— E o que seria esse comportamento?

— Eu tinha grandes propriedades. Tinha o nome de minha família, respeitado e temido. Quando se tem tanto poder, perde-se o controle e pode-se agir com crueldade sem perceber. Muitas pessoas ficaram ressentidas e magoadas comigo por isso. — David parou de falar e desviou o olhar, como se ponderasse algo.

— Você matou alguém? — perguntei num fio de voz.

— Sim. Na guerra. E quando regi minhas propriedades como um monarca, decretei a morte de meus inimigos. Fui inexorável. Disso eu sou culpado. — novamente ele me fixou intensamente. Isso tinha o poder de suspender minha respiração. Controlei minha perturbação a custo. Focalizei nas revelações dele.

— Você … quer ajuda pra sair desse exílio?

— Não. Estou há 100 anos aqui. Eu me adaptei a essa dimensão. Conheço outros na mesma situação, e tento seguir da melhor forma possível. Sarpar e levar meu barco em direção ao porvir, mesmo sendo agora apenas um nome em um livro histórico.

— Mas … você gostaria de reencontrar seus entes queridos. Eu posso ver isso …

— Não, minha cara, eu estou aqui por sua causa, para salva-la.

David se aproximou e tocou meu braço com a mão diáfana. Eu comecei a tremer.

Notas finais
Capítulo postado às 23:13, horário de Manaus.