OMG! Meu Pai é um deus
6 Capítulo V - Thor, o tio inconveniente
Notas iniciais
Viena, Áustria
Victor tamborilava os dedos em sua mesa simples e improvisada na caverna escura e coberta de mofo. Estava impaciente pela demora em conseguir os resultados do que queria.
— Victor, mais um não resistiu. — Anunciou Johann com uma carranca. — O professor precisa acertar a fórmula. Não temos a vida inteira. — Completou entredentes.
— Eu sei, Johann! — Victor levantou de sua cadeira, irritado.
— Por que não vamos a Nova York, então? — Sugeriu Johann em um tom mais calmo, observando a reação de Victor com cautela. — Assim poderíamos pressioná-lo…
— E colocar tudo a perder? Não podemos ir a Nova York agora. Seria uma burrice. — Respondeu Victor dando um longo suspiro.
— Eu ouvi falar em burrice? — Uma voz grave ecoou por toda a caverna mal-iluminada. O dono da voz vestia uma roupa preta elegante.
— Loki! — Victor abriu um sorriso quando viu quem era. — Finalmente você veio. — Continuou e se aproximou do deus.
— Então ele é quem você estava esperando. — Interrompeu Johann sério, mas Victor apenas confirmou com a cabeça.
— Achei que estivesse em Nova York, meu caro. — Disse Victor ainda com um sorriso nos lábios.
— E eu estou. — Respondeu Loki enquanto olhava ao redor da caverna.
— Ah, mas é claro! — Victor levou uma mão à testa. — Como pude esquecer de seus truques? — Completou.
— Você estava certo, Victor. — Disse Loki cordialmente. — Eles realmente acharam o cristal. — Continuou. — Creio que seja você o causador das mortes dos humanos estúpidos aqui, não é? — Perguntou por fim.
— Certamente. — Victor não pôde conter seu sorriso e Loki o acompanhou. — Bem, se está aqui, creio que decidiu se juntar a nós. — Deduziu.
— E o que eu ganharia com isso, Victor? — Perguntou Loki o encarando com certa curiosidade.
— Acho que tenho algo que pode lhe interessar. — Respondeu Victor enquanto tirava algo de uma caixa de ferro.
— O Olho Cruel de Avalon. — Disse Loki boquiaberto ao observar o bastão que tinha um olho, vazado, de ouro, na ponta. — Como conseguiu? — Perguntou por fim.
— Eu também tenho meus segredos, Loki. — Respondeu Victor guardando o bastão. — E, então? Vai se juntar a nós? — Perguntou por fim.
— Por que não me conta o seu plano, Victor? — Perguntou esboçando um largo sorriso.
Nova York, EUA
O dia mal amanheceu na movimentada cidade de Nova York, mas o trânsito já estava caótico como sempre. Bruce desligou a TV da sala de reuniões da base da S.H.I.E.L.D. E lá estavam todos reunidos novamente, Tony, com um vinco de preocupação na testa, Natasha, Steve, Sam, Clint, e Thor, completamente distraído, fitando o nada.
— Não descobrimos muita coisa. — Disse Steve enquanto girava uma caneta na mão.
— Os corpos foram analisados e todos apresentam a mesma substância química. — Bruce falou pela primeira vez na reunião. — Substância causadora das tal mutações genéticas. — Completou dando um longo suspiro.
— O que? Vocês não conseguiram nada em Viena? — Perguntou Stark incrédulo.
— Não! E o governo da Áustria não está colaborando com gente. — Natasha respondeu encarando o colega. — Tudo o que descobrimos foi que a lança foi roubada por alguém com habilidades especiais. — Continuou. — Mas, nada além disso, já que as únicas testemunhas estão mortas. — Suspirou.
— Mas e as câmeras de segurança? — Perguntou Clint inconformado com o que tinha acabado de ouvir.
— As imagens vão até uma parte, mas as câmeras foram danificadas pelo ser que roubou a lança. — Respondeu Sam por fim.
— Estamos na estaca zero de novo. — Steve jogou a caneta em cima da mesa.
— Quem conseguiria cometer um crime tão complicado e sem deixar rastros? — Thor perguntou mais para si mesmo do que para os outros.
— Tá aí, uma boa pergunta, meu amigo. — Respondeu Sam forçando um sorriso fraco.
— É! Uma boa pergunta… — Disse Tony encarando o loiro. — O que me faz questionar, onde está Loki agora? — Perguntou por fim e todos encararam Thor.
— Sei lá. — Respondeu Thor dando de ombros.
— Mas você não é irmão dele? — Perguntou Stark inconformado com a resposta do colega.
— Sim, sou seu irmão, não sua sombra. — Respondeu Thor dando um sorriso. — Mas, o que o Loki tem a ver com essa conversa, afinal? — Perguntou por fim.
— Eu não sei… — Disse Tony levantando de sua cadeira, fazendo todos o olharem, confusos. — Só acho muito estranho o fato dele ter aceitado tranquilamente ficar na Terra. — Deu de ombros.
— O que quer dizer? — Perguntou Thor ainda sem compreender aonde Tony queria chegar.
— Não acha estranho o fato dele ter aceitado muito bem o fato de ter uma filha...Humana. — Perguntou Tony enquanto dava passos lentos em volta dos outros.
— Ué, mas ela é filha dele. — Thor respondeu calmamente o encarando.
— Loki é um assassino cruel, Thor. — Disse Stark de uma vez só.
— O que? Mesmo as bestas feras mais perigosas são capazes de amar seus filhotes. — Respondeu o deus ainda calmamente.
— Ah, que filosofia bonitinha, Thor. — Disse Bruce dando dois tapinhas nas costas do amigo.
— Aonde você quer chegar, Tony? — Perguntou Natasha séria.
— Ao óbvio, Loki quer usar os poderes da filha. — Disse Tony por fim.
— Isso não faz sentido nenhum. — Respondeu Thor arqueando uma sobrancelha. — Meu irmão não precisa dos poderes dela. Ele é muito mais poderoso. — Disse por fim.
— O Thor tem razão, Tony. — Natasha respondeu calmamente, fazendo todos a olharem, incrédulos.
— Tudo bem. — Disse Tony por fim enquanto ajeitava o paletó de seu terno. — Mas, de zero a cem, quais são as chances do seu irmão nos trair? — Perguntou. Thor abriu a boca algumas vezes, mas não respondeu.
— Talvez devessemos dar uma chance a ele, Tony. — Disse Steve pela primeira vez depois de um tempo.
— Tudo bem. Mas depois não digam que eu não avisei. — Respondeu Stark por fim.
Evie
Mais uma manhã ensolarada. Mas, a minha animação de levantar e ir para escola era de 0%. Não que eu não gostasse da escola. Mas, definitivamente, aquele não era o meu lugar favorito. A escola me parecia mais um campo de guerra, onde os professores jogavam as bombas — as provas e trabalhos- e os alunos desviavam. No final, sempre pereciam os mais fracos e desligados — no caso, eu. O que me fazia lembrar que eu tinha voltado ao zero no meu projeto de ciências. Por que que tinha que dar errado? Poderia ter sido um projeto e tanto.
Levantei me arrastando, como de costume e quase tropecei em Fish, que estava se enrolando em minhas pernas.
— Bom dia. — Falei com a voz fraca ao ver Loki sentado no sofá. Ele parecia distraído, falando consigo mesmo. — O que está fazendo? — Perguntei o tirando do transe.
— Nada, criança tola. — Respondeu por fim. Certo. Falar sozinho era uma coisa de família então.
Fui até a geladeira na expectativa de pegar algo pra comer. Me surpreendi quando a abri. Estava mais vazia que o meu estômago. Com toda a confusão, eu tinha esquecido de fazer compras. Ou melhor, eu não tinha dinheiro para isso. Desde a morte de minha mãe, não tinha ido ao supermercado. Engoli seco ao lembrar dela.
— Não tem comida. — Falei por fim e Loki me encarou.
— O que quer dizer? — Perguntou por fim.
— Que não tem o que comer. — Respondi e ele apenas assentiu com a cabeça.
— Você realmente precisa comer? — Perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Mas é claro. — Respondi por fim. — Será que você poderia transformar alguma coisa em comida, tipo, o sofá? — Perguntei e ele soltou uma gargalhada.
— Eu faço transmutação, não milagre, criança tola. — Respondeu por fim. Quando ia responder algo, fui interrompida por uma batida na porta.
— Quem será? — Perguntei mais pra mim mesma. Abri a porta sem nem olhar antes.
— Olá. — Disse um homem careca e pouco mais alto que eu. — Eu sou o Dylan, assistente social. — Completou por fim.
***
Dylan engoliu seco pela milésima vez. Loki o encarava com o olhar mais ameaçador que eu já tinha visto. Estávamos todos sentados no sofá e o homem já tinha explicado um monte de questões burocráticas.
— Bem. — Dylan pigarreou enquanto meu pai o encarava. — Com a morte da Sra. Stwart, e já que não tem nenhum parente… — Começou calmamente. — Ficar com o senhor poderia ser uma boa opção… — Continuou.
— Vá direto ao ponto, seu idiota. — Loki revirou os olhos enquanto o homem secava o suor da testa.
— Não teria um copinho d’água, por favor. — Pediu Dylan olhando pra mim, mal podendo conter seu nervosismo.
— Não, não tem. — Respondeu Loki seco.
— Bem, o senhor vai assumir a paternidade. — Continuou Dylan com a voz trêmula. — Mas, não é tão simples, precisa provar que tem capacidade econômica, mental, emocional e moral para ter a guarda da menina. — Continuou.
— O que quer dizer, criatura subdesenvolvida? — Perguntou Loki com seu tom de superioridade de sempre.
— Bem, que enquanto o senhor não prova na justiça que é realmente o pai dela, é melhor para a menor que fique em um abrigo. — Disse por fim. Um abrigo? Meu coração quase falhou quando ouvi a palavra.
— Abrigo? — Perguntei quase entrando em desespero.
— Acho que é o melhor, minha querida. — Respondeu Dylan com um olhar penalizado. Não. Isso definitivamente não era a melhor opção.
— Já chega! — Loki quase gritou, fazendo o homem dar um pulo. — Você vai embora e vai dizer que está tudo certo… — Disse entredentes. O homem estava paralisado, como uma estátua. Demorei alguns segundos para entender que Loki estava em sua mente. — Não vai mais voltar, e vai dizer aos seus superiores que já está tudo resolvido, com relação a… — Ele hesitou por um momento. — Paternidade. — Completou. — Agora, suma da minha frente. — O homem obedeceu seu comando como um robô.
— Sim, senhor. Já está tudo resolvido. — Disse Dylan com a voz robótica. — Agora, preciso ir. Tenham um bom dia. — O homem deu um sorriso vazio e se retirou da forma mais estranha que eu já tinha visto. Loki sorriu consigo mesmo.
— O que você fez? — Perguntei mal contendo meu pavor.
— Ele não vai mais voltar. — Loki deu de ombros. — Ou você preferia ir para um orfanato, criança tola? — Perguntou por fim. Apenas neguei com a cabeça. Antes um Loki como pai, do que ir para um abrigo.
— A escola! — Falei por fim e Loki me olhou com uma cara confusa. Com toda a confusão eu tinha perdido a hora da escola.
— Se não gosta desse lugar esquisito, por que vai? — Perguntou por fim. Fazia sentido.
— Quem disse que eu não gosto? — Me defendi. Fish pulou no sofá e se aninhou na almofada ao lado de Loki.
— Está realmente tentando mentir pra mim, criança tola? — Ele arqueou a sobrancelha e cruzou os braços. Claro que não iria adiantar. Isso era uma péssima ideia. Quem é que poderia enganar o mestre da trapaça?
— Isso não funciona, né? — Forcei um sorriso e ele negou com a cabeça.
Nossa conversa foi interrompida por uma batida forte na porta.
— Por Odin, será que não dá pra viver em paz nesse planeta idiota? — Resmungou Loki enquanto caminhava até a porta.
— Família! — Meu tio gritou quando Loki abriu a porta e entrou sem ser convidado.
— Thor! — Meu pai mal pode conter o desânimo ao ver Thor, que estava com um sorriso no rosto. Fish saiu correndo e pulou em cima de mim quando o viu.
— Sobrinha! — Disse enquanto apertava minhas bochechas. — Javali. — Continuou ao ver Fish. Meu gato quase pulou do meu colo por causa da aproximação.
— O que tá fazendo aqui? — Perguntei por fim e ele se jogou no sofá, como uma pedra.
— Thor, precisa parar de aparecer sem ser convidado. — Respondeu meu pai, mal-humorado.
— Se eu não vir, vocês não vão me convidar. — Respondeu por fim, como se fosse óbvio.
— É porque não queremos que você venha. — Respondeu Loki seco.
— Ah, poxa. — Meu tio respondeu fingindo estar magoado. — O que tem pra comer? — Perguntou animado.
— Qualquer coisa que não seja o meu gato. — Respondi não escondendo o ressentimento em minha voz.
— Thor, o que você quer aqui, afinal? — Perguntou Loki entediado, encarando o irmão.
— Nada. — Desconversou dando de ombros. — Só estou vendo se está tudo bem. Só isso. — Continuou e deu um sorriso. — É, está se adaptando bem à Terra, meu irmão? — Perguntou por fim.
— Não. Não é possível se adaptar a esse planeta. — Respondeu Loki ainda entediado. — Mas, estou sobrevivendo. — Completou encarando meu tio, que forçou um sorriso. Havia alguma coisa estranha na visita repentina de Thor, eu só não sabia o que exatamente.
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