O que existe além desse céu melancólico?

O sol é frágil e ignóbil,

Como uma redoma de ópio

Entorpecendo os sentidos que ainda me restam.

Seria um indício da vida se esvaindo?

Ou o receio de mais incertezas vindo?

Perdido em conflitos...

Como eu diria a ela sobre meus lamentos,

Quando eu mesmo não os entendo.

Posso forçar sorrisos e palavras aquiescentes,

E esconder minhas forças dormentes.

As asas da imaginação voam longe da minha mente.

Isso é o que se ganha...

Isso é o que se alcança...

Isso é o que o aguarda,

Por mexer com ela.

Cansei de justificar minha inaptidão...

Ou minha falta de visão e movimento.

Estagnado e temente ao que o tempo pode me causar.

As ondas do rádio noturno são minha negação,

Enquanto me perco,

Junto a razão.

A dor dura mais que quase um segundo,

E segundo eles o sol irá raiar quente,

Úmido e resplandecente novamente.

Quando isso acontecer,

Ainda haverá alma para eles sugarem,

Ou estarei jogado às traças de novo?

Isso é o que se ganha...

Isso é o que se alcança...

Isso é o que o aguarda,

Por mexer com ela.

Quais as consequências que tenho medo,

Ou de quem receio o dedo

Acusatório e inquisitório sobre meu fracasso?

Sou eu mesmo nesse espelho,

Encarando a visão que jurei a mim mesmo

Esconder?

O que se levanta no meu interior,

É só o desejo me deixando ou o desespero

De estar sentado como um ordinário passageiro?

Arranque as minhas penas e cubra-me com o sangue

Das feridas que deixarei escondidas,

Sob as vestes em meu corpo.

Isso é o que se ganha,

Por não ter feito nada.

Isso é o que se alcança,

Por não ter sido nada.

Isso é o que o aguarda,

Naquela casca abandonada.

Você vai ter que encarar as consequências,

Por mexer com ela.

~Gabriel.