OMG! Meu Pai é um deus
37 Epílogo
Notas iniciais
Peter ajeitou o terno mais uma vez. Tentava não encarar o Loki, pois sentia o olhar do deus pesando sobre ele. Loki estava de braços cruzados, encarando o garoto com uma expressão indecifrável. Peter estava esperando Evie descer. Os dois iriam ao baile da escola juntos, mas Peter estava com tanto medo que estava prestes a sair correndo. Enquanto isso, Thor estava largado no sofá se entupindo de pipoca.
—Dá última vez que eu deixei a Evie sozinha com você ela quase morreu poucos minutos depois. — Loki estreitou os olhos e se aproximou de Peter de forma ameaçadora. — Se apenas chegar perto da Evie, será um inseto morto. — Peter engoliu seco.
— Loki, deixe o menino aranha em paz. — Disse Thor de boca cheia. — Ele é um bom humano.
—É Homem-Aranha. — Peter corrigiu, um pouco sem jeito.
—Então, menino aranha. — Deu de ombros. — Foi o que eu disse.
—Thor, o que está fazendo aqui, afinal? — Loki encarou o irmão.
— Eu vim pela comida. — Ele apontou para o balde de pipoca em seu colo. — E para assegurar que você não mate o namoradinho da minha sobrinha! — Loki arqueou uma sobrancelha.
—O que? Sr. Thor, de onde tirou uma coisa dessas? — Perguntou Peter nervoso. Thor soltou uma risada.
— Foi mal!
—Parker! — Disse Loki entre dentes e agarrou o garoto pela gola da camisa. — Fale a verdade.
—E-e-eu tô fa-a-lando a verdade! — Respondeu em choque.
— Está dizendo que o Thor está mentindo? — Vociferou, sacudindo-o, só pelo prazer de vê-lo se contradizer.
—N-não! — Gaguejou. — Quero dizer, sim…Sr. Thor, me ajuda! — Pediu. Thor soltou uma risada, decidindo se intervinha ou não.
— Está bem, está bem! — O loiro se levantou e se pôs entre Loki e Peter, fazendo o irmão soltar o pescoço do garoto. — Loki, você não pode matá-lo! A Evie nunca te perdoaria por isso.
— Eu posso apagá-lo da memória dela!
— Loki! — Thor vociferou. — Você está sendo infantil! — Loki largou o garoto, com muita má vontade.
—Tem razão. — Respondeu emburrado. — A Evie tem direito de fazer as próprias escolhas. Só seria uma pena se o Peter sofresse um aciden…
—Loki! — O loiro o repreendeu.
— Está certo! — Loki bufou. — Eu não vou me envolver nisso. — Peter massageou o pescoço onde as mãos de Loki tinham estado.
Poucos minutos depois, Evie apareceu na ponta da escada. Vestindo um vestido salmão claro e um tecido leve, marcado na cintura e rodado, pouco acima dos joelhos e os cabelos soltos.
— Oi, gente. — Ela sorriu logo que desceu as escadas. Peter esboçou um sorriso bobo.
—Evie, você está… — Peter desviou o olhar da menina quando percebeu que Loki estava o encarando. — Ótima! — Ela arqueou uma sobrancelha, encarando os três, desconfiada.
— Está tudo bem por aqui? — Perguntou por fim.
—Tudo ótimo. — Loki esboçou um sorriso falso.
—Uhum. — Peter concordou, tenso. Evie parou seu olhar sob seu tio. Ele cruzou os braços.
— Seu pai tentou matar o menino aranha! — Thor disse de uma vez só.
—Pai! — Evie exclamou, encarando um pai, que lançava um olhar fulminante para o irmão.
— Eu estava brincando. — O deus respondeu rindo. Mas, essa não era a verdade. — Não estava, Peter? — Ele deu dois tapas quase fortes demais nas costas de Parker.
—Sim. — Peter forçou um sorriso. Evie não se convenceu.
— Quando voltar vamos ter uma conversa séria. — Evie encarou Loki como se ela fosse sua responsável e ele a criança rebelde. — Não é legal matar as pessoas! — Loki revirou os olhos, entediado.
—Antes de ir, eu posso tirar uma foto? — Perguntou Thor animado, tirando um celular do bolso. — Eu adquiri essa coisa humana que vocês chamam de inteligente phone !
— Não seria Smartphone? — Peter corrigiu com cautela. Evie lhe lançou um olhar de “Não vale a pena tentar explicar”.
—Façam pose! — Thor fez sinal com os braços para que Peter e Evie se aproximassem um do outro para ele tirar a foto. Os dois se entreolharam, constrangidos. Loki cruzou os braços, inerte. — Loki, sai de perto, se não você vai sair na foto. — Loki bufou e se afastou um pouco mais. Thor ligou a câmera de seu celular e sua própria imagem apareceu. — Ué, por que a minha imagem está aparecendo aqui? — Perguntou confuso.
—Porque deve estar na câmera frontal, tio. — Evie explicou.
—Nossa, como eu estou bonito. — Disse o loiro enquanto se olhava pela câmera frontal. Loki revirou os olhos mais uma vez. — Como eu faço para fazer vocês aparecerem?
—Tem que mudar para a câmera traseira. — Peter respondeu. Thor franziu o cenho, confuso.
—Que? — Ele bateu o celular na perna, na tentativa de conseguir o que queria.
— Não. Não. Não assim. — Disseram os três em uníssono.
— Thor, não bata no celular. Ele não tem culpa da sua burrice. — Loki falou, mas não adiantou.
—Tio, é só clicar na tela!
—Que tela?
—Ah, me dá isso aqui! — Loki praticamente arrancou o celular da mão do irmão, visivelmente impaciente, e mudou a câmera. — Pronto! — Avisou logo após tirar a foto.
—Deixa eu ver! — Evie se aproximou e pegou o celular com cuidado, analisando a foto. — Acho que saiu um pouco tremida. — Ela mordeu o lábio inferior. — O que você acha, Peter? — Ele encarou a foto.
— É! Eu também acho… — Peter respondeu. Loki lhe lançou um olhar ameaçador. — Acho que tá ótima! — Se corrigiu rapidamente. — O senhor já fez curso de fotografia, sr. Loki?
— Vamos tirar outra! — Thor pegou o celular de volta. — Agora todo mundo junto. — Ele posicionou o celular para que todos aparecessem, inclusive Loki. — Ah, vamos, irmão. Melhore essa cara, seu velho rabugento! — Loki bufou. — Olha o corvo de Odin! — Thor sorriu e tirou a foto. — Ah, eu gostei dessa foto. — Comentou quase emocionado. Os outros três se entreolharam, incrédulos. — Olha só! Como as crianças crescem rápido. — Ele apertou uma bochecha de sua sobrinha. — Ontem mesmo era um bebê que eu brincava de jogar pra cima! — Loki franziu o cenho, confuso.
— Você nunca me viu quando eu era um bebê! — Evie cruzou os braços.
— Ssssssh! — Thor a repreendeu. — Não estraga o momento.
— É melhor a gente ir, Peter. Doidera é contagiosa. — Respondeu.
— Quero você em casa às dez! — Loki exigiu. A garota fez uma careta.
— Dez e meia? — Pediu.
— Nove e meia! — Loki respondeu sério.
— Mas…
— Nove em ponto! — Interrompeu seco.
— Mas…
— Se reclamar mais, não vai!
Evie cruzou os braços, emburrada. Ele conteve um sorriso, satisfeito. Os dois se despediram e saíram. Loki não esperou nem um minuto para falar.
—Thor, você vai me fazer um favorzinho!
Thor o encarou, já imaginando o que o irmão queria.
— Não! Eu não vou seguir a Evie! — Disse por fim. Loki revirou os olhos e usou uma de suas ilusões, transformando o loiro numa adolescente pequena, vestida com um vestido beje e saltos. Loki soltou uma gargalhada ao ver o resultado.
—LOKI! — Thor vociferou. Ele respirou fundo e bufou. — Você ainda vai me pagar por isso!
—Estou morrendo de medo. — Debochou. Thor encarou seu vestido.
—Será que pode pelo menos mudar a cor? Essa não combina com os meus olhos.
Loki revirou os olhos e trocou a cor do vestido para um verde água.
—Satisfeito?
—Vai ter volta! — Thor lhe lançou um olhar ameaçador antes de sair e bater a porta. Loki sorriu, satisfeito consigo mesmo.
***
Peter e Evie tinham acabado de chegar no baile da Midtown High School, com os braços dados, os dois pararam pouco a frente da entrada. Evie encostou a cabeça em seu ombro, distraída e Peter a abraçou. O salão estava todo decorado com luzes coloridas, moderadas, e uma decoração no tema da cidade de Paris.
— Eles capricharam esse ano. — Peter comentou, enquanto observava o lugar. Evie sorriu.
—Olha, se não é o meu OTP favorito! — Ned apareceu, chamando a atenção dos dois amigos.
—OTP? — Perguntaram em coro.
—É! — Ned revirou os olhos. — Casal.
—Nós não somos um casal, Ned. — Peter respondeu calmamente. Ned semicerrou os olhos, nem um pouco convencido com a resposta.
—Aham...Sei. — Ned riu. — Então, por que vocês estão abraçados igual esses casais de comédia romântica água com açúcar? — Questionou. Os dois se entreolharam.
—As pessoas se abraçam e nem por isso são um casal. — Evie respondeu e soltou Peter. — Veja — Ela abraçou Ned de um lado e Peter abraçou do outro lado, transformando o garoto quase num recheio de sanduíche. — Amigos se abraçam. — Ned franziu o cenho.
—Me engana que eu gosto. — Eles soltaram Ned, ambos sorrindo.
— Eu vou pegar um ponche. — Evie avisou, antes de se afastar. Ned esperou a garota estar longe o suficiente para falar.
—Tá bom! Pode falando, Peter. Me conta tudo que aconteceu no tempo que estive no hospital.
— Você já sabe. Nada demais. — Respondeu, fazendo-se de desentendido. — O Venom tentou nos matar, a Evie me convenceu a roubar um carro, destruímos um shopping, invadi a S.H.I.E.L.D, roubei um cristal, a Evie me beijou, o mundo foi quase destruído…
—Espera! — Ned interrompeu, boquiaberto. — A Evie te beijou? — Peter assentiu, contendo um sorriso. — Mano, finalmente você desencalhou!
— Ned! — Peter o repreendeu, embaraçado. — Eu não estava encalhado! — Acrescentou rapidamente.
—Cara. — Ned tocou o ombro do amigo. — Você estava mais encalhado que baleia na praia! — Peter riu.
—Porque você é super desencalhado, né? — Ironizou.
— Eu tenho meus contatos. — Sorriu. — Meu Deus! Agora você vai subir de patamar. De nerd normal, para nerd descolado que tem namorada. E eu vou ser amigo de nerd descolado que tem namorada, que por sinal é minha amiga e é sinistra para caramba. Sinistra no melhor sentido. — Ned estava perdido em pensamentos. Peter franziu o cenho. — Eu sinto cheiro da popularidade chegando.
— Não é porque a Evie me beijou que nós estamos namorando. — Peter respondeu baixo. Ned fechou a cara.
— Você é tão trouxa às vezes. — Suspirou. — O que está esperando para pedir? — Peter suspirou, confuso. — Só não faz ela desistir de você, tá bem?
Os dois interromperam a conversa quando viram Evie se aproximando. Ela tinha um copo cheio de ponche em uma das mãos. Peter e Ned se entreolharam.
— O que foi? — Ela perguntou.
— Nada! — Responderam em coro. Evie desviou sua atenção dos dois. Seus olhos pararam do outro lado do salão. Numa garota loira e com os olhos azuis um tanto familiares. Evie arregalou os olhos, pasma, enquanto a garota acenava para ela, enquanto roubava comida da mesa.
— Eu não acredito que ele fez isso! — Disse Evie, incrédula. Seus amigos a encararam, confusos.
— Quem fez o que? — Perguntou Ned confuso, mas Evie já estava atravessando o salão em passos largos. Os dois a seguiram, mesmo sem entender. Evie parou de frente para a loira, que escondia canapés no vestido verde água.
— Tio Thor! — Evie disse quase entre dentes. Ele, ainda na forma de adolescente, a encarou, assustado.
— Pera aí, esse é seu tio? — Ned arqueou uma sobrancelha.
— O próprio. — Evie cruzou os braços e Thor forçou um sorriso.
— Eu não sou seu tio. Eu sou uma garota, não está vendo? — Ele fingiu não estar entendendo.
— Ah, é? E qual o seu nome? — Peter questionou, séptico. O deus abriu a boca algumas vezes, tentando pensar numa resposta rápida.
— É THOR-iana. — Gaguejou. Evie revirou os olhos. — Tá bom! Sou eu. — Suspirou, frustrado. — Mas foi seu pai quem me obrigou!
— Vai pra casa, tio!
— Certo. Mas eu vou levar mais comida. — Disse antes de esconder mais canapés no vestido. — Boa festa. — Cantarolou antes de desaparecer das vistas deles.
— Acho que eu nunca mais vou reclamar da minha família. — Ned suspirou. Evie soltou uma risada.
A festa continuou e a música preenchia todo o ambiente, luzes coloridas piscavam. Jennifer Johnson convidou Ned para dançar e o mesmo aceitou, animado. Depois de alguns minutos, Evie e Peter decidiram dançar também. Todos os alunos estavam se divertindo e o ambiente estava leve e descontraído. Peter parou de dançar, sentindo um arrepio na espinha.
— O que houve? — Evie franziu o cenho, preocupada. Peter a fitou, pensando na possibilidade de mentir.
— Eu tive uma sensação bem ruim. Daquelas.— Sussurrou, referindo-se ao sentido aranha. Evie olhou ao redor, para conferir se algo de errado estava acontecendo.
— Eu não senti nada. — Respondeu no mesmo tom. — Não se preocupe com isso. Não tem mais perigo. Acabou.
— Então, por que eu sinto que o perigo está tão próximo?
— Não vai acontecer nada, Peter. Está tudo bem, agora. — Tranquilizou. — Você precisa relaxar.
— Você tem razão. — Suspirou. — Vamos continuar a dança? — Evie sorriu.
— Ah, eu amo essa música. — Evie comentou assim que “See You Again” começou a tocar. Peter sorriu. Os dois continuaram dançando, ela colocou suas mãos em seus ombros e ele enlaçou sua cintura delicadamente. Seus rostos se aproximaram, ficando a centímetros de distância, seus lábios estava prestes a se tocar quando um barulho acima dos dois os fizeram recuar rapidamente. Uma lâmpada tinha acabado de estourar acima dos dois.
— Qual a possibilidade do Loki ter sido essa lâmpada que acabou de estourar? — Peter perguntou olhando para cima.
— Não. — Respondeu com certeza.
— Como pode ter certeza?
— Porque ele teria voado no seu pescoço!
Ele a encarou.
— Faz sentido!
— Não precisa ter medo do Loki. — Sorriu. — Ele está zoando com a sua cara. Até porque, se realmente quisesse, já teria arrancado sua cabeça fora.
— Nossa, isso foi reconfortante! — Ironizou. Evie gargalhou.
***
Loki estava sentado no telhado de casa, com as pernas cruzadas, apenas observando as estrelas, quase nostálgico. Ele segurou firme um objeto redondo e brilhante em suas mãos. O deus sorriu consigo mesmo ao observar aquele cristal rosa. O verdadeiro. Estava intacto e mais poderoso do que nunca.
— Você é um belo cristal. — Loki sorriu. — É melhor você ficar comigo. Muito mais seguro. — Ele guardou o objeto e voltou a encarar o céu. Não demorou muito para um barulho no telhado chamar sua atenção. — Você está atrasada, mocinha! — Disse por fim. Evie quase tropeçou nas telhas e sentou-se ao lado do pai em silêncio.
— O que está fazendo? — Ela cortou o silêncio.
— Observando! — Respondeu ainda encarando as estrelas.
— São bonitas, né? — Evie disse, sem tirar os olhos do céu.
— Uhum!
— Você quase destruiu! — Brincou.
— Vai ficar jogando na cara?
— Estou brincando. — Ela riu, o fazendo rir também. — Sabe, não foi nada legal mandar meu tio para espionar! — Loki suspirou, envergonhado.
— Não acredito que aquele imprestável estragou o disfarce. — Murmurou.
— Sabe, se você quer me espionar, devia mandar alguém mais esperto, tipo meu gato. — Sugeriu. Dois segundos de silêncio. Os dois soltaram uma gargalhada.
— Não acredito que disse isso.
— Eu gosto muito do meu tio. Mas eu devo admitir que ele é um pouco atrapalhado de vez em quando.
— Um pouco? — Arqueou uma sobrancelha.
— É! Bastante. — Admitiu. — Mas, no fundo você também o ama, né? — O encarou.
—Hmm!
— Vou encarar isso como um sim! — Evie sorriu. Os segundos se passaram. — Pai?
— Hum?
— Eu posso te dar um abraço? — Loki a encarou, sem saber o que responder. Evie deu um sorrisinho e abraçou o pai. Ele retribuiu um pouco sem jeito. — Eu te amo, pai! — Loki sorriu.
— Eu também te amo, filha!
Ela o soltou e voltou a observar as estrelas.
— Olha! Uma estrela cadente! — Ela apontou para a estrela que cortava o céu. — Faz um pedido!
— Por que eu faria um pedido àquela coisa? — Perguntou com o cenho franzido. — Eu sou um deus, eu posso ter o que eu quero sem precisar pedir para ninguém e…
— E lá vamos nós de novo! — Resmungou.
— Mas é verdade! Eu sou muito poderoso…
— Aham.
De longe, no telhado, alguém os observava, atento. Sentado, imóvel, o gato preto não tirava os olhos dos dois.
***
Prisão de segurança máxima, Base da S.H.I.E.LD — Chicago
Um agente, segurando uma bandeja de comida, muito bem equipado e com um colete à prova de balas se aproximou da cabine de vidro blindado. Do outro lado estava ele. Com o rosto vermelho e cavernoso, vestindo um macacão laranja e acorrentado para todos os lados. Johann. Também conhecido como Caveira Vermelha. Sem dizer uma palavra sequer, o agente acionou uma senha através da leitura da íris e praticamente jogou a bandeja de comida dentro da cabine. Johann nem se moveu. O agente foi embora sem dizer nada e apenas o lançou um olhar de desprezo. Johann chutou a comida com força.
— Ah, Loki. — Sorriu consigo mesmo. — Sinto que você vai ter que me procurar em breve. — Suspirou. — E, você vai ter que implorar pela a minha ajuda! — Gargalhou. — Você nem imagina!
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