Oblivion
1 Chapter One
'' E há um buraco na minha alma
Eu não posso preenchê-lo,não posso preenchê-lo.''
Flaws, Bastille
A luz acessa confirmava que havia um visitante na enorme mansão no meio do nada, o som de passos ecoava pelo enorme salão, um, dois, três, quatro, pausa, um, dois, três, quatro, pausa. O som repetitivo e ritmado acompanhava os pensamentos do homem de porte alto que caminhava de um lado para o outro em frente a lareira de chamas verde esmeraldas. Os cabelos bem cortados, o terno preto alinhado e a aparência elegante faziam contraste com a agitação transmitida pelo homem, que tinha as mãos tremulas e expressão aflita, preocupada e confusa.
O copo de whisky em sua mão tremia levemente, mostrando sua fragilidade e inquietação. O terno em seus ombros fora retirado e jogado pela enorme sala e as mangas da camisa social preta foram levantadas, era visível a marca que contrastava na sua pele e ele a olhou com nojo, repulsa e de repente sentiu uma necessidade de querer tirar, arrancar, machucar, ferir aquele local que tanto lhe causava ódio, dor e que era o símbolo da desgraça de sua vida.
Ele se sentou, afundando na cadeira de couro, tentando controlar os pensamentos que insistiam em gritar para ele, o copo foi pousado em seu colo enquanto ele contava os segundos mentalmente, respirando calma e profundamente. Essa havia sido a pior decisão que tomara nos últimos anos, não deveria ter voltado, não deveria sequer ter ido naquela homenagem idiota, enfrentado olhares hostis e conversas fingidas. Mas o que realmente doía era ver como ela estava radiante em sua nova vida, não conseguia tirar da cabeça a forma magnifica que ela deslizava por aquele salão em seu vestido preto longo em que as costas ficavam de fora devido ao longo decote que possuía ou em como seu cabelo antes cheio e rebelde havia se tornado liso e possuía um corte sofisticado na altura do pescoço, ou em como ela apresentou os ganhadores dos prêmios com maestria e fluidez, era como se ela tivesse nascido para fazer exatamente aquilo.
As pálpebras fecharam sobre os olhos claros em forma de eliminar a dor quando ela anunciou o nome daquele bastardo, aquele que havia tirado toda a sua glória nos tempos de Hogwarts e que estava com a mulher da sua vida. Não conseguia tirar da mente o olhar que ela lançou a ele quando disse seu nome, ou o sorriso que surgiu em seus lábios quando o maldito subiu ao seu lado no palco, ou em como as suas mãos entrelaçaram e seus lábios se tocaram em um beijo rápido que arrancou aplausos e suspiros de todos que estavam presentes ali. Sua mente repassava cada detalhe que observou durante aquela noite, a intimidade clara que havia entre eles, a forma que se tocavam discretamente, nos beijos furtivos, na troca de carinho e no maldito anel que brilhava em sua mão, chamando, gritando, pulsando por atenção.
O grito que escapou de sua garganta faria contorcer as entranhas de quem ouvisse, as mãos pálidas e ossudas correram pelos cabelos bem cortados e desceram pelo rosto em um claro sinal de desespero. A dor que ele sentia naquele momento era sufocante, agonizante, lágrimas irrompiam de seus olhos queimando, dilacerando a pele, a fragilidade era vista pelos tremores que o fazia sacudir. Já havia sentido inúmeras dores ao longo da vida, mas aquela que se alojara em seu peito era diferente.
Inquietante
Enlouquecedora
Excruciante
Miserável
Miserável era exatamente como Draco Malfoy se sentia naquele momento no escuro e silencioso salão de mármore de sua casa, e no fundo ele sabia que depois de tudo, a vida estava cobrando o preço por tê-la deixado quando mais precisou, ignorando-a quando tudo o que ela lutava se esvaiu diante dos olhos deles e por ele ter se entregado ao medo e ter virado as costas deixando-a.
Com ele.
Suas mãos pálidas ainda tremiam quando pegou um dos exemplares antigos Profeta Diário que estava espalhado por todos os cantos e objetos destruídos ocupavam o chão, imagem da matéria ocupava sua mente e o título fazia seu estomago embrulhar, mas mesmo assim ele buscou desesperadamente a página que havia amassado em meio à confusão e a olhou novamente: ''Harry Potter e Hermione Granger se casam no próximo mês'', ele sentia na pele a veracidade daquelas palavras.
Passou os dedos delicadamente sobre as feições dela pelo jornal, como se pudesse senti-la. Como se aquele toque transmitisse a ele toda a maciez e o perfume de sua pele, como se pudesse toca-la da forma que ela gostava ou que ele pudesse sentir o calor emanando de suas bochechas quando ela corava. Ele a olhou atentamente, seu rosto, seus lábios, seu sorriso. Aquele maldito sorriso, que agora ele direcionado para outro.
Novamente seus dedos se fecharam em torno do jornal, amassando-o com fúria enquanto o copo de whisky em suas mãos fora parar dentro da lareira que crepitava calmamente, fazendo com que as chamas esmeraldas aumentassem absurdamente. Com a cabeça encostada na pedra fria tentou mais uma vez naquela noite agir racionalmente, mas as imagens ainda estavam vívidas demais em sua mente e com certeza o atormentaria para o resto da vida, deixava-o sem controle.
Ela se casaria.
E ele a perderia para sempre.
Ela teria uma família.
E ele definharia.
Não, ele não havia a perdido por completo. Mas as lágrimas amargas que surgiram em seus olhos novamente diziam o contrário. Ela muito provavelmente já havia esquecido dele, e se por ironia do destino ainda se lembrasse, jamais poderia perdoa-lo, ele mesmo não se perdoaria.
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