Obscuro
27 Rotundo
Quatro anos se passaram. Ainda continuo em terapia, mas elas foram reduzidas a duas vezes ao ano. Voltei a trabalhar. Segui com minha vida e até arranjei uns namoricos com pessoas reais. Nada sério o suficiente pra falar em amor, mais reais. Nunca mais tive alucinações, mas não descuido do remédio, agora em dose mínima de manutenção. Tenho calafrios só de lembrar do inferno em que vivia anteriormente.
Lembram da Rosana? Pois é, minha prima teve que viajar a trabalho e me pediu para acompanha-la, pois precisava de alguém que pajeasse seu filho pequeno. É meio chato ser tratada como quebra-galho, mas a viagem foi para Londres, então é melhor quebrar o galho em Londres do que no Brasil, não é não?
Estava eu passeando sozinha em um dos numerosos museus da cidade, quando fui atingida por um raio. Só assim para explicar o choque que eu levei. Ali, no fim do corredor, estava David. Pendurado em um quadro, exposto à visitação alheia, eternizado pelas mãos de um rotundo artista do século passado. Estava magnífico e mesmerizante com sua farda marcial do exército imperial inglês. Ele fora uma pessoa real.
O mundo ao meu redor ficou escuro e sem ar.
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