Obscure Destination
2 01
1. ~LORENNA~
Lorenna olhava pela janela da carruagem em que viajava. Os campos que rodeavam a Estrada do Rei passavam lentamente diante de seus olhos. Ela notava as diferentes tonalidades e proporções. Observava atentamente, na esperança de ver logo os campos preenchidos com a neve branca de Winterfell. Mas nada. O calor ainda predominava no local onde passavam.
Eles haviam partido de King's Landing à quase quatro semanas – segundo as contas de Lorenna. Quase quatro semanas viajando noite e dia em uma carruagem juntamente com sua família. Sua sorte foi não ter ficado na carruagem de sua mãe e seus irmãos, odiaria ter de passar esse tempo todo ouvindo sua mãe reclamar e xingar seu pai.
Ela ficara na carruagem de seu avô, Tywin, e seu tio, Jaime.
Lorenna não se importava de passar o dia inteiro com o avô e o tio, adorava as histórias de batalhas que eles contavam. De como o império Targaryen caíra e de como seu pai assumira o trono e ganhara o nome de Robert, o Usurpador.
Há quatro anos não ia a Winterfell, mas ela ainda lembrava da visita como se fosse ontem. Dos campos nevados, do frio da neve tocando seu rosto, da magnitude da Àrvore-coração. E, principalmente, do sorriso daquele que um dia roubara seu coração e nunca mais devolvera.
Desde criança sempre visitara Winterfell com o pai. Ele fazia questão de levá-la. Dizia que algum dia, aquele lugar poderia ser seu lar. Geralmente, passava os dias frios bordando com Septã Mordane e as filhas de lorde Stark, Sansa e Arya. Borbar nunca fora seu passatempo predileto. Sempre que podia, escapava de Septã Mordane e ia cavalgar pelos campos nevados de Winterfell. Sempre amou o vento gélido batendo em seu cabelo e o deixando com leves tons esbranquiçados. Diversas vezes, praticava espada com os filhos de lorde Stark, Robb, seu primogênito e Jon, seu bastardo.
Sua mãe não gostava que convivesse com bastardos, nem sequer se aproximasse, mas Lorenna nunca ligou. Ela não se importava se Jon era um bastardo ou um filho legítimo, sempre se divertia em sua companhia.
Por mais incrível que pareça, ela sempre vencia uma luta de espadas contra os garotos.
Seu pai adorava assistir isto, sempre se gabava que sua filha era melhor que os filhos do amigo. Quando reconheceu que Lorenna tinha talento com as espadas, contratou um instrutor para aperfeiçoar as técnicas da filha com a espada.
_Lorenna? Lorenna, está me ouvindo? – perguntou Jaime Lannister tirando Lorenna de seus pensamentos.
_Ah, desculpe-me. O que disse? – perguntou Lorenna.
_Eu disse que daqui a pouco apodreceremos nesta carruagem se não chegarmos logo à Winterfell – respondeu o tio.
_Perdida em seus pensamentos novamente, não é?! – perguntou o avô, Tywin Lannister.
Lorenna sorriu em resposta e voltou seu olhar para a janela. De relance achou ter visto um lobo gigante, mas não poderia, não existiam lobos gigantes ao sul da Muralha. Olhou novamente para o interior da carruagem: tanto o avô quanto o tio estavam de armadura e armados. Lorenna não estava excluída nesse quesito, mesmo sem armadura, trazia uma espada de Aço Valiriano escondida na saia de seu vestido. Voltou novamente seu olhar para a estrada e finalmente teve a visão que tanto desejara: os campos verdes tinham milhares de flocos brancos de neve, por toda a extensão do terreno a plantação estava coberta pelo manto branco. Neve. Enfim chegaram ao norte.
_Chegamos – gritou o condutor da carruagem para que pudéssemos ouvir.
_Finalmente, não estava mais aguentando ficar nessa caixa – resmunga Jaime.
Fale com o autor