Obliviate
1 I – Obliviate
Notas iniciais
Era um belo e ensolarado dia diante dos terrenos de Hogwarts. Lily Evans acabara de acordar e agora descia rapidamente até o Salão Principal a fim de terminar seus últimos deveres escolares, os quais não tivera tempo de terminar na noite anterior. Sentia-se exausta, principalmente com a aproximação dos N.I.E.M’s e, caso não conseguisse passar para a profissão que tanto sonhara (seu maior desejo era se tornar Auror), nunca se perdoaria. Em alguns momentos, obrigava Marlene a repassar suas perguntas e enquanto a amiga irritava-se por ela estar se precipitando, ela fingia não escutar suas reclamações e tornava a responder a todas as perguntas (corretamente, aliás).
Novamente, tinha obrigado Marlene a acordar e estava terminando seu último dever quando a amiga tornou a fazer perguntas sobre os N.I.E.M’s. Como sempre, Marlene estava de mal humor por ter sido acordada tão cedo.
— Lily, eu juro que se você me acordar mais uma vez junto com o sol, eu mato você. — Marlene falou, aborrecida. A verdade é que ainda faltavam seis meses para os N.I.E.M’s e Lily não parava de encher o saco da garota; se não Marlene, era Dorcas.
— Está recusando me ajudar a realizar meu sonho? — Lily colocou a mão no peito, teatralmente. Marlene fez cara feia e mostrou o dedo do meio para ela, enquanto Lily ria da expressão que a amiga fazia.
— Lene, que coisa feia mostrar o dedo dessa forma para as pessoas! — uma voz conhecida falou logo atrás de Marlene e Lily nem precisou ver o rosto da pessoa para saber quem era: o idiota do melhor amigo dela, Sirius Black.
— Não me lembro de ter te perguntado nada, Black. — Marlene falou, virando-se para encarar o garoto. Lily supôs que, como ela, tinha reconhecido a voz, porque tinha falado o nome dele antes mesmo de se virar para encará-lo.
— Claro que não, por isso mesmo eu falei. — ele falou, sentando-se entre as duas e Marlene bufou, irritada. — Então, o que estão fazendo? Acho que poderiam dividir comigo, o que acham? Hm?
— Primeiro, Black — Lily começou a falar, encarando-o —, o que nós estamos fazendo não é da sua conta; e segundo, mesmo que em alguma possibilidade considerada impossível eu te dissesse o que estamos fazendo, pode ter certeza que você não estaria convidado para fazer parte. Então, caso não queira ter o seu lindo rosto azarado nesse exato momento, aconselho você a levantar a bunda dessa cadeira e ir embora. — terminou sua fala e Marlene abafou uma risada, enquanto Sirius parecia ignorar seu comentário.
— O que as duas garotas mais lindas do colégio estão fazendo que não querem dividir com seu fiel amigo o qual elas tanto confiam? — ele perguntou e, embora Lily revirasse os olhos e jogasse um livro em seu rosto, Marlene fingia não corar com o que Sirius acabara de dizer. Uma tentativa falha, é claro.
— Cala a boca, Black! — Marlene falou, imitando o gesto de sua amiga e acertou um livro bem no meio de seu rosto.
— Estamos estudando para os N.I.E.M’s, Sirius. Você deveria seguir nosso exemplo e estudar também... — Lily iria continuar falando, mas Marlene a interrompeu quase que imediatamente.
— Corrigindo: você está estudando para os N.I.E.M’s; enquanto eu sou feita de escrava. — ela falou novamente, bufando, e Sirius fez o possível para não mostrar perplexidade em seu rosto.
— Evans, você definitivamente tem algum problema. Estamos seis meses antes dos N.I.E.M’s, cara. SEIS! — ele parecia completamente indignado.
— E daí? Se eu não me sair bem nos exames e reprovar antes mesmo de realizar meu sonho e me tornar Auror, eu acho que enlouqueço.
Sirius revirou os olhos e olhou para Marlene, que repetiu seu gesto.
— Certo. Então, onde paramos, Lene? — Lily perguntou, quebrando o silêncio que havia se formado. Marlene gemeu e enfim prosseguiu com sua tarefa de fazer perguntas à Lily.
— Acho melhor você ir mais devagar, vai acabar enlouquecendo com tantas perguntas de uma vez. — Lily sorriu. Reconhecia aquela voz mesmo que estivesse a mil quilômetros de distância e virou-se para encará-lo.
— Oi. — Lily falou, sorrindo feito boba e percebeu James inclinar-se para dar-lhe um pequeno beijo.
— Arrg! Vocês dois, parem de ser tão melosos! — falou Marlene, aborrecida e cobrindo o rosto para não se sentir “vela”. Fora a vez de Lily mostrar o dedo do meio para ela.
— Sabe, Lene... Acho que nós poderíamos aproveitar a oportunidade e fazermos igual a eles, o que acha? — Sirius perguntou, sorrindo, aproximando-se de Marlene.
— Cala a boca, Black! — ela repetiu sua frase inicial e o empurrou para longe, enquanto ele ria da expressão que a garota fazia.
— Ainda estudando para os N.I.E.M’s, Lily? — perguntou James, sentando-se ao lado de Lily, enquanto a mesma fazia anotações sobre duas perguntas as quais ela tinha errado.
— Exatamente. Não vou sossegar enquanto não tiver todas as respostas na ponta da língua, sem gaguejar nem uma letrinha. — ela falou, anotando cada vez mais rápido e James riu.
— Padfoot, hoje à tarde vai ter treino de quadribol, às três horas. Será que você poderia me ajudar a passar o recado para o restante do time? — James perguntou a Sirius e ele apenas assentiu, pois estava com a boca cheia de comida.
Passados dez minutos, eles perceberam Remus chegar e se juntar a eles. Parecia completamente acabado, mas também não se surpreenderam, pois a noite anterior fora a última noite de lua cheia do mês e eles estavam realmente exaustos. Lily, Marlene e Dorcas descobriram sobre esse “problema peludo” — como James costumava chamar — havia um mês e, portanto, não se surpreenderam ao ver o estado do amigo.
Não demorou muito e, quando perceberam, praticamente todos os estudantes já haviam entrado no Salão Principal e, enquanto conversavam sobre várias coisas, Lily lembrou-se de ter esquecido seu livro de Poções no quarto e teve de ir buscá-lo.
— Ora, ora. Olha só quem está aqui. — Lily ouviu a voz irritante de Bellatrix Black enquanto encaminhava-se para o Salão Comunal da Grifinória. Decidida a não dar ouvidos às implicâncias de Bellatrix, Lily apressou os passos, embora fosse difícil tentar conter sua raiva só de ouvir aquela voz.
— O que foi, Lily? Tá com medo de olhar pra mim e acabar machucada? Não se preocupe, querida, está tudo bem. Sabe seu amiguinho, Snape? Ou devo dizer, ex-amigo? Enfim, que seja. Tenho um recado dele para você, a não ser que queira ser covarde em dar as costas para um amigo a qual você sempre fora tão apegada e sair da sua postura de “Grifinória Perfeitinha”. — ela falou e os que estavam a sua volta riram, embora aquilo não fizesse a menor graça. A verdade era que ver Bellatrix implicando com algum Grifinório era a diversão favorita dos Sonserinos. — Ah, qual é, Lily. Volte aqui e prove que você é tão corajosa quanto sua querida casa te diz ser. — Lily continuou a andar enquanto Bellatrix a acompanhava, quase correndo. Lily estava irritando-se, mais um pouco e ela acabaria azarando a garota bem no meio do corredor... — Lily, Lily, será que você não enxerga? Você fica se fazendo de perfeitinha sabe-tudo para os professores, fica andando pelos corredores exibindo esse distintivo idiota de monitora e dando uma detenção aos alunos sempre que pode. É, não me surpreende ser uma sangue ruim de pais tão porcos como ela mesma. — mais risadas foram ouvidas dos alunos da Sonserina e dessa vez Lily não pôde se controlar. Virou-se o mais depressa que pôde e ergueu rapidamente sua varinha.
— Estupefaça! — gritou a garota, mas Bellatrix parecia estar preparada para o que quer que fosse que a garota fizesse e gritou na mesma hora:
— Protego! — e então o feitiço voltou-se para ela e a mesma fora avançada longe. Foram ouvidas muito mais risadas dos amigos de Bellatrix e pôde ouvir também o grito triunfante da garota. Foi o ápice.
Lily levantou-se depressa e, como Bellatrix estava muito distraída comemorando sua “vitória”, Lily ergueu sua varinha novamente sem ninguém perceber e gritou:
— Expelliarmus! — Bellatrix fora lançada tão longe quanto ela poucos segundos atrás e pôde perceber a expressão de fúria no rosto de Bellatrix. Decidida a continuar seu caminho, enquanto Bellatrix tentava levantar-se — com a ajuda de vários Sonserinos —, Lily deu as costas a garota e tentou seguir seu caminho para onde planejara ir. Mas quando estava quase virando o corredor para subir as escadas, pôde ouvir o grito de Bellatrix, com muita fúria na voz:
— Obliviate! — fora a última palavra que ela pôde ouvir antes de seu corpo colidir com o chão gelado de Hogwarts e apagar completamente.
Fale com o autor