OPERA Survivors

10 Pensar significa sobreviver - Capítulo 9


Notas iniciais
Nem sempre encarar os mortos cara a cara é a melhor opção, para sobreviver é preciso pensar, e isso é de extrema importância para que esses sobreviventes consigam sair desta enrascada onde estão encurralados.

16 Dias após o Dia-Z, em algum lugar do Brasil ,nos fundos de um shopping que leva a um estacionamento amplo que também divide o antigo local de compras com as ruas da cidade.

Rapidamente Matt e Dark fecharam as portas deixando apenas uma fresta, por lá eles ficaram vendo o movimento dos zumbis na rua. Ali dentro todos estavam apreensivos de que os mortos pudessem estar rodeando todo o shopping por causa dos barulhos de disparos anteriormente, o silencio foi quebrado quando Matt sussurrou.

— Eles tão se afastando.

— O que? — Perguntaram quase ao mesmo tempo Gohu e Laís que não tinham ouvido.

— Eles tão se afastando. — Ele repetiu. — Parece que alguma coisa chamou a atenção deles, estão indo para o mesmo lado tipo... pra esquerda.

— Para o sul? — Perguntou Yan tentando entender o “pra esquerda” e se lembrando de onde o sol estava se pondo, o que viram anteriormente.

— Acho que sim, deve ser isso, sul mesmo.

Matheus tentou olhar pela fresta também, mas não conseguia, sua posição tornava a vista bem limitada.

— Quantos vocês podem ver? — Matheus perguntou.

— Lembra quando a gente foi barrado por eles e teve que dar a volta com o carro? — Dark respondeu com esta pergunta.

— Sim. — Matheus já mudou sua feição ao responder, como se o que viesse a seguir nem precisasse de resposta, mas se não fosse disto tentaria não acreditar nessa possibilidade, ele nem mesmo percebeu quando fechou a mão devagar.

— Deve ter mais ou menos isso lá fora agora. Devemos esperar.

Yan, Gohu, Larry e Raquel arregalaram seus olhos de espanto, Dark havia dito que era melhor esperar, “o louco insano matador de zumbis com só um machado... Esta cagando de medo” pensou Larry, e embora seus pensamento tenha sido um pouco exagerado, estava correto. Dark fora capaz de enfrentar uma briga se fosse pego tomando seu machado de volta durante a noite, e com este enfrentou uma dúzia de zumbis como se fossem crianças no parquinho e encarou um homem armado sem pensar duas vezes antes de correr com seu machado para cima dele, o homem mais impulsivo, talvez até estupido, entre eles recuou diante do perigo. Eles não sabiam quantos mortos-vivos estavam lá fora, mas tinham certeza de que não gostariam de descobrir.

— Mas se a gente esperar vão vir mais deles pelo outro lado. — Constatou Júlia.

A garota tinha razão e isso fez Matheus cerrar os dentes, embora os outros não percebessem ele estava apreensivo, provavelmente com medo, mas essa era uma emoção que ele sabe que é contagiosa, então se conteve, porem não sabia como nortear o grupo naquele momento.

— Laís e Gohu. Será que vocês podem ficar na outra porta vigiando? — Perguntou Yan em um tom que mais parecia uma sugestão. E ambos assentiram com a cabeça. — Fiquem de olho lá, se alguns começarem a chegar perto matem, se forem muitos fechem a porta e nos avisem, teremos de dar um jeito de sair por aqui.

Dito isso os dois foram até a outra porta dupla e ali esperaram. A atitude de Yan acalmou um pouco Matheus, ele deu um revê suspiro de alivio por perceber que podia contar com ajuda em situações que necessitam de um pensamento rápido.

O som dos zumbis do lado de dentro do shopping começava a se acumular, e após alguns minutos m barulho foi ouvido e eles já podiam imaginar o que era, a “barreira” feita nas escadas já não existia mais, a tensão no local aumentou e os sons de passos e grunhidos no segundo andar já era audível.

Passos desordenados, sem ritmo, sem destino, mas com um objetivo em mente, se é que havia alguma mente naqueles cérebros. Se um morto-vivo chegasse ali na praça de alimentação talvez fizesse barulho e atraísse outros, o que seria péssimo para todos ali.

Raquel deixou uma lagrima escorrer pensando que o corpo de Roger a esta altura já devia ter sido totalmente devorado e dilacerado, a garota conhecia o amigo desde pouco antes de o mundo mudar, pelo menos, a morte dele não foi demorada e dolorosa como ela temia que pudesse ser a de todos os amigos ali. Devorado, em chamas e afogado, a garota imaginava que estes eram as piores formas de se morrer, exatamente nesta ordem. Mas ela gostaria de poder ter ele ali com eles por mais algum tempo, ao menos antes que a febre começa-se a fazê-lo delirar.

Um zumbi entrou na praça, mas não percebeu os sobreviventes, assim como a porta para a saída, aquelas também estavam com um fresta apenas, o morto trôpego andava arrastando uma das pernas, com um ombro deslocado deixando o braço solto e cravado entre o pescoço e o outro ombro uma faca. Gohu gesticulou com a mão para que Laís fizesse silencio e empurrou uma das portas por onde ele saiu.

Abaixado o rapaz sorrateiramente escondeu-se atrás de uma mesa que estava caída, esperou por uns instantes e quando o desmorto olhou para a direção oposta a sua ele se moveu até atrás de uma mesa e duas cadeiras que estavam de pé, novamente ele esperou e ao olhar para a entrada da praça viu outro zumbi, seu coração acelerou, pois ele achava que tinha sido visto, mas logo percebeu que não e se acalmou, teve de aguardar bastante a situação não estava mais tão favorável porque tinha de esperar a oportunidade de os dois zumbis olharem para outro lado, mas pouco a pouco ele se aproximou daquele primeiro que havia entrado na praça.

Em um movimento rápido ele estava atrás do trôpego morto-vivo e com este ainda de costas ele arrancou a faca que estava em seu deltoide e atravessou-a por sua orelha e rolou para traz de um dos balcões da praça. O outro zumbi olhou naquela direção ao ouvir seu “amigo” desfalecer no chão e deu alguns passos naquela direção. Ouvindo isso Gohu se preparou para executar mais um ataque, e quando ouviu os passos bem próximos se levantou dando passos em direção a próxima vitima, em um piscar de olhos desviou os braços do zumbi com sua mão esquerda e aproveitou a faca que arrancou do outro e cravou-a entre os olhos deste que também desfaleceu no chão, e rapidamente abaixou-se novamente. Olhou em não viu mais nenhum morto-vivo vindo para a praça, ao menos por enquanto, então voltou silenciosamente a seu posto de vigia junto a Laís.

Júlia tinha ido segurar uma das portas ao lado de Laís e viu toda a empreitada de Gohu, sentiu-se uma inútil naquele grupo. Ela sempre passou sua vida com preocupações normais, estudar, trabalhar, ter sua renda e sua casa, gostava de sair com os amigos e ler livros de suspense, ouvir musica com fones de ouvido e estudar para as provas para conseguir ao menos a media. Tinha uma vida normal, nada a preparará para aquela situação, embora tenha visto um ou dois filmes de zumbis, não estava preparada para aquilo, não sabia manusear uma arma nem tinha toda aquela habilidade de ser discreta e ágil, e matar alguém tão rápido, mesmo que não fosse mais uma pessoa viva, ela acreditava que não possuía a capacidade para isso, embora o mundo agora exigisse coisas assim.

Larry já começava a ficar impaciente, não por ansiedade em fugir, mas pelo que sentia naquele momento, sentia-se frágil e incapaz, quantos deles estariam lá fora? E aqui dentro? E se algo acontecer quantos de nós conseguirá sobreviver? Eu sobreviverei? Essas perguntas não saiam da cabeça do rapaz. Ele já havia perdido muitas pessoas, mais do que ele desejava, aquele mundo era assim agora, muitos morrem ajudando os outros, mas quem irá se lembrar deles? A pessoa que foi ajudada provavelmente, mas até quando ela estará viva para se lembrar? Larry já estava cansado dessa certeza. A única certeza que todos tem na vida, que é a morte. E os desmortos só vieram para acelerar o processo. Quando se esconderam naquela casa haviam muito mais pessoas naquele grupo, pessoas o bastante para talvez enfrentar todos os zumbis que estavam do lado de fora, mas um a um as pessoas foram morrendo, familiares, amigos, desconhecidos, e agora ali estavam eles em mais um momento de morte, ou morte.

Gohu havia saído para eliminar os zumbis para que estes não atraíssem mais, embora inútil era preciso para que se conseguisse mais algum tempo, mas era arriscado fazer isso novamente, ainda mais que os sons de passos ali no segundo andar estavam cada vez mais numerosos e mais altos.

Yan já começava a suar, suas mãos pareciam ter saído de baixo de uma torneira, a testa também já dava sinais de preocupação, mas assim como Matheus, ele tentava manter a calma, respirava fundo alguns momentos para que isso fosse alcançado. Ele engoliu seco quando percebeu que os gemidos e andar dos mortos estavam cada vez mais próximos do lado de dentro do shopping.

Os sons da proximidade dos zumbis já estavam fazendo todos se preocuparem, eles estavam cercados, de um lado estava um número desconhecido, mas que sabiam serem muitos por terem sido atraídos pelo som, do outro um número também desconhecido porem capaz de fazer o mais “corajoso” ou insano, de todos parar e recuar. Aquele corredor parecia ter confinado os sobreviventes para um destino certo, independente da escolha o resultado não seria agradável, e eles já estavam ali a tempo demais, ou talvez nem tanto tempo assim, já não sabiam dizer. Foi então que a voz de Dark rompeu com a tensão ali.

— Eles já estão longe, podemos ir.

— É também to achando isso, não vejo mais nenhum daqui, vamos lá. — Confirmou Matt.

Os outros sobreviventes deram um suspiro de alivio e foram até as portas que mais uma vez foram abertas. O sol não podia mais ser visto, embora deixasse parte de seu rastro com uma leve coloração alaranjada e turquesa em uma pequena parte do céu no horizonte. Os sobreviventes se certificaram mais uma vez de que não havia nenhum zumbi por ali, então cruzaram as portas e fecharam-nas.

Notas finais
Espero que tenham gostado, digam o que tem achado e o que acreditam que pode ser melhorado, criticas são sempre bem vindas. Espero não demorar mais para postar os capítulos, meu tempo livre agora esta maior.