O último Uchiha

2 A primeira missão


Notas iniciais
Vamos para o segundo capítulo dessa história!! Eu estou super ansiosa, sem brincadeira :3 Boa viagem!

Lá estava eu, vagando tarde da noite, sozinho e sem rumo. Depois de horas esperando meu nome ser chamado para receber o maior símbolo que um ninja poderia ter, não conseguia compreender o motivo de ter meu sonho destroçado. Isso me deixava muito irritado. Sempre enfrentei dificuldades relacionadas aos meus sentimentos, eu não conseguia controlá-los muito bem. A intensidade das minhas emoções, muitas vezes não me permitia pensar, não havia limites para ela.

Era tudo ou nada. E eu estava incontrolavelmente furioso.

Pensei numa forma de liberar toda aquela raiva e não demoro a escolher o local. Uma praça de treinamento ali perto e que estava no caminho pra casa. Seria ali que eu esfriaria minha cabeça, esmurrando quaisquer bonecos de treino que aparecessem na minha frente. Andei o mais rápido que eu pude para que aproveitar cada segundo do meu tempo. Tentei até esquecer o que havia acontecido mais cedo, porém ainda procurava os prováveis motivos para não ter recebido minha bandana. Não era possível que...

Cheguei ao meu destino.
A luzes miravam nos objetos de treino, que pareciam brilhar. Não demorei 10 segundos e avancei contra um dos bonecos. Chutes, socos, tudo o que tinha direito. A dor que sentia no peito era forte demais para alguém tão novo. A medida que eu espancava o pobre boneco, meus olhos se enchiam mais e mais de lágrimas, até não conseguir mais segurar. Em prantos, dei uma última pancada no boneco, virei-me e encostei minhas costas no títere inerte. Me arrastei sobre seu corpo, até me encolher no chão, escondendo o rosto, por causa da tamanha vergonha que estava sentindo.

Depois de tanto treino, de tanto esforço...

Quantas vezes eu quis desistir? Quantas vezes eu fui zoado na academia? Quantas vezes me disseram que eu não conseguiria? Que não tinha capacidade? Que nunca me tornaria um ninja? Quantos olhares atravessados... Eu sempre tive a postura de alguém que tinha certeza o suficiente, sempre os ignorei e trabalhei duro para conseguir alcançar meu objetivo... Mas, no final, todos eles estavam certos.

— Não importa, nenhum esforço importa, nenhum suor... Nada. — Pensei, limpando minhas lágrimas. Respirei fundo, tentando me acalmar. A medida que eu conseguia, comecei a reparar em sons de luta. Havia mais alguém ali. Levante-me passando a mão no rosto, para disfarçar a cara inchada. Andei devagar, em direção ao som, que ficava cada vez mais forte. Ele vinha de uma parte menos iluminada da praça. Aproximei-me cada vez mais e mais, até consegui ver a silhueta de um homem de baixa estatura.

O barulho parou, a silhueta sumiu. Procurei por todos os cantos. Será que ele percebeu que eu estava observando? Meus nervos estavam a flor da pele. Tentei ter o máximo de cautela possível. Ainda não sabia quem era, não sabia se era alguém de confiança e estava completamente indisposto naquele momento. Começo a ouvir passos atrás de mim. Minha respiração começa a ficar ofegante. Pego três shurikens e me preparo para um possível ataque. Fico posicionado, prestando atenção nos mais leves movimentos próximos a mim. O silêncio me deixava ainda mais nervoso e o frio parecia petrificar o suor do meu rosto. Ainda assim, meus sentidos ainda estavam estáveis, embora minhas emoções não me permitissem raciocinar direito.

— Então é isso... Ele está atrás de mim... — Respiro fundo, passo a mão no rosto novamente. Meus olhos estão irritados...

Ouço o barulho de metal sendo lançado.

Viro-me rapidamente e desvio com facilidade, porém não consigo ver de onde a kunai saiu. As noites na aldeia costumam ser traiçoeiras, densas demais. Permaneço estático, atento, esperando o próximo ataque. Outra kunai é lançada, mas dessa vez não fui pego de surpresa e, ao conseguir rastrear o inimigo lanço as shurikens, enquanto desvio da kunai. Vejo o vulto do alvo mudando de posição, dessa vez lançando três kunais de vez. Fujo com um pouco de dificuldade, uma delas fez estrago em meu braço. Ainda sim, consigo cair em pé, pressionando a ferida em meu braço.

— É tudo que consegue fazer? – Provoco, apertando o braço mais ainda, a kunai tinha feito estrago.

— Como sempre tão ingênuo, Daisuke.

Essa voz... Eu a conheço de algum lugar. — Fiz esforço pra lembrar... — Quem é você?

— Numa luta, precisa manter-se calmo. A mente e o corpo devem trabalhar como um. É como eu sempre digo...

— O equilíbrio é a chave, a resposta para todos os problemas. – Respondi. Agora tudo estava mais claro. Conhecia apenas uma pessoa que vivia repetindo a mesma coisa, o tempo todo.

— Sensei, o que está fazendo aqui?

— Estou sem sono. – Ele respondeu surgindo das sombras.

Shinsato Sensei: Homem negro, musculoso e careca, nunca permitiu que um oponente se enganasse pelo seu tamanho. Aqueles que não o conheciam, certamente tinham medo dele. Sempre dava um jeito de impressionar, dessa vez, foi treinar sem camisa naquele frio congelante, ele era louco.

— E você, o que faz aqui? — Ele retrucou.

— Eu também não estou muito afim de dormir não... — Respondi, de cabeça baixa.

— Hm... Entendo. — O Sensei falou em tom sugestivo. — Não o vi na entrega das bandanas, hoje mais cedo. – Questionou, enquanto mexia em sua mochila.

— Não me viu porque não ouviu meu nome ser chamado...

— Daisuke... — Ele revirou os olhos.

— Ouviu? – O interrompi. Ele ficou calado por uns instantes e se aproximou, com seu kit de primeiros socorros, para estancar o meu ferimento.

— Ser ninja é muito mais que carregar uma bandana, já conversamos sobre isso. — Indagou, enrolando a gaze em meu braço.

— O senhor também me disse que todo trabalho teria a sua recompensa...

— E isso é verd...

— Passei a vida inteira me esforçando para conseguir aquela bandana! – Gritei, interrompendo-o novamente. -... Pra conseguir um único momento de reconhecimento... E olha o que aconteceu no final... – Sussurrei, abaixando a cabeça, com os olhos cheios de lágrimas de novo. — Fracassei de uma maneira tão miserável! – Gritei, jogando uma kunai com força num alvo razoavelmente distante de nós dois, fazendo o Sensei desviar pouco surpreso.

— Vi todos... – Continuei. – Todos eles, lá de cima da árvore... Subindo no palco ao som de palmas, recebendo suas bandanas e meu nome...

— Talvez, eu tenha algo que possa te reanimar. – Ele se aproximou novamente, colocando a mão sobre meus ombros. – Levarei Katashi e Ayumi para uma missão amanhã. Eles são seus amigos, não são? – Ele sabia a resposta. Sabia que Katashi era uma das poucas pessoas que eu conversava e que a Umi... Enfim, respondi afirmativamente, balançando a cabeça. – Quer vir conosco?

— Sério, Sensei?? — Um sorriso tomou o meu rosto e uma bomba de alegria explodiu dentro de mim. Ele me olhou com determinação e balançou a cabeça, sorrindo também. – E o que vamos fazer? Quem vamos capt...

Fui interrompido pelo levantar da mão do Sensei. Ele pediu para que me acalmasse e me disse qual seria a missão. Ela era aparentemente simples, mal sabia eu que ela seria a chave para tanta coisa...

— É apenas uma escolta. Vamos levar um senhor feudal da aldeia até as fronteiras com o país do sol.

— Só isso? Parece ser meio chato...

— Eu não terminei de falar. – Ele me repreendeu, enquanto vestia sua camisa de manga. – Esse homem deve chegar na fronteira o mais rápido possível e único caminho que achamos para chegarmos a tempo, é um que passa por dentro Floresta da Noite.

Suas últimas palavras me pegaram desprevenido. A floresta da Noite era um dos lugares mais perigosos que eu já tinha visto, ela cercava o sul da vila e suas características faziam jus ao nome. Suas árvores são tão altas, tão largas e tão volumosas, que é quase impossível ver um raio de sol tocando o chão, transformando os dias em noites eternas.

— Sabe o quanto essa floresta é perigosa, não sabe? – Ele me desafiou, olhando diretamente em meus olhos. — São poucos os ninjas que não têm medo de ir até lá.

— Mas... Eu falhei, Sensei. Não sou um ninja.

— Daisuke, quando você vai entender... A autenticidade de um ninja está no quanto ele luta pelo bem daqueles que ele ama. Muitos têm bandanas, mas não são dignos de serem chamados ninja. Você não deixará de ser um ninja se não a tiver, nem se tornará um se ganhá-la. Tudo depende do quanto você se esforça para proteger os outros, da sua lealdade ao seu lema ninja.

Suas palavras me fizeram pensar. Sabia que um ninja protege qualquer um que precise, mas... Eu precisava de uma prova de que eu consegui, de reconhecimento de todo o trabalho duro que tive. E aquela bandana era essa prova. Abaixei a cabeça, em silêncio e cocei meus olhos, que ainda estavam irritados. O Sensei olhou para mim e suspirou.

— Se é disso que precisa, toma. – Falou, jogando a sua bandana em minhas mãos. – Fique com a minha. Mas, não se esqueça do que te disse. – Ele continuou, colocando sua jaqueta.

— Sim, Sensei.

— Agora vá, precisa descansar bem. Amanhã é um novo dia! – Ele exclamou, afastando-se, até sumir na neblina. Eu fiquei lá, parado, observando cada detalhe daquela bandana, encarando meu reflexo no metal talhado com símbolo da aldeia.

Sorri.

Meu coração estava pulando de alegria, ainda lembro da sensação, a alegria não cabia no peito. Segurar a minha bandana, faltando horas para minha primeira missão, no lugar mais perigoso da vila, me deixava extremamente ansioso. Voltei para casa correndo, tomei um banho e me prepare para dormir. Deitei a cabeça no travesseiro e imaginei as infinitas possibilidades do que poderia acontecer na missão.

Aos poucos o sono veio e, com ele, mais um pesadelo para me atormentar. Dessa vez, eu estava em pé na beira de um penhasco, pronto para cair, até sentir uma mão me puxando e me afastando da beirada. Eu rapidamente tento olhar quem havia feito aquilo, mas não consegui. Vi apenas uma trilha pouco distante. Ao me aproximar percebo uma peculiaridade nela... Era feita de sangue. Começo a seguir os rastros para saber até onde ela daria, não demorei para chegar no local, e consequentemente, ver umas das piores cenas que já vi.

Simplesmente horrível.

Meus amigos, os poucos que eu tinha... Mortos. Assassinato à sangue frio. Acordei assustado, apertando o travesseiro, suando frio. Levantei-me e lavei o rosto. Encarei o espelho, perguntando o motivo de tanto pesadelo. Voltei para o quarto e olhei o relógio, ainda estava cedo. Deitei-me novamente, ainda sentia um pouco de sono.

“Talvez, seja apenas a ansiedade... Ou talvez... Meus sentidos estão tentando me dizer alguma coisa”.

Notas finais
Sabe aquele tipo de sonho que te trolla com força? Você já deve ter tido um pesadelo desse tipo... Pois é... Mal sabe o pobre Uchiha que tudo isso é muito pior do que ele imagina... Até o próximo capítulo! Tchau!