A loira estava sentada em sua cama no 21º nomo com o celular com capinha de pinguim em mão. Possuía a mão direita na boca tentando aplacar os soluços que insistiam em subir sua garganta enquanto varias lágrimas escorriam em seu alvo rosto. Seus brilhantes olhos azuis estavam escurecidos e foscos. O motivo? A mensagem que chegara a algumas horas.

Era Anúbis. Chegou como número desconhecido, mas logo que terminou de ler o texto tinha certeza que era ele. Incrédula com o que havia escrito ali, sem acreditar que poderia ser real, releu.

’Sad,

Talvez a notícia que receberá agora não lhe agrade, mas não foi minha decisão. Foi nesta quarta-feira quando seu pai convocou todos os deuses do Duat para uma reunião emergencial. Aparentemente todos os outros sabiam do que se tratava menos eu. Disseram que estava me tornando humano. As almas não eram mais julgadas como deveriam, pois, havia aparecido piedade em meu coração. Que passei a ficar distraído quando deveria estar atento... Eles disseram que era por causa de minha convivência com você. Existe uma lei que eu mesmo ajudei a criar que não permite relacionamentos de Deuses e um mortais. Não ache que está sendo fácil ter que escrever isso. Estou prestes a arrancar meu coração, mas tenho que ser forte por mim, por nós. Não podemos ficar juntos. Não podemos mais nos ver. Não podemos ter nenhum laço. Tem uma coisa que gostaria que você tivesse me dito antes de tudo isso acontecesse. Queria que você tivesse dito que me amava. Sabe Sad, em 5000 anos nunca me apeguei a alguém como a você. Tive muitas namoradas, mas nenhuma me proporcionava o amor que você, só você me dava. Lembro a cada minuto de minha existência, em cada célula de meu corpo os beijos que a mim foi dado e me entristece saber que jamais vou poder ganhar outro. Mas sabe de uma coisa amor? Eu te amo. Digo isso com toda certeza, pois é um sentimento jamais sentido por mim. Bom, tenho que me despedir. Adeus Sadie, Lady Kane, minha deusa particular. Obrigado por me fazer descobrir o amor.

Obrigado por tudo.

Com amor... ’’

Sadie se jogou na cama, agora tampando a boca com as duas mãos. Vários gemidos passavam pela barreira que sua pele tentava em vão impedir. Só então com tristeza lembrou que seu quarto era a prova de som. Pode então liberar os gritos de dor. Mas o que estava acontecendo com sigo? Sadie Kane nunca fora sentimental. Sadie nunca se importaria com um homem. E esta era a palavra chave. Anúbis era um homem, assim como ela deixara a graça da adolescência para virar mulher. ‘’Coisas vêm e coisas vão. ’’ Lembrou-se de uma frase que seu pai disse para si e Carter. Mas não queria deixar o deus chacal ir. Queria telo de volta em seus braços e era isso que a enfurecia ainda mais. Queria-o ali mais que tudo no mundo. Não ligava para nenhuma lei idiota! Foi surpreendida quando sua porta se abriu revelando um homem alto de pele morena e cabelos chocolates. Usava uma roupa de linho branco e uma bolsa carteiro no ombro.

O que você ‘’tá’’ fazendo aqui? –gritou ela com raiva.

Carter olhou o rosto da irmã. A pele mais pálida do que naturalmente, os olhos e nariz vermelhos e várias manchas pretas espalhadas pela face indicando por onde cada lágrima havia passado.

–Você está bem?

–Quer mesmo saber? –O irmão fez que sim com a cabeça. Sadie mordeu o lábio tentando segurar o choro- Não. Não estou bem.

Ela se levantou correndo e algo inimaginável aconteceu em uma fração de segundos. Sadie o abraçou. Sem reação Carter ficou parado, mas logo num ato protetor cobriu a irmã com seus braços.

–Lamento por seja lá o que tenha acontecido. Você sabe que por mais irritante que seja não quero te ver chorando.

–Eu sei Sr. Wikipédia.

Carter ainda com a irmã no pescoço se dirigiu a uma poltrona que havia ali ao lado e se sentou com a irmã no colo. Tudo o que ela precisava era de um abraço protetor. Depois de vários minutos Sadie se aquietou. Suas lágrimas haviam esgotado e a única coisa que restara foram os soluços, e Carter estava disposto a ouvir cada um. Finalmente poderia ajudar sua irmã com algo além da magia.

Muito, muito longe do Brooklin, Em meio a uma passagem que devastaria toda a noção do possível, estava um garoto de cabelos escuros. Em seu pé trazia coturnos gastos. Anúbis, o deus dos funerais. Por que se sentia como se um tornado tivesse passado por sua cabeça e bagunçado tudo? Ele sabia bem por que.

–Um dia Sadie... Um dia... –exclamou para a foto em suas mãos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!