OTHALA, A RUNA DA SEPARAÇÃO

11 Capítulo 10 - O DRAGÃO E O CORVO!


Notas iniciais
❤Galera, amada!!! Mais um capítulo, após um longo tempo sem escrever e postar. Peço desculpas pela demora. ❤Agradecimentos do fundo do meu coração a todas e todos pela paciência e pelos recadinhos inbox, especialmente à Mililika que lá em março me deu um puxãozinho de orelha. * risos Não se preocupem, não desisti desta e nem das outras fics em andamento.

Escamas e penas, negror e silêncio,

Urge que tua boca renasça e cale,

enquanto eu trilho o caminho da imortalidade.

—Poema viking-

A lua cheia foi ocultada por nuvens negras, enquanto dentro das casas, as lareiras estavam acesas deixando o ambiente quente e abafado. O prazer de beber e comer retornara e todos se reuniam ao redor das mesas fartas, onde as carnes e pães enchiam o ar de aromas e o riso corria solto junto das histórias sobre o que acontecera e como o Corvo fora derrotado.

Pandora levantou-se da tina de água quente e sentiu uma forte fisgada, seguido de um líquido escorrendo entre as pernas. Um gemido baixo escapou de seus lábios e ela sorriu, chamando Alna.

— E-Está na hora. Chame Guthrum! – disse ela.

No mesmo instante, Alna obedeceu, deixando as tarefas que iniciara, enquanto Pandora caminhava devagar em direção ao quarto.

Radamanthys havia saído, novamente, para verificar, mais uma vez, as terras ao redor da casa. Após a batalha com Jamian e Asulf, decidira dobrar a vigilância. Olhou para o alto, visualizando o céu claro e estrelado. Respirou fundo e pensou em Minos e Alone. Já fazia muito tempo que ambos estavam fora, assim como Hades e os outros. Pensou em oferecer um sacrifício aos deuses, agradecendo a vitória e também pedindo o retorno de sua família à salvo e logo.

— Senhor! Sua esposa está com as dores!

A voz feminina o trouxe para o presente de forma abrupta.

— Já?

— Sim, acabei de chamar Guthrum.

— Eu estou indo. – disse o viking.

— Deve esperar, meu senhor. – falou Alna.

Os olhos dourados brilharam e as palavras saíram firmes, de modo a não serem questionadas.

— Eu quero estar ao lado da minha mulher quando a criança nascer.

Alna não rebateu a fala, apenas baixou a cabeça e assentiu quando Radamanthys colocou-se ao seu lado.

Na cabana, Pandora cerrava os dentes e gemia baixo. As dores do parto pareciam dilacerá-la por dentro. Fortes contrações começavam e paravam em um ritmo exaustivo. Guthrum permanecia ao seu lado cantando, enquanto uma serva enxugava sua testa com um pano úmido e a outra a ajudava a sustentar-se de cócoras.

Pandora fechou os olhos, seu corpo estava encharcado de suor...

— O bebê está vindo, faça força quando eu disser! – falou Guthrum.

Assentindo com a cabeça, Pandora apertou com força os dentes e se preparou. Quando Guthrum ordenou, ela obedeceu e gritou, fazendo força. As brasas da fogueira brilhavam lançando sombras sobre a face contraída, por onde o suor escorria em abundância.

— Empurre senhora! – ordenou a parteira, pressionando as palmas das mãos sobre o ventre da jovem guerreira. – Força! Empurre agora... Isso!

Radamanthys entrou naquele exato momento e posicionou-se ao lado de Pandora, o olhar viril emocionado quando segurou-lhe a mão com firmeza e ternura. A guerreira sorriu antes de morder com força um pedaço de couro colocado em sua boca.

Um grito alto de dor cortou o ar e a cabecinha apontou, assim como o resto do corpinho, logo em seguida. O choro forte do bebê fez todas as mulheres sorrirem e Radamanthys experimentar uma emoção que superou tudo o que havia vivido desde então.

— É um menino! – gritou Guthrum.

Assim que o cordão foi cortado, o bebê aninhou-se no peito da mãe, procurando o seio para mamar. Todos sorriram e lágrimas de felicidade escorreram dos olhos violáceos de Pandora e também dos de Radamanthys. A guerreira olhou para a criança e sorriu. Elevou a mão e tocou a cabecinha suja de sangue.

— Ele é perfeito e tem todos os dedinhos... – sussurrou o guerreiro com emoção explícita na voz.

— A deusa nos honrou com uma criança saudável... – falou Pandora, ainda ofegante. – Como vamos chamá-lo?

— Que ele seja tão aguerrido e valente quanto à mãe dele. Vamos chamá-lo Valentine. – disse Radamanthys.

— Valentine... – repetiu Pandora tocando o rostinho do filho.

As mulheres se olharam e Guthrum as dispensou, deixando os três aproveitarem aquele momento íntimo, antes de apresentar a criança aos outros e festejar.

Em seguida, a vidente elevou a cabeça, como se estivesse farejando algo no ar. Sua expressão mudou da alegria para a preocupação. Seu neto precisava de ajuda e ela daria o seu melhor!

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Sorento sabia que estava diante de alguém poderoso, embora jovem. Seus olhos focaram no corpo esguio em postura guerreira, embora não portasse uma arma mais contundente e sim, apenas um punhal. O mago mais velho uniu os dedos indicador e médio, traçando um círculo no ar e proferindo as palavras:

— Tar, Dragon! Tabhair dom do neart agus do chumhacht! (Venha, Dragão! Dê-me sua força e seu poder!)

Uma figura etérea e gigantesca se materializou no amplo espaço do salão. Os olhos reptilianos, em um dourado vivo, fixaram-se em Sorento e depois em Minos que franziu o cenho ao vislumbrar tal criatura. O corpo era gigantesco e coberto por escamas brilhantes e avermelhadas.

No entanto, havia uma graciosidade naquela criatura que, ao invés de assustar, encantou Minos. Sem demonstrar medo, o jovem mago retirou a adaga que carregava junto ao corpo e passou-a sobre a palma da mão, traçando uma linha que se encharcou de sangue. Ele não proferiu palavras de encantamento, apenas olhou para o corte e invocou a força de Odin.

Sorento pegou a flauta, um sorriso discreto denunciava que ele se achava em vantagem. No entanto, quando aproximou o instrumento dos lábios, notou que fios de luz haviam se grudado nele. Franziu o cenho ao constatar que eles o impediam de controlar a flauta e ficou ainda mais surpreso quando ela lhe foi arrancada.

Foi a vez de Minos sorrir e Sorento se preocupar. Ele não estava brincando, porém ainda não usara toda a extensão de seu poder, não achava que aquele bárbaro exigiria tal ato. Porém, a situação pedia uma nova postura e ele iria fazê-lo.

Dragon dheargdhearg, extrude, defeat an fear seo i mo ainm! (Dragão vermelho, expulse, derrote este homem em meu nome!)

A criatura abriu o que parecia ser um par de asas transparentes, cujas veias finas pareciam pequenas raízes distribuídas em toda a extensão do membro. Um estrondo retumbou, parecendo sacudir a todos, menos Sorento.

Minos não era experiente, sua magia vinha naturalmente, como se, aos poucos, sua conexão com a sabedoria ancestral de seu povo começasse a invadi-lo sem prévias explicações de funcionamento. Quando a criatura abriu as asas, foi como se algo dentro de si estivesse sendo oprimido, queimado, dilacerado... Por alguns segundos, seu coração acelerou de tal forma que parecia querer sair pela boca. Então, viu a si mesmo saindo do corpo físico e, de repente, transformou-se em milhares de corvos!

O dragão foi atingido pela massa de pássaros negros e sua imagem oscilou, como se estivesse sendo sugado para outro lugar.

Sorento recuou, sentindo na pele um arrepio intenso e doloroso, como se o crocitar das aves tivessem se transformado em pequenas lâminas afiadas...

— Maldito... – sussurrou para si mesmo.

Minos sentiu que voltava ao corpo físico no exato instante em que Sorento recuperava sua flauta e a levava aos lábios. O som saído do instrumento penetrou na mente do jovem mago viking fazendo-o experimentar uma dor excruciante. Tudo começou a ficar nublado, como se a bruma dos campos estivesse ali ocupando os espaços...

O jovem mago caiu de joelhos, a dor se intensificando e fazendo-o cerrar os dentes. A manobra de sair do corpo, impedida por aquele som que invadia seus ouvidos e mente de um modo enlouquecedor.

Triunfante, Sorento elevou o tom das notas musicais fazendo com que Minos começasse a sangrar pelo nariz e ouvidos. Faltava pouco para acabar com aquele bárbaro, pensou.

Minos não conseguia pensar, nem mesmo se defender daquele ataque. No entanto, sua alma viking não ousava se entregar. Agarrando-se num pequeno fio de sanidade, tocou o solo com a mão ensanguentada. Seu rosto estava crispado com a dor, o sangue escorria do nariz e ouvidos... Então ele pediu, ofegante:

— Odin... Aumente meu poder... contra o inimigo. Eu... lhe ofereço... um sacrifício de sangue!

Ditas as palavras, levou a mão ao olho direito com o intuito de arrancá-lo como o próprio Odin fizera. Entretanto, antes que concluísse a ação, a visão de Guthrum diante de si o fez estancar. Ela lhe estendeu o próprio olho, o rosto vincado, uma cratera escura e profunda onde antes havia o órgão da visão. Ofegante, Minos quis recusar, mas sua avó continuou firme, colocando nas mãos do neto, a oferenda que lhe ampliaria os poderes...

— Odin... Minha avó... sangue do meu sangue... se une a mim! Ouça-nos, Pai!

O salão começou a tremer e, das mãos de Minos, milhares de fios luminosos formaram uma grande teia luminosa e pulsante. Sorento cambaleou frente aquele tremor e sua flauta despedaçou-se como se uma força dentro dela tivesse emergido com total violência.

— P-Por Merlin! Que poder é e-esse?!

Rachaduras começaram a surgir nas paredes, nada conseguia permanecer imóvel. Sorento encarou Minos e, antes que tentasse reagir, uma visão turvou-lhe os olhos e ele precisou decidir que rumo daria, não só para aquele embate, mas também à sua história de vida pessoal...

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Offa beijou Misty com força, como se a culpa por sentir-se enamorado do escravo não mais existisse nele e o corpo belo que se desnudava para si fosse capaz de absorver aquele sentimento proibido. A festa terminara e agora podia liberar seu desejo do jeito que imaginara e que o fizera ter várias ereções cujas vestes mal conseguiam ocultar...

Segurando os pulsos do jovem com uma das mãos, o rei passou-os por cima da cabeça do escravo e acomodou-os na almofada cheia de brocados. Sua respiração estava ofegante e seus olhos pareciam com os de um ébrio.

— Está ansioso, meu rei... – sussurrou, rouco, o escravo.

— Vi como despertas a luxúria nos homens... Até mesmo aqueles que dizem ser imunes ao poder de sedução o desejam. Mas, você é meu! Somente meu! Diga-me, tens algo que desejas? Uma joia, um agrado... qualquer coisa menos a sua liberdade. – falou Offa sentindo seu membro tão duro que chegava a doer.

Um sorriso lascivo distendeu os lábios rosados, aumentando a excitação do rei.

— Sou somente seu, rei Offa... E não desejo outra coisa, senão servi-lo... joias não me interessam... No entanto, tenho um desejo secreto e proibido, mas ainda assim, eu o tenho.

— E o que seria? – perguntou Offa passando a ponta da língua pelo lábio inferior de Misty.

— Temo falar... – disse Misty fingindo uma timidez que não lhe era característica.

— Diga... – reiterou o rei.

Misty aproximou os lábios do ouvido do rei, a voz sussurrada acompanhada pelo hálito quente e aliciante.

— Desejo tê-lo... meu senhor. – falou, enquanto arranhava de leve, o abdome que, embora não fosse musculoso, ainda assim era rijo.

O rei cerrou os olhos, ainda mais excitado. Jamais havia sido passivo no sexo, pois feria a regra mais importante de um homem que nascera para dominar. No entanto, sob o olhar hipnótico do escravo, ousou imaginar-se sendo penetrado por ele. Como seria entregar-se, pela primeira vez?

Misty percebeu que, mesmo sendo proibido, o rei cogitava a experiência oferecida, podia senti-lo ofegar e enrijecer, enquanto mantinha os olhos nublados pelo desejo. Então, levou a mão ao membro pulsante, roçando os dedos nas veias expostas... Sua vaidade o levava a desejar ver até onde aquele homem orgulhoso e cruel iria.

— Sei que não devo ter este desejo... Estou arriscando ser açoitado por tamanho atrevimento e me submeto ao castigo, meu senhor... Mas, perdoe-me, não consigo deixar de pensar em como seria adentrar o corpo de um homem que nasceu sob a estrela da vitória. – emendou piscando, vagarosamente, os cílios longos.

Offa murmurou algo baixo e, então, virou o corpo, fazendo com que Misty ficasse por cima. O belo escravo sorriu e o beijou de forma lenta e profunda. O rei perdeu-se na boca ávida, enquanto afastava as pernas e sentia o membro do amante pulsar junto ao seu.

— Faça. – ordenou Offa.

Com uma expressão de surpresa, Misty esfregou-se no membro excitado e, quando sentiu o corpo do rei estremecer, posicionou-se e o beijou, colhendo o ofego de dor que Offa soltou ao ser penetrado. Em seguida, agora com um olhar de triunfo, moveu-se devagar, enquanto ondulava os quadris para ir cada vez mais fundo...

— Estou machucando-o? – perguntou rente aos lábios entreabertos.

O rei não respondeu, apenas levou as mãos às nádegas alvas e redondas, cravando seus dedos nelas como a instigar que Misty se movesse. O escravo obedeceu ao toque e o penetrou mais fundo, sentindo as paredes estreitas comprimi-lo, prazerosamente.

— Ah, meu rei... Que prazer Vossa Alteza está me proporcionando... – falou Misty enquanto movimentava-se contra o corpo do amante, agora de um modo alucinado e bastante rápido.

Offa gemia, o corpo respondendo às estocadas do escravo, uma torrente de sensações se construindo dentro de si. Por um lado, era doloroso, mas por outro o fazia sentir um prazer extremo que parecia tirá-lo da obrigação de sempre comandar e dominar. Sentiu-se mais leve, embora o suor que brotava em sua pele pelo esforço em corresponder ao ritmo de Misty fosse a prova que aquele momento único jamais poderia se repetir...

O escravo impôs um ritmo rápido, deixando Offa ofegante de prazer e surpresa.

— Só... não goze dentro! – ordenou o rei.

Misty mordeu o lábio para não rir. Nem mesmo Offa escapara dos seus caprichos e ainda assim, achava-se no controle. Pobre rei...o colocaria aos seus pés, nem que fosse por alguns instantes de sua breve existência!

— S-Sinto muito, meu rei... És tão delicioso que eu...

O clímax veio e Misty grunhiu derramando-se dentro do corpo do rei, enquanto o mesmo gemia abafado, enquanto jatos de sua semente molhavam o torso belo do escravo.

Erguendo-se sobre os braços para admirar o prazer se revelando no rosto de Offa, junto do constrangimento de ser fodido por quem acreditava ser um escravo, Misty ouviu passos fortes e decididos. Sua experiência como guerreiro avisou-o que a hora havia chegado... Aqueles passos pertenciam ao homem que acabaria com o único empecilho ao sucesso de Luis V, seu rei e amante.

— Perdão e adeus, meu rei... Agradeço a honra de ter se submetido ao meu desejo, mas creio que a nossa relação acaba aqui! – disse Misty saindo de forma abrupta do interior de Offa.

O rei, ainda aturdido com o orgasmo não compreendeu o que estava acontecendo.

— Misty! – chamou ele.

Foi o tempo de o belo escravo pegar sua túnica e presenciar a entrada de Hades no aposento. Um sorriso malévolo desenhou-se nos lábios bem feitos e um olhar firme acompanhou a fala em tom tranquilo:

— Ele é todo seu!

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Sorento gesticulou, tentando livrar-se do emaranhado de visões e sensações que lhe acorreram como se fossem milhares de flechas disparadas, ao mesmo tempo. Uma cena, em particular, o fez estancar. Hades chegara aos aposentos de Offa e tinha mais dois homens com ele. Julian e alguns guardas chegaram, logo em seguida. Conhecia a força do amante, mas temia pela ferocidade conhecida do viking.

Minos encarou-o, sentindo a hesitação do mago mais experiente. De imediato, milhares de corvos se materializaram, novamente, agora voando na direção de Sorento que murmurou baixo:

Ceocháin de Avalon, a ghlacadh dom ríg!(Névoas de Avalon, levai-me até o rei)

O mago desapareceu junto da névoa que envolveu os corvos. Com o cenho franzido, Minos fechou os olhos, visualizando o local onde Hades estava. O jarl havia chegado aos aposentos do rei, assim como a guarda real. Forçou um pouco mais e viu que Hades não estava sozinho, Lune e Aiacos estavam com ele. Sentiu um pouco de alívio e tratou de procurar Alone. Viu-o correndo nos corredores, indo em direção ao local onde seu pai estava. Um guarda percebeu o menino, porém nem teve tempo de barrá-lo, pois um punhal certeiro rasgou o ar indo parar em cheio na garganta do homem. Não pode evitar sentir orgulho e mais uma dose de alívio. O menino já era um guerreiro, não havia como voltar atrás.

— Alone, seu pai está perto, mas não vá até ele, ainda. Deixe-o terminar o que veio fazer! – falou Minos.

Enquanto ainda corria, Alone ouviu a voz de Minos dentro da cabeça. Acostumado com o poder do mago e amigo, o menino sorriu e passou a andar com cuidado e mais devagar.

Com um movimento rápido, Julian empunhou a espada e o homem atrás de si avançou com a sua, ambos atacando Hades e seus homens, ao mesmo tempo e sendo recebidos com extrema agilidade.

Hades golpeou o comandante na altura do ombro, mas foi interceptado na metade do movimento com um chute desferido na direção de seu peito.

Um dos soldados puxou empunhou a espada e investiu direto na altura do rosto de Aiacos que desviou e pegou-o pelo pulso, encaixando um golpe que quebrou seu braço na altura do cotovelo e o fez cair em cima do companheiro que acabara de ter a mão decepada por Lune e segurava a ferida aberta com os olhos arregalados e arfando, quase em choque, devido à perda de sangue.

Silenciosamente, Julian atacava com uma rapidez espantosa fazendo surgir faíscas azuladas do contato violento entre as duas lâminas. A defesa, também rápida, de Hades mostrava que ambos eram fortes e guerreiros de alto nível, fazendo com que o intento do viking esbarrasse na habilidade do comandante da guarda. Nenhum dos dois dava trégua um ao outro. Então Hades gritou e deu um salto no ar, elevando a espada acima da cabeça e descendo-a em um movimento espiralado, fazendo Julian recuar dois passos com a força do choque e ter sua espada partida ao meio.

Maldição! Pensou enquanto buscava um substituto para a sua espada e via seus soldados terem as cabeças arrancadas de seus corpos com uma precisão digna de um carrasco, fazendo um caminho de sangue que se projetava nas colunas e no chão de pedra. Os corpos sem vida desabaram como se fossem simples objetos e, o sangue rubro escorreu pelo chão. Depois, virando-se para à sua esquerda, viu-se, novamente, frente ao viking que sabia ser o líder. Hades era um homem de pele alva e olhar agressivo. Seu porte físico era mais avantajado que o seu e Julian sabia que ele estava ali para matar o rei.

— Não vou deixá-lo tocar o rei, bárbaro dos infernos!

Hades fitou-o com escárnio.

— Eu não vim tocar no seu rei, eu vim matá-lo! E caso não tenha notado, não possui nenhuma arma para me impedir!

Um brilho gélido acentuou-se nos olhos de Julian. O que o viking dizia era verdade, mas ele não era comandante, apenas no nome. Ele sabia lutar e sua mente era sagaz e estratégica. Encarou Hades, levando a mão às costas, onde sempre guardava um punhal.

Hades sabia que estava diante de um adversário de valor, mas não o suficiente para impedi-lo. Olhou na direção de Offa que continuava nu, esperando o desfecho, embora estivesse com uma espada na mão. Na posição em que se encontrava, ele poderia dispor da arma em favor de Julian. No entanto, ele não parecia disposto a arriscar.

— Seu rei parece confiar mais em si mesmo que em você. – disparou Hades.

Julian sentiu o olhar penetrante e desafiador de Hades. O comandante nunca estivera em uma situação semelhante, mesmo já tendo combatido bastante. Aquele bárbaro não parecia humano. Havia uma aura selvagem, porém quase sobrenatural nas ações e na forma como ele movia a espada. Ficou encarando aqueles olhos azuis acinzentados que não desviavam, em nenhum momento, dos seus, sentindo um leve estremecer na mão que buscara o punhal estendendo-o na direção do viking.

Hades inspirou e elevou a espada, girando-a sobre o próprio pulso, movimento que indicava que ele ia atacar. Julian continuou segurando o punhal com força. O viking moveu o corpo e preparou-se para eliminar o obstáculo que se interpunha entre si e Offa.

Lune e Aiacos estavam dando conta do restante dos soldados, então com um último grito de guerra junto ao ataque empreendido, Hades estocou num movimento calculado e a cena que Julian vislumbrou foi a lâmina afiada encontrar uma barreira que impediu a sua morte: Sorento estava à sua frente e segurava a lâmina ensanguentada entre as mãos...

— Não! – gritou o comandante.

Hades sentiu a espada estancar, como se estivesse sendo contida entre as mãos delicadas do mago. Sorento cerrava os dentes, enquanto impedia o amante de ser morto. O jarl franziu o cenho, encarando o rosto daquele que o salvara da morte. Julian avançou com o punhal em riste, sendo impedido de prosseguir por um fio luminoso e diáfano que imobilizou-lhe a mão.

Com um movimento de cabeça, Hades seguiu com o olhar até a origem do fio luminoso. Seus olhos encontraram os de Minos e, por alguns breves instantes, ambos se perderam um no outro... Surpresa, saudade e aquela conexão única que os unia de um jeito quase trágico!

— Vá. – disse Minos e Hades retirou a espada, voltando-se para dentro do aposento.

Sorento gritou, porém Minos usou de todo o seu poder para mantê-lo afastado. Julian concentrou-se no amante, ignorando o apelo silencioso para que protegesse Offa.

— Vou ajudá-lo a resistir... salve o rei. – sussurrou Sorento.

Julian estremeceu, interiormente. O olhar de Sorento encontrou o seu e ele soube que o mago faria de tudo para impedir a morte do rei. Sentiu-o apoderar-se da energia ao seu redor, os lábios delicados murmurando palavras que não entendia, mas sabia ser um encantamento ainda mais poderoso. Mais uma vez, o dragão surgiu, agora parecendo fundir-se ao corpo de Sorento. O comandante foi afastado do fio luminoso e os olhos do mago adquiriram uma tonalidade escarlate e vibrante como o fogo.

Minos encarou-o, novamente, sentindo a mesma vibração que parecia separar sua carne dos ossos. No entanto, sabia que Hades estava perto de concluir sua missão ali e faria tudo para que ele tivesse sucesso. Fechou os olhos e inspirou, visualizando os fios que saíam das suas mãos se expandindo até criar uma imensa teia que se lançou sobre o dragão envolvendo-o como se fossem as asas de um corvo. A criatura rugiu e tudo estremeceu...

Ofegantes, ambos os magos experimentavam o exaurir do corpo. Sorento mantinha o dragão ao seu lado, mas a criatura já não lhe oferecia a sustentação desejada. Minos, por sua vez, exigia de si mesmo uma força que fazia ferver o sangue e, aos poucos, parecia roubar-lhe a própria vida.

Não permitirei que ele interfira! Nem que para isso, eu tenha que lutar até o último sopro de vida... Pensou Minos, enquanto o destino de Hades e de todos os seus companheiros jazia em suas mãos e talvez, lhe custasse a vida...

Notas finais
❤ ♥ Mais uma vez, um super agradecimento a quem lê, espera, lê no celular, cobra, enfim, comentam, favoritam, recomendam, silenciam e me enchem de carinho!!! MUITO OBRIGADA!! Próxima postagem, último capítulo!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.