Obliviate - Dramione
16 Não é normal!
Notas iniciais
Hermione se revirava na cama a cada cinco minutos. Não conseguia parar de pensar no que Draco faria a Rony, no que aconteceria quando os dois se encontrassem. Imaginou que o loiro já estava a caminho e sua imaginação ilustrava o pior daquele encontro. Ela não devia ter contato, deveria ter ficado em sua casa e conversado com Rony.
Deus, e os filhos? Eles viram o estado de Rony? Escutaram alguma coisa? O que o ruivo disse para eles? Disse algo?
Por um segundo, os pensamentos escaparam de sua mente. Alguém batia calmamente na porta.
— Pode entrar – Hermione disse para o visitante. Narcisa entrou no quarto fechando a porta atrás de si. Hermione travou a respiração. O que ela queria?
A Senhora Malfoy puxou uma cadeira a colocando ao lado da cama de Hermione. Se sentou lentamente, enquanto a morena seguia os movimentos dela com os olhos.
— Hermione, posso te chamar assim? – Perguntou.
A morena apenas assentiu com a cabeça.
— Draco me contou sobre o ocorrido com o seu marido – Ela começou fazendo Hermione arregalar os olhos. Por que ele havia contado? Onde estava Draco agora? Por que Narcisa está conversando com ela sobre isso? — Não sei se sabe, mas Lúcio era terrível comigo. Eu me casei muito nova, assim como você. Ele era um dos homens mais importantes da Inglaterra e meu pai acreditou que seria a melhor opção para mim, eu seria o orgulho da família Black. Somente meu pai, em toda a família, acreditava nessa teoria, mas ninguém se opôs ao casamento. Mas ele era terrível, se mostrou uma pessoa extremamente cruel nos primeiros anos após o casamento, entretanto, o que eu podia fazer? Estava casada, eu deveria resolver meus próprios problemas. Não podia fugir, mesmo quando ele me batia, mesmo quando ele me fazia chorar todas as noites. Então eu engravidei e pensei que ele mudaria pelo filho. Mas ele não mudou, não deixou de apoiar Voldemort. E enquanto Draco crescia, ele começou a transformar meu filho em um monstro, mesmo que eu tentasse impedir. Draco não sabia o que fazia, ele queria ser como o pai, acreditando que era algo bom. Eu percebi a burrice que eu tinha cometido ao ficar com Lúcio, ao não ter ido embora quando fiquei gravida. Hoje, Hermione, eu percebo que tudo seria diferente se eu não tivesse me deixado prender pelo medo. Tudo seria diferente se eu tivesse me divorciado de Lúcio.
Hermione nem mesmo respirava, não estava esperando por aquela confissão de Narcisa. Ela acreditava que a mulher era alguém esnobe, fria, preconceituosa. Mas, na verdade, era uma mulher que sofria nas mãos do marido.
— Eu sinto muito, Narcisa – Foi o que conseguiu dizer. No entanto, a mulher somente balançou a cabeça.
— Não sinta, querida. Só estou te contando a minha história para você entender o que aconteceu com o seu marido. Não é um momento, não foi só um ataque de fúria. Você não pode se prender, você não merece isso.
— Narcisa, o Rony não é o Lúcio. Ele é um dos meus melhores amigos desde os meus 11 anos. Nós nos conhecemos há mais de 20 anos e estamos casados há mais de 10. Ele nunca havia feito nada contra mim, só estava confuso.
— Querida, olha pra mim. – Narcisa pegou a mão de Hermione – Eu também achava que estava enganada a respeito de Lúcio, quando ele me bateu pela primeira vez. Mas eu não estava, ninguém faz isso apenas uma vez. Sei que sua situação está difícil no momento, devido ao feitiço, mas isso não é desculpa para o que ele fez. Muitas mulheres passam pela mesma situação e não fazem nada a respeito por acreditar que merecem, que é só uma vez, que ele pode mudar. Mas, ninguém merece passar por essa situação, ele não vai mudar.
Hermione fechou os olhos com força, queria chorar, não queria acreditar em nada. Porém, Narcisa tinha razão, mesmo que tentasse, não conseguiria perdoar totalmente. Deus, ela odiava tudo que tinha acontecido.
— Onde está o Draco? – Hermione perguntou nervosa, sua imaginação voltava a assombra-la com imagens do confronto entre Draco e Rony.
Narcisa deixou escapar um leve sorriso lateral.
— Se você está se perguntando se ele foi atrás do Rony, a resposta é não. Eu não deixei ele sair naquele estado, Draco está bem perturbado, não seria bom deixa-lo ir com a cabeça quente.
Hermione assentiu aliviada. Ela queria ser a primeira a conversar com Rony depois do ocorrido.
— Eu só te peço um favor, Hermione – Narcisa disse recebendo o olhar curioso da morena.
— Claro. O que quer?
— Não machuque o meu filho. Você não imagina como ele ficou após ter te lançado o feitiço, isso acabou com a vida dele. Nunca o vi tão triste, tentamos fazer com que ele se apaixonasse por Astória, mas ele não conseguia te esquecer, e agora vocês estão próximos de novo, e com uma filha. Eu espero que ele não volte a ficar daquela maneira, ele não merece isso.
— Eu te prometo – Hermione se viu dizendo antes de ver a Senhora Malfoy deixar o quarto.
Hermione respirou fundo algumas vezes para tentar entender tudo que Narcisa a havia dito. Será que Rony tem alguma semelhança com Lúcio? Será que ele voltaria a levantar a mão para ela? E Draco? Ela não sabia que ele havia ficado daquela maneira após tudo que viveram?
Não sabe explicar, mas se perguntou se ele a amava.
Seu celular tocou na mesa ao lado da cama. Hermione se esticou para alcançar o aparelho. O nome “ Rosa” brilhava na tela.
—Mãe?
— Oi querida, está tudo bem? – Hermione perguntou nervosa estranhando o tom de voz da filha. Rosa parecia estar preocupada com algo, sussurrava.
— Eu não sei, meu pai disse que você foi embora que você fugiu com o pai do... com o meu pai. Ele estava gritando comigo e com Hugo. Mãe, aonde você está? O que está acontecendo? Hugo, não chore, a mamãe vai voltar, eu te prometo.
O coração de Hermione ficou ainda mais apertado, o ar escapou do seu pulmão. Ela queria voltar pelos filhos, queria dizer que estava tudo bem, que nada tinha acontecido. Mas, o ato de Rony na noite anterior e as palavras de Narcisa, confundiam seus pensamentos.
— Filha, onde você está? Onde está o seu irmão? O que está acontecendo aí?
— Hugo está aqui no meu quarto, ele está chorado muito. Vem pra casa, mãe. Onde você está?
— Rosa, com quem você está falando? – A voz de Rony gritando pôde ser ouvida no fundo da ligação. O som se afastou, parecia que a menina havia tampado o celular com algo. Hermione se levantou e ficou caminhando de um lado para o outro do quarto. Sua respiração estava pesada e o batimento de seu coração atingia um número absurdo por minuto.
— Desliga esse telefone agora! Vocês estão proibidos de falar com ela! Foi ela que quis ir embora!
Então a ligação foi encerrada. Hermione jogou o celular contra a parede.
Ele não podia fazer isso! Ele não podia a impedir de falar com os filhos! Deveria haver uma lei pra isso, deveria...
Aquele não era o Rony que ela conheceu, não podia ser. Se jogou no chão de qualquer maneira, sentando com as costas encostada na cama e as lagrimas caindo em suas mãos.
A porta foi escancarada com força e Hermione só pôde ver o loiro a abraçando, também sentando no chão. Uma corrente de ar quente passou pelo seu corpo e ela conseguiu pensar que tudo podia melhorar. Acomodou a cabeça no peito dele, ouvindo seus batimentos cárdicos.
Pensou como contaria o que acabou de ouvir na ligação. Não tinha uma maneira fácil. Rosa também era sua filha.
— O Rony me proibiu de falar com os meus filhos. – Ela disse entre os soluços, por causa das lagrimas.
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