Oasis

39 Crise


Notas iniciais
oi lindos!!!!! eu tenho que começar pedindo perdão, quanto tempo não apareço por aqui? mais que o suficiente sem mostrar as caras me desculpeeeeeee estou tão ocupada ultimamente, tanta coisa acontecendo na minha vida, tanta correria não tive tempo nem cabeça para escrever NEM COMPUTADOR ): mas hoje eu tive um tempinho e um notebook emprestado, então deu tudo certo espero que gostem desse capítulo e não me abandonem por causa da minha demora p.s.: juro juro juro que vou responder os comentários, mas saiba que li CADA UM DELES e guardei no coração, fico tão feliz ao ouvir vocês, vocês são o que me motiva a escrever, sério, vocês são perfeitos!!!!!!

Seus olhos bicolores me olhavam assustados. Meu coração batia aceleradamente, mas uma sensação de alívio e paz passava pelo meu corpo. Era estranho, pois eu nunca havia sentido algo do tipo, mas, ao mesmo tempo, infinitamente reconfortante.

Era uma sensação de família, aconchego, paixão e desejo sexual. Uma perfeita combinação do que deveria ser o amor romântico, este que até alguns meses atrás eu não acreditava muito. Mas agora eu sentia e o desmistificava.

Amor era produto do tempo de convivência, da intimidade e até misturava um pouco do ódio.

Era uma maluquice sem fim e era tudo o que eu sentia enquanto olhava aqueles olhos, que eram a perfeita alegoria do amor. Estranhos, incomuns, mas uma combinação perfeita com todos os seus defeitos.

Passava a entender que se odiar, se amar e se odiar de novo era o típico.

O que eu sentia, o amor, não era perfeito. Era apenas um furacão. Gigantesco e devastador.

E pensar tudo isso era o mais vergonhoso. Eu me tornava, a partir desses pensamentos, o romanticozinho barato que sempre odiei. Porra, aquilo era também muito assustador. Olhar para aquele cara e sentir um afeto fora do comum era insano.

No final das contas, tudo o que eu poderia dizer sobre ele e aquele momento seria insuficiente.

Então, eu só fiquei lá, encarando sua expressão agora rígida. Ele me olhou de uma forma meio estranha, mas, por um momento, frágil antes de me empurrar de cima de si. Caí na grama de bunda no chão e só tive tempo de ver aquelas panturrilhas brancas e tatuadas, que apareciam nitidamente, pois ele usava bermuda naquele dia, correrem para longe de mim.

Ele parecia bem desesperado para se distanciar, quase tropeçando no meio do caminho.

Sorri com aquilo. Ele estava mexido por causa de mim e não demoraria muito para que eu pudesse atingir de verdade os lugares mais particulares daquele russo arredio.

Mas primeiro eu tinha outras coisas mais importantes para resolver.

Me certifiquei de que o meu celular estava no meu bolso traseiro e, depois que o sinal do final das aulas tocou, não esperei ninguém. Fui direto para o pátio, onde eu encontraria a pessoa que eu estava procurando. Pelo menos, a primeira delas.

Pensando em alguns dias atrás, qual não tinha sido a minha surpresa em descobrir que ele, justamente ele, estava estudando naquela escola também? A escola era muito grande e com muitos alunos. De alguma forma, eu tinha deixado aquele desgraçado passar despercebido.

Cheguei perto do cuzão do tal do Marcelo, que conversava calmamente com outros dois caras que eu não conhecia. Dei uma cutucada no seu ombro para chamar sua atenção. Ele me olhou meio desconfiado, meio desacreditado. Não deveria entender o que eu estava fazendo vindo falar com ele.

— Tu por aqui, ruivo folgado? – Ironizou com uma cara desgostosa.

— Cala a boca que eu tenho uma parada ‘pra tratar com tu.

— Olha, o cara 'tá putinho – Disse enquanto ria debochado.

Apenas ignorei aquela idiotice e me foquei no queria saber.

— Você sabia do que aconteceu com o Grey? – Perguntei sério.

Ele me olhou meio confuso, mas parou de sorrir.

— Sobre que tu 'tá falando?

— Do ensino fundamental. Você não era conhecido dele antes?! – Falei sem paciência.

Marcelo me encarou por alguns segundos e acabou desviando o olhar, parecendo envergonhado.

— O que tu quer com esse assunto? – Quis saber enquanto passava a mão pela nuca em um ato de nervosismo.

— Então tu sabia? E não fez nada?!

— O que tu esperava que eu fizesse?! – Gritou – Eu era uma criança! Quando vi que devia ter feito alguma coisa, ele já tinha sumido!

— Tu devia ter feito qualquer porra!

— Mas não fiz,'tá beleza? Porque tu 'tá bolado comigo, porra? Deveria estar puto com o vagabundo que espalhou essas merdas e com os idiotas dos filhos do merda do governador!

Encarei sua expressão furiosa enquanto pensava sobre o que ele havia dito. Era verdade que eu deveria estar com raiva dos dois filhos da puta, mas eu não conseguia deixar de pensar que o Marcelo também tinha uma parcela de culpa naquela situação.

Ele podia ter feito alguma coisa!

Mesmo sendo irracional pensar assim, já que ele era apenas uma criança e, em geral, crianças não pensam muito nessas coisas, era impossível não querer jogar a culpa em cima dele e não ter ódio de todos.

Respirei fundo e tentei organizar os pensamentos. Eu tinha ido ali com um motivo e um motivo somente.

— Tu vai me ajudar – Afirmei.

— Ajudar em que, cara? 'Tá maluco?

— Cala a porra da boca e me segue!

Esperava ansioso em uma rua atrás da escola, encostado no muro. Suspirava de cinco em cinco segundos, irritado com a demora daquele filho da puta. Quando estava começando a perder o controle dos meus sentimentos, Dênis apareceu naquela ruela deserta.

— Fala logo o que tu quer – Disse raivoso.

— Nem vou enrolar, já ‘tô sabendo de tudo que tu fez, seu desgraçado.

O moreno olhou para mim confuso por alguns instantes, até sua expressão se tornar debochada.

— Tu ‘tá falando daquele viadinho? – Riu com desgosto – Viado nasceu pra apanhar, sabia? Talvez aí ele vire homem.

Ao ouvir aquilo, me senti extremamente afetado. Em um segundo, já estava quase perdendo o controle e, quando percebi, já jogava seu corpo pesado contra a parede e segurava com ambas as mãos em seu pescoço.

— Seu irmão é um desses viados. Eu também. O que acha de apanhar de alguém assim, ahn? – Comecei a enforcá-lo enquanto sentia minhas emoções completamente fora de controle.

Até que levei um soco e cai no asfalto. Levantei desnorteado antes que Dênis viesse pra cima de mim e me afastei. Passei a mão no rosto para tentar colocar as ideias em ordem.

— Tu não tem nada a ver com essa história, caralho! – Gritou ele – Não me diga que está querendo comer aquela bicha? – Falou com repulsa – Ou pior! Apaixonado por ele?!

— Estou mesmo! – Berrei de volta, sentindo meu coração batendo forte por ser a primeira vez que eu admitia aquilo para alguém que não fosse o próprio Grey – E eu já comi, se quer tanto saber! E foi maravilhoso, gostoso pra caralho, tá!

Num instante, um punho se chocava contra minha face e eu sentia todo o meu rosto pegar fogo. Sangue escorria pelo meu lábio e nariz. Me afastei dele mais uma vez, que tentava me acertar de novo.

— Você é um filho da puta! Como você pode quase matar alguém por algum capricho seu?!

— E daí?! – Gritou – Eu deveria ter cortado mais fundo os pulsos daquela piranha! Assim, não teria que olhar para a cara do filho da puta que destruiu a vida do meu irmão! É uma pena que ele não morreu! Eu quero infernizar, destruir a vida dele!

Depois de ouvir aquilo, não pude mais respondeu por mim. Minha consciência ia se esvaindo cada vez mais. Quando dei por mim, estava jogado no chão, com as mãos molhadas em uma mistura do meu sangue com o de outra pessoa.

Marcelo me dava um tapa no rosto, me sacudindo enquanto gritava.

— Acorda, maluco! Tu ‘tá louco?! ‘Tá querendo matar o filho da puta?! Tu vai parar na cadeia assim, porra! Caralho!

Meio tonto, me sentei no meio fio, passando as mãos ensanguentadas pelo rosto. Agora que estava mais consciente, todo aquele fedor de sangue e a sensação gosmenta daquele líquido vermelho fazia com que lembranças terríveis invadissem minha mente. Comecei a tremer enquanto olhava ao redor e via Dênis desacordado e sangrando.

— Logan! Vamo dar o fora daqui, vem, anda! Já consegui gravar tudo o que aquele merda falou. Ele não vai mais mexer com o Grey. Vem – Agarrou o meu braço e saiu me puxando, mesmo que eu ainda estivesse em estado de choque.

Minha mente era um grande branco e eu só sabia tremer. Eu tinha feito aquela coisa de novo.

— Tá tudo bem. Fica aqui, tá ligado? Vou buscar alguém e depois vou socorrer o desgraçado do Dênis antes que algo pior aconteça.

Ele me deixou naquele banheiro que ninguém ia, o mesmo lugar onde Grey quase havia partido dessa pra melhor, quem sabe. Nem percebi como havia ido parar ali, só sabia que estava, agora, sentado no chão, com os joelhos encostados no peito, a cabeça entre as pernas, as mãos agarrando meus cabelos.

Me balançava pra frente e pra trás, tentando assimilar aquilo tudo e ordenar aquela bagunça interna. Não conseguia definir o que era eu e o que não era. Tremia e soluçava, mesmo que nenhuma lágrima saísse dos meus olhos.

O rosto do meu irmão quando cheguei naquele lugar naquele dia, o rosto de Dênis desacordado, a expressão de horror e medo de Alice quando a ameacei. Tudo passava ao mesmo tempo na minha mente.

Quem era eu?

Quem eu era?

Violento. Louco. Masoquista. Descontrolado. Idiota. Idiota. Idiota.

Não sabia como estava conseguindo respirar. Meu peito doía e parecia que não entrava nenhum ar dentro dos meus pulmões. Não aguentei sustentar aquela posição e acabei caindo de lado, me mantendo em posição fetal.

Em algum momento, senti alguém segurar minhas mãos, que, só naquele momento, eu percebia que estavam arranhando e rasgando a pele dos meus braços. Pisquei diversas vezes, tendo várias dificuldades em manter o foco e enxergar quem estava ali.

Depois de alguns segundos, vi que era Grey ali. Senti um pouco de alívio e acabei me jogando em seu colo, enfiando minha cabeça em seu pescoço enquanto tentava respirar direito. Aquele corpo, aquele cheiro me passava confiança. Muita calmaria.

Apesar de tudo, meu surto não passava. Suas mãos foram param nas minhas costas, passando os dedos de um lado para o outro em um singelo carinho. Eu o apertava cada vez mais eu meus braços.

Comecei a chorar. Cada centímetro do meu corpo doía, em pânico.

Eu estava indo tão bem, tão bem. Ia aos meus médicos, fazia o acompanhamento. Mas agora eu tinha noção. Tudo aquilo era apenas para me manter estável. Será que eu não tinha chances de me curar?

Eu queria que sim, queria tanto que sim. No final de tudo, só queria ficar ao lado dele, que me passava uma confiança inigualável, dos meus amigos e da minha família. Eu precisava ficar bem.

Enquanto molhava a sua camisa de sangue e lágrimas, sussurrava quase inconscientemente o quanto eu não queria que ele me largasse ali, o quanto eu queria ficar bem. E foi assim que acabei desmaiando no meio daquela crise.

Notas finais
MUITO OBRIGADOOOOOOOOOO ADORO VOCÊS DEMAIS