Notas iniciais
**❤**Continuação de a RUNA BRANCA DE ODIN, esta fic vai mostrar um pouco mais deste universo viking. ❤ 👸❤Obrigada a todas que tornam esse sonho possível e concreto, seja comentando ou silenciando.

O crepitar da lareira e a luz bruxuleante das tochas banhava os corpos dos guerreiros com tons avermelhados. O salão estava quente e a movimentação contribuía para aumentar a temperatura. Não era, porém, uma reunião para partilhar refeições ou comemorações. A expressão de cada rosto era de preocupação e raiva, enquanto o mensageiro fazia o seu relato.

– Wulfgar está morto. É isso que você está querendo dizer? – perguntou Hades.

– Sim, jarl. E sua filha Hilda foi aprisionada.

Hades estava sentado à grande mesa, o rosto impassível. Instintivamente, ele apertou o cabo da adaga que Wulfgar o presenteara no dia em que trocara votos com Minos. “Admiro o seu destemor, Hades. Como membro do félag, eu me ofereço para negociar com o rei Offa. Assim, não precisaremos chamar outros clãs. Tome, este é o meu presente pela sua união, mesmo que isso me pareça uma loucura. Esta adaga está comigo há muito tempo e defendeu minha vida em diversas ocasiões. Espero que ela o defenda tão bem como serviu a mim!”

Wulfgar, o cara cortada, como era conhecido. Ele não temia dizer o que pensava e estava sempre pronto para uma batalha. Era um líder respeitado em seu clã, um pai generoso e um guerreiro que empunhava respeito. Ele e Hades tinham as suas diferenças, mas os dois acabaram desenvolvendo uma forte amizade, baseada no fato que ambos tinham planos de tornar seus clãs mais independentes e prósperos.

– Como aconteceu?

– Quando nosso navio aportou na costa da Nortúmbria, soldados do rei estavam nos esperando. Eram muitos, parecia um enxame de insetos. O mensageiro deles disse para Wulfgar entregar as armas como prova que estava vindo em paz. Ele o fez, mas assim que ele entregou seu machado, os soldados o prenderam. Ele ainda tentou reagir, mas era tarde demais. Foi feito prisioneiro e o rei mandou executá-lo, após um julgamento rápido.

– Qual tipo de execução?

Houve uma pausa na fala do mensageiro e todos prenderam a respiração.

– Ele foi amarrado em dois cavalos e... esquartejado. Depois, arrancaram a cabeça dele e deixaram o resto do corpo exposto aos cães e corvos.

O ambiente ficou carregado, alguns arfaram, outros praguejaram. Havia dois clãs cujos líderes eram muito próximos de Wulfgar, a expressão deles exalava um ódio palpável e, parte dele, parecia direcionado para Hades.

– Como você sobreviveu, Styr? – perguntou Hades com uma voz fria, olhando-o bem dentro dos olhos.

– O-O rei d-disse que eu deveria trazer a resposta dele a quem enviou Wulfgar para a negociação.

Hades franziu o cenho e seus olhos se fixaram no embrulho que Styr trazia. Então ele compreendeu e um gosto amargo lhe veio à boca.

– A resposta está neste embrulho, não é? O rei me enviou... a cabeça de Wulfgar. – falou Hades, enquanto se levantava.

– S-Sim, jarl. – respondeu o homem.

Os guerreiros se aproximaram com os olhos arregalados e os corações cheios de pesar. A morte por execução privara Wulfgar de conquistar seu lugar na mesa de Odin. Ele não adentraria o Valhala como os guerreiros mortos no campo de batalha.

– Você não devia tê-lo deixado ir sozinho. – gritou Jamian do clã do corvo.

Lune franziu o cenho, enquanto Aiacos e Radamanthys se olhavam. Pandora não estava presente, pois acordara indisposta e estava se tratando com Guthrum.

Aldebaran olhou feio para Jamian e pousou a mão no machado preso ao cinturão, em uma advertência silenciosa. Rorik tocou o ombro do amigo, enquanto os demais olhavam com terror e ira para a cabeça revelada em meio ao embrulho sangrento. O rosto do guerreiro morto mostrava os sinais de espancamento, os olhos abertos tinham uma expressão vazia e o sangue coagulado permanecia nos cantos da boca aberta.

Halfdan se manifestou:

– Wulfgar vai ser vingado! Vamos formar um exército e invadir a Nortúmbria!

Hades ouviu em silêncio, sua mente analisando a atitude do rei. Era tempo de plantio, a maioria dos clãs estaria semeando ou cuidando dos rebanhos para que não faltassem alimentos no inverno. Se convocasse um ataque, poucos homens estariam disponíveis. Teria que contar com os karls e oferecer-lhes uma boa recompensa para que o acompanhassem. Isso desestabilizaria as aldeias e os deixaria expostos.

– Não. – disse Hades.

Todos se voltaram para ele com a incredulidade.

– Como? Além de deixá-lo ir sozinho, ainda permitirá que a morte de Wulfgar passe impune? – gritou, novamente, Jamian.

– Prestem atenção, este rei espera que nosso desejo de vingança nos cegue. É tempo de plantio e estoque de alimentos. Se convocarmos os outros clãs para atacar agora, deixaremos as aldeias desprovidas e frágeis.

– Então, o que faremos? – questionou Aldebaran.

– Formaremos um pequeno grupo de assalto e iremos até a fortaleza do rei. Styr esteve lá, ele nos dará as informações que precisamos para invadir. Este rei maldito vai suplicar pela morte e nós vamos dá-la a ele, de forma lenta e dolorosa. Juro pelo sangue dos meus ancestrais e pelo sangue de Odin.

Ao terminar sua fala, Hades passou a lâmina da adaga na palma da mão, olhando para cada um dos guerreiros, ali presentes. Imediatamente, todos eles fizeram o mesmo e, ao selarem o pacto de sangue, estavam se colocando como candidatos ao grupo seleto.

Minos entrou no salão no exato momento em que Hades levantava a mão pedindo silêncio.

– Aqueles que eu escolher, aprontem suas armas. Rorik as deixará afiadas.

– Quando partiremos, jarl? – perguntou Halfdan.

– Daqui a três luas.

Mais uma vez, os homens bateram os punhos e urraram em aprovação.

– Será uma vingança apropriada. Wulfgar será honrado como deve ser. – disse Rorik.

– Isso será mais que vingança, Rorik. Mostraremos a este rei que não está tratando com imbecis e que ele devia ter aceitado a oferta que mandamos ao invés de agir com deslealdade.

Radamanthys se aproximou.

– E quanto à filha de Wulfgar? Será que ainda está viva?

– Se estiver, nós a resgataremos. Eu quero que fique aqui, desta vez, Radamanthys.

O guerreiro franziu o cenho.

– Teme que eu não corresponda?

– Não. Você é um dos melhores guerreiros que tenho sob o meu comando. O caso é que Pandora não está doente, ela está grávida.

– Grávida? Mas... Ela não disse nada.

– Ela também não sabia. Achou que já tinha passado da idade de gerar um filho. Guthrum deu-me a notícia há pouco, antes da reunião.

Um sorriso largo escapou dos lábios de Radamanthys. Um filho!

– Preciso da permanência de homens fortes por aqui, caso haja demora em executar a missão. Não incorrerei nos erros do passado deixando o clã exposto. Posso contar com você?

– Claro, jarl.

– Eu não estou doente, estou grávida! Radamanthys e eu podemos muito bem ir com o grupo. – falou Pandora passando por um corredor humano e entrando na conversa.

Hades olhou-a sério.

– Existe tempo para todas as coisas, Pandora. Seu momento é outro e não pode mais pensar, somente em si mesma. Sempre valorizei a sua força como guerreira, mas agora é diferente. Aceite ou tire a criança.

A guerreira bufou.

– Está louco? Acha que vou matar meu próprio filho?!

– De nada adianta levar uma gravidez adiante se não se conscientiza que seu papel neste clã mudou.

Pandora levou a mão ao ventre. Ainda era muito cedo para sentir o bebê, mas algo nela sinalizava que seu irmão estava certo. Radamanthys se aproximou dela, confortando-a.

– Eu estou ao seu lado.

Ela o olhou ansiosa, mas em seguida assentiu. Hades os deixou e foi ter com Minos que o aguardava perto da mesa. O jovem estava sério e o jarl percebeu-lhe a inquietação.

– Vai mesmo atacar o rei com apenas alguns homens?

– É o único jeito, não posso dispor de um exército e não posso deixar este rei aliciar mercenários. O próximo passo dele é atacar as aldeias, então tenho de impedi-lo.

Minos tocou-lhe a mão.

– Atacar o rei vai exigir que vocês saibam muito bem onde estão pisando. Esse tal Styr não me parece muito inteligente. Não acredito que ele tenha observado algo importante.

Hades elevou uma sobrancelha.

– Está preocupado?

– É óbvio.

– Vou levar homens experientes. E a única informação que preciso de Styr é quanto ao número de soldados na fortaleza. O lugar eu conheço, estive lá uma vez quando mais jovem.

– As coisas podem ter mudado.

– Existem coisas que não mudam. – disse Hades tocando o ombro de Minos.

Jamian se aproximou, neste momento. Os olhos esbugalhados fixos em Hades e Minos.

– O que foi Jamian? – perguntou Hades.

– Eu não concordo com isso. Pra mim, tudo o que está acontecendo é um castigo dos deuses! Não é certo um homem se unir a outro deste jeito que vocês dois fizeram.

– Não veio aqui para isso e não vou admitir desrespeito em minha casa. – disse Hades e seu tom, apesar de calmo, continha uma nota de agressividade.

O guerreiro olhou para Minos com desprezo.

– Faça como quiser. Meus homens não irão com você e creio que existem outros clãs com o mesmo pensamento.

Os olhos de Hades adquiriram um brilho perigoso e frio. Ele se aproximou de Jamian sem deixar de encará-lo.

– Sinta-se à vontade para partir.

Um assovio e os homens que estavam com Jamian se reuniram em um canto. Logo em seguida, eles deixaram o salão.

Minos voltou-se para Hades que parecia não se importar com a saída dos homens. O jarl olhava para a cabeça de Wulfgar que continuava em meio ao embrulho ensanguentado. Você será vingado, Wulfgar. O rei que o matou pagará caro por ter tirado de você a honra de banquetear-se com Odin.

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Hilda estava sentada no chão, diante do fogo, com os braços ao redor das pernas dobradas. Seus olhos estavam fixos nas chamas ondulantes e ela fazia força para não sucumbir às lágrimas que lhe vinham aos olhos. Meu pai está morto! Morto por minha culpa!

– O rei quer vê-la agora.

Com o canto dos olhos, Hilda viu a silhueta de uma mulher madura que se portava com altivez. Ainda não entendia a razão de tal tratamento, afinal seu pai fora executado. Então, porque ela continuava ali como se fosse uma hóspede e não uma prisioneira? Foi então que viu a vara fina que parecia ser de carvalho, nas mãos enrugadas da mulher.

– Levante-se! – disse a mulher com uma voz rouca, enquanto brandia a vara nas mãos como se fosse bater em seu corpo.

Eu poderia estrangulá-la com facilidade... Pensou, enquanto se levantava e encarava a mulher com ódio. Entretanto, controlou-se para ver até onde iria aquela situação.

Quando entrou no salão, Hilda ergueu a cabeça. As vestes de guerreira não escondiam as curvas do seu corpo feminino e houve um burburinho quando ela estancou e encarou o rei.

– O que quer de mim? Por que não mandou me executar junto com meu pai? – disse ela com destemor.

O rei Offa levou a mão ao queixo. Seus olhos azuis claros analisaram Hilda, demoradamente.

– Porque você, minha cara... tem meu sangue nas veias. Seu pai violentou uma de minhas filhas e eu, finalmente, o fiz pagar por tal ousadia.

Os olhos de Hilda se arregalaram expressando indignação e incredulidade.

– Isso não é verdade! Meu pai nunca... Minha mãe não era nobre, ela...

– Era uma de minhas filhas bastardas, mas ainda assim com meu sangue. Seu pai a tomou como amante, aquele bárbaro imundo!

Atônita, Hilda olhou em volta. Não havia muitas pessoas ali e todos pareciam muito à vontade diante do seu rei.

– Eu lhe darei a chance de ficar ao meu lado e me servir. Ou prefere ser vendida no mercado de escravos? Uma mulher como você, certamente faria a alegria de muitos...

A frase, seguido de uma gargalhada retumbou no grande salão e, juntamente com ela, o zunido de um punhal arremessado com perícia fez a risada de o rei morrer na garganta. Um pouco mais à direita e ele estaria morto, não fosse o fato que Hilda desequilibrou-se no momento em que puxou a arma de dentro da roupa e a lançou na direção de Offa. De imediato, dois soldados a agarraram com força, fazendo-a dobrar os joelhos e cair ajoelhada no chão de pedra. A mulher com a vara bateu em seu rosto, deixando uma marca avermelhada na bochecha esquerda.

– Maldito! – esbravejou ela.

– Vejo que há mais sangue bárbaro em você, do que imaginei. Levem-na e lhe deem dez chicotadas! Veremos a audácia dela, depois disso!

– Os clãs vingarão meu pai! Você morrerá! – gritou Hilda, o peito arfando de ódio.

O rei gesticulou com impaciência e a mulher madura com olhos de águia aproximou-se dele.

– Dobre-a! – disse ele.

A mulher sorriu de um jeito malévolo.

– Sim, meu rei. A tigresa se transformará em uma gata submissa. Pensou ela sentindo um arrepio de prazer só em imaginar o corpo alvo sendo marcado pelos inúmeros instrumentos que ela usava para acabar com qualquer resquício de rebeldia.

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O céu estava escuro.

Raios e trovões criavam efeitos de luz, enquanto o vento fustigava as árvores e plantas. De repente, em meio à tempestade, um grande buraco se abriu na terra e um estrondo ensurdecedor se fez ouvir. Parecia um trovão, mas logo se transformou em uma risada.

Uma mão cadavérica, seguida de um rosto carcomido pelos vermes se revelou, arrastando-se para fora do imenso buraco. O corpo parecia desconjuntado e fazia um barulho de correntes arrastando.

– Quem é você?

– Não está me reconhecendo? Não reconhece o seu próprio pai?

– Guilty?

– Há!Há!Há!Há! Sim, maldito! Sou eu, seu pai! Eu voltei do Inferno de Hela só para ver a sua cara quando tudo terminar! Aproveite enquanto pode!

A respiração acelerada e o suor acompanharam o seu despertar do sonho. Seu coração batia tão forte que pulsava nos ouvidos. Quando ele abriu os olhos, ainda ouvia a risada ecoando em sua cabeça.

– Hades! – murmurou assim que seus olhos se abriram.

Ouvindo a si mesmo, Minos compreendeu que tudo não passara de um pesadelo. Olhou para o lado da cama e ele estava vazio. Quando fazia menção de levantar, Hades retornou.

– O que foi? – perguntou o jarl.

– Nada, apenas um sonho. Acordei e você não estava.

Hades encarou-o, os olhos adquirindo uma intensidade que Minos já conhecia. Ainda era de madrugada e o ar estava frio, porém Hades estava nu e ele também. Ambos dormiam assim, sentindo o corpo quente um do outro.

– Não consegue dormir? — sussurrou Hades apertando o amante contra o seu corpo e beijando-o com ardor, saboreando os recônditos da boca que o acolhia, enquanto deslizava as mãos ao longo das costas do jovem antes de agarrá-lo pelas nádegas e apertá-lo, ainda mais contra si, fazendo-o sentir o membro rígido e viril bem desperto.

Minos entregou-se ao ardor que tomava conta do seu corpo como uma maneira de tirar de dentro de si aquela sensação ruim deixada pelo pesadelo. Fechou os olhos e se deixou invadir pelo prazer em estar nos braços de Hades, ao ímpeto da língua que se enroscava e devassava a sua. Sentiu a pele arder e, ao mesmo tempo, arrepiar-se quando a mão larga e áspera do jarl acariciou seus mamilos, fazendo-os enrijecerem...

– Eu estou preocupado com...

A boca que lhe beijava o pescoço retornou aos seus lábios e calou o que Minos ia dizer e ele perdeu-se nas carícias que prosseguiram ávidas. A impressão de ter espirais de fogo devorando-o o fez arquear o corpo ao encontro das mãos de Hades, enquanto sentia-o mover a língua em sua boca no mesmo ritmo sensual que imprimia ao dedo imiscuindo-se entre suas nádegas e mergulhando em sua entrada.

Naquele instante, tudo evanesceu... Hades continuava a mover-se, esfregando-se em seu corpo, tomando-o para si, enquanto olhava-o com admiração e desejo.

Então Minos tomou-lhe os lábios entre os seus e ouviu-o gemer e abraçá-lo com força, deitando-se entre as suas pernas que se abriram trêmulas para acolhê-lo.

E, enquanto o beijava, profunda e lentamente, Hades tornou a acariciar Minos com voluptuosa intimidade antes de penetrar fundo em seu corpo. Depois, ao sentir que o amante projetava o torso para trás e cravava os dedos em seus ombros com a respiração se alterando, mergulhou dentro dele, arrancando um grito abafado.

Minos cerrou os dentes, mas a dor se foi quando Hades tocou-o no ponto prazeroso dentro de si. O jovem sorriu e ofegou, instigando o jarl a mover-se. Hades ergueu o quadril até quase se separar dele, para em seguida enterrar-se novamente nas profundezas estreitas que o acolhiam e faziam seu membro sentir um extasiante prazer. Outra vez... e mais outra...as estocadas iam ficando mais rápidas e tanto Hades, quanto Minos gemiam e se abraçavam, suados, enlouquecidos, devorando um ao outro...

O jovem sentia não só o membro de Hades, mas cada pedaço dele fazendo parte de si e o desejo o fez abrir mais as pernas para recebê-lo, desejando-o ainda mais profundamente.

Hades ia e vinha...os quadris se chocando...mais rápido...mais forte...mais fundo...A cama movia-se e os acolhia em meio aos lençóis que já estavam amassados e moldados pelos corpos. Os movimentos, junto com os beijos e carícias frenéticas foram ampliando os gemidos, até o corpo de Minos se enrijecer e estremecer fazendo-o grunhir e derramar-se no tórax de Hades.

Olhando-o nos olhos, Hades sentiu o corpo banhado pelo sêmen quente e estremeceu, a virilidade latejante que preenchia Minos se contraiu e um gemido gutural se perdeu no aposento quando ele atingiu o clímax, logo em seguida.

Pelo longo e terno tempo em que o sentiu junto de si, Minos repetiu para si que não havia nada a temer. Hades apertou a mão de Minos e a colocou sobre o peito fazendo-o sentir o seu coração batendo aceleradamente.

– Veja o que faz comigo... – sussurrou ele junto aos lábios entreabertos do jovem.

– Você faz o mesmo comigo. Nunca me deixa terminar uma frase. – disse Minos.

– Durma e não se preocupe. – falou Hades acariciando as costas de Minos.

– Não ouse se afastar da cama. – disse o jovem fechando os olhos e colocando a perna sobre a do amante.

Hades sorriu e cerrou os olhos. Enfiou o rosto nos cabelos de Minos e apertou-o consigo, até ambos adormecerem, exaustos.

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Guthrum olhou para a bruma que permanecia baixa sobre os campos. Ainda estava escuro, mas logo o sol sairia. Ela acendeu a tocha à entrada da cabana e colocou água para ferver. Havia sonhado com o filho que abandonara, Guilty, o traidor. Ele ria com o rosto disforme, exalando o cheiro pútrido da morte.

Tomou a sacola com as runas, fechou os olhos e entoou um canto, enquanto a fumaça das ervas, colocadas no fogo, se elevava. Neste momento, Minos entrou e os olhares se encontraram. Ela fez sinal para que ele se sentasse.

– Eu tive um sonho. – disse ele.

– Eu também. – respondeu Guthrum, após um longo suspiro.

A mesma sensação que tivera com o pesadelo fez Minos se levantar e fixar os olhos nas espirais de fumaça que se elevavam das brasas. Estava acordado, dizia a si mesmo, mas, ainda assim, algo ruim parecia acompanhá-lo como uma sombra.

– Vó... – era a primeira vez que ele a chamava assim.

– Fale, meu neto.

– Estou com um mau pressentimento. O que as runas dizem sobre a ida de Hades para atacar o rei?

– Tome. Jogue você mesmo. – disse a vidente estendendo a sacola com as pedras rúnicas.

– Eu?

– Sim, você. Uma vez eu lhe disse que você possuía uma arma diferente da espada. Lembra-se disso?

– Sim, mas...

– Jogue as runas. – disse ela apontando para a pele esticada sobre o chão.

Minos obedeceu. As pedras criaram um desenho que lembrava a ponta de uma flecha e, uma delas, destacava-se das demais. Instintivamente, ele olhou para a runa e algo dentro de si estremeceu.

– Essa runa... O que ela significa? – ele perguntou à vidente.

Os olhos esbranquiçados fitaram-no com pesar.

– Esta é Othala, a runa da separação!

Notas finais
*❤*Agradecimentos especiais a todos que passarem por aqui e derem uma conferida!Muito obrigada pelo enorme carinho!!! *❤*A trama da fic foi baseada nas runas e aqui o significado do título:Othala é a Runa da ruptura radical.Este é o momento para caminhos separados. Peles antigas devem ser mudadas, rejeitados os relacionamentos obsoletos. Quando esta Runa aparece numa jogada, é requerida a separação de algo.