O que você viu ontem,

Enquanto olhava pela janela?

Vidas vagueando livres,

Vivas como em uma aquarela.

Cores de um cinza escuro,

E uma turba de vozes à capela.

Por que você se deita e espera,

Capturar as almas ascendendo delas?

Faz uns dias que chove,

E a água só parece molhar.

Quem te disse o que se pode,

Ou o que não se pode pensar?

Pensamentos surgindo em uma espiral,

Como algo que não se completa.

Ideias intrínsecas e incorretas,

Assimiladas a esse frio espiritual.

Vai demorar um tempo até que isso faça sentido...

Ou, pelo menos, que você comece a se sentir

Sozinho.

Pode deixar que o tempo te consuma,

E até fingir um simples

Sorriso.

Algumas coisas estão perdidas para sempre,

E é impossível resgatá-las

Sozinho.

Ouviu histórias sobre o livre arbítrio,

E se pegou imaginando dentro de um aquário de vidro.

Há algo além da borda?

Ou será que isso está além da rota?

Todas aquelas figuras, lá fora...

Constroem momentos e histórias;

Enquanto o mundo ainda está vivo.

Gradualmente, há a perda dos sentidos...

Somada a perda dos sentimentos.

Em quanto tempo estaremos perdidos,

Nas lamúrias de nossas vidas e arrependimentos?

Somos seres imperfeitos,

Procurando justificativas

Para nossos defeitos.

É meio que desse jeito.

Eu poderia te consolar,

Te deixar deitar sobre meu peito.

Mas, primeiro, você precisa abrir os olhos,

E encarar o reflexo no espelho.

Está preparado para um recomeço?

Eu meio que entendo seu receio...

Mas não deixe eu te contar.

Isso você só irá descobrir,

Quando finalmente acordar.

~Gabriel.