Obscure
4 Capitulo 4 - A Reclamação
Notas iniciais
Acordaram com um grito do lado de fora do chalé, e, como todos os outros, foram ver o que estava acontecendo. Quando conseguiram passar
por todos os filhos de Hermes e finalmente saíram de dentro do chalé, se viram diante de uma cena nada comum. Uma menina, que parecia até uma modelo, de tão bonita que era, estava sendo perseguida por um lobo... Aquilo provavelmente era um lobo.
Porque ela está sendo perseguida por um lobo?
— Porque diabos ela está sendo perseguida por um lobo? — Perguntei a garota que estava parada ao meu lado, rindo daquilo como se fosse uma coisa banal.
— Ela estava... Sendo intolerante com Aisha, e agora está tendo o que merece. — Ela respondeu olhando pra minha cara como se fosse uma coisa óbvia.
Quando a garota terminou de explicar o que estava acontecendo a loba, cogitei que seria uma loba, já que se chamava Aisha, pulou e no ar se transformou em uma garota de cabelos pretos com uma expressão de puro ódio no rosto, apesar de tudo, a garota era bonita e parecia ser, quando não estava correndo atrás de suas inimigas, elegante.
— Escute, senhora Escória, embora você não queira aceitar as condições que eu impus a Quiron pra morar aqui, você vai ser obrigada a me respeitar.
— Você nunca ouviu que homem não bate em mulher? Ash!
Aquilo me deixou confuso, Aisha também era uma garota, mas aparentemente Leda, tinha acabado de ouvir alguém atrás de mim gritar que Aisha estava correndo atrás de Leda, a garota bonita que corria de Aisha a tratava como um homem, como se Aisha fosse um garoto.
Uma luz turva envolveu a cabeça de Leda e ela, no mesmo instante caiu no chão. Aisha por sua vez, se inclinou no ouvido da garota e começou a sussurrar alguma coisa. E quando Aisha saiu de perto da garota, ela se levantou sorrindo como se nada tivesse acontecido ali. E do outro lado da confusão toda, podia-se ver Quiron vindo trotando rapidamente por entre os campistas que se amontoavam pra ver a briga.
— Leda, você deverá ir imediatamente para a casa grande onde receberá sua punição por violar as regras de convívio. Aisha, assim que...
E de repente todos olhavam pra mim. Quiron, que também parecia um pouco chocado, pigarreou chamando atenção dos campistas e anunciou-me:
— Damon de Lune, Filho de Hécate! Aisha...
Não ouvi mais nada depois daquilo. Era como se olhos brotassem ao redor de minha cabeça porque, eu simplesmente conseguia ver tudo ao meu redor. Imaginei que estivesse enlouquecendo ou coisa assim, porque aquilo não era comum. Apesar da dificuldade, com algum esforço consegui focar a visão em Louise que estava dando alguns passos pra trás como se estivesse com medo de mim, como todos os outros que estavam um pouco mais perto fizeram, mas, eu não entendi o motivo. Senti meu corpo se esquentar, meus batimentos se aceleraram dando-me um tom rosa às bochechas.
— Filho de quem? — perguntei erguendo uma sobrancelha, ficando com uma expressão questionadora.
— Venha comigo, agora!
Ela puxou meu braço me levando dali, Aisha tinha mais força que eu por ser bem mais velha. Ela me arrastou pra longe de Louise que olhava pra mim chocada.
— O que está acontecendo? Onde está me levando?
— Fique calmo, minha aura está começando a te afetar e logo estará voltando ao normal. Você é filho de Hécate, deusa da magia e bruxaria, da lua e... Bem, de várias outras coisas. — Ela deu um sorrisinho debochado que eu percebi antes de ela disfarçar e voltar a me puxar pra longe dos outros campistas, abrindo caminho entre eles — Estamos indo para o Chalé de nossa mãe. Aparentemente você é meu meio irmão.
Puxei o braço me soltando das mãos dela, e então ela bateu com o dedo na minha testa, me fazendo voltar a segurar sua mão involuntariamente. E quando deixei de me preocupar em ser levado percebi que estávamos na frente de um dos chalés que não tinha percebido antes. Ele era roxo, feito de pedras, bem rustico, era iluminado por tochas e a essa hora do dia estava estranhamente brilhante. Suas rochas tinham marcas, imaginei que estivessem relacionados a bruxaria de Hécate.
— Chegamos, agora irei te explicar tudo melhor.
Entramos no chalé e a porta atrás de nós se fechou magicamente com uma batida estrondosa que me assustou um pouco. Ela me soltou e eu fui sentar na cama porque apesar de ter realmente voltado ao normal, ainda estava desnorteado por não entender o que estava acontecendo comigo e porque todos pareciam tão chocados.
— Então garoto, você é filho da deusa tríplice, sabe o que isso quer dizer? Quer dizer que você, a partir de agora poderá apresentar três personalidades, como nossa mãe...
Foi um longo dia. Aisha e eu ficamos no chalé até quando chamaram-nos para o jantar. Aisha tinha explicado o que aconteceu lá fora a reação de Louise... Ela explicou minhas novas capacidades, como a visão tri focal, que era uma coisa da qual nem fazia ideia que tinha. Fomos jantar e então pude rever Deno e Louise, que estavam conversando perto de um pilar. Me despedi de Aisha e fui andando até eles.
— Ei, Louise, Deno. Vocês estão bem?
Eles se entreolharam antes de falarem comigo. Imaginava que Louise já tinha contado a ele tudo que aconteceu naquela manhã.
— Oi, Damon. Estou sim, mas e você? Como se sente depois do que aconteceu a você?
— Ei, você está brilhando?
— Estou me sentindo bem, confuso, mas muito bem. Me sinto mais poderoso, apesar de não saber de nada sobre meus poderes — Eu olhei para meu braço depois que Deno me perguntou se estava brilhando e, era verdade eu estava, mas Aisha tinha explicado que enquanto eu não conseguisse controlar meus poderes novos, eu poderia apresentar coisas estranhas desse tipo. — Sim, estou. Mas é normal pra filhos de Hécate.
— Que normalidade mais estranha.
— Louise, você dizia que eu estava diferente, e realmente estava só não sabia o porquê. Além de herdar os poderes de minha mãe que se trata de Hécate, a deusa da magia, herdei também uma habilidade que não sei se poderei um dia controlar. É uma tripla personalidade que muda com mais frequência agora que descobri minha verdadeira identidade.
— Você agora é bipolar? — Deno perguntou me olhando com um semblante curioso.
— Pode-se dizer que sim.
— Campistas! — Apesar de o tom de voz ser alto, ele não gritava. E, com a sua voz autoritária conquistou a atenção de todos nós.
— Hoje, durante a tarde tranquila que tivemos aqui no acampamento, houve um roubo. Hermes, o deus mensageiro, veio nos entregar uma grave notícia vinda do mundo inferior. Hécate, em toda sua gloria, foi roubada em sua própria casa. A sua Chave Magica, que usava para controlar o véu que esconde nosso mundo dos mortais foi roubada. Até o momento, a chave roubada ainda não foi usada, mas, imaginamos que o motivo é a falta de habilidade dos ladrões com a mágica que o banha.
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