Oblivion

1 never let me go


Notas iniciais
Minha primeira fanfic de The 100

A história se passa entre o final da 2ª temporada e o início da 3ª.

Boa leitura!

Clarke corria o máximo que podia. Galhos e espinhos lhe cortavam o rosto. Correu o dia todo, sem rumo, sem saber o que fazer. Ela corria porque não sabia o que dizer, não sabia o que dizer para os outros, para ela mesma.

Tinha esperança de que a exaustão pudesse afugentar a culpa e os pensamentos terríveis. Em um momento de cansaço seus pés se atrapalharam e ela tropeçou, seu corpo rolou entre pedras, lama e folhas secas.

Jogada no chão da floresta ela esperou, esperou parar de sentir o turbilhão de emoções que havia dentro do seu peito. O sol de pôs e tudo ao seu redor era escuridão, sentiu o frio amortecer as dores espalhadas por seu corpo. Com sorte, algum animal a encontraria e lhe daria um final rápido, era o que ela desejava. Perdeu a completa noção do tempo, não sabia se havia corrida por minutos, horas ou dias. Seu corpo estava fraco, não se lembrava de ter comido uma última vez, tudo latejava, tudo nela doía.

Sentiu um misto de calor e frio, mesmo em repouso podia sentir o coração acelerado. Morra Clarke – ela pensava sem parar – morra e tudo irá desaparecer. Cercada pelas sombras e o frio, desejando a morte, ela avistou uma tocha surgir entre as árvores.

− Mate-me, por favor... – ela suplicou com a voz arranhando sua garganta, já fazia muito tempo que ela não falava em voz alta.

− Clarke? – A voz perguntou aliviada.

Clarke reconheceu imediatamente aquela voz. Passou um longo tempo tentando esquecê-la.

− Você é um fantasma, vá embora. – Ela disse fechando os olhos, aquilo não era real.

Ao abrir os olhos ela viu aquele rosto a encarar do alto.

− Sinto muito. – Ela disse abaixando-se, suas mãos checavam os ferimentos que Clarke sequer havia notado. – Não parece ter sido atacada...

− Eu não fui...

− Isso está feio. – ela continuava checando, como se não tivesse ouvido.

− Você me abandonou. – Clarke disse puxando de volta a mão que Lexa segurava avaliando um ferimento. – Vá embora!

− Você conseguiu...

− Vá embora. – Clarke tentou levantar-se, apenas para cambalear e cair novamente, algo estava errado.

Lexa foi até ela outra vez.

− Deixe-me ajudá-la.

Clarke cedeu, sem saber se por cansaço ou por incompetência em odiar.

Lexa dizia coisas, que mesmo com esforço Clarke não conseguia acompanhar, sua cabeça parecia pesar uma tonelada e tudo ao seu redor parecia girar. Talvez se fechasse os olhos apenas por alguns segundos, a dor cessaria e tudo ao redor desapareceria.

− Está tentando morrer... – a voz de Lexa desapareceu na escuridão de Clarke.

A sensação é de estar flutuando no vazio, mas ainda assim sentir o peso do seu corpo lhe puxando para baixo, mesmo que não existam direções como baixo e cima, é apenas você e uma escuridão vasta.

− Pode me ouvir? – A voz a chamou em algum lugar, pouco a pouco Clarke foi retomando a consciência, e sentiu a dor se espalhar toda de uma vez.

− Eu morri... – ela murmurou ao abrir os olhos e encarar os olhos verdes de Lexa, esticou o braço e tocou levemente seu rosto com a ponta dos dedos. – Você não é real...

−Está delirando, aqui. – Ela levantou a cabeça da outra para que assim pudesse beber um pouco de água.

O tempo passa e Lexa não tira os olhos de Clarke. Ela espera, espera que tudo possa ser concertado. Ela fez o certo, fez o que uma Heda deveria ter feito, mas ela não fez o que ela queria fazer. Seu coração pagava o preço por sua escolha, por sua deslealdade.

Clarke dorme o sono dos inquietos e perturbados. A todo instante murmura coisas sem sentido e inexpressíveis, até que Lexa consegue ouvir as palavras que fazem seu coração se partir em pedaços:

− Eu... odeio você... odeio... você. – Ela repete diversas vezes.

Quando sua pele deixa de queimar, e sua boca para de murmurar, Lexa sente que é hora de deixa-la partir. Ela certifica-se mais uma vez de que estão em um local seguro, limpa os ferimentos de Clarke uma última vez.

− Eu não posso esperar que me perdoe, mas espero que possa se perdoar pelo que teve que fazer. – Ela diz enquanto toca o rosto da outra. – Que nos encontremos de novo, Clarke. – Ela toca com os lábios sua testa, e então ela se vai.

Quando Clarke desperta para o seu estado normal, leva um tempo para perceber onde está. Sinais de que alguém havia estado ali é evidente, alguém que cuidou dela. Ela se esforça para entender o que está acontecendo.

− Lexa... – ela diz constatando, mas ela não sabe se havia sido real ou não. Teria Lexa salvado sua vida?

Mas Clarke não tem tempo para isso, ela precisava odiar Lexa, mesmo que falhasse miseravelmente.

− Eu nunca a perdoarei, nunca.

Ela se levanta e segue em frente, não havia um lar para voltar, não havia um amor para ser chorado, não havia esperança para ela acreditar. Clarke destruía tudo o que tocava, e teria de aprender a viver com isso.

Notas finais
Olá

Ainda estou arrasada por Lexa e Clarke :'(

Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!