Obscuro
18 Sarpar
— E o que seria esse comportamento?
— Eu tinha grandes propriedades. Tinha o nome de minha família, respeitado e temido. Quando se tem tanto poder, perde-se o controle e pode-se agir com crueldade sem perceber. Muitas pessoas ficaram ressentidas e magoadas comigo por isso. — David parou de falar e desviou o olhar, como se ponderasse algo.
— Você matou alguém? — perguntei num fio de voz.
— Sim. Na guerra. E quando regi minhas propriedades como um monarca, decretei a morte de meus inimigos. Fui inexorável. Disso eu sou culpado. — novamente ele me fixou intensamente. Isso tinha o poder de suspender minha respiração. Controlei minha perturbação a custo. Focalizei nas revelações dele.
— Você … quer ajuda pra sair desse exílio?
— Não. Estou há 100 anos aqui. Eu me adaptei a essa dimensão. Conheço outros na mesma situação, e tento seguir da melhor forma possível. Sarpar e levar meu barco em direção ao porvir, mesmo sendo agora apenas um nome em um livro histórico.
— Mas … você gostaria de reencontrar seus entes queridos. Eu posso ver isso …
— Não, minha cara, eu estou aqui por sua causa, para salva-la.
David se aproximou e tocou meu braço com a mão diáfana. Eu comecei a tremer.
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