Oblivion
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem! XD E comentem :3
Música: Valley of the Dolls - Marina and the Diamonds
xoxo

— Por favor, me diga que você tem açúcar.
Jennifer arqueou uma sobrancelha e riu do ar embasbacado de seu vizinho, perguntando-se como um homem bonito e forte como aquele conseguia ficar adoravelmente envergonhado. Ela deu espaço para ele entrar no apartamento e fechou a porta.
— Espere aí, Steve. — Disse divertida e dirigiu-se à cozinha, enchendo sua caneca verde de sapinho com os cristais triturados de açúcar. Era estranho, e mais do que isso, surreal que aquele era o mesmo Steve Rogers que via nos jornais e na TV, aquele que se vestia de Capitão América e que salvara o mundo de um ataque alienígena junto com os outros heróis, formando assim o grupo dos Vingadores.
Jen estava do outro lado do mundo, mas ouvira falar do ataque à Nova York, causado pelo irmão de Thor, Loki e seu destruidor exército. Nas pouquíssimas imagens do Deus da Trapaça, Jennifer o achara atraente, de uma maneira estranha, mas atraente, apesar dos olhos claros demais para serem reais.
— Jennifer.
A jovem se virou, fitando o primeiro vingador de maneira curiosa. Steve era solitário, apesar de toda a glória e admiração das pessoas, ela podia ver que nada disso era suficiente para preencher o buraco negro nos olhos dele. Um homem fora de seu tempo, forçado a se adaptar as constantes mudanças atuais... Alguém que perdera mais do que tudo.
— Sim? — Disse, entregando a caneca a ele.
Steve Rogers respirou fundo, parecendo cansado, segurando a caneca com cuidado. Seu rosto estava levemente corado, como se ele fosse uma criança muito branca que tinha feito uma corrida. — Sei que... Nos conhecemos faz pouco mais de um mês, que... Você deve ser ocupada... E... Bem, eu sou um chamariz ambulante por todo o “Capitão América” e soro do super soldado, mas... Gostaria de sair comigo uma vez? — As palavras simplesmente escaparam de sua boca e ele se sentiu constrangido por um momento.
Jennifer era uma garota legal, como Steve aprendera a dizer, e ele adorava aquele olhar curioso e escuro por trás de cílios longos e do jeito que ela prendia o cabelo loiro claro bem no alto da cabeça da maneira mais desleixada possível. Aqueles moletons, pantufas coloridas e o jeito que ela sorria o fazia pensar em algo... Comum.
Quase clichê. Um clichê que ele adoraria ter a chance de viver, mas não poderia.
— E para onde iríamos? — Perguntou a loira, sentando-se na bancada da cozinha.
— Eu levaria você para jantar, ou poderíamos ir ao cinema... Mas sem 3D, essa coisa me dá arrepios... — Ele sacudiu os ombros, fazendo-a rir. — O que me diz?
— Acho que será divertido, senhor Rogers. — Ela comentou rindo baixo.
O primeiro vingador ergueu uma sobrancelha, rolando os olhos levemente. — Ok, ok, eu sei que tenho 90 anos, tecnicamente falando, mas... Na minha cabeça eu ainda sou jovem.
Jennifer rira. — Ok, Steve. Vou evitar chamar você de senhor, apesar disso. Então... Amanhã às oito?
— Perfeito. — Rogers dera uma piscadela antes de se afastar, levando a caneca. — Madame, obrigado pelo açúcar.
— De nada, Capitão. — Ela desceu da bancada, passando perto dele. Steve além de alto, parecia que tinha saído daqueles anúncios de academia que prometiam o corpo perfeito em pouco tempo, o que a fazia rir levemente.
Despediu-se dele com um olhar, fechando a porta logo em seguida.
~*~
Não foram ao cinema. Primeiro porque não havia nada de interessante passando e em segundo, porque Jennifer decidiu privar Steve de assistir 50 tons de cinza pelo motivo de ser 50 tons de cinza. Por essa razão, escolheram um pequeno baile cheio de senhores e senhoras de idade.
Ele tinha se vestido da maneira mais simples possível, calças jeans, botas, uma camiseta azul um pouco larga e a jaqueta marrom por cima dos ombros. Jennifer estava com uma camisa branca, abotoada até o pescoço, de mangas compridas e uma saia rodada rosa clara com bolinhas brancas, usando sua habitual maquiagem escura nos olhos e os lábios cor de cereja.
Jennifer não gostava de festas muito lotadas, e Steve também não. E seria bom para ele, pelo menos inicialmente, ouvir algumas músicas que tinham feito parte de sua vida nem que fosse por uma questão de poucas horas.
— Senhor Rogers! — Steve mordeu os lábios quando um senhor calvo viera lhe dar um caloroso aperto de mão e um abraço. — Que prazer em conhecê-lo! Será que poderia tirar uma foto, meu neto o adora.
Steve riu, assentindo de leve antes de posar ao lado do senhor enquanto Jennifer tirava a fotografia. E em questão de segundos, todos estavam cercando-o, pedindo fotos, autógrafos como se fosse uma celebridade que havia sido descoberta.
Jennifer inicialmente não reparou, mas o nervosismo de Steve começava a ficar aparente demais. O suor em sua testa, os ombros tensos e músculos retesados, além de seus olhos lentamente perderem o foco.
— Acho que já chega. — Ela disse, pegando o braço dele, notando o suor frio. — Steve, vamos... Vamos.
Rogers não retrucou, sentia-se anestesiado demais e por isso simplesmente abriu caminho entre as pessoas e seguiu Jennifer sem olhar para trás. Steve sentia... Medo, um medo irracional, mas que o dominava completamente e gritava para que saísse dali.
Sua respiração estava alterada e Rogers tinha a impressão de ouvir tiros, gritos e o som de aviões de guerra.
— Steve! Steve, acalme-se... — Jennifer não conseguiu segurá-lo quando este se sentou contra uma parede, trêmulo como se toda sua força tivesse o deixado e ele fosse novamente aquele Steve magricela tentando se proteger de um valentão com a tampa de uma lixeira. — Acalme... — A jovem relaxou, observando os lábios trêmulos do primeiro vingador e se inclinou para beijá-lo sem realmente saber o porquê.
Fora como acender uma vela. O choque inicial que silenciou todos os tiros, gritos e aviões de guerra, trazendo Steve ao tempo presente.
Ele abriu os olhos, fitando-a. —... O que...
— Sente-se melhor? Eu li em algum lugar que para acabar com um ataque de pânico, a pessoa pode prender a respiração... E quando beijei você... Bem, você prendeu a respiração. — Jennifer riu baixo, repuxando o lábio superior.
O loiro sorriu, meneando de leve a cabeça. — Obrigado... E sinto muito por isso, quer dizer... Eu não tinha nem ideia que iam me reconhecer.
— Você é um rosto conhecido, seria assustador se não o reconhecessem. — Jennifer, que tinha se abaixado para ficar na mesma altura do loiro, ergueu-se, ajeitando os cabelos loiros platina com uma das mãos, antes de esticar a direita para ele. — Mas... Apesar disso... Eu me diverti.
— Quer dizer nos dez segundos de paz que tivemos assim que entramos? — Steve aceitou a mão dela e ficou de pé, rolando de leve os olhos.
— Exatamente. E nos dez minutos de paz que temos antes... — Ela franziu as sobrancelhas quando viu um homem apontando uma câmera para eles. — Bem, acabou a nossa paz. Vamos embora!
Rogers olhou para trás, amarrando um pouco a cara ao ver o homem, mas pegou a mão de Jennifer para que conseguissem sair correndo dali pelo caminho do beco, bem mais escuro que aqueles onde suas brigas ocorriam.
Jennifer era um clichê de garota solitária, aquelas de romances baratos que estavam prontas para encontrar um homem que mudaria suas vidas e depois a encheria de filhos e responsabilidades de mulheres, onde ela seria feliz para sempre.
E Steve queria tornar aquele clichê um fato, mas não poderia. Da mesma maneira que gostaria de ter tido a chance de sair com Peggy, ele sabia que talvez nunca envelhecesse e no fim das contas, Jennifer seria outro fantasma.
Mais um fantasma que viria assombrá-lo e que seria recebido com melancolia por seus olhos cansados.
Outro buraco em seu peito.
E vazio em sua alma.
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