OMNITRANIL (Ben 10 - Força Alienígena)
45 Vaso ruim...
― Veja só, velhote, ― Albedo virou levemente a cabeça em direção à Max sem tirar os olhos dos adolescentes, ― vieram te buscar. Infelizmente não poderemos continuar nossa conversa.
Albedo sabia que tinha a vantagem. Enquanto estivesse com o corpo desacordado do Magistrado Tennyson em suas mãos, ninguém ousaria atacá-lo.
Ouviu a voz rouca de Azmuth ecoar dos alto-falantes da espaçonave e propagar-se por entre as árvores:
― Albedo, seu garoto estúpido, pare imediatamente com essa insanidade!
Albedo respirava pesadamente. De seus lábios vaxasaurianos escorria um filete espumoso de satisfação. A pessoa que ele mais invejava e, até mesmo um dia chegou a admirar, agora estava vendo-o com o devido respeito que merecia. O sorriso cresceu ainda mais em sua face doentia.
― O que está dizendo, Azmuth? ― sua voz era como um rugido ― Nunca estive tão são quanto agora…
Albedo ergueu o corpo de Max, encarou-o com desprezo e disse:
― Ele tomou algo meu e nada mais justo do que eu tomar algo dele também, não acha?
Uma névoa gélida saiu por entre os dentes cerrados de Ben.
Azmuth ecoou:
― Superomnitrix, modo comando de voz.
Albedo ergueu levemente a cabeça em direção à espaçonave encanadora. Seu olhar trazia um certo grau de confusão.
O cientista continuou:
― Desacoplar superomnitrix, código de comando...
Albedo gritou desesperado:
― Pare, Azmuth!
― Zero, zero, zero...
― Não faça isso! ― Albedo colocou a mão livre sobre o símbolo do superomnitrix e abaixou os olhos.
― Liberar acoplamento, zero ― concluiu Azmuth.
O silêncio preencheu a floresta.
Os adolescentes contraíram seus músculos preparando-se para avançar.
Albedo permaneceu imóvel por alguns segundos e então ergueu a cabeça num sorriso ainda mais cínico:
― Acha mesmo que eu não desativaria esse comando na primeira oportunidade? Você me contratou como um de seus assistentes por um motivo e não foi pela minha beleza.
Num longo grito em que cada sílaba fora prolongada para deixar claro a intensidade de sua raiva, Ben urrou:
― Aaaaalbeeeeedooooo! ― Ao perceber que o alienígena o encarava, continuou de maneira firme e pausada ― Solte. Meu. Avô.
O alienígena encarou o adolescente com nojo.
― Por que você não vem buscar?
Mesmo com os olhos ardendo em fúria, um sorriso torto de deboche apareceu nos lábios de Ben.
― Buscar o quê? ― questionou Ben.
Albedo virou-se para seu troféu humano e assustou-se ao perceber que uma nuvem violeta encobria todo o corpo do magistrado. De sua mão que antes segurava a cabeça de Max, sentiu os dedos escaparem num aglomerado de fumaça.
― Mas o que é isso!?
Ergueu a cabeça em direção à espaçonave encanadora e entendeu que de alguma forma, Max fora teletransportado, pois agora seu corpo surgia de dentro de uma nuvem violeta na abertura da rampa de acesso. Uma feiticeira de cabelos prateados movia as mãos mantendo o corpo desacordado flutuando no ar, levando-o para dentro da nave.
― Desgraçados… ― disse Albedo.
Ele ergueu o braço direito, transformando-o num grosso cano de disparo múltiplo e mirou-o em direção à espaçonave.
Subitamente, uma forte pressão em seu abdome. Não tinha nada em seu estômago, mesmo assim sentiu que algum conteúdo líquido escapou por entre seus dentes cerrados. Algo o golpeou tão fortemente que fez deslizar seu enorme corpo para trás alguns metros. Abaixou a visão para o adolescente de corpo de obsidiana negra que se encontrava com o braço em riste no centro de sua barriga.
Albedo ergueu ambos os braços acima da cabeça para golpear Kevin quando uma maciça árvore, sendo usada como um taco de beisebol por Gwen e suas mãos mágicas gigantes, atingiu toda a parte superior de seu corpo alienígena.
Com o impacto, a árvore partiu-se em dois, lançando cada metade para um lado da floresta. Albedo sentiu a visão turvar e escurecer. Desequilibrava-se, com sua cabeça e tronco inclinando-se para trás. Piscou os olhos algumas vezes tentando retornar a visão e então um vulto de asas apareceu no céu. Não conseguia definir o que era, mas se antes havia asas agora não tinha mais. E estava se aproximando. Uma criatura humanoide, com dois braços e… Espere um pouco, dois não, três braços.
Ben adicionara um musculoso braço vermelho na parte inferior de seu lado direito. Seu primeiro braço direito transformado em rocha magmática de pyronita, brilhava intensamente. Segurou a cabeça e o pescoço de Albedo ao mesmo tempo e empurrou-os em direção ao chão com brutalidade o suficiente para fazê-lo quicar uma vez contra o solo. Por fim, liberou toda a energia acumulada em seu braço de Chama numa poderosa coluna de fogo.
◇───────◇───────◇
Dentro da espaçonave, Encantriz transportava o corpo de Max Tennyson flutuando como numa maca médica invisível. Eunice agilmente removia os pedaços de armadura que ainda restavam acoplados a ele. Seguiram rumo ao quarto adaptado para tratamento médico e, assim que a porta automática se abriu, braços mecânicos saíram de dentro do recinto para receber seu paciente. Azmuth se encontrava junto aos monitores médicos, digitando protocolos e avaliando os primeiros sinais vitais que eram obtidos pelos braços mecânicos.
― Senhor Azmuth, ele está pálido e o pulso está fraco!
― O computador da espaçonave já está iniciando os protocolos de ressuscitação volêmica, mas o que me preocupa…
Azmuth virou-se em direção ao corpo de Max que era posicionado na cama médica. Encarou o grave ferimento de seu braço direito. Havia sinais de queimadura e importante danos às estruturas de ossos e músculos. Mesmo que encontrassem o braço de Max, o que parecia na verdade ser impossível, talvez não houvesse ali condições de ser reimplantado.
― O que vocês estão planejando pro velho? ― questionou Encantriz.
― Primeiro estabilizá-lo e― ― disse Eunice antes de ser interrompida.
― Sim, isso eu sei, tô falando do braço dele.
― Fechar a ferida, certo, Sr. Azmuth? ― Eunice encarou o cientista.
― Você tem alguma outra ideia, minha jovem? ― Azmuth direcionou a pergunta para Encantriz.
― Não. Não tenho. É que conheço um feitiço arkhenio que ajuda a fechar feridas como essa de forma rápida mas-
― Mas? ― disse Azmuth
― Mas o velho não seria capaz de usar nenhum tipo de prótese depois.
― Como assim?
― É um feitiço criado por vítimas de guerra, num momento em que não se pensava que haveria próteses. Ele fecha a ferida e retira do cérebro da pessoa a existência daquela parte do corpo, assim a pessoa não sofre depois pela falta do membro perdido. É como se a pessoa já tivesse nascido sem ele.
Os braços mecânicos atuavam incansavelmente, posicionando máscara para oxigenação, obtendo acessos venosos para infusão de soros, enquanto o sangue da transfusão era preparado. Os monitores apitavam num ritmo regular e rápido.
Azmuth ficou em silêncio por alguns instantes perdido em pensamentos.
― Senhor Azmuth?
― Perdão, Eunice, é que eu sinto que não estou tendo boas opções para ajudar o Max nesse momento.
― Não temos nenhuma prótese aqui, senhor, então fechar a ferida é a melhor opção antes que ele entre em choque.
― A armadura… ― disse o cientista, mais pra si do que para quem lhe ouvia.
― Perdão?
― Pensei na armadura galvaniana. Pegar o braço direito dela e colocar nele, mas sua estrutura não é compatível com a anatomia humana.
― Agora que o senhor falou, me lembrei de algo! ― disse Eunice empolgada. ― Temos um Arquiteto aqui na nave!
― O quê?
― Um Arquiteto. Quando eu e o Magistrado pousamos em Galvan B, utilizei do dispositivo Arquiteto para modelar a paisagem da lua ao redor da espaçonave e nos camuflar. Podemos usá-lo para alterar a estrutura da armadura numa prótese.
― Excelente ideia, Eunice, pois traga-o imediatamente!
― Sim, senhor! ― Eunice atravessou a porta em direção ao corredor.
― E você, minha jovem, conseguiria nos ajudar a reparar os tecidos lesados para que ele possa receber a prótese?
― Quanto tempo vocês vão demorar? ― questionou Encantriz ― Esse ferimento dele está muito feio pra continuar sangrando assim, eu posso diminuir um pouco o dano, mas sem algo pra ligar uma ponta a outra ele vai sangrar até morrer.
― A anatomia humana não é tão complexa assim, devo conseguir estruturar uma prótese em alguns minutos.
Encantriz encarou o cientista com uma expresão de “certo, seu metido arrogante” e direcionou a atenção à Max. Fez seu cajado aparecer em sua mão direita e então encolheu-o no tamanho de uma varinha de condão. Com ela, começou a desenhar círculos ao redor da lesão.
Eunice entrou correndo no quarto trazendo em uma mão o cubo com feixes galvanianos esverdeados e na outra um dispositivo que lembrava o cruzamento entre uma torradeira, uma balança de pratos e um tablet.
― Aqui, senhor Azmuth, o Arquiteto e a outra armadura galvânica que restou.
― Ótimo, Eunice, agora preciso que você utilize seus conhecimentos de fisiologia para programar uma interface que se conecte ao sistema neurológico de Max, enquanto eu estruturo a anatomia da prótese.
Por alguns longos minutos, os únicos sons dentro do quarto eram os bipes das máquinas e dos braços mecânicos. Eunice digitava freneticamente num dos computadores médicos. Encantriz limpava a ferida e restaurava nervos e vasos que foram destruídos no ataque. Azmuth, por sua vez, mantinha as mãos por sobre um dos “pratos” do Arquiteto, deslizando os dedos por um holograma de braço humano enquanto o cubo galvânico flutuava, tremia e mudava sua forma para uma pirâmide ou dodecaedro sobre o segundo “prato”.
De repente, um dos monitores emitiu um agudo aviso acompanhado da voz monótona do computador da nave:
― Paciente com choque refratário a volume. Risco de parada cardiorrespiratória.
― Eunice? ― questionou Azmuth.
― Acabei, senhor.
― Muito bem, aqui ― Azmuth entregou o agora octaedro para Eunice em seguida disse para Encantriz. ― Estamos prontos!
― Certo, pode trazer.
Eunice pressionou um botão no dispositivo que transformou-se numa gosma gelatinosa enegrecida até firmar na estrutura perfeita de um braço direito humano. Posicionou a prótese na maca próximo da ferida e se afastou. Encantriz novamente tomou frente e ecoou:
― Cureta Vhart Dae.
Osso, músculos, nervos, vasos e pele começaram a crescer como se buscassem o lado oposto de uma ferida para se fechar. Ao tocar a superfície metálica da prótese, magicamente se fixaram aos seus correspondentes anatômico-mecânicos.
― E agora? ― perguntou Azmuth.
― Agora é com o velho... ― disse Encantriz.
◇───────◇───────◇
Assim que a coluna de fogo cessou, Ben ergueu-se e ficou de pé sobre o massivo tórax imóvel do vaxasauriano. Ele encarou o rosto queimado do alienígena. Era comum que dissesse alguma frase irônica após uma vitória, mas nada lhe vinha à cabeça no momento. Não estava no clima.
De repente sentiu que duas serpentes se enrolaram sobre seu abdome. Em seguida, um forte tranco puxou-o de cima do alienígena instantes antes que as mãos de Albedo se colidissem numa poderosa palma.
― Insetos malditos... – grunhiu Albedo.
Gwen que controlava as tais serpentes de magia, largou Ben no chão atrás de si que caiu sentado desengonçadamente.
― Não se distraia, Ben! – disse Gwen – Isso só vai acabar quando o superomnitrix sair do pulso dele!
Sentindo o ego ferido pelo deslize, Ben apoiou-se numa árvore ao lado e levantou-se do solo de terra fofa.
Albedo também começou a se erguer. Lentamente ele foi virando o corpo, apoiando um braço de cada vez no chão.
Kevin, que continuava revestido pela densa obsidiana negra, atravessou no meio dos primos partindo rumo ao vilão. Transformou sua mão direita numa enorme bola lisa e preparou-se para deferir um golpe.
O alienígena ergueu levemente um de seus braços e disparou três projéteis no chão próximo a Kevin, sem acertá-lo, erguendo uma parede de fogo e fumaça preta.
Kevin parou seu avanço, fechou os olhos e cobriu o rosto com os braços entrecruzados. Desprovido de visão, não viu a bola metálica de espinhos da cauda de Albedo vir rumo ao seu abdome. A obsidiana trincou. O corpo do adolescente foi arremessado no ar, passando por cima dos seus amigos e chocando-se contra as árvores.
Gwen, que havia virado levemente a cabeça para olhar Kevin, por uma questão de instinto projetou ao redor de si um grosso escudo esférico. Albedo havia avançado ao melhor estilo ataque de rinoceronte em uma velocidade impressionante para seu tamanho. O chifre sobre o nariz do alienígena perfurou o escudo, mas se manteve contido centímetros antes de atingir o tórax de Gwen.
Ela sentia seu coração pulsar freneticamente. Primeiro encarou o chifre, depois os olhos cheios de frustração de Albedo.
O alienígena então começou a balançar a cabeça enlouquecidamente para todos os lados, fazendo do escudo e de Gwen um enorme sino de guizo. Finalmente o escudo se desprendeu da ponta de seu chifre e a esfera voou para o lado, destruindo as árvores no caminho.
― Posso estar errado – disse Albedo virando a cabeça em direção à Ben Tennyson, ― mas tive a impressão de sentir meu chifre rasgando uma pele macia.
Ben cerrou os dentes emitindo um grunhido incompreensível. Seus olhos preencheram-se de um verde brilhante e, então, com um grito de fúria, lançou dois poderosos lasers em direção à cabeça de Albedo.
O alienígena defendeu-se com o braço esquerdo. Os feixes queimavam o seu couro duro levantando um filete de fumaça branca de cada ponto em que o atingia. Com o outro braço, mirou no adolescente.
Pressentindo um ataque, Ben interrompeu os lasers e metamorfoseou suas pernas nas de XLR8. Acelerou rapidamente para trás desviando dos dois primeiros mísseis que vieram em sua direção com um silvo agudo. Continuou recuando a cada novo disparo, mas o solo fofo limitava sua corrida. Esticou seu braço verde de Cipó Selvagem e agarrou o galho de uma árvore a uns bons metros de distância de si. Girou ao redor do galho e pousou sobre ele. Mal teve tempo de encarar seu oponente quando um dos mísseis atingiu o tronco da árvore, obrigando-o a saltar para a vegetação mais próxima.
Os sons dos mísseis explodindo ecoavam pela floresta. As chamas tomavam conta de uma árvore atrás da outra.
Kevin saltou por cima de um tronco caído e avançou por trás de Albedo. Seu corpo estava revestido de um vidro amarelado cheio de bolhas de ar presas em seu interior. Jogou os braços para trás e seus membros se transformaram em longas lâminas. Aproveitou que seu oponente estava ocupado atacando Ben e num giro duplo cortou ambos os tendões das panturrilhas de Albedo.
Sem estruturas tão importantes para sua sustentação, o alienígena imediatamente caiu de joelhos, apoiando o braço esquerdo no chão. Dois de seus mísseis ainda se encontravam no ar indo em direção a Ben.
“É a minha chance!” ― pensou Ben, saltando do galho.
Com braços de pinça do Estrela Polar, Ben magnetizou os projéteis e desviou-os para trás de si, girou os braços e alterou novamente o caminho dos mísseis, lançando-os contra o lado direito da cabeça e do tórax do vaxasauriano.
Albedo urrou e apoiou a outra mão no chão. Respirava pesadamente. Ergueu levemente a cabeça e viu uma silhueta feminina caminhando por entre as árvores vindo em sua direção. De repente, uma enorme mão feita de raízes surgiu do chão à sua frente, agarrando sua cabeça e puxando-a fortemente para baixo. Flexionou os músculos de seus braços, empurrando o solo abaixo de si. Com dificuldade, tentou novamente olhar a silhueta por entre as raízes.
Manchas violetas brilhavam pelo corpo da garota, muitas eram linhas retas como cortes. Seus cabelos levitavam como tentáculos de um polvo. Cada passo que ela dava em direção à Albedo, mais força a mão vegetal puxava a cabeça do alienígena.
― Maldita anodita... ― Albedo grunhiu com os dentes cerrados.
Faltando poucos metros para chegar até o alienígena, Gwen moveu as mãos abertas uma sobre a outra e encostou a polpa dos dedos médios uma contra outra, por fim, disse:
― Vindicta Gaia...
O chão tremeu e um punho fechado feito de raízes brotou debaixo de Albedo, socando-o em cheio no abdome. Com a força do golpe, o vaxasauriano ergueu-se alguns metros no ar e caiu estendido de barriga no chão com um forte estrondo.
Depois de tantos minutos com explosões, silvos de mísseis cortando o ar e árvores sendo estilhaçadas, finalmente o silêncio envolveu a floresta.
Kevin e Ben aproximaram-se de Gwen observando o massivo corpo do alienígena. Ninguém quis declarar a vitória. Aguardavam ansiosamente a destransformação do alienígena acontecer, mas ela não vinha. Ben desviou o olhar para os cortes violetas nos braços de Gwen, abriu a boca para falar quando sua prima lhe interrompeu:
― Eu estou bem. Já estão cicatrizando.
Ben acenou levemente com a cabeça e voltou a observar o alienígena caído.
― Desde quando esse maldito ficou tão resistente? ― perguntou Kevin.
― O Enormossauro já teria desfeito a transformação há tempos ― disse Gwen.
― Não é assim ― disse Ben, ― ele teria aguentado bastante também. Não vamos menosprezar...
O braço esquerdo de Albedo começou a deslizar no solo, mantendo a mão apoiada e levantando o cotovelo. Os adolescentes deram dois passos para trás e prepararam-se novamente para atacar. O alienígena apoiou o outro braço e ergueu o tronco de uma só vez. Encheu os pulmões e emitiu um alto e longo urro vaxasauriano para os céus. O som era de tal violência que obrigou os três jovens a cobrir as próprias orelhas para se proteger do ruído.
Assim que esvaziou todo seu pulmão, Albedo respirou profundamente mais duas vezes e então começou a rir.
― O que foi que deu nesse doente!? ― questionou Kevin.
― Não entendeu? ― disse Ben com uma expressão fria ― Ele está rindo de nós...
Sim, um riso insano e orgulhoso de “precisarão de muito mais que isso se realmente querem me matar”
◇───────◇───────◇
Nas profundezas da floresta, uma van blindada construída através de gambiarras de peças alienígenas criava seu próprio trajeto, quebrando galhos com o para-brisa e desviando das árvores.
― Vamos, Rhomboid, meu chapa ― disse Argit, sentado no meio do banco traseiro ― acelera essa lata velha!
Com sua voz fina característica, Rhomboid respondeu:
― Eu estou indo o mais rápido que eu consigo...
― Eu não sei, Argit ― disse Octagon. O Vreedle mais velho sentava no banco ao lado do motorista ― você acha que isso é uma boa ideia mesmo?
― É claro que não! Achei a ideia horrível desde o começo! ― respondeu Argit ― mas se todo mundo vai tá lá, é óbvio que eu quero dizer que participei também! O barulho está vindo daquele lado, vira pra direita!
A van fez uma curva fechada para a esquerda.
― Seu idiota, eu não disse direita?
― O Rhomboid sempre se confunde na hora de saber o que é direita e esquerda ― disse Octagon.
― E por que você o deixou no volante se nem algo besta como isso ele sabe?
― Octógono, eu já estou começando a ficar ofendido ― o Vreedle mais novo girou o volante para a direita, ― eu já posso jogar ele pela janela?
― Perái, Rhomboid, amigão, vamos com calma, eu não quis... ― Argit moveu a cabeça para os lados com uma expressão curiosa. ― O som parou.
― E pra onde eu vou agora? ― perguntou Rhomboid, freando a van bruscamente no solo fofo da floresta.
― Será que já acabou? ― disse Octagon, eu queria ter dado um tiro ou dois nele.
Um poderoso urro se espalhou pela floresta fazendo as paredes da van tremerem.
― Acabou nada! ― disse Argit apoiando a mão direita na poltrona do motorista e apontando a direção com a outra mão ― Vamos, Rhomboid, naquela direção.
A van cantou pneu com a aceleração brusca e seguiu em linha quase reta, rumo a origem do som.
― Cuidado, Rhomboid! ― gritou Octagon apontando para uma metade de árvore quebrada que se encontrava com a ponta fincada no chão, fazendo uma espécie de rampa.
Os pneus do lado esquerdo da van subiram pelo tronco erguendo o veículo no ar em direção às copas das árvores. Galhos e folhas cobriram o para-brisa ofuscando totalmente a visão dos passageiros que gritavam desesperadamente. Assim que atravessaram as copas, se viram indo de encontro à parte posterior da cabeça de um vaxasauriano supremo que ria enlouquecidamente.
Com um som surdo, o para-choque da van acertou a nuca do alienígena em cheio, empurrando-o seu rosto violentamente contra o chão.
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