O último Suspiro
1 Capítulo úncio
Notas iniciais
Pela primeira vez, em mais de quinhentos anos de vida pude enxergar a neve perfeita como ela realmente é. Flocos de aparência doce e aveludada que enganam, pois ao entrar em contato com a pele de tão gélidos chegam até mesmo a queimar.
Sorri com a estúpida comparação. Isso fez com que o quente e profundo corte em meu abdômen ardesse.
Com certa dificuldade ergui meu braço esquerdo e toquei o ferimento, logo meus dedos pálidos foram tingidos por um forte tom vermelho escuro, chegando quase ao tom de um vinho tinto.
No mesmo instante meus dedos também se aqueceram, baixei lentamente meu braço e o apoiei ao lado de meu corpo. A fria neve estava em todos os lugares que olhava, havia apenas isso em tudo. Não podia ver nem mesmo o céu negro coberto pelas estrelas.
Minha blusa se manchava cada vez mais do grosso liquido vermelho e por um instante parei de sentir a neve queimar minha pela, a dor absurda misturada à ardência do ferimento, a sede incontrolável e as pálpebras pesadas, e senti o equivalente a nada. Nada.
Soltei meu último suspiro e por fim pensei – como sempre fazia – como seria descrever essa cena em pensamento.
Deitada sobre o gélido tapete branco que a mais pura neve formava, jazia uma jovem, de cabelos curtos dourados espalhados e praticamente escondidos por debaixo dos flocos de neve.
Criando um grande destaque em meio toda aquela palidez uma grande mancha avermelhada quase negra aparecia sobre seu corpo, escorrendo por suas pernas cobertas por um tecido jeans e também por sua cintura e costas. Formando uma moldura de sangue a sua volta, como uma espécie de quadro, que retratava a morte de uma jovem criatura que se fantasiava de humana.
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