O último Uchiha

6 Bônus - Saudade


Notas iniciais
Boa viagem!

"É da natureza humana não perceber o real valor de uma coisa, ao menos que a percam." — Naruto

Já se passaram três anos desde a ida do Daisuke.

Embora sintamos o tempo passar num piscar de olhos, sempre existem as exceções. Para Katashi, Ayumi e Shinsato Sensei, os próximos acontecimentos não foram nada agradáveis. Os ninjas os deixaram na entrada da aldeia e certificaram-se de que alguém os encontraria, os levariam para o hospital da vila, e confirmassem o que o Ninja do Byakugan prometeu à Daisuke, que eles estavam em perfeito estado de saúde.

Ayumi foi a primeira a acordar. Ao abrir os olhos, focou diretamente na luz do quarto, seus olhos arderam um pouco. Seu semblante era de dúvida, observou vagarosamente as laterais do lugar, tentando reconhecer o local em que estava, recobrando a consciência lentamente. Ela não conseguia acreditar que tudo aquilo realmente aconteceu, não conseguia acreditar que havia saído com vida daquela situação, não conseguia acreditar que estava bem, sem nenhum ferimento no corpo. Levantou-se devagar e correu em direção à janela do quarto, observando cada canto da paisagem do lado de fora. Reconheceu alguns rostos, viu algumas crianças brincando ao longe, deu até pra de ver a rua de sua casa e a da sua antiga academia. Sim, eles cumpriram com o prometido. Isso significa que Daisuke realmente foi embora.

— Idiota... — Ela sussurrou.

Daisuke nunca foi, nem de longe, o melhor em qualquer coisa que ela se importasse, ou pelo menos, o melhor em qualquer coisa... Mas estava sentida pela perda do amigo. A dor no peito era grande, entretanto Daisuke não era nem de perto, o motivo de tanto desconforto. Um sentimento de ódio crescia cada vez mais em seu coração. Aquele ninja maldito havia escapado impune e por pouco, ele não ceifou sua vida e as de seus companheiros.

— Que droga!! — Ela grita, jogando um jarro de flores no chão e debruçando-se sobre a janela, esperando a ficha cair. Suas tentativas de assimiliar o ocorrido foram interrompidas pela confusão que se dava do lado de fora do quarto.

— A gente precisa ir atrás dele!! — Ela ouviu uma voz familiar distante. — A gente precisa ir atrás dele!! Por favor!!

A garota dos cabelos cacheados, levantou-se depressa e correu para ver quem gritava tão ferozmente, aquela voz lhe era familiar. Saindo do quarto depressa, correu até ver o triste episódio, no final do corredor à sua direita. Ele chorava e chorava, se debatendo no chão como uma criança mimada, em prantos, gritando o nome daquele que considerava irmão. Dois enfermeiros o seguravam com todas as suas forças, para que ele não tentasse fazer qualquer loucura, mas parecia que nada do que eles faziam segurava o garoto angustiado. Ayumi não suportou ver aquela cena. Katashi se soltou das mãos dos enfermeiros, mas antes da sua última tentativa de fuga, Ayumi apressou-se e pôs-se na frente do seu amigo e o abraçou intensamente, em prantos.

— Katashi... — Ela murmurou, fazendo-o se acalmar. Katashi a apertou e chorou amargamente em seus ombros.

— Como ele pôde... – Katashi suspirou.

— Eu sinto muito.

— Ele... Eu nunc... Por que, Umi!? — Ela permaneceu em silêncio. De fato, não existia palavra que o confortasse naquele momento. – Daisuke!! — Katashi exclamava, com os olhos inchados, sufocando sua amiga com sua dor.

Os enfermeiros, aproveitaram a oportunidade para acalmá-lo durante seu momento de fraqueza, injetando em seu corpo, uma agulha grossa que continha o calmante que o deteria. Ele tentou lutar, porém Ayumi o abraçou ainda mais forte, incapacitando seus movimentos. Os olhos do garoto foram se fechando aos poucos. Logo, Katashi foi tirado inconsciente, dos braços da garota de cabelos negros, que voltou em silêncio para o quarto em que estava, onde vagou pelas suas memórias do incidente.

Num quarto mais distante, Shinsato Sensei estava sentado, numa cadeira, olhando para o chão, apoiando seus cotovelos nas pernas, preso na parte mais sombria de seus pensamentos.

— Sensei, eu sei que é complicado... Se o senhor quiser, podemos terminar em outro momento... — Falou calmamente a mulher que conversava com ele, tentando ser o mais branda possível.

— Está tudo bem. Pode continuar, Kantu.

— É um momento delicado... Ele era seu aluno, não é mesmo?

— Sim.

— Mas, se me permite perguntar, Sensei... Não lembro de tê-lo visto na cerimôn...

— Ele é um ninja. — Shinsato falou pausadamente. Ela refletiu preocupada, contudo, antes que pudesse falar qualquer coisa, ele continuou. – Mas... Se eu não o tivesse entregue a bandana... — O Sensei falou com os olhos lacrimejando. — Se eu não tivesse chamado...

— Todos vocês estariam mortos. — Kantu completou, apoiando sua mão sobre o ombro dele. — Fez certo em confiar seu símbolo ninja à um garoto tão corajoso. Tenho certeza que ele sabe o quanto você está orgulhoso.

— A que custo, Kantu!? Ele é só um garoto! Eu o deixei a mercê daqueles filhos d...

— Ele fez exatamente o que você faria, Sensei. — Ela o consolou. — Daisuke, mais do que qualquer um, entendeu o principal ideal de um ninja e o pôs em prática. Foi isso que nos ensinou, não foi?

O Sensei ficou em silêncio. Respirou fundo. Sabia que se uma lágrima caísse, não conseguiria controlar as outras. Ele tinha noção de que foi escolha do Daisuke entregar-se ao inimigo, sabia que estando desacordado ou não, Daisuke jamais se deixaria vencer, muito menos ficaria parado, observando a morte dos seus amigos sem travar, pelo menos, uma única luta, mesmo que isso significasse perder a sua própria vida.

— Mesmo que me convença de que a culpa não é minha, Kantu... Ela não vai parar de me perseguir até o dia em que o veja novamente. Eu morrerei com o pesar da partida do meu aluno mais insensato na minha consciência, e não tenho condições de escapar.

Aquele dia foi realmente triste. Os caçadores Anbu o procuravam em cada canto da floresta, não havia centímetro quadrado que não tivesse sido examinado, nenhum milímetro foi sequer ignorado por eles. O garoto, Daisuke, nunca mais foi visto e por esse motivo, foi dado como morto. Não havia pessoa na aldeia que não soubesse desse acontecimento. Todos que entravam e saíam da aldeia ficavam sabendo, de um jeito ou de outro, do triste fato. Isso fez com que grande parte das pessoas ficassem por dias enlutados. Os moradores da vila sentiram um pouco da falta do Daisuke, mesmo que tivessem percebido seu devido valor depois de tanto tempo de ignorância.

Mas, seus amigos... Seus amigos ficaram por meses de luto. Por horas, dias, semanas, meses... Katashi esperava por seu amigo, na porta da floresta, mas ele não aparecia. A confusão na mente de Ayumi a fez cometer erros que seriam inadmissíveis em sua época de academia, mas é pouco provável que Daisuke fosse seu motivo. Já Shinsato Sensei, comprimia sua dor e tentava ao máximo se distrair, passando as tardes na academia e as madrugadas nos centros de treinamento, jogando toda sua raiva nos bonecos de treino, mesmo tendo dificuldades para se alimentar. Mesmo tentando esquecer o ocorrido, lá no fundo, estava esperançoso de que o veria novamente.

Ele sabia que o veria novamente.

Felizmente — ou não, até as maiores dores, como as de perdas como essa, cicatrizam. Após três anos, todos já estavam vivendo suas vidas normalmente. O desaparecimento do indisciplinado garoto foi selado no fundo de um baú de dor e esquecimento. A vigilância na vila voltou ao que era, e aos poucos, a memória dos moradores foi se enchendo com coisas mais importantes. A vila estava em mais um de seus dias tranquilos novamente. Pessoas circulavam indo e voltando, como aldeões comuns... Em especial um homem...

Um idoso, de estatura média, que andava tranquilamente como qualquer outra pessoa. Procurava um lugar para passar o tempo, queria tirar uma folga da sua vida cotidiana. Depois de deixar suas coisas num hotel, ele decidiu andar para conhecer a aldeia. Um sentimento de Nostalgia veio à tona. Ver algumas crianças brincando na praça, o fez lembrar dos anos passados. Ele sorriu e arquejou, não sabia se sentia falta daquela época, ou se tinha sorte por ter passado por essa fase tão rápido.

Notas finais
Fica de olho nesse idoso! Ele é importante... Até mais! Tchau!