Objeto Perdido
15 Capítulo quatorze
Notas iniciais
O despertador toca insuportavelmente a meu lado, me obrigando a desligá-lo, sem a menor de vontade de abrir os olhos e levantar daquela cama. Meu corpo está completamente relaxado, não há mais dor, apenas muita calma em meu ser.
Ainda sinto o perfume de Jessie e isso me enche de uma paz tão extraordinária, meu coração salta em meu peito e sorrio sem nem ao menos entender o porque, a única certeza que tenho, é a de que meu anjo, aquele que estou me apaixonando mais a cada dia, esteve aqui a noite anterior e me salvou do poder que estava se exercendo sobre mim, essa ideia grita em meu interior.
Meu estômago se revira com essa ideia, pois se ele estava usando seus poderes, o que primeiramente é proibido, ele deve estar enfraquecendo, sinto a necessidade absurda de vê-lo e implorar para que nunca mais faça isso. Não, eu não consigo me compreender, o que está acontecendo comigo? Com meus sentimentos? Levanto-me completamente apressada e me visto, qualquer coisa que vejo em meu armário está valendo. Pego apressadamente minha mochila e desço as escadas correndo, meu estomago ronca, um ronco misto de ansiedade e fome. Não digo muita coisa ao chegar à cozinha, apenas como ligeiramente e logo está na hora de finalmente ir à escola.
– Espero que não tenha nenhum urubu te rondando naquela escola hein, Melanie. – diz Erick no carro.
– Urubu? – não consigo conter o riso. – Cala a boca, tem é gaviões, isso sim. – causo risos em Dan, que dirigi silenciosamente ao meu lado.
– Esses jovens de hoje em dia... – ele murmura entre seu riso. – Erick, se eu fosse você, ficaria de olho para não perder a Cinderela aqui, hein. – Dan diz estacionando o carro em frente ao colégio. Estávamos atrasados, pois os alunos já entravam e estava tudo relativamente lotado. – Boa aula, crianças, buscarei vocês mais tarde. – sorrio, beijo seu rosto e me despeço saindo do carro.
– Preparado? – sussurro para Erick, em tom de brincadeira. Mas não ouço sua resposta, pois ao longe uma cena me chama completamente a atenção. Uma cena não, na verdade, uma pessoa, Jessie. Ele está sentado com Cora e Caio em um dos bancos. Ela o mostra algo em seus livros e ele sorri, um sorriso que faz meu coração saltitar, não consigo esconder minha excitação. – Venha, preciso te apresentar para meus amigos. – seguro a mão de Erick e saio correndo em direção ao banco que se encontravam.
– Melanie! – Cora exclama ao notar minha aproximação. Jessie e Caio erguem seus olhos do tal livro de Cora e me olham. Jessie sorri para mim, tanto com seus olhos, quanto com seus lábios. – Ah não, você conheceu mais um gatão?!
– Gente, esse é Erick, um amigo meu que veio morar aqui na cidade. – sorrio ao apresentá-lo. – Erick, essa é Cora, Jessie e Caio, meus amigos desse colégio. – apresento um a um, seguindo a ordem que se encontravam no banco.
– É um imenso prazer conhecê-lo, Erick. – Jessie se levanta e aperta a mão de Erick, completando com um abraço. Caio o imita, assim como Cora.
– O prazer é meu em conhecer vocês, de verdade. – noto que Erick está um pouco tímido e isso me faz rir, pois timidez é uma coisa que ele raramente sente.
– Bom, acho que devemos ir para a sala, pessoal. – complementa Cora. – O sinal acabou de soar. Qual é a sua turma, bonitão? – ela segura em seu braço e o puxa para irem conversando a frente, Caio os acompanha.
– Turma A, se eu não me engano. – escuto Erick responder.
– Então é com a gente mesmo, rapaz. – Jessie grita, rindo, ao meu lado. Ficamos para trás, mas sinceramente não me sinto nem um pouco incomodada com isso. O vento bate em meu rosto e consigo sentir o cheiro de Jessie, fecho meus olhos e sorrio.
– Camisa branca... Bem, parece que hoje está usando trajes dignos de um anjo. – brinco esbarrando com meu ombro propositalmente em seu braço. – Andou seguindo meus conselhos?
– Tem como uma mera mortal ser tão idiota desse jeito? – ele ri e revida com a brincadeira dos ombros. – Se lembra que temos uma festa para ir hoje, não é?
– Sim. – na verdade, eu meio que já havia me esquecido. – Ah, e muito obrigada por ontem. – digo subindo as escadas em direção a sala de aula.
– Pelo o que, exatamente? – ele pergunta de um jeito desentendido, sorrindo com o canto dos lábios.
– Você sabe o que fez ... – sussurro e diminuo os passos para conseguir falar com ele antes de entrarmos em nossa sala. – Jessie, eu sei que te faz muito mal, que você sente dor ao fazer isso, a minha dor. Então, por favor, eu lhe imploro para que não faça mais isso, por favor.
– Melanie, eu sou um anjo, estou aqui para proteger as pessoas. – ele para ao meio do corredor e sussurra segurando meus ombros. – Para proteger acima de tudo, você. Então, já que violei uma das regras e usei um poder, não vejo porque não usá-lo quando noto que você precisa. Vou continuar fazendo isso quando necessário, não consigo suportar ver as pessoas sofrendo, não consigo suportar ver você sofrendo, e sei que ao fim disso tudo ninguém vai se lembrar, sei que não morrerei por fazer isso. – seus olhos me sugam inteiramente. – O anel é uma coisa tão poderosa, Melanie, eu temo por sua vida por causa dele, temo pelo que pode acontecer, então a única coisa que posso lhe prometer, é que jamais medirei qualquer esforço para te proteger, mera mortal, tanto aqui em seu mundo, quanto no meu, depois que tudo isso terminar. – ele sorri com essas últimas palavras e eu não consigo dizer nada, um nó se forma em meu peito e naquele momento começo a ter certeza de que estou literalmente me apaixonando por um anjo. O abraço e o jeito como ele retribui o abraço me faz sorrir como uma criança que acaba de ganhar um doce.
– Todos para as classes, por favor! – escuto a inspetora de alunos gritar pelo corredor. Vários alunos ainda estão chegando e entrando apressadamente em suas salas.
– Melhor irmos, vai ser um longo dia. – Jessie diz sorrindo, segura em meus ombros e me guia até a sala de aula. Nesse momento, não sinto medo, apenas meu coração gritando cada vez mais alto que estou realmente amando completamente esse anjo chamado Jessie.
Erick está sentado atrás de Caio, ao lado de Jessie, noto que os dois conversam sobre qualquer coisa atrás de mim e me sinto realmente aliviada, feliz de verdade por ver um possível início de amizade entre os dois. Os longos fios ruivos de Cora praticamente caem sobre meu caderno, mas eu não me importo, ela é um ser humano tão incrível, seu jeito encantador fascina a todos, sinto uma paz tão extraordinária em meu interior. Caio literalmente dorme em sua mesa e isso me faz sorrir, ele é um garoto tão pequeno, mas tão encantador. Sinceramente, todos que conheci até agora por aqui, tem o seu lado extremamente encantador, raramente penso em Elena e Julie, não que as tenha esquecido, mas é que já não me recordo de nossa amizade como antes.
Repentinamente estranho toda aquela minha calmaria, não consigo sentir a presença de Alan, apenas de pensar em seu nome todo meu interior congela instantaneamente. Suspiro, fecho os olhos e tento tirar de mim todo aquele meu desespero que me toma aos poucos.
– Mas estão falantes hoje, hein. – me viro e brinco com Erick e Jessie, tentando fazer o desespero desaparecer.
– Por acaso, estou contando a ele sobre a festa que iremos hoje. – Jessie me responde com seu típico sorriso no canto dos lábios, arqueando sua sobrancelha.
– Que por acaso você não me chamou, senhorita Melanie. – Erick ri enquanto fala, tentando fingir que está bravo com minha atitude.
– Vocês são tão idiotas. – rio e me viro para frente, para voltar a prestar atenção na aula, ouvindo a risada deles atrás de mim.
O sinal do intervalo finalmente soa e todos saem como animais de suas salas, isso é um fato que nunca irá mudar, independentemente do colégio. Os lugares de refeição estão completamente lotados, há muitas filas e aglomerações em toda parte. Avisto Thalia em uma das mesas, cercada de muitas pessoas que a mimam sem parar.
– Eu vou lá falar com ela. – Jessie, como se pressentisse que eu estava prestes a ir até ela, segura meu braço por trás e sussurra em meu ouvido. – Já tenho um plano para hoje.
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