Obscuros

11 Capítulo 10 -A volta


O dia estava ensolarado. As lágrimas estavam rolando naturalmente a face de Gabrielle. Tudo que ela conseguia pensar era, que o primeiro garoto que ela teve vontade de levar algo a sério, era o seu irmão. Ela pensava que só tinha Damon como irmão, mas não. À vida era dura e cruel.

Os pensamentos incertos permaneciam, intactos com o tempo. Fazia um dia que ela já sabia que Victor era seu irmão mas, aquilo não estava processando. Ela não queria acreditar. Aquilo tudo era tão diferente de tudo que já passou. Aquela dor era a mais dolorosa. A mais infinita dor de todas.

Levantou-se da cama. Enxungou as lágrimas. Não queria mais sofrer. Ela queria vingança. A mãe estava viva, ela queria vê-la. Desceu às escadas e foi para a sala. Damon estava lá, sentado, inerte.

–Como você está? -perguntou-lhe.

–Péssimo. Nós não mereciamos isso. -queixou-se ele. -O que vamos fazer?

–Não sei. -pausou. -Vamos procurar ela e, ter uma conversinha.

–Hoje é lua cheia. Todos os lobisomens místicos se transformam. Ela vai se transformar e com os poderes nossos vamos acha-la.

–Sim. Vou falar com Victor.

–Não. Ele pode atrapalhar. -Levantou-se do sofá. Os olhos estavam brilhantes. Ele queria mais vingança do que ela.

(...)

"Querido diário,

Estou com saudades de tudo. Estou com saudades da Flórida. Lá eu estava sendo feliz com Jack. Jack, e eu estamos longe um do outro. Acho que o amo da mesma forma que amo Victor. Estou dividida. Como desfazer? O amor é forte, saúdavel mas, também é prepotente posto no fogo da vida.

Antigamente, eu diria que, o amor era fogo que se queima, machuca e morre. As coisas mudaram ao decorrer do tempo. Jack e Victor, mudaram-me.

Eu pensava que, um dia iria esquecer o que o passado marcou, mas não as lembranças estão voltando. Voltando opostas ao que aconteceu. Meu coração está ferido. Está ferida é mais forte que a morte. É uma ferida infinita. Nunca cicatriza e sempre se concretiza que mais e mais eu amo. Amo Victor e Jack. A dor do amor é assim. Nunca passará."

(...)

A transformação foi rápida e ligeira. Os poderes fluíam na sua veia como nunca antes. Toda aquela energia eletrizava o teu coração. A pulsação estava elevada, até o máximo.

Gabrielle sentia os sentidos evoluidos com a transformação. O oufato, a audição estavam apurados. A visão estava com um brilho ofuscante, quase cegante. A imagem estava nítida. Era Lucianne, com sua beleza e aparência de uma garota com dezoito anos.

Ela estava diferente, não na aparência mas, na postura erijecida, conjugal e confiante.

Gabrielle não conseguia encontrar motivos que explicasse a troca de lado da sua mãe. Na verdade, aquilo não tinha explicações. Ela, no fundo, sabia que aquela Lucianne carinhosa, orgulhosa e angelical não existia mais. Agora a nova Lucianne era nada carinhosa, austuciosa e diabólica.

Estar com a mãe, a deixava abalada, constrangida com si própria por ter acreditado nas suas mentiras. Por ter sido ingênua demais quando bastava ter um pouco mais de inteligência para desvendar os mistérios que sua mãe guardava. Gabrielle se sentia burra demais. Ela devia saber de tudo, ou pelo menos desconfiar de algo. Mas não. Os olhos dela estavam fechados para a verdade, submersos de mentiras e negado ao real. Mas de algo ela sabia muito bem. Ela não ia deixar-se seduzir por aquela mulher.

–Minha queridinha. -A voz de Lucianne era malvada e sagaz. -Você se parece com a mamãe.

A aparência das duas eram diferentes. Enquanto Gabrielle tinha os cabelos loiros, a altura mediana e o jeitinho de menina, a mãe tinha os cabelos negros com poucas ondas, era uns centimetros maior que a filha e o jeito maduro de encarar os fatos. Elas eram semelhantes em algumas coisas mas, não na aparência.

–Meu Damon.

Já Damon era semelhante a mãe. Os cabelos no mesmo tom, os olhos esmeraldas, a cor da pele clara.

–Olá mamãe. Como foi a sensação de nos enganar? -Ele estava zangado. A raiva que sentia era imensa.

–Não enganei vocês. Quem enganou foi o Victor.

–Ah você sabe dele. O seu filho, verdade? -disse Damon.

–Sim, meu filho. -pausou. -O que ele disse pra vocês?

–Que você quer me matar. -A sensação não foi muito boa quando Gabrielle pronunciou aquela frase. O seu estomago deu reviravoltas contraditórias. A bile parou na sua garganta. Aquilo lhe causava ansia.

–Eu não quero você morta.

–Será mesmo? -duvidou Gabrielle. Victor não mentiria. Ou sim? O que ela sabia agora era que não deveria confiar em mais ninguém. Nem nela mesma.

–Não tenho tempo para discutir. Vou caçar -Lucianne estava embaraçada com algo. Ela correu frenética pela floresta.

Damon olhou a irmã triste. Ele tinha que fazer algo para vê-la melhor. Ele já sabia.

(...)

Damon havia ligado para Jack. Ele iria para Rondônia imediatamente. Ele não deixaria Gabrielle sozinha neste momento. Damon contaria a verdade para Jack. Sobre suas verdadeiras identidades. Sobre os lobisomens.

Damon foi até o quarto dele e pegou o livro dos lobisomens. O livro seria as respostas para as perguntas de Jack. O livro era a dádiva dos lobisomens.

(...)

Jack havia recebido a mensagem de Damon. Ele iria. Ele não ia mais ficar longe de Gabrielle, nem um segundo. Ele a amava e só isso que importava. Ele não se importaria se fosse rejeitado. Ele cuidaria dela mesmo ele sabendo que ela não o amava da mesma maneira.

Foi para o quarto arrumar as malas. Iria o mais rápido possível.

(...)

Os pensamentos estavam longe. Gabrielle não sabia o que fazer para atacar os originais. Victor estava com eles. Ou não. Ele tinha o sangue de um original. Seia fácil ele enganar os místicos para salvar seu povo.

Gabrielle foi até o quarto de Damon.

–Olá. Está acordado?

–Sim. Estou estudando o livro dos lobisomens -Ele fez um sinal para que ela se sentasse na cama com ele. -Aqui diz: Os lobisomens originais são de linhagem diferente aos dos lobisomens místicos. Os originais já nascem com sangue de lobisomem e a primeira transformação acontece aos cinco anos de idade. Desde já não param de alimentar-se de sangue e matar. Com o passar dos anos eles conseguem controlar-se. Eles se transformam sem a necessidade da Lua Cheia.

–Ler mais.

–Os originais podem transformar um místico em um original. Com o sangue do alfa original, ingerido por um místico a transformação acontece. Um porém, o lobisomem místico, depois de ingerir o sangue, tem que morrer e já ressusitará original -A leitura foi rápida. Sem surpresas.

Por um momento ele ficou olhando o livro.

–Como será o papai? -falou Gabrielle.

–Eu fico pensando se ele é como a mamãe -pausou. -Aqui também tem a história da Tribo Lua de Sangue -Procurou a página e começou a ler: -A Tribo Lua de Sangue é constítuida por quinze Lupinos Caçadores de Sanguessugas. Eles possuí poderes extremamentes fortes. São confundidos com Bruxos por terem poderes semelhantes.

"A Tribo Lua de Sangue é localizada na Itália. O rei é o mais poderoso Lupino, Magnus De Martino. Magnus tem o poder de ler mentes, de alimentar-se dos sonhos málignos de suas vítimas, os sanguessugas, ele ainda possuí o imenso poder de paralisar outros seres, assim ganhando vantagem numa batalha. Por causa deste poder de paralisar seres ele é considerado um Congelador de Almas."

Eles eram filhos do mais poderoso Lupino.

–Aquilo que você fez com a porta quando fomos salvar Patrick e Lucian... Agora temos a explicação você é filha de Magnus. Você erdou os poderes dele. Você que irá salvar o nosso povo -Damon estava eufórico.

–Não. Eu não sei usar os meus poderes -lamentou-se.

–Eu sei quem pode ajudar.

–Quem? -Ela queria ajudar no salvamento da sua tribo.

–Victor Connor. Vocês tem uma relação de proximidade, talvez isso pode ajudar.

–Não sei se posso confiar nele. Victor é um original -Ela não iria conseguir ficar perto dele. Ela não sabia mentir que estava tudo bem, porque não estava. Ela o amava mais do que um irmão. Ela estava tentando esquecê-lo mais por mas que os pensamentos não fosse para ele, o coração ia. Ela não só estava mentindo para si mesma dos próprios sentimentos como também para o coração.

–Ele é nosso irmão e ele te ama. Tenho certeza que ele cumpri a palavra que fala -O celular vibrou. Era uma mensagem de Jack avisando de que estava no aeroporto de Rondônia. Damon iria buscá-lo -Tenho que resolver uns problemas. Pense. Vá dormir! Vou chegar tarde.

(...)

Jack estava inquieto, ansioso. As pernas estavam firmes mas, deram pra tremerem num segundo. Medo? Talvez. Ele não sabia explicar o que sentia neste momento.

–Como está Jack? -perguntou Damon assim que chegou.

–Estou bem. E a Gabrielle? -Ele falava rápido.

–Isso que precisamos conversar -Damon pegou uma mala de Jack e colocou ao seu lado. -Vamos conversar num lugar aqui pertinho.

Jack o acompanhou.

Em poucos minutos eles estavam num restaurante. Damon esperava até começar.

–O que ela tem? -Jack estava com medo.

–Ela... -As palavras lhe fugiam. -Nossa família é diferente.

–Todas famílias são diferentes. Gostos diferentes, estilos diferentes, temperamentos diferentes. -Ele não sabia como aquela conversa chegaria à Gabrielle.

–Sim. Mas, não é isso. Temos características diferentes das pessoas.

–E?

–Quero te dar este livro. A resposta está nele -Damon entregou-lhe um livro com uma capa dura, as folhas eram antigas, o cheiro era até agradável para um livro velho. -Vou te levar para um hotel.

–Mas eu quero ver a Gabrielle. Eu estou aqui para isso.

–Não pode vê-la antes de saber toda verdade.

–Me fala. Que verdade?

Damon levantou-se.

–Vamos.

–Quando vou vê-la?

–Leia o livro, mentalize, tente acreditar. Assim em breve vai poder se declarar para ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.