Oblivion

19 Aves & Flores


Sob um céu bordado de nuvens brancas,

O vento arrefeceu, levantando uma poeira antiga.

De leste a oeste, de norte a sul;

Ouvia-se um canto baixo de um gaio-azul.

Vigilante sob a costa próxima a baía.

Sobre os campos verdejantes de colinas,

Havia a sina de uma plantação inquietante.

A brisa abraçava fria e distante o limo,

E as flores, em especial calma, um lírio.

Que nascera tão puro em natureza constante.

Viajando inconstante, a ave azul exibia sua plumagem,

Acima das planícies verdes pinceladas de branco.

Um canto esquecido entoava em cânticos,

Enquanto um lírio o escutava em sua passagem.

Quem diria que o ouvir traria tantas memórias?

Faria lembrar de outros poemas e histórias.

É interessante como o passado é uma anedota,

Que continua viva e melodiosa.

A nostalgia faz as flores lembrarem o passado do campo...

Faz as aves explorarem o timbre de seu canto.

Enquanto um desejo presente se mistura,

Com algo passado há tanto.

Pode ser só devaneio nessa cadeira de balanço,

Ou a velhice consumindo os meus sonhos.

Sinto-me quase como aquele gaio-azul,

Com as asas ávidas me guiando,

Após finalmente aprender a voar.

Posso ver pouco além da vista desse barranco,

Ou são meus olhos e meus cabelos já brancos.

Vejo-a como uma flor naquele jardim infindo,

Inexorável, soberano, puro, vivo,

É toda a natureza etérea daquele lírio.

De toda forma, observo o tempo passar...

O que conquistei e o que recordei ao olhar

Essa paisagem de céus e colinas ímpar.

Foi desejo, anseio, liberdade, vida.

Agradeço a flor que apareceu para mim,

No jardim daquele dia.

~Gabriel.