Obscuros
8 Capítulo 7- Vontade insaciável
–Aquela gostosa da festa beijou quase todos os meninos. -Um garoto estava embriagado. A bebida na mão indicava está opção.
As risadas foram tão altas que entraram pelos ouvidos de Gabrielle e permaneceram coladas como papel e cola adesiva. Um outro garoto praticamente bêbado pegou a garrafa de cerveja da mão do outro com força, que a mão sangrou. O sangue era um vermelho vivo, chamativo e desejável por Gabrielle.
As órbitas de Gabrielle se escureceram de desejo... desejo pelo sangue. Ela queria aquele sangue puro e cristalino. O corpo dela tremeu, estava implorando pelo sangue.
"Não. Controle-se." disse Patrick na mente dela.
Os lobisomens tinham o poder de falar, brotar e sentir pensamentos e dizer mentalmente um com outro na forma não humana. A lua cheia estava fazendo um clarão nas árvores da floresta.
"Controla-se." repetiu ele.
Os pensamentos de sangue puro e bem desejado, estava minimizando, acalmando a cada minuto. Os olhos dela se acalmaram.
Os garotos bêbados saíram andando para a trilha que dava para a estrada. Eles estavam quietos mas, rindo por dentro.
Gabrielle e Patrick correram a floresta que agora estava vazia, exceto os passáros, cachorros abondonados que perambulavam por ali à noite e que seriam uma ótima refeição. Ela correu com muita velocidade e pegou um cão viralata e o abocanhou. O dia estava quase amanhecendo e eles já estavam voltando a forma humana.
(...)
"Querido diário,
Eu não sei o que aconteceu comigo. Eu nunca me descontrolei. Nunca desejei o sangue de alguém assim. Parecia que aquele sangue criatalino me chamava. Chamava-me para uma coisa sombria. Se eu não me controlasse eu iria matar pessoas inocentes, como no passado.
Alguma coisa não está normal. Eu sinto uma vontade incrível de estraçalhar um humano, matá-lo com minha raiva. Quando vejo sangue tudo por dentro vibra, treme querendo aquele sangue. Eu não sou assim, e nunca serei."
(...)
Jack estava na porta da casa de Gabrielle, de manhã. Ele tocou a campainha. Ele estava um pouco tímido. Gabrielle abriu a porta. Agora ela estava feliz, o sorriso apareceu, emoldurando todo o rosto perfeito.
–Entra! Como você está? -Ela fechou a porta com cuidado e precisão.
–Bem. -Ele sentou no sofá, relaxado. As roupas dele era de uma cor diferente das que ele acostumava a vestir, eram brancas e azuis. A camiseta da Polo branca, um jeans azul, tipo aqueles da banda brasileira, Restart. Boné, ele estava usando um boné que combinava com a calça. O cabelo estava rebelde mas, ele estava lindo como sempre. -Tem um concurso de desenhos aqui na região, eu fiquei sabendo que você desenha... Quer ir?
–Interessante. Como que é a inscrição? -Gabrielle sentou-se bem perto dele.
–Para maiores de doze anos. Tem que ter talento e você faz três etapas desenhando para eles escolherem qual o melhor desenho, qual ganhar leva uma viagem para a África do Sul, para ver as crianças carentes. Legal né?
–Maravilhoso. Mas, eu estou sem tempo.
–Por que?
–Estou... -Como ela falaria para ele que estava lá fazendo um tratamento, para fortalecer, para matar o rei Lucian. -Não quero falar do assunto.
–Ok. Vamos no parque?
–Claro.
As árvores estavam cheias de flores ou frutos. O parque estava cheio de pessoas, de todos os tipos e raças. A caminhada no parque fazia Gabrielle esquecer do mundo sombrio em que vivia, atualmente. Afinal, nada melhor que passear ao ar livre com uma pessoa especial.
Gabrielle foi para embaixo de uma árvore com flores amarelas, semelhantes a do ypê amarelo. Ela sentou na grama cheia de flores e folhas. A beleza do parque era contagiante. O tempo estava ótimo: ensolarado, o céu cheio de nuvens carregadas e o ar puro. O tempo perfeito para um encontro perfeito. Jack sentou do lado de Gabrielle. Os dois estavam olhando para o céu azul clarissímo.
–Eu sempre me perguntei se existe outros planetas habitados. -Jack sabia como começar uma conversa agradável.
–Acho que está pergunta é a da maioria do mundo... Mas as perguntas ficam no ar, não vamos saber se existem planetas habitados. -Gabrielle estava sendo realista.
–Exatamente. Mas... É tudo tão...
–O quê?
–Estranho. Marte tem vestígios de gente, mas como outro planeta além da terra terá condições de viver, assim?
–Não sei. Mistérios. É isso mistérios, talvez podemos descobrir um dia este enigma. Talvez...
–O que você está pensando? -A pergunta de Jack, pegou Gabrielle de supressa. Ela estava pensando se estava realmente naquele lugar com alguem tão perfeito, se aquilo realmente estava acontecendo. Será?
–Em como este momento é tão perfeito, para mim. -Ela sorriu. Nunca esteve tão feliz.
–Para mim, também. -Ele sorriu de volta. Em seguida, ele deu uma risada. Levantou do chão e pegou o braço dela para erguê-la. -Quero te mostrar algo. Vem!?
Jack estava correndo com as mãos dadas a Gabrielle. Eles correram até um vilarejo abandonado.
–O que nós estamos fazendo aqui? -disse ela, ofegante.
Ele foi até uma caçamba de lixo e pegou algo atrás dela. Um gato. O gato era fofinho, branquinho, um filhote.
–Um gatinho. -Os olhos dela brilharam.
–No meu tempo livre eu cuido dos animais daqui deste vilarejo abandonado. Pega, ele não morde... -Ele colocou o gato nos braços dela devagar, com cuidado. Aquele gatinho era tão doce, frágil como ele poderia morder alguem, sendo tão manso? Não fazia sentido.
–Ele tem nome? -Ela acariciava o gatinho que agora estava mordendo o dedo dela.
–Não. Tem sugestões? -Ele foi atrás da caçamba, novamente e pegou outro gato mais forte, porém com a mesma pelagem do anterior.
–Maicon!? -O gatinho sucegou nos braços dela. O gatinho estava dormindo, tranquilamente. Tão fofo.
–Nome lindo. Pode ser Maicon. Combina com ele. -Ele colocou o gato maior no chão e o gato voltou para cama atrás da caçamba, como um perfeito preguiçoso. -Maicon gostou de você.
–Eu também gostei dele. -Os olhos dela fitaram os dele.
–Ele é seu. Presente meu para você. -Ele foi para mais perto dela e acariciou Maicon no pecoço. O gatinho tremeu de prazer.
–Pra mim?
–Sim. Agora vamos pra sua casa arrumar um cantinho para o Maicon. -O sorriso dele era tão brilhante, perfeito.
O gatinho, Maicon estava dormindo na sua caminha que Gabrielle e Jack arrumaram. Ela e ele estavam sentados na cama conversando.
–Vamos lá pra baixo tomar um suco? -sugeriu Gabrielle.
–Claro. -Ele apagou a luz e fechou a porta.
A cozinha estava vazia, exceto pelo dois lá dentro. Gabrielle foi até a geladeira e pegou várias laranjas para fazer o suco.
–Eu ajudo. -Jack descascou todas as laranjas e Gabrielle as espremeu. Ela preparou um sanduíche de frango.
–Parabéns pelo suco e pelo sanduíche delicioso. -elogiou ele.
–Obrigada por tudo. Pelo presente, pela ajuda, pelo dia perfeito. -Ela deu uma mordida no sanduíche e um gole no suco de laranja. Realmente estava delicioso. Ele fez o mesmo. O silêncio permaneceu por muito tempo até que o celular dele tocou.
–Desculpe. Tenho que atender. -Ele deixou a refeição e foi para a sala atender o celular. Ele retornou para a cozinha. -Eu tenho que ir. -O rosto dele estava preocupado.
–Eu te levo até a porta.
–Eu também agradeço por tudo. Cuide bem de Maicon. -Ele riu, mas seu rosto continuou preocupado. -Adeus.
–Adeus. -disse ela. -E vou cuidar bem dele.
(...)
A meia-noite a luz da lua minguante aparecia. A noite estava silenciosa e fria. Patrick estava andando nas ruas de Flórida a procura de uma prostituta. As calças de couro e jaqueta eram pretas. Vultos passavam de um lado para outro. Vozes de alguém misterioso. Passos vindo do fundo da rua escura, mal iluminada e misteriosa. Alguém que Patrick não conseguia indentificar, mesmo com anos de experiência na ala espionagem. Patrick virou-se mais não viu nada. O som dos passos entraram novamente em sua mente e invadiram a sua audição.
Na sombria noite, no fundo da rua, saiu um homem forte de estatura mediana. Com os cabelos longos e um bigode bem aparado.
–Lucian? -disse Patrick, supreso pela presença do ex-patrão.
–Patrick! Assustei você?
Lucian estava mais velho. A aparência estava mais precoce. A última vez que Patrick tinha visto Lucian, tinha dado em briga mas, agora Patrick era mais maduro, não caçaria briga com um lobisomem tão poderoso.
–O quê você está fazendo aqui?
–Visitando. -exclamou Lucian, um pouco sárcastico demais. -Como está Gabrielle?
Lucian odiava Gabrielle pelo fato dela sempre defender o irmão e por ela ser a queridinha de todos. Quando Gabrielle era criança, sempre fora maltratada por ele. Ela apanhava dele e quando Damon ia denfender-lhe, ele apanhava também.
Gabrielle nunca teve um pai presente, desde quando tinha dias de vida. Lucianne sempre falou que o pai dela havia morrido num dia de lua-cheia, um lobisomem desesperado o matara. Ele era humano. Gabrielle sempre quis conhecer o pai mas, ele não existia mais como a mãe.
(...)
"Querido diário,
O dia com Jack foi ótimo, para não dizer perfeito. E para melhorar a situação, ganhei um gatinho, que dei o nome de Maicon. Ele é tão fofo como o Jack. Eu estou gostando do Jack ou do Victor? Não sei responder. Só sei que eu estou apaixonada pelo dois. Não consigo ficar longe dos dois, nem um minuto.
Onde está o Patrick? Ele sumiu desde manhã. Deve está namorando. Vou mimar meu gatinho. Fui...!"
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