais maravilhoso”. Ela estava instalada nas proximidades. O bom senhor, dono do comércio, e sua filha, preparam duas porções bem caprichadas para os dois.
— Bom apetite — o homem desejou ao entregar a comida.
— Parece ótimo! Itadakimasu! — agradeceu pela comida o rapaz vestido de roupa alaranjada, apanhando os hashis e começando a comer desesperadamente.
A velocidade com que o desconhecido comia deixou Sasuke, o dono da barraca e a filha dele espantados. O comerciante até quis alertá-lo para comer mais devagar ou teria dor de barriga, mas ele pareceu não se importar com o aviso.
Sasuke encarou sua tigela de ramen. A verdade é que estava sem fome, pediu uma porção apenas com intenção de acompanhar o outro rapaz, mas não sentia nenhuma vontade de comer. Tentou disfarçar, mexendo a comida com os hashis. Mas a realidade é que estava sendo dominado por uma nova curiosidade: a de saber como era o rosto daquele desconhecido por debaixo da touca e o porquê de ele o manter encoberto até mesmo na hora de comer.
Já o rapaz desconhecido parecia alheio a curiosidade do seu acompanhante. Em questão de minutos terminou sua refeição e limpou a boca na manga suja da jaqueta, fazendo a fome do seu benfeitor se esvair de vez.
— Você come devagar, hein? — ele observou ao terminar.
— Ah? É que eu não estou com muita fome — Sasuke explicou, empurrando a tigela para ele. — Se não se importar, você po-...
— Sério que posso comer sua porção? — ele o cortou eufórico, já puxando a tigela para si. — Que sorte a minha! Duas porções de ramen de uma vez! — comentou, aceitando a oferta sem pestanejar. — Itadakimasu!
Sasuke sentiu de novo vontade de sorrir crescendo e a curiosidade sobre aquele rapaz se adensar ainda mais.
— Ei?
— Quê?
— Por que você anda pedindo na rua?
— Para ter o que comer, ué.
— Mas onde você mora? Cadê sua família?
— Se eu tivesse casa ou família eu não estaria pedindo na rua, né, Sasuke?
Sasuke sentiu seu rosto aquecer de vergonha por aquele cara de rua lhe responder com ironia. Mas preferiu manter a calma ao invés de respondê-lo no mesmo tom. Deduziu que precisaria usar uma abordagem diferenciada se quisesse arrancar dele alguma coisa, pois apesar de aparentar ser ignorante, aquele sujeito parecia vívido e bem inteligente.
— Não seria melhor procurar um emprego então?
— Não é fácil arrumar um emprego quando não se sabe fazer muita coisa — respondeu ele naturalmente, erguendo os ombros, fazendo um ruído chiado com a boca ao terminar de beber a sopa do ramen. Depois disso limpou a boca na manga da jaqueta mais uma vez e agradeceu. — Gochisousama! — acrescentando em seguida: — Fora que eu não sou dessa cidade.
— Não?
— Não. Eu vim de Suna[1]. Lá eu conheci uma pessoa daqui que me convenceu a vir morar com ela sob as promessas ilusórias de que eu poderia mudar de vida. Babaca fui eu em acreditar em contos de fada. Só me ferrei. A coisa foi bem diferente do que eu esperava. A família dessa pessoa é de gente grã-fina, saca? Obviamente eles não me aceitaram. Ah. Digo, até aceitaram. Desde que fosse como um empregado. Mas mesmo como empregado não deu muito certo. Lembra que eu te disse que não sei fazer muita coisa? Então fui obrigado a mandar todo mundo a merda e fugir.
— É por isso que você anda com o rosto escondido? Não quer que essa pessoa que te trouxe para cá o encontre?
— Nada disso — ele negou, balançando a cabeça também. — Antes de sair de lá eu matei todo mundo e agora sou um foragido da polícia.
O assombro de Sasuke foi tão grande, que ele não conseguiu esboçar nenhuma reação, apenas arregalou os olhos, fazendo com que o desconhecido caísse na gargalhada.
— Você é bem ingênuo, né, Sasuke? Eu só estou brincando. Você acha que se fosse verdade eu iria falar isso logo pra você, que tem um amigo policial?
— Você me assustou, idiota.
O rapaz de roupa alaranjada se acalmou e então voltou a explicar.
— Relaxa. Você matou a charada. É isso mesmo. Eu não quero que a pessoa que me trouxe para cá me encontre, por isso estou andando com o rosto encoberto. Até conseguir levantar grana suficiente para comprar uma passagem de volta para Suna — ele concluiu a explicação abrindo a boca em um grande bocejo e esticando os braços para cima. — E graças a sua contribuição de ontem, já tenho quase o suficiente.
Sasuke compreendeu qual tinha sido o destino do seu celular e porque aquele cara estava sem dinheiro para comer mesmo depois de ter lhe dado um aparelho como aquele. Ele não queria desinteirar o valor que arrecadara com a venda, para poder comprar a passagem de volta a Suna. Aquela informação deixou Sasuke chateado. Ainda nem sabia o nome daquele desconhecido, mas já havia se afeiçoado a ele de tal forma, que ficou incomodado em saber que contribuíra com sua futura partida.
“Se eu soubesse, não teria dado meu aparelho...”
— Ei, Sasuke? Obrigado pela comida. Mas vou puxar um ronco — avisou ele, saindo da barraca.
— Espere um pouco — Sasuke pediu, deixando a nota para pagar o senhor do ramen sobre o balcão e saindo atrás do outro, percebendo que ele havia se detido e o esperava.
— O que foi?
— É injusto que me chame pelo meu primeiro nome enquanto eu ainda não saiba o seu.
O rapaz abriu um sorriso.
— É só isso? — ele quis saber, cruzando as mãos atrás da nuca, fazendo a touca se elevar levemente, deixando mais amostra seu grande sorriso. — Meu nome é Kitsu.
— Kitsu?
— Sim. Abreviação de “Kitsune” — explicou. — Me apelidaram assim porque dizem que minha cara lembra de uma raposa.
— Você não tem um nome de verdade?
— Se tenho eu não me lembro — comentou, erguendo os ombros e bocejando mais uma vez. — Não lembro quase nada do meu passado. Só sei que vivia nas ruas lá em Suna e por não saber meu nome os outros garotos de rua me deram esse apelido de Kitsune.
— Se vivia nas ruas lá também, porque quer tanto voltar?
Kitsu abriu a boca em um bocejo mais uma vez.
— Por que lá é a minha área. Lá eu sei como me virar. Sério, cara. Eu ‘tô caindo de sono. Toda vez que encho a pança é assim. Vou tirar um cochilo. Outro dia que a gente se esbarrar por aí continuamos esse papo. Obrigado mais uma vez pelo ramen. Ja ne.
— Mas aonde você vai dormir?
O rapaz se deteve, balançando a cabeça em negação.
— Você é chato, hein, Sasuke? — Kitsu comentou e abriu a boca novamente em um bocejo, desta vez bem maior, que o fez tampar a boca com uma das mãos e inclinar o pescoço para trás, fazendo a touca deslizar da sua cabeça, revelando seu rosto oculto para Sasuke. — Eu estou morando escondido em um galpão abandonado no fim dessa rua — respondeu tranquilamente, sem se preocupar em recolocar a touca, e também, sem perceber o choque que causara no outro. — Por quê quer saber afinal das contas? Quer vir comigo, é?
O coração de Sasuke estagnara por um segundo, para em seguida, recomeçar as batidas de forma frenética. Seus lábios entreabriram de surpresa e ressecaram devido a respiração ter ficado mais intensa.
“Não pode ser, esse cara é o....”
O vento começou a soprar de repente, fazendo os fios dos cabelos loiros de Kitsu balançarem e descobrir sua testa, revelando o curativo onde no dia anterior havia um ferimento que pingava sangue. Sasuke teve então aquela certeza absoluta: Kitsu era a mesma pessoa que o salvara de ser atropelado na noite anterior.
“Ele era…”
O tempo fechou completamente, fazendo o dia ficar totalmente escuro em questão de segundos. Trovões começaram a tamborilar nos céus e mesmo assim, Sasuke sentia calor. O calor que emanava daquele pequeno Sol que brilhava intensamente em meio àquela tarde tão obstruída de luz.
“Como não pude comparar isso antes? A voz esganiçada... Ele me chamou pelo nome na noite de ontem.”
“Oi, Sasuke? Você ‘tá bem? Responde, Merda!”
Ouviu a voz novamente em sua mente confirmando com mais certeza que aquela pessoa diante de si era a mesma da tarde passada.
“Então, além de tudo, ele é o meu anjo da guarda?”
Afirmou para si mesmo, enquanto sentia as batidas desreguladas do seu coração se tornarem um aperto dolorido no peito. Sentiu um engasgo se formar em sua garganta e engoliu em seco. Queria tanto encontrar aquela pessoa, mas ao se encontrar com Kitsu havia esquecido totalmente da sua procura e agora aquela surpresa. Os dois eram a mesma pessoa.
Kitsu estava totalmente alheio ao que se passava na cabeça daquele rapaz riquinho que insistia em continuar atrás dele lhe fazendo um monte de perguntas. Mas não achava que Sasuke era um cara mal intencionado. Na verdade, ele parecia mesmo do tipo ingênuo, que não se preocupava em fazer amizade com alguém de rua como ele. Sorriu, mas seu sorriso se desfez quando sentiu um pingo grosso de chuva cair em sua testa, interrompendo seus pensamentos. Kitsu olhou para o céu e piscou os grandes olhos azuis, a chuva forte iria começar em segundos.
— Ah, não! Droga, droga! Essa chuva não vai mais embora? — ele reclamou do seu jeito esbaforido, indo em direção de Sasuke, que parecia ter ficado fora de órbita, e apanhando seu pulso, puxando-o com ele. — Vem! Vamos ficar no meu esconderijo comigo até essa chuva passar. Haiyaku!
Sasuke não reagiu, apenas se deixou levar.
A chuva começou a cair. Os dois correram juntos entre as pessoas que transitavam apressadas em busca de abrigo. Ao passarem pelo vidro espelhado de uma loja, Sasuke se viu no reflexo e seu rosto afogueou, pareciam estar de mãos dadas.
O som da marcha acelerada dos passantes aumentou ao nível que o barulho dos pingos da chuva trepidavam na calçada. Apesar de ter ouvido alguns trovões ao longe antes da chuva começar, agora não havia nenhum deles, muito menos raios. Era somente a água caindo do céu.
Devido aquela escuridão repentina as luminárias das ruas piscaram algumas vezes e se ascenderam, transformando os pingos cristalinos de chuva em reluzentes gotas de diamantes. Logo a sua frente, guiando-o em uma corrida desenfreada, estava Kitsu, segurando firmemente seu pulso. Sentiu um calor bom lhe invadir. Era o calor que provinha do seu Sol.
Seu brilhante, particular e resplendoroso Sol.
...
Pouco depois, chegaram ao tal galpão. O rapaz loiro soltou do pulso do seu acompanhante para retirar o cadeado e a corrente que fechavam a entrada daquele lugar. Depois de empurrar a porta que abriu com um rangido, ambos adentraram o local apressadamente. Kitsu fechou a porta pelo lado de dentro, submergindo-os em uma total escuridão.
Sasuke buscou o ombro do rapaz e o apertou com força ao encontrá-lo.
— Não esquenta. Sei andar nesse lugar mesmo de olhos fechados — Kitsu garantiu, falando em um tom de voz sussurrado.
Sasuke apenas resmungou em resposta e continuou deixando-se ser guiado por Kitsu. Seguiram em frente até encontrarem o que pareciam degraus de uma escada metálica, os quais passaram a subir.
A cada instante que o jogo de luzes no céu do lado de fora iluminava o recinto do lado de dentro, Sasuke observava o ambiente, deduzindo que aquele lugar fora uma fábrica no passado e que atualmente estava desativada, pois notou maquinas enormes cobertas por lonas e poeira.
Chegaram no piso superior e Kitsu acionou o interruptor ao entrarem em uma das salas.
— Tadaima! — ele disse, retirando o par de tênis e o largando na soleira da porta.
Sasuke soltou do ombro do rapaz ao ouvir o barulho da jaqueta dele se abrindo. Kitsu retirou a jaqueta e o calção e os pendurou em um cabideiro que havia próximo a entrada, não demonstrando nenhum constrangimento em ficar seminu na frente de um desconhecido.
A atenção de Sasuke se voltou para o cômodo a sua frente. O lugar era bem grande e deveria ter sido algum tipo de escritório da fábrica na época que ela estava ativa, pois notou várias caixas de papel empilhadas, armários de aço, um ventilador no teto e duas escrivaninhas. Do outro lado, próximo a uma janela, havia um futon estirado no chão e concluiu que era ali que Kitsu dormia. O rapaz moreno também notou as incontáveis embalagens de comida descartáveis jogadas no chão. Kitsu também improvisara ali um varal onde tinha toalhas, forro de cama e roupas que pareciam mais limpas.
— Está esperando um convite formal pra poder entrar, Sasuke? — o rapaz loiro perguntou, apanhando uma das toalhas no varal interno e jogando-a para ele. — Entra logo. Aproveita para tirar essas roupas molhadas e pendurá-las aí pra secarem. Vai pegar um resfriado se ficar com elas. Acho que tenho algo que te serve aí nesse varal, só não pense que está muito limpo — ele disse sorrindo.
Foi então que Sasuke deixou de lado a visão rude daquele lugar e passou a vislumbrar melhor Kitsu, que agora secava os cabelos com outra toalha que pegara para ele.
O rapaz loiro havia se livrado da roupa suja e notou que, tanto a roupa íntima quanto a regata justa que ele vestia por debaixo da roupa alaranjada, eram brancas e haviam ficado transparente por causa da chuva. Sasuke conseguiu visualizar perfeitamente o corpo dele por debaixo daquela roupa, os mamilos rosados despontados devido ao frio, os músculos que formavam seu abdômen e os loiros pelos pubianos na parte mais embaixo. Além disso, ele também tinha uma tatuagem em um dos braços: um símbolo que lhe lembrava a letra “i”. Havia também um cordão em seu pescoço, com um pingente formado por três pedras verdes.
Ficou por um tempo estagnando, tentando entender o que era aquela sensação que estava sentindo e o porquê estava tão impressionado com a perfeição daquele desconhecido que acima de tudo era um cara como ele.
No entanto, o momento de deslumbre de Sasuke foi interrompido pelo barulho de batidas na porta metálica do galpão na parte debaixo.
— Kitsu? Kitsu, você está aí dentro? Eu vi você entrando. Me responde!
— Merda! — o rapaz loiro praguejou demonstrando que sabia a quem pertencia aquele chamado. — Não pode ser! Merda! — continuou ele praguejando enquanto corria até a janela. Abriu o vidro devagar e colocou a cabeça para fora, em meio a chuva, não demorando para recolocá-la de volta para dentro e voltar a fechar o vidro. — Droga! É ele mesmo. Eu não acredito que esse babaca me encontrou aqui — esbravejou. — Ainda por cima eu deixei a merda do cadeado aberto, logo ele vai perceber e vai entrar.
Sasuke seguia Kitsu com os olhos, ele andava agitado de um lado para o outro. Não sabia o que estava acontecendo, por isso não tinha como opinar. De repente, ouviram um tranco e o barulho da corrente sendo retirada da porta.
— Kitsu? Estou entrando — a voz anunciou já dentro do galpão.
Rapidamente Kitsu foi até o interruptor e apagou a luz, puxou Sasuke que ainda estava estagnado na entrada do cômodo para dentro e fechou a porta devagar.
— Isso não vai detê-lo — disse ao empurrar uma pilha de caixa de papel para detrás da porta. — Mas já é alguma coisa. Droga! Eu não entendo como ele me encontrou aqui. Só pode ter colocado alguém na minha cola! — ele respondia às perguntas as quais ele mesmo fazia.
Sasuke se sentiu deslocado. Não entendia muito bem o porquê da agitação de Kitsu, mas conseguiu deduzir duas coisas importantes: a pessoa lá embaixo deveria ser a mesma que Kitsu mencionara na barraca de ramen; a mesma que o havia trazido de Suna para Konoha. Mas, além disso, percebeu pela voz, que essa pessoa era um homem e aquele fator o incomodou de alguma forma.
De repente, Sasuke notou que Kitsu tinha se detido diante dele e o encarava.
— O que foi? — perguntou.
— Acho que você pode me ajudar a me livrar de uma vez por todas desse problema.
— Como?
— É uma ideia meio louca que me surgiu agora, mas... pode dar certo.
— Que ideia?
— Escuta, Sasuke. Eu já saquei qual é a sua. Você ‘tá me seguindo por que quer algo de mim. Eu sei quando um cara tá a fim.
— Não sei do que você está falando.
Kitsu estapeou a própria testa.
— Meu, porque você continua se fazendo de desentendido? Um cara não fica seguindo outro por aí, pagando comida, dando um celular cheio de firulas, sem querer algo em troca, não é?
— Mas eu não...
— Kitsu!!
Ouviram aquele chamado mais alto interrompê-los.
— Acho que ele encontrou a escada — Kitsu falou, a voz menos alterada, o volume mais baixo. — Logo ele vai chegar aqui em cima. Eu preciso muito me livrar desse babaca. Tá. Eu saquei que você quer continuar pagando de bom moço, pra mim está tudo bem. Só quero saber se pode me ajudar com o meu plano?
Sasuke encarou os olhos azuis arregalados a sua frente. Os seus próprios olhos haviam se acostumado a pouca claridade, que naquele momento vinha somente dos relâmpagos dispersos do lado de fora. Kitsu estava tão perto do seu rosto que conseguiu sentir o seu hálito quente tocando sua face. Não entendia o que ele estava querendo dizer e nem fazia ideia do que se tratava o tal plano. Mas de uma coisa tinha certeza: queria sim ajudá-lo. De todas as formas que pudesse, inclusive, impedindo-o de partir e voltar a morar nas ruas de Suna.
— Hm — acabou concordando. — O que eu tenho que fazer?
O loiro abriu um sorriso grande e satisfeito, era a reposta que ele esperava ouvir.
— Beleza! Vem comigo. — Ele puxou Sasuke pelo punho guiando-o até seu futon. Ao chegar no local, Kitsu o soltou e arrancou a camisa regata que estava vestindo por cima da cabeça, em seguida baixou a roupa íntima. — Anda! Tire a sua roupa também.
— O quê? — os olhos de Sasuke se arregalaram.
— Kitsuuu! Você está aí em cima?
O loiro ouviu essa pergunta assim como passos na escada e se apavorou.
— Droga, droga! Ele está vindo! Rápido, tira a roupa! Rápido! — Kitsu pedia apavorado e apavorando Sasuke que começou a se despir no embalo.
O loiro também ajudou Sasuke a se livrar do primeiro casaco e ao perceber que ele já estava se despindo sozinho, Kitsu se inclinou em direção do futon para tirar um pouco da sujeira. Sasuke não havia retirado a parte íntima da sua roupa, mas ao notar o traseiro nu do loiro resolveu baixar sua cueca também. Engoliu em seco, sentindo um suor frio brotar na testa ao imaginar o que ele pretendia.
— Pronto — Sasuke anunciou e Kitsu se voltou para ele.
— Certo, então vamos... Opa! — o loiro soltou aquela exclamação ao vê-lo nu. — ‘Tu tem um corpo e tanto. E que pacote, hein, Sasuke?
O rapaz moreno sentiu o rosto inteiro esquentar, não entendia como era possível ficar tão envergonhado com o que parecia um elogio descarado de outro cara.
Kitsu, por sua vez, se divertiu com a expressão envergonhada que Sasuke exibia.
— Tá, senta! — ele pediu, empurrando Sasuke em direção ao futon, fazendo-o se sentar. — Eu vou te preparar, mas vai ter que ser algo rápido. Não temos muito tempo — avisou.
Sasuke só assentiu. Talvez, da forma inesperada como tudo estava ocorrendo, — que não deixava espaço para que ele pensasse —, é que ele se deixou levar pela situação. Kitsu agachou entre suas pernas, segurou seu pênis com ambas as mãos e o colocou quase inteiro na boca, umedecendo-o com sua saliva e sugando-o rapidamente. A primeira sensação que Sasuke teve foi de repulsa, por ver outro cara colocando seu órgão sexual na boca. Mas quando sentiu seu sexo umedecido por aquela saliva morna e a compressão que Kitsu fazia ao sugá-lo, a sensação mudou rapidamente dando lugar a um formigamento intenso na virilha e o latejar do seu pênis que se enrijeceu rapidamente.
De alguma forma estava gostando daquela sensação.
— Kitsuuuu! Onde você está?
Ouviram os gritos aumentarem e Kitsu largou do pênis de Sasuke e limpou a boca com as costas das mãos.
— Certo. Não dá mais pra preparar. Mas tá bem lubrificado e você já ficou duro, então dá pra fazer.
Tudo que o loiro falava para Sasuke não fazia sentido, mesmo assim ele assentiu, como se compreendesse. Então viu o rapaz loiro passar para o futon e deitar com as pernas abertas, apartando as nádegas.
— Vem, coloca, rápido! — apressou ele.
O coração de Sasuke disparou pela centésima vez naquele dia. Quis perguntar ao loiro o que ele deveria colocar ali, mas no fundo, sabia bem o que fazer. Ele se posicionou entre as pernas abertas do rapaz e o próprio Kitsu tratou de fazer o resto ao abraçá-lo com as pernas, fazendo com que seus corpos se encaixassem.
— Tá meio seco. Mas seu pau tá bem lambuzado, vai entrar fácil — Kitsu garantiu, enquanto mordia o lábio inferior e metia a mão entre seu corpos, procurando o membro o qual havia umedecido. Ao encontrá-lo, o direcionou no seu orifício anal fazendo com que se encaixasse ali. — Consegui! Agora é com você, Sasuke. Mete rápido e com vontade — pediu, abraçando-se ao pescoço do rapaz moreno.
Sasuke sentiu estranhos tremores abalarem seu corpo. Sua respiração estava descompassada e sentiu um aperto estranho na barriga. Mas apesar de se sentir confuso, a sensação de ter somente a cabeça do seu sexo encaixado naquela passagem tão apertada, fazia-o desejar ir além e aumentar a intensidade daquele frenesi que percorria cada fibra do seu corpo.
Kitsu ouviu os passos do lado de fora do cômodo se tornarem mais audíveis, assim como o barulho de portas sendo abertas e fechadas. A pessoa que o procurava já estava ali na parte de cima e Sasuke dava indícios de que iria recuar. Talvez ele não fosse gay como imaginara, ou quem sabe ainda tivesse em dúvida sobre sua sexualidade. Fosse como fosse, não poderiam voltar atrás, então achou melhor tomar a iniciativa: agarrou-se ao corpo de Sasuke e impôs força no abraço em suas pernas, fazendo com que o pênis dele vencesse a resistência e o invadisse.
— Annn! — Kitsu não conseguiu segurar o gemido ao sentir o membro de Sasuke atravessar a resistência e se afundar dentro dele. — Vai, Sasuke... Se mexe, porra! — exigiu, fazendo umas caretas de dores. — Ele vai entrar a qualquer momento e.... Eu sei que você também quer fazer isso, estou sentindo. Você ‘tá tão duro... Vai...
Sasuke começou a tremer, sentindo que seu coração estava mesmo enlouquecido no peito. O rosto vermelho de Kitsu, sua face contorcida, as palavras vulgares que saíam da sua boca, tudo tornava seu corpo mais sensível e acendia dentro dele um desejo estranho e quase incontrolável. Sentia que algo estava prestes a explodir e só saberia como era aquela sensação se o obedecesse. Foi o que fez. Obedeceu. Empurrou-se com tanta força para dentro de Kitsu que se arrepiou inteiro com os sons que ele fez. Também ouviu quando os passos da pessoa do lado de fora estacaram diante da porta daquele cômodo e o invasor passou a mexer na maçaneta. Sasuke finalmente entendeu o plano de Kitsu: que ele os flagrassem juntos.
— Assim mesmo, Sasuke. Isso. Agora, continua.
Sasuke assentiu e correspondeu ao desejo de Kitsu, começou a mover o quadril fazendo com seu sexo entrasse e saísse de dentro dele. Sentiu o suor brotando em sua testa quando seus movimentos se intensificaram. A cada nova estocada sua, notava que o rapaz loiro contorcia o rosto de uma maneira diferente. Ele também não se importava mais em manter os gemidos controlados, na verdade, Kitsu parecia ter aumentado o volume da voz de propósito.
— Tem certeza que não está doendo? — Sasuke quis saber, ao perceber que em uma investida mais dura o corpo de Kitsu se retesou e ele soltou um urro que parecia de dor.
— Se você parar eu te mato! — o ouviu ameaçá-lo. — Está exatamente no ritmo que eu gosto. Eu gosto quando me fodem com vontade, como se fossem me rasgar, me atravessar. Gosto quando usam força ao ponto de me fazer sentir dor, de gritar de tesão.
— Hm.
Apesar de ter concordado, Sasuke não entendia como a dor poderia ser algo bom, mas continuou fazendo aquilo que o loiro pedia que fizesse. A sensação do seu membro entrando e saindo de dentro dele era algo extasiante. Começou a ficar arfante, mesmo que o processo não fosse tão cansativo. Também percebeu que quanto mais tirava e recolocava seu sexo dentro de Kitsu, mais aumentava a profundidade e o calor da penetração.
— Sasuke... — o ouviu chamar, notando que ele virava o rosto de um lado para o outro.
— O quê?
— Eu não estou aguentando, eu vou gozar... — ele anunciou.
Sasuke parou para olhá-lo, não sabia bem o que significava aquilo, mas queria muito entender. Então entrelaçou os dedos dele nos seus e os fixou no futon. Do lado de fora a chuva caía forte. Detido na porta, o cara que estava a procura de Kitsu mexia na maçaneta, procurando uma forma de entrar. Mas nada daquilo importava para Sasuke. A única coisa que queria naquele momento era gravar cada expressão que ele fazia enquanto chegava ao seu limite.
— O que é? — Kitsu perguntou, sorrindo um tanto constrangido ao perceber que Sasuke havia parado para encará-lo. — Está me olhando como se eu fosse a garota dos seus sonhos.
— Não. A garota não. O garoto.
Sasuke notou o loiro corar violentamente, fazendo o azul dos seus olhos se tornarem ainda mais intensos.
— Você é estranho, Sasuke... — Kitsu comentou. — Não é justo parar no meio de uma foda tão boa para deixar seu parceiro constrangido com palavras bonitinhas. Nós não somos um casal de namorados.
— Desculpe.
Kitsu riu.
— Vai, continua — o loiro o incentivou e Sasuke voltou a se mexer. — Vamos gozar juntos — ele falou, contraindo seu interior, para aumentar a dificuldade da entrada do membro do outro. — Agora mete. Mete de uma única vez e com toda força que conseguir impor nesse quadril.
Sasuke obedeceu, tomou impulso e moveu o quadril com tanta força e velocidade que seu ventre estalou ao bater de encontro com as nádegas de Kitsu. Sentiu seu sexo entrar rasgando pelo canal anal do loiro embaixo de si e se alojar no fundo, sendo comprimido em seguida por uma forte onda de contrações. Não resistiu aquela forte compressão e sentiu seu membro pulsar até expelir sêmen para dentro do loiro.
Kitsu por sua vez sentiu tanto êxtase com a dor daquela penetração tão intensa que não suportou quando o sexo de Sasuke atingiu seu limite e arqueou as costas do futon, deixando-se ser dominado pelas contrações do forte orgasmo que o atingira.
— Ahhhhhhhhh!!
Aquele grito de prazer fez com que o visitante tivesse certeza da posição dos dois e começasse a investir contra a porta até empurrar as caixas que emperravam. Assim que a porta escancarou a figura procurou o interruptor do lado da porta e iluminou o ambiente ao acioná-la.
Assim que a luz se fez, o rapaz de longos cabelos castanhos, estagnado na entrada do cômodo, compreendeu a cena que visualizava. Um cara de cabelos negros convulsionava e respirava com dificuldade sobre o corpo de Kitsu. Os dois ainda estavam tão “encaixados” que o invasor viu, mesmo de onde estava, o “pau” daquele estranho metido até o último dentro de Kitsu. A “gozada” havia sido tão excepcional que notou a “porra” dele escorrendo para fora do ânus do loiro mesmo que ele não tivesse tirado para fora ainda. Já “seu loiro vadio” estava com as pernas retesadas erguidas no ar, os dedos dos pés contorcidos e as unhas das mãos cravadas nas costas do rapaz moreno, mostrando o que sabia fazer melhor: gozar como louco ao ser “enrabado” por um macho.
— O que significa isso, Kitsu? — perguntou, mesmo que já soubesse da resposta.
Sasuke não se moveu e Kitsu, mesmo arfante, respondeu.
— Ah...? Neji? O que está fazendo aqui? Espero... que não se importe, mas acabei de gozar e eu estou sem forças... nenhuma... para me levantar e ir aí... cumprimentá-lo. Mas entre... fique a vontade para assistir se quiser...
Neji encarou as costas do homem que estava sobre seu pertence e fechou os punhos com força.
— Você quem pediu por isso, Kitsune — ameaçou com a feição toda contraída. — Você vai me pagar e muito caro.
Mas antes de sair, o tal Neji teve uma visão estranha. O cara em cima de Kitsu o olhou por cima do ombro e por um instante teve a impressão que os olhos dele possuíam um brilho vermelho, como se fosse um monstro, um vampiro, um ser demente...
Sacudiu a cabeça e voltou a olhá-lo notando que o tal cara não parecia ter se mexido do lugar. Deduziu que estava vendo coisas. Aquele idiota não sabia com quem estava se metendo, mas deixaria que ele descobrisse e se ferrasse por si próprio. Kitsu iria brincar com ele até se cansar e depois desapareceria como costumava fazer.
BLAMFT!
Saiu batendo a porta e prometendo que se vingaria. “Eu não merecia ter sido rejeitado desse jeito quando até proposta de casamento eu te fiz, seu putinho de merda!”.
O estrondo da porta batendo propagou no ambiente e então Kitsu se voltou para Sasuke.
— Você é bom — ele comentou, ignorando completamente as ameaças que o outro saíra esbravejando.
— Sou? — Sasuke quis ter certeza.
— Sim. E você sabe que é. Normalmente os caras que sabem fazer, sabem disso muito bem — Kitsu comentou, sorrindo. — Se continuar me encarando desse jeito vou ficar com vontade de novo.
— Seria bom.
— Quer fazer de novo? — perguntou o loiro. — Apesar que nem precisa me responder, dá pra sentir que sim. Estou sentindo que você está ficando duro de novo e olha que nem tirou para fora ainda.
— Precisava?
Kitsu riu alto.
— Você fala como se não soubesse.
— É que estou seguindo ordens, você não me mandou tirar.
O loiro riu com mais vontade e tocou a longa franja que Sasuke tinha, arrumando-a para trás da orelha, observando-o melhor. Agora que estava menos eufórico e conseguia pensar e analisar a situação com calma, percebeu o quanto Sasuke era bonito. Ainda muito mais bonito que Neji. Imaginou-se com sorte. Acabara de se livrar de Neji, que havia se tornado uma pedra no seu sapato, e de quebra havia encontrado alguém como Sasuke, que além de bonito era certamente bem de vida.
“Só espero que ele não se torne um babaca obcecado como o Neji...”.
— Então é assim que funciona? — Kitsu perguntou, olhando dentro dos olhos negros de Sasuke e notando seu próprio reflexo neles. — Basta ordenar que você obedece?
— É o que parece.
— Então vamos ver se funciona: volte a se mexer — ordenou ele.
Mas Kitsu percebeu que Sasuke não se moveu.
— Ué? Não funcionou?
— É que... eu gostaria de...
— O quê?
— Será que...
— Desembucha!
— Posso beijá-lo?
Mais uma vez naquela noite Kitsu sentiu seu rosto se aquecer, tendo certeza que havia ficado vermelho como um tomate.
— Você é mesmo estranho, Sasuke.
— É estranho pedir um beijo?
— Não é isso. É que você é o primeiro cara que pede. Normalmente ninguém pede, já vai beijando, entende? — O loiro notou que Sasuke continuou parado, ele estava mesmo esperando por sua resposta. Então deu de ombros. — Claro que pode — permitiu.
Sasuke assentiu. Parecia estranho pedir para beijar outro cara, como também achava estranho ter feito tudo aquilo com ele. Mas algo dentro de si havia despertado ao conhecer Kitsu. Agora não se importava com os outros que estivera com ele, quem foram, ou quantos foram. A única coisa que sabia naquele momento era que queria ser dele o atual e quem sabe o único, pois tudo aquilo que estava sentindo em relação a Kitsu desde que o encontrara era tão novo e tão bom que desejava tê-lo para sempre.
Sentiu a mão do loiro acariciar sua face e então se aproximou da boca dele até tocá-la com seus lábios, ficaram assim, com os lábios juntos por um tempo, até que a boca de Kitsu começou a se movimentar, abrindo e sugando a sua. Sasuke repetiu aqueles movimentos e logo aquela vontade se ascendeu novamente, fazendo-o se mover sobre o loiro.
Por apenas uma mera fração de segundo Sasuke se lembrou de Itachi e da noite em que fora violentado por ele. Mas aquela lembrança não lhe trouxe nenhum distúrbio, muito menos arrependimentos. Apenas frustração, por ter demorado tanto tempo para experimentar aquelas sensações tão intensas que sentira naquela tarde. Pensando assim, desejou recuperar o tempo perdido e começou a se impulsionar com força e rapidez para dentro de Kitsu, que acabou mordendo seu lábio inferior até sangrar. Sentiu o sangue se misturar com a saliva, enquanto gozavam pela segunda vez, e já pensava em possuí-lo novamente.
Continua...
Vocabulário
Ramen: macarrão com sopa de mizu instantânea;
Arigatô: obrigado;
Ojii-san: tio;
‘tebba: expressão de enfado.
Yosh: expressão de alegria, algo como “isso aí!”;
Itadakimasu: expressão usada antes das refeições em agradecimento pela comida, traduzia normalmente como “obrigado pela comida”.
Hashis: os pauzinhos que servem como talheres no Japão.
gochisousama deshita: expressão usada depois das refeições em agradecimento, traduzida normalmente como “estou satisfeito” ou “estava muito bom”.
Futon: um tipo de colchão.
Haiyaku: depressa, rápido;
Sound Track:
“A lua amarela está pedindo gentilmente que eu abra os olhos...
Meu jovem, isso é só um sonho.”
Yellow Moon – Akeboshi
[1] Suna: “Areia”. Assim como coloquei Konoha no mapa do Japão estou incluindo também a Vila da Areia como se fosse uma cidade do Japão. Lembrando-os que, os nomes originais são “Konohagakure no Sato” que significa “Vila Oculta da Folha” e “Sunagakure no Sato” que significa “Vila Oculta da Areia”. Mas como usamos só os primeiros nomes para se referir as vilas no original, na fic também só usarei os nomes “Konoha” e “Suna” para se referir as cidades.
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