Oblivion

17 Quarto de Trevas


A noite pincela o céu, com sua escuridão profunda...

E o que poderia ser iluminação, torna-se o prenúncio da loucura.

As sombras têm avançado, pela janela do quarto...

E o pouco espaço que resta, parece sufocado.

Ah...

Se perdoando pelos seus pecados,

Na esperança do que pode se ganhar.

Só saiba que escondê-los,

Não vai adiantar.

Quando se vir no abismo da loucura às vésperas,

Abraçado nas sombras em seu Quarto de Trevas.

O tempo se arrasta, com suas correntes barulhentas...

E minha agonia se transforma em uma ansiedade intensa.

Os passos de uma amiga, fria, lenta e poderosa...

E procrastinar se torna a única coisa que ela deixa que eu possa.

Oh...

Eu resmungo com a tela;

O chiado se mostra chato e irritante.

Eu sei que só esperar,

Não será relevante.

Quando me vir através do abismo à vera,

Com meus olhos abertos em meu Quarto de Trevas.

Eu sofro através da tela;

Enquanto o chiado em meu ouvido é constante.

Se eu sair da cama, você ouvirá, certamente,

Meu lamurio acentuar na madrugada crescente,

Lentamente, através das telas,

Entoado em meu Quarto de Trevas.

Entorpecido com prazer infinito e entretenimento...

Minha mente não pede mais nada, só aplaude divertimento.

A única saída parece uma ilusão, nesse plano pagão...

O que posso tentar, quando enquanto humano estou em negação?

O terapeuta desfaz em choro,

A caneta está tão sem sentido.

Para onde dou vazão a pensamentos esquisitos,

Esquecidos, em uma versão minha de novo?

Se você decidir nos guiar, traga as pedras,

Atire-as às cegas, nesse meu Quarto de Trevas.

Eu sangro através da tela;

Os barulhos que saem dela soam tão abjetos.

Eu sei que só esperar,

Não vai calá-los por completo.

Se você me vir espantado, sozinho e no escuro com uma vela...

Não me incomode, enquanto caminho no meu Quarto de Trevas.

Sozinho, acordado, com medo e sequelas...

Vele-me no meu Quarto de Trevas.

~Gabriel.