Objeto Perdido
28 Capítulo vinte e sete
Notas iniciais
– MELANIE-
Eu nunca o havia visto tão mal, nunca havia imaginado vê-lo chorando de tal forma, como se quisesse que sua dor saísse junto com as lágrimas que escorrem por sua face. Nunca o a havia visto tão frágil, tão humano... Jessie me aperta em seus braços, enquanto continua seu choro interminável, eu queria poder ter o mesmo poder que tem, queria poder tirar toda a dor e seja lá o que for que o está atormentando no momento, mas infelizmente não posso, sou apenas uma mera mortal que tenta a cada segundo não se apaixonar mais e mais por um anjo. Sinto que, no momento, trocamos de papel, momentaneamente me encaixo como seu apoio, seu porto seguro, onde pode se apoiar e apenas chorar, percebo que me tornei para ele exatamente a mesma coisa aquilo que é para mim.
Deslizo minhas mãos por seu cabelo e aperto-o mais em meus braços, fecho os olhos e apenas o deixo chorar sobre meus ombros, respirando profundamente para não acabar caindo em lágrimas também.
– Ei, está tudo bem. – sussurro, de olhos fechados, deixando uma lágrima silenciosa escorrer por meu rosto. Jessie chora um pouco mais ao ouvir minhas palavras, e consigo ver, finalmente, que nada está bem para ele. Noto, por fim, que as coisas não são complicadas para mim, como pensava a principio, as coisas mais difíceis estão sobre suas costas.
– Me perdoa. – ele diz, se retirando de meus braços, a respiração pesada, lágrimas ainda insistem em cair de seus olhos. – Eu não deveria ser tão fraco assim.
– Jessie, você sabe que não é fraco. – me aproximo de seu corpo e seguro seu rosto em minhas mãos, limpando cada lágrima perdida. Não dou abertura para que fale mais qualquer coisa, apenas o abraço novamente, do modo mais apertado possível, completamente feliz ao sentir tal abraço ser retribuído. – Eu confio em você. – sussurro, ainda abraçada ao seu corpo. – Você sabe que não precisa fazer tudo isso sozinho, eu estou com você, nós estamos do mesmo lado, até quando eu não conseguir mais me lembrar, ainda estaremos do mesmo lado. – não são necessárias mais quaisquer palavras, o silêncio paira pelo local, e por um momento, chego até mesmo a me esquecer que estamos em uma sala de espera de um hospital. Fecho os olhos e apenas sinto sua respiração se acalmando, assim como seus braços apertando levemente meu corpo. Deslizo novamente minha mão por seu cabelo, causando um longo suspiro de sua parte. A felicidade de ter conseguido acalmá-lo pelo menos por um segundo me toma, é a primeira vez em que me sinto realmente prestativa ao seu lado.
– Obrigado. – ele sussurra, desfazendo lentamente nosso abraço, depositando um leve e demorado beijo em minha testa.
– Eu não sei o que fez com Cora, mas, por favor, me prometa que não fará isso novamente. – acaricio levemente seu rosto, os pequenos ferimentos em sua face.
– Você sabe que eu não posso prometer esse tipo de coisa. – ele sorri, um sorriso sem humor. – Eu apenas preciso lembrar a você, cara mortal, que seu padrasto está nos encarando faz um grande tempo.
– Dan está aqui... – sussurro para mim mesma, realmente havia me esquecido de sua presença no local. – Você tem sorte que Erick não veio junto.
– Eu não tenho medo de meros mortais. – ele sorri e apoia levemente seu dedo indicador sobre meu nariz, causando-me um enorme sorriso. Seu poder sobre mim é algo completamente inexplicável, como se tudo de ruim fosse retirado de meu ser, independente da situação, sua presença acalma meu coração de um modo completamente único. – Acho melhor irmos até ele, você precisa ir para casa. – ele continua dizendo, com os olhos fechados, sacudindo levemente a cabeça, como se algo o atormentasse em sua mente.
– Jessie, está tudo bem? – pergunto, segurando uma de suas mãos.
– Sim, eu juro que está tudo bem, humana. – ele sorri, abrindo os olhos e apertando minha mão mais fortemente. – Agora, acho que não precisaremos ir até lá, ele já está vindo até nós. – eu nada disse, apenas me virei para trás e vi Dan se aproximando, a chave de seu carro em mãos.
– Espero não estar atrapalhando nada. – Dan diz, um sorriso travesso surgindo no canto de seus lábios, olha diretamente para nossas mãos. – Mas preciso dizer que temos que ir, Melanie.
– Mas Dan... – começo a dizer.
– Sem mas, mocinha. – Dan me interrompe, causando um sorriso em Jessie. – Erick acaba de me ligar informando que Elena e Julie chegaram e querem te ver.
– Você vem com a gente? – pergunto diretamente a Jessie, que já não sorri mais.
– Claro que vem. – responde Dan em seu lugar. – Não podemos deixá-lo aqui.
– Obrigado, senhor, mas eu preciso ir para outros lugares. – diz Jessie, mais uma vez balançando a cabeça de olhos fechados, causando-me ainda mais preocupação.
– Eu te levo onde deve ir, não há problema. – Dan responde, deixando Jessie completamente sem saída. Apenas o olho e sorrio.
– Pensando bem, acho que posso ir para a casa de vocês. – Jessie diz, passando a mão em seus cabelos, o rosto corado com a situação.
– Ah, ele disse também que um amigo de vocês está lá te esperando para saber sobre Cora. – Dan diz virando-se, já em direção a porta.
– Caio? – pergunto, seguindo seus passos em direção a porta, Jessie ao meu lado.
– Não, é um tal de Alan, se não me engano. – Dan responde. Apenas tal nome causa-me um extremo calafrio em toda minha espinha. Paro imediatamente e olho para Jessie, que retribui o olhar extremamente preocupado. O medo me invade repentinamente, meu coração se acelera e eu sinto-me perdida, como se apenas o nome causasse em mim total perda de sentido.
– Como o Erick o deixou entrar na casa de vocês? – Jessie perguntou, parado ao meu lado, extrema seriedade exalando de sua voz.
– Ele disse que vocês o conheciam do colégio de vocês. – Dan responde, virando-se para nós. – Há algum problema com ele? – olho para Jessie e ele retribui tal ato, negando lentamente com a cabeça, como se dissesse apenas com os olhos que se tem uma coisa que não devo fazer, essa coisa é contar a Dan sobre Alan.
– Não. – respondo, virando-me novamente para Dan. – Acho que devemos ir logo para casa, não podemos deixá-los esperando.
Sem dizer mais palavra alguma, apenas nos colocamos a caminho de casa, no carro de Dan. Jessie senta-se no banco da frente, ao lado de Dan. Meu coração bate desesperadamente, não há nada que possa fazê-lo acalmar, o medo do próximo plano de Alan é uma das coisas mais difíceis de controlar em minha vida, no momento. É como se eu estivesse em uma guerra contra um inimigo anônimo, sem saber o que ele poderá fazer, sem conseguir decifrar sua mente, uma guerra no escuro, uma guerra na qual eu estou completamente desarmada.
Finalmente chegando em casa, logo ao descer do carro, começo a sentir minha cabeça latejar e formigar ao mesmo tempo, uma ânsia me atinge repentinamente, e tudo parece mais escuro, a vida se vai lentamente de cada cor do ambiente.
– Em momento algum saia do meu lado, ouviu? – sinto alguém me segurar pelos braços, uma voz masculina soando logo atrás de mim. Jessie.
– Nada de usar qualquer poder, ouviu? – respondo, virando-me completamente para fitá-lo. Nossa distância é tão pequena, meu peito está praticamente colado ao seu, posso sentir sua doce respiração, basta apenas um minúsculo movimento para nossos lábios estarem unidos novamente.
– Vamos? – Dan diz, mais uma vez sabendo o que está atrapalhando. Um sorriso surge em seus lábios, e eu simplesmente não sei o que fazer a não ser sorrir junto.
Sem mais palavras, nos colocamos a caminho da porta principal de minha casa. A cada passo, meu coração se aperta mais em meu peito, todo meu corpo dói, eu não sei como fingir que está tudo bem, mas sei que terei que ser forte. Dan vai à frente, Jessie segue logo atrás de mim, ainda movimentando a cabeça algumas vezes, algo o está torturando, posso sentir sua angustia a mil metros de distância.
Ao adentrar pela porta, tudo é muito mais assustador, mas não pelo fato de ter a presença de Alan no ambiente, alguns detalhes pelo ambiente chamam completamente minha atenção. Elena e Julie estão sentadas no mesmo sofá, Alan está entre elas, na poltrona ao lado se encontra minha mãe, Erick na poltrona ao lado, e a pior parte, há bebidas na mesa central do cômodo. Não consigo acreditar no que meus olhos estão vendo, acima de tudo, não consigo acreditar que minha mãe e Erick deixaram a situação chegar a esse ponto.
– Melanie! – Elena literalmente gritou ao me ver, levantando-se e correndo diretamente em minha direção. Literalmente pula em meus braços, causando-me um certo desequilíbrio, porém sinto algo segurar-me delicadamente pelas costas. Jessie ainda se encontra logo atrás de mim.
– Elena! – tento retribuir, embora com extrema dificuldade, pois a presença de Alan me deixa completamente constrangida e amedrontada. Sou atingida por mais um corpo pulando sobre o meu, o de Julie, tornando esse ato, um abraço coletivo de três amigas de velhos tempos, amigas que, para mim, não são mais tão confidentes assim. Não sei explicar, mas tudo isso que está acontecendo, toda a confusão do anel, está abrindo meus olhos, mostrando-me o valor das verdadeiras amizades, da família, do amor. – Que saudade de vocês! – exclamo, mentindo para mim mesmo. Ouço uma pequena risada soando logo atrás de mim, nada além zombando de minha mortalidade.
– Você nunca mais nos deu notícias. – disse Elena, puxando-me pela mão, caminhando em direção ao sofá. – Só perdoamos você porque sem a sua presença, nosso trio não é mais um trio, você sabe.
– Até porque, se tem duas pessoas, não se trata mais de um trio. – Dan balbucia, sentando-se no braço da poltrona em que se encontra minha mãe. Elena nada diz, apenas o lança um olhar, mas não um olhar repreendedor, um olhar amigável. – Também senti sua falta, Dan. – Você vai ficar do nosso lado, Mel. – mais uma para o grupo que me chama de Mel. Elena puxa-me para seu lado, fazendo-me tropeçar nos pés de Alan, que me fita incansavelmente.
– Mas não há espaço para mim aqui, Elena. – digo, orando mentalmente para não ter que sentar-me ao lado de Alan. – E eu nem apresentei à vocês meu amigo, Jessie. – resolvo apelar para Jessie. Se há alguém que sabe como agir, esse alguém é Jessie.
– Ual... – escuto Julie sussurrar, aproximando-se de Jessie e o cumprimentando.
– Você não nos informou que havia tantos homens bonitos nessa cidade minúsculo, Melanie. – Elena sussurra em meu ouvido antes de se dirigir até Jessie para cumprimenta-lo. Mal sabem elas que ele não é da cidade, na verdade, não pertence nem ao menos a esse mundo, por mais que esse fosse meu maior desejo. – Senta-se com a gente, amigo. – Elena o puxa pela mão, e inevitavelmente sinto o ciúme começar a apontar em meu interior. Olho para Erick e não consigo decifrar seu olhar, o jeito como olha para Jessie é algo que nunca havia visto nos olhos de Erick.
– Busque algumas cadeiras, Dan. – diz minha mãe. – Faça algo de útil. – Dan faz algumas caretas e logo se levanta para buscar algumas cadeiras na cozinha. Olho diretamente para os olhos de Alan e sua escuridão me invade, o sorriso presente em seus lábios me paralisa, faz tudo parecer assustador.
– Alan... – diz Jessie, parado bem a sua frente. – O que te traz até aqui?
– Pensei que jamais perguntaria. – Alan sussurra para si, sorrindo. – Vim ter notícias de Cora, apenas isso. – responde com uma ironia insuportável em seu tom de voz. Fecho meus punhos e meu maior desejo é lhe atingir com um imenso e humano soco bem no meio de seu rosto nojento.
– Ele e Erick nos contou o que houve. – diz Julie, sentando-se ao lado de Alan no sofá. – Nós sentimos muitíssimo, de verdade, Mel.
– Obrigada, Julie. – respondo, virando-me rapidamente para Julie, logo retornando meu olhar diretamente para Alan.
– Cadeiras! – Dan exclama, surgindo da cozinha, entregando-as diretamente para Jessie. O silêncio de Erick chega a ser incomodo, sei que a presença de Jessie o irrita, mas ele jamais entenderia se lhe explicasse quem realmente não vale absolutamente nada nesse ambiente.
– Então, quem trouxe as bebidas? – Jessie pergunta, sentando-se em uma das cadeiras, sento-me imediatamente ao seu lado.
– Eu! – Elena exclama, erguendo uma das mãos. – Achei interessante comemorarmos nossa união. – diz, pegando um dos copos presentes em cima da mesa, colocando uma quantidade um tanto exagerada em um dos copos. – Esse é para a Mel. – entrega-me o copo mais absurdamente cheio.
– Não, obrigada, eu realmente... – começo a dizer.
– Não faça essa desfeita. – Alan me interrompe, um sorriso nojento aumentando em seus lábios.
– Você não tem o direito de dizer nada. – Jessie sussurra diretamente para Alan, um silêncio completamente audível. – Elena, acho melhor a Melanie não tomar, ela está tomando alguns remédios...
– Você também vai tomar. – Elena o interrompe. – Só uma virada e vocês vão estar bem mais felizes.
– Não, Elena! – exclamo assim que ela começa a encher o copo. Todos no local viram imediatamente para mim. – Quer dizer, Jessie não pode beber, ele... – pense em algo, rápido Melanie. – Ele tem problemas no fígado.
– O quê? – escuto Jessie ao meu lado, mas procuro não olhar para seus olhos, sei o quanto está me repreendendo.
Sem dizer mais uma palavra, e ignorando qualquer coisa que Elena diga, pego meu copo e viro de uma vez em minha boca, sentindo cada gota da bebida queimar todo meu interior. Confesso que não sou de beber, na verdade, jamais bebi em minha vida, não de modo completamente exagerado, porém, sinto que preciso fazer isso essa noite, sinto que necessito mostrar a Alan que não sou tão frágil quanto pareço ser.
– Melanie, o que você pensa que está fazendo? – Jessie sussurra furiosamente em meu ouvido.
– Eu preciso fazer isso. – respondo sem olhá-lo. Meus olhos se fixam na cena de Alan e Elena conversando enquanto bebem. Desde quando Elena bebia? Onde ela está com a cabeça de trazer bebidas em minha casa? Não consigo encontrar respostas para essas perguntas.
– Não beba nem mais um gole disso. – Jessie sussurra novamente em meu ouvido.
– Um brinde a nós! – Julie grita, levantando seu copo repentinamente. Eu simplesmente não consigo mais reconhece-las, não do mesmo modo de antigamente. Todos no local se levantaram e brindaram. Ao me levantar, sinto meu estômago se revirar, uma tontura me abate, e eu sei que pode se tratar dos efeitos do álcool, pois não tenho costume com bebidas, e há algum tempo que não coloco nada no estômago.
– Ei, não se brinda de copo vazio. – diz Alan com a garrafa em mãos, rapidamente enchendo meu corpo. – Quero ver se é forte para virar, humana. – ele sussurra em meu ouvido, enquanto todos conversam sobre qualquer coisa aleatória.
– Podem. – Jessie se intromete, empurrando Alan para longe de mim. Repentinamente, Jessie toma o copo da minha mão e o vira todo em sua boca.
– Jessie... – é só o que consigo dizer, completamente sem reação. Já não basta o fato de estar completamente acabado com todos os poderes que anda usando, agora ele simplesmente ingere uma quantidade exagerada de álcool.– Porque você fez isso?
– Você não vai manipulá-los Alan, não hoje, não comigo no local. – Jessie sussurra ao ouvido de Alan. Nitidamente, ninguém mais conseguiu ouvir, pois ainda conversam. Ainda fingem que não estou aqui, Erick ainda me fita, algumas vezes me lança um sorriso fraco, mas ainda assim, um sorriso.
– Pessoal, desculpa informar, mas eu e Alan precisaremos ir embora. – Jessie aumenta sua voz e diz a todos no local, abraçando Alan pelo pescoço. Para todos, um abraço extremamente amigável, para mim, o início de uma guerra sobrenatural.
– Não! – Elena exclama. – É muito cedo, por favor, fiquem. – fico completamente imóvel, sem entender o que está havendo, sem entender quais são os planos de Jessie.
– Na verdade, eu não vou emb... – Alan começa a dizer.
– Nós temos horários para chegar em casa. – Jessie diz, e sorri ao ouvir o que acaba de dizer.
– O quê? – sussurro para mim mesmo, completamente sem conseguir compreender o que está havendo.
– Eu os levo. – Dan se oferece, levantando-se.
– Não posso incomodá-lo novamente, senhor. – Jessie diz. – Muito obrigado.
Todos se despedem, Alan sorri manipuladoramente a todo momento, há algo entre ele e Elena, não consigo entender de início, mas algo em mim grita que isso não pode ser algo bom. Resolvo leva-los até a porta, preciso entender o que está havendo, por Jessie está fazendo isso.
– Foi divertido. – disse Alan, logo quando nos retiramos do local.
– Alguém pode, por favor, explicar para a humana o que está acontecendo? – pergunto, segurando ambos pelo braço. Parados exatamente na frente da porta.
– Seu amado anjo é tão, mas tão previsível. Alguém aqui está perdendo o controle dos sentimentos humanos... – Alan zomba mais uma vez de Jessie, causando-me uma raiva ainda maior.
– Você pode, por favor, ir embora? – Jessie pergunta a Alan, fechando seus olhos e passando levemente a mão pelo rosto.
– Foi tão divertido. – diz Alan rindo. Uma risada que constantemente ecoa em minha mente. Repentinamente deposita um demorado e nojento beijo em meu rosto, se vira e caminha em direção a escuridão da noite.
– Jessie. – viro-me para ele e seguro fortemente seus braços. – O que foi isso? Eu poderia ter me virado sozinha.
– É exatamente isso o que ele queria, Melanie. – sussurra em resposta. – Que você tentasse provar a ele o quanto é forte. O álcool te torna fraca, mais vulnerável a qualquer manipulação da parte dele. Você pode não sentir, mas a todo momento o poder de Alan estava percorrendo aquele local.
– Porque você bebeu o copo que era para eu ter bebido? – pergunto, dando um passo a frente, diminuindo a distância entre nós. – Você, por acaso, pode fazer isso?
– Nos encontramos pela manhã. – é apenas o que diz, beijando levemente minha testa.
– Onde você vai? – pergunto, segurando-o pela mão. Meu coração se aperta ao notar enormes olheiras em seus olhos, seus olhos tornando-se cada vez mais negros, sua pela cada vez mais pálida, os pequenos ferimentos em sua face. Como queria poder fazer alguma coisa.
– Estarei nos arredores para que nada aconteça. – Jessie diz, apertando levemente minha mão. – Aproveite suas amigas, Erick, sua família, mas não beba, por favor.
– Jessie, você não pode... – começo a dizer.
– Vai ficar tudo bem, acredite. – levemente, Jessie beija minha mão e sorri, porém um sorriso sem vida, algo que nunca havia visto em seus lábios. Quanta dor ele está escondendo de mim?
Sem me dar o direito de dizer qualquer coisa, ele se vira e caminha em direção a escuridão da noite, assim como Alan, exatamente para a mesma direção.
– Jessie... – o chamo. Ele nada diz, apenas se vira para trás e me olha.
– Eu... – me engasgo com as palavras. – Eu amo você. – porque essas palavras saíram dos meus lábios? Não sei o que se passa em meu coração. Porém, ele apenas sorri, e logo volta sua caminhada em direção a escuridão, deixando-me completamente sozinha na porta de minha casa. Porque ele não respondeu? Não consigo acreditar que fui estúpida a esse ponto... O vento bate levemente em meu rosto, trazendo-me seu doce e angelical perfume
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