Obrigado

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá pessoas! Esse mês no Japão é mês dos pais, e para comemorar, escrevi algo em primeira pessoa com meu queridinho Shikamaru ♥
Essa história faz parte do Shinnichi Project ♥
Espero que gostem, boa leitura!

― Vem, tio Shika, o papai está esperando!

Mirai apertou forte minha mão e tentou me puxar para atravessarmos a rua rápido. Minha mãe e Kurenai riram do quanto ela se mostrava empolgada e como eu era carregado por uma menininha tão pequena.

O dia hoje não era de completa alegria, Mirai talvez não entendesse muitas coisas e nem o porquê do dia ser pesado para mim, mas ela era uma menina esperta. Nasceu sem saber o quão importante fora seu pai, mas parecia que isso não importava para ela. Sempre entrara naquele cemitério sorrindo e feliz porque traria flores para alegrar a lápide de seu pai. Enquanto eu só trazia a minha cara de choro e um cigarro semi acesso.

― Olha, ― ela apontou para a lápide de Asuma e sorriu ― papai vai ficar feliz, não vai? ― ela falou sorrindo e correu para colocar as flores ao redor de onde seu pai fora enterrado.

― Calma, Mirai, ― dizia Kurenai ― não corra, aqui não pode correr.

― Por que, mamãe?

Enquanto Kurenai explicava para a menina que aquele era um lugar de respeito e não se podia correr, minha mãe ficou ao meu lado com seu buquê de rosas vermelhas, as preferidas de Shikaku.

― Vamos?

Eu afirmei com a cabeça e segui minha mãe dando mais alguns tragos no cigarro que ela detestava.

― Seu pai não iria gostar de te ver fumando.

Respirei fundo, mas não apaguei o fumo. Minha mãe e as broncas dela. E eu sabia que ela estava certa, mas, bom, não queria entrar nesse assunto.

A lápide do meu pai estava a pouquíssimos metros de nós e toda vez que eu estava nesse caminho, sentia um calafrio que vinha do final da espinha até a nuca.

Minha mãe chegou perto dele e deixou as flores, eu costumava a ficar longe enquanto ela rezava e conversava com ele.

Assim que ela saiu, eu peguei o incenso que levava no bolso quando íamos visitá-lo e o acendi, coloquei no incensário que sempre estava ali e sorri. Gostava de ver a fumaça perfumada que saía do incenso dançando por entre o nome dele na lápide.

Por mais que eu não soubesse rezar, conversar com o meu pai era sempre muito fácil. Aquele momento só nosso era sempre único. E ainda mais quando era dia dos pais.

Sinceramente, o que eu mais queria era poder abraçá-lo e me julgo todos os dias por ter feito isso tão pouco. Falar por pensamento nunca demonstraria toda a falta que sentia dele. Todas as vezes que via o tabuleiro de shogi era como se uma estaca cravasse no meu peito, porque os dois caras que fizeram eu ser tão bom já não estavam mais comigo.

Em meio aos meus pensamentos melancólicos eu olhei para minha direita e vi Mirai sorrindo e falando com Asuma, contando que havia aprendido a escrever seu nome e que sempre comia os legumes que sua mãe colocava no prato.

Arfei pensando que eu devia ser um chato mesmo. Traguei a última vez o meu cigarro e apaguei-o no incensário. Assim que coloquei a bituca no recipiente, um vento forte tirou o resto de cigarro do incensário e pude ouvir as risadas de minha mãe.

― Eu já entendi, pai. ― falei em voz alta e minha mãe continuou rindo.

Aquilo me fez lembrar de quando eu recebia bronca dos dois. Sorri também, entendendo o que aquilo queria dizer, mesmo que ele não pudesse falar comigo.

“Eu só queria dizer que te amo e sinto sua falta, não sei explicar e não sou bom com palavras, mas eu acredito que de alguma forma você está me vendo, me ouvindo e junto comigo.”

Falei aquilo tudo em pensamento e uma lágrima rolou pelo meu rosto, e outra, e mais outra. Eu não queria chorar, de verdade, não queria, mas a falta era tão grande que eu não sabia bem como lidar com isso.

Mas uma mãozinha pequena secou uma das lágrimas e eu sorri só de lembrar que ela estava ali também, sendo mais forte que eu.

― Tio Shika, você vai ficar bem, eu te ajudo. ― Mirai simplesmente me abraçou e foi a hora que eu mais quis chorar.

Aquela menininha tão pequena e tão forte consolando um marmanjo. Depois que a Temari me chamava de bebê chorão, eu achava ruim.

Sorri quando nos desvinculamos e Mirai terminou de secar minhas lágrimas.

― Vamos, a mamãe e a tia Yoshino vão fazer um almoço delicioso para nós.

Eu acenei com a cabeça, mas olhei para trás, o abraço que eu queria dar no meu pai fora consolado pelo presente que Asuma me deu. E eu não sei como agradecer aqueles dois homens que fizeram tanto por mim.

Só posso dizer obrigado!

Notas finais
Agradecimentos para a minha Beta @Akemicchin e para minha capista @Daeho
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!