OMNITRANIL (Ben 10 - Força Alienígena)
1 Escondido de quem?
Notas iniciais

O quarto de Benjamin Tennyson nesse exato momento se encontrava num estado de fazer inveja aos mais podres dos xilitecnianos: as janelas e cortinas fechadas deixavam o ar abafado e quente como uma sauna, os pratos com restos de alimentos espalhados pelo chão emitiam odores quase palpáveis de tão azedos e os objetos do quarto pareciam terem sido acertados por um tufão pois nada se encontrava posicionado onde deveria ficar habitualmente. A única luz dentro do local era a da televisão ligada ininterruptamente há três dias.
Sentado na cama, o grande protetor e herói do planeta Terra, Ben Tennyson, escondia-se debaixo da sombra de um edredom que lhe cobria da cabeça aos pés.
Do outro lado da porta trancada, ouviu-se uma voz de mulher dizer:
— Ben, querido, eu trouxe seu jantar — disse sua mãe.
Já está de noite... — pensou o garoto.
— Abre a porta, filho. Eu e seu pai estamos preocupados contigo.
O jovem permaneceu em silêncio.
— Ben, já faz três dias que você não sai desse quarto.
A senhora não entende... — ele pensou — Nenhum de vocês entendem!
Ouviu-se uma batida dupla de nós dos dedos na porta, acompanhada de uma voz masculina:
— Benjamin, sou eu, teu pai. Abre essa porta.
Com uma voz fraca, devido ao pouco uso, Ben diz:
— Vão embora...
— Vamos conversar, Benjamin — disse o pai. — Já tentamos falar com teu avô, mas ele não soube nos explicar o que está acontecendo.
Ben olhou para o relógio em seu pulso esquerdo e sentiu um leve tremor em suas mãos. Então gritou:
— Vão embora!
— Ben, só estamos preocupados com você, meu filho.
— Me deixem em paz! — Havia um desafino, típico de choro contido, na voz de Ben. — Só me deixem em paz...
O garoto não era capaz de ver, mas sabia que sua mãe teria abaixado a cabeça, olhando para o prato de comida em mãos, e seu pai a teria abraçado e apoiado seu queixo no topo da cabeça da esposa. Era a forma que ambos demonstravam preocupação e sensação de impotência para quem pudesse ver.
— Vou deixar sua comida aqui fora — disse ela.
— E quando estiver pronto para conversar — continuou o pai, — saiba que estamos aqui.
Nenhum pensamento de gratidão passou pela cabeça de Ben. Não tinha como. Não havia espaço numa mente envolta em medo e desespero. O jovem novamente olhou para o epicentro de seu sofrimento preso em seu pulso esquerdo. Uma memória voltou a ressoar no turbilhão de sua mente: “O Omnitrix é a arma mais poderosa do Universo.”
E como toda arma, ela serve apenas para ferir...
Uma vibração sobre o colchão e um foco de luz surgia da tela do celular avisando a chegada de uma nova mensagem. Era a Gwen, sua prima. Mais uma mensagem que se acumulava entre as 78 não lidas. 79 agora. 80. 81. Gwen e sua mania de dividir sua fala em várias mensagens menores. 82.
E então houve a explosão.
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