Notas iniciais
Espero que tenha ficado legal, nha ♥

— Lady Sansa, se me permite, acredito que para sua segurança meu lugar seja a seu lado.

Brienne escolheu as palavras com sabedoria enquanto se dirigia à filha de Catelyn. Demorara tanto tempo para ser aceita por ela, que agora não gostaria de correr o risco de se desencontrarem.

A Patrulha da Noite não tinha defesas do lado de dentro, e mesmo os selvagens não eram páreo para o exército de Ramsay Snow, que mesmo sem os Manderly, os Karstarks e os Umber, já era consideravelmente grande quando haviam enfrentado Stannis.

Brienne não confiava no norte. Depois de tudo que passara, percebera os perigos que vinham de todos os lados por ali, e enquanto Ramsay não fosse derrotado, não podia garantir a segurança de Sansa, mesmo com Jon ao lado dela.

Sansa demorara muito tempo para crescer e entender no que estava se metendo, mas ela não. Se por um lado compreendia o sentimento de vingança dela, era muito arriscado jogar sua segurança para o alto sem pessoas suficientes para cobrir a retaguarda.

Dois mil selvagens contra cinco mil homens Bolton, sem contar o apoio das casas do norte. Por que mandá-la para Riverrun, se era muito mais fácil angariar aliados no norte para lutar por ela?

E pior ainda, com Mindinho se esgueirando por Castleblack?

— Enquanto Ramsay estiver no comando do norte, não aceitará que outras casas nos apoiem. Vão destruir todos aqueles que se declararem nossos aliados, correremos o risco dos nortenhos nutrirem mais raiva por nós se alguém morrer por nossa causa. — Sansa suspirou, observando a neve que caía. — Vá para Riverrun, Brienne.

Se entreolharam, em silêncio. O olhar decidido de uma criança impondo sua decisão a uma mulher que conhecia o mundo e enfrentara todo tipo de coisa, sem ao menos ter um nome tão grande como o Stark para ampará-la.

— Ficarei bem. Tenho Jon agora. — E as expressões de Sansa se acalmaram, desmanchando-se num sorriso. — Não podemos recusar ajuda e Mindinho tem o Vale. Preciso de olhos e ouvidos em Riverrun para me dizer quando os Lannister chegarem.

Então o rosto de Brienne se ergueu, surpreso. Riverrun estava sob domínio dos Frey, mas os rebeldes Tully ainda estavam sitiados pelos Lannisters. Com o apoio do Vale, a terra natal de Catelyn poderia ser libertada e os Frey, subjugados novamente ao seu Suserano, Edmure Tully.

Eles precisavam de olhos nas terras fluviais para alertá-los quando a hora chegasse. Sansa tinha praticamente metade de Westeros a seu lado caso precisassem lutar: Riverrun por parte da mãe, The Eyrie por parte da tia e o norte por nascimento. Se Brienne fosse, Sansa teria mais chances de conseguir apoio das duas regiões e sobreviver.

Depois que a guerra dos bastardos acabasse, o próximo front a lutar seria duplo: Ao norte contra os Outros, que segundo Jon eram piores do que qualquer politicagem, e ao sul, usando-se do assassinato de Joffrey, contra Cersei e Jaime.

Jaime Lannister.

Os dedos apertaram com força o cabo da espada de aço valiriano que lhe fora dada. Oathkeeper estava fazendo jus ao seu nome, e Brienne faria questão que assim ela permanecesse, mas o pensamento de encarar Jaime depois de tanto tempo lhe era um pouco incômodo.

Pelo que ouvira de Podrick, Jaime se tornara capacho de Cersei, que cometera uma série de crimes contra a coroa e lá estava ele, abanando o rabo para ela como um bom filhote adestrado, somente por um pouco de carinho.

Desde a última vez, quando Cersei ousara lhe jogar na cara que Brienne nutria sentimentos por Jaime, sua antipatia pelos Lannister subira ainda mais. A total falta de honra da família, ou pelo menos de alguns integrantes dela, não a deixava simpatizar. Ou talvez a única coisa que sentisse do amigo fosse pena.

Fora das garras da irmã, vira um Jaime totalmente diferente do que aquele marionete controlado pela rainha regente. Mas guardou suas impressões somente para si, tinha uma vida que valia mais do que a sua agora, para a qual jurara lealdade.

Se Renly tivesse vivido o bastante para ser rei, nada daquilo estaria acontecendo. E por instantes Brienne se permitiu pensar em seu lugar na Guarda Real dele, papel o qual lutara tanto para conquistar e retribuir tudo que o Baratheon mais novo havia feito por ela.

Seu coração, outrora imerso em pontadas de saudade daqueles tempos que não tinham mais volta, retornaram ao gelo do norte e para os olhos de Sansa Stark sobre ela. Cobrando dela que cumprisse seu juramento.

— Farei o que me pede, Lady Sansa. Mas estarei de volta o mais rápido que puder.

— Quando voltar, meu irmão já será Lorde de Winterfell e retribuiremos tudo o que fez por nós.

Qual deles? Brienne perguntou-se internamente, mas retirou-se dos cômodos do Lorde Comandante, já procurando por Podrick a fim de seguirem para o sul. Precisava arquitetar o que fariam de agora em diante. Por conta de seu tamanho, não poderia se infiltrar nos campos inimigos sem ser reconhecida, precisaria de Podrick para isso e ouvir o que os Lannister planejavam.

— Mulher!

Estava tão concentrada procurando pelo escudeiro, que não prestou atenção aos berros nada discretos de alguém, provavelmente estivessem se referindo à maldita sacerdotisa que matara Renly. Mas a insistência e o som de passos se aproximando, além da expressão de medo em Podrick a fez se atentar mais ao que ocorria.

— Para onde a garotinha está te enviando?

Arqueou a sobrancelha. Aquilo em momento algum dizia respeito a ele. Brienne não respondeu, deixando que o rosto falasse por si. Tormund, por outro lado, não pareceu se intimidar.

Em resposta, estendeu uma mão ao mostrar uma espécie de pulseira de galhos retorcidos. Gelo a cobria como cristal, e ao primeiro passo que desse no sul, certamente derreteria. Algo rústico demais para ter sido confeccionada no norte, dando a entender que o responsável por aquele artefato fosse o próprio Tormund.

— Para quê isso?

— Proteção.

— Cresci a minha vida inteira sob a Fé dos Sete e isso não me trouxe qualquer graça aos olhos dos homens. Vi magia de sangue acontecer, e ela matou quem um dia eu amei. Por que eu deveria acreditar num amuleto qualquer?

Tormund sorriu. Aquela era difícil. Apesar das diferenças entre ambos, as poucas semelhanças eram suficientes para ser cativado por Brienne. Ia muito mais além da altura. Ela era uma mulher forte, mesmo sendo obrigada a se submeter a um rei.

Por outro lado, lá estava ela. Jurada a proteger a vida de uma menina acusada de matar o rei anterior. Brienne quebrava as regras para seguir aquilo em que acreditava, correr riscos e morreria por isso, se necessário.

Selvagens também estavam acostumados a correr riscos porque não tinham escolha. O norte de muralha por muito tempo havia sido sua casa, mas agora tinham aquele lugar para guardar. Não por juramento, mas por sobrevivência. Era o único lugar agora que restava, se quisesse que seu povo sobrevivesse.

Mesmo se Tormund nunca tivesse visto os nortenhos pessoalmente, muitos de seus companheiros mortos por tentarem atravessar a muralha já o haviam feito e isso lhe bastava para nutrir animosidade para com Ramsay Snow. E mais ainda quando a declaração de ameaça chegara aos ouvidos de Jon.

Ele queria lutar? Ótimo. E Tormund faria questão de mostrar que sua lealdade não residia em nada nem ninguém. Nem em reis, nem em velhas histórias de reis do inverno, nem em bastardos que ousavam ameaçá-lo.

Somente, talvez, residisse ao que sentia quando vira aquela mulher adentrar Castleblack pela primeira vez.

— Porque o inverno está chegando.

As palavras de Tormund a silenciaram. Rangeu os dentes sem ter certeza se era por culpa do frio, ou pelo arrepio que lhe subira ao ouvir aquele aviso. Ou algo mais.

Guardou o presente numa das bolsas que colocara na montaria. Podrick, mais do que depressa, montou no cavalo ao lado e Brienne fez o mesmo.

— Jon me disse que sua espada pode nos ajudar na luta contra os Outros. — Ele começou. O escudeiro de Brienne já estava mais do que desesperado para ir embora, mas nunca saberia se ele se afastara por medo de Tormund, ou por sentir que estava apenas sendo feito de vela ali. Independente disso, Tormund agradeceu mentalmente por tal fato.

— Oathkeeper. É de Aço valiriano. Mas não sei mais do que isso sobre ela.

— Muito bonita, pelo pouco que consigo ver daqui. — Observou Giantsbane, enquanto conduzia a montaria de Brienne e ela fazia o cavalo se desvencilhar. No meio do trajeto, por fim, ele acabou apenas seguindo a seu lado até o portão. — Tanto quanto a dona.

O rosto da donzela de Tarth se contorceu em fúria contida. Aquele tipo de piadinha nunca lhe afetara, a última vez que isso ocorrera fora no baile em que Renly Baratheon a havia tirado para dançar. Ele se fora, mas seus conselhos seguiriam no coração de Brienne até sua morte.

— Não me subestime, Selvagem. Pelas minhas habilidades, já fui escolhida para a Guarda Real uma vez.

— Sem dúvidas. — Ele sorriu. Como se para Tormund um título qualquer lhe fosse importante. O que importava em um homem de verdade era sua força e sua lealdade para consigo mesmo, sua família e amigos. Dane-se o que eles chamavam de "Guarda Real" — Mas sou do tipo de homem que gosta de pagar para ver.

Dessa vez foi Brienne que sentiu os lábios se curvarem num sorriso. Durante toda a vida, precisara superar desafios. Desde sua altura exagerada, sua falta de beleza à sensação de fracasso em proteger Renly. Ser desafiada por um Selvagem lhe parecera longe de ter qualquer valor difamatório, pelo contrário, ele parecia até se divertir com a ideia de como uma mulher que se ajoelha lutaria.

Deram as mãos, num acordo silencioso. Ambos ostentando no olhar a ansiedade de se encontrarem novamente e poderem mostrar quanto valeriam aquelas palavras, após a vitória que esperavam ter contra os Bolton.

— Quando eu voltar, teremos nossa luta. É melhor que esteja inteiro. — Brienne respondeu.

E com um tapa nos quartos da montaria, Tormund se despediu. O cavalo se assustou com o golpe, correndo em disparada até desaparecer na neve.

O rumo da guerra estava agora nas mãos de Brienne e se ela seria capaz de chegar ao sul para coletar informações sobre os Lannister e os Frey. Tormund observou a neve caindo e os portões de fechando. Voltou para o arsenal das armas onde Jon agora estava contabilizando se seriam suficientes para lutar.

Mas uma excitação incomum preenchia seu coração, diferente de qualquer outra que já tivesse sentido.

— Mal posso esperar.

Notas finais
Espero que tenha agradado, genteney UAEHHEUAHUEA Foi complicado escrevê-la. Como desenvolver um relacionamento entre eles, dadas as diferenças entre ambos e as circunstâncias nas quais se encontravam? Essa é a minha hipótese de como poderia começar o romance deles. PS DE NOVO: NÃO OS AMEM, GENTE. A HBO É TÃO RUIM QUANTO O MARTIN! NÃO OS AMEM!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!