O Último Sayajin

5 Uma nova ameaça


Notas iniciais
Ah, pessoal, me desculpem pela demora! Minha vida está de pernas pro ar: mudei de cidade, comecei um curso novo, e pra ajudar ainda estou praticamente sem acesso à internet. Não sei bem qual vai ser a frequência de postagem, mas prometo não abandonar minhas fanfics. Só peço paciência!

Uma gota inconveniente de suor estava prestes a cair no olho de Trunks, mas ele sabia que não teria tempo de afastá-la com as costas da mão. A Câmara de gravidade emitia uma luz azulada, indicando o final de uma sessão de treinamento e o início de outra. Era assim que funcionava. Baseando-se em amostras de seu DNA, a máquina interrompia automaticamente uma sessão de treinos, dando início a outra com um grau maior de dificuldade. Mas Trunks ainda não estava cansado, longe disso. No início dos treinos na Câmara seu corpo fora testado até o limite. Por vezes ele se sentia como uma barra de metal que ia sendo cada vez mais torcida, torcida e torcida, até chegar bem perto do ponto de quebrar completamente. Mas conforme o tempo passava e ele tentava se adaptar àquela rotina, seu corpo produzia mais e mais substâncias que faziam o treino não parecer mais tão cansativo. Pegava a si mesmo tendo pequenos rompantes de euforia durante os treinamentos. Os batimentos aceleravam, seus movimentos ficavam mais e mais leves e rápidos e ele sentia uma necessidade esmagadora de continuar treinando, levar seu corpo até bem perto do limite apenas para avançar mais um pouco e ver o quanto mais ele era capaz.

E embora nas primeiras semanas ele desejasse morrer com as dores intensas nos músculos, agora contava as horas secretamente para mais uma sessão de treinos, lamentando profundamente quando elas acabavam. A enorme tela acendeu e uma voz familiar interrompeu seus pensamentos.

– Muito bem, grandão, por hoje acabou. — Jenna anunciou com um ar absorto, certamente avaliando os batimentos cardíacos e a temperatura corporal dele através dos sensores da máquina.

Trunks revirou os olhos, de costas para a tela. Pensou que o trabalho de Jenna estaria terminado com a construção da Câmara, mas Bulma insistia que ela ficasse e ajudasse a monitorar os resultados obtidos e a ajudasse a aprimorar a máquina. Em menos de nada, Jenna já estava vivendo com eles no prédio da Corporação Cápsula. Claro que nada disso era problema para Trunks. O que o irritava era exatamente aquele tipo de tratamento. Jenna não parecia reconhecer a existência dele como pessoa. Sempre se referia ele por apelidos ou simplesmente como espécime. Desde a primeira vez que se viram, ela nunca mais havia usado o seu nome.

Sempre vinha depois dos treinos colher amostras de sangue ou saliva para analisar, simplesmente enfiando um cotonete na boca dele ou segurando seu braço e coletando o sangue sem dizer nada, como se tivesse todo o direito.

– O meu nome é Trunks. — ele retrucou em tom duro, farto daquele tratamento. — E eu quero ficar mais um pouco.

– Sinto muito, mas você não pode. — ela disse, numa voz sem emoção. — Preciso coletar mais uma amostra de sangue para analisar a ação dos hormônios sobre o seu corpo.

– Faça isso mais tarde. Agora eu vou treinar mais um pouco. — ele anunciou, desligando a tela e interrompendo a comunicação entre eles. Depois, programou a Câmara para mais duas horas de treino e concentrou-se outra vez nos ataques dos robôs à frente dele.

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Irritada com a mudança de planos, Jenna ativou uma câmera secundária e ficou observando Trunks na Câmara de Gravidade. Ele estava daquele jeito de novo, naquele estado que ele e Bulma costumavam chamar de Super saiajin. O cabelo, antes comprido e liso agora estava rígido e espetado, tendo mudado para o loiro. Jenna estudara aquela transformação até a exaustão, mas poderia aprender alguma coisa através da simples observação. Esse era o seu lema: sempre poderia aprender algo a mais.

Nas duas horas que se seguiram ela ficou observando, a espera de que acontecesse algo novo, mas não houve nada. Quando a porta da Câmara se abriu, lá estava ela, com uma expressão aborrecida. Aguardava por ele de braços cruzados, mas Trunks não tinha dúvida de que os coletores de amostras estavam em algum dos bolsos do jaleco dela. Ele saiu sem olhá-la nos olhos. Jenna o seguiu, sem dizer nada por alguns minutos, mas não conseguiu se conter por muito tempo.

– Você sabe que quando faz isso, acaba atrasando os resultados da minha pesquisa, e por consequência, seu próprio treinamento. — ela acusou, sem alterar o tom de voz.

– Talvez se você se preocupasse em me tratar como uma pessoa eu fosse um pouco mais cooperativo em relação à sua pesquisa. — Trunks rebateu, normalizando seu ki enquanto caminhava. Automaticamente seus cabelos voltaram à cor normal, caindo sobre os ombros.

– O que quer dizer com isso? — Jenna inquiriu, seus olhos estreitando-se.

– Quero dizer que estou cansado da forma como você me trata! — Trunks revelou, parando de andar, voltando-se para ele olhando-a os olhos. — Quando quiser saber de qualquer progresso que eu esteja fazendo no meu treinamento, pergunte para mim antes de sair me furando com suas agulhas como se eu fosse uma amostra qualquer em um laboratório. Eu não sou um ser humano completo, mas também não sou um animal nem uma maldita cobaia! Eu tenho um nome. Não é grandão, saiajin, nem espécime. Me chamo Trunks Briefs. E eu agradeceria imensamente se você me chamasse assim.

Jenna olhou para Trunks como se fosse a primeira vez que o via, com real interesse e não apenas curiosidade científica. Seu rosto corou imensamente ao reparar que ele estava muito perto. Tão perto que ela podia sentir o cheiro dele, suado como estava e tendo acabado de sair de uma sessão de treinos exaustiva.

–Eu... — ela piscou duas vezes, ordenando os pensamentos. — Eu não fazia ideia. Me desculpe... Trabalhando com isso é fácil esquecer que nem todos... — ela baixou a cabeça, envergonhada, cobrindo os olhos com as mãos.

Trunks franziu a testa, mas esperou que ela se recompusesse.

– Trunks. — ela olhou para ele fixamente. — Me desculpe. Eu não queria te magoar, só estava tentando ser profissional. Ter envolvimento emocional com o espécime... Digo... Não queria prejudicar a pesquisa, só isso. — ela deu ombros.

Trunks assentiu, não confiando em si mesmo para dizer qualquer coisa.

– Talvez nós pudéssemos começar de novo. — ela sugeriu, estendendo a mão para ele, com um sorriso hesitante. — Como amigos?

Trunks sorriu e apertou a mão dela gentilmente.

– Amigos. — confirmou, soltando-a.

– Então... Será que houveram novos progressos em seu treinamento? Talvez algum sintoma físico, emocional... — Jenna perguntou desajeitadamente, sem saber ao certo como abordar o assunto.

Trunks sorriu diante do embaraço dela.

– Na verdade, vários. Poderíamos conversar sobre isso no laboratório, enquanto você coleta as novas amostras. — ele sugeriu, na tentativa de deixá-la mais confortável.

Jenna sorriu plenamente agora, as covinhas surgindo em seu rosto.

– Seria perfeito.

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Através de um sistema integrado de câmeras, Jenna avaliava Trunks ao mesmo tempo em que explicava para Bulma os progressos feitos com a maquina. Quinzenalmente ela fazia um relatório dos pontos fortes e daquilo em quer precisavam melhorar. Por causa de sua pesquisa, Jenna acreditava que nem estavam perto de descobrir o verdadeiro potencial de Trunks.

– Houve uma melhora significativa na velocidade e na fluidez dos movimentos. – Ela explicou, apontando para um dos monitores, onde uma imagem gravada de Trunks desviava-se habilmente de rajadas de energia lançadas pelos robôs. – Como você pode ver, o tempo de resposta também diminuiu, e...

Um estrondo fez o chão tremer sob os seus pés e a princípio, Jenna pensou tratar-se de um terremoto. Bulma segurou-se na cadeira, com um olhar preocupado.

– O que foi isso? – ela perguntou.

– Está vindo da Câmara de Gravidade! — Jenna acusou, segurando-se em uma mesa quando uma nova onda de tremores a desequilibrou.

– Trunks! — Bulma exclamou, assustada, já avançando na direção da saída.

Jenna segurou seu braço com firmeza.

– Bulma. Ainda não sabemos o que pode ser. Vamos olhar pelos monitores da Câmara de Gravidade! — aconselhou Jenna.

Bulma lançou uma última olhadela na direção da porta, dividida entre o instinto materno e a curiosidade científica. Por fim, a curiosidade venceu e ela acompanhou Jenna até o painel onde ficavam os monitores. Apertando um botão, a imagem do interior da câmara surgiu no painel. A imagem balançava e se retorcia com uma interferência. Jenna aproximou a imagem, reprimindo um grito ao ver o marcador da Câmara indicar a gravidade trezentas vezes maior que a da Terra.

Alguns azulejos do piso estavam estilhaçados, os robôs jaziam em pedaços, formando um círculo ao redor da figura no centro.

Tanto Bulma quanto Jenna prenderam a respiração ao ver Trunks caído de quatro no centro do círculo de robôs destruídos. Ondas densas de poder se desprendiam dele em forma de círculos, agitando os pedaços quebrados do piso ao passarem por eles.

–Trunks! Você está bem? — Bulma perguntou, aflita, usando o sistema de alto falantes da Câmara de Gravidade.

Trunks se retesou levemente ao ouvir o som da voz dela. Inspirou profundamente algumas vezes e se levantou com dificuldade. As duas cientistas ficaram olhando, paralisadas quando ele se ergueu completamente, arrancando os restos esfarrapados do que antes fora uma camiseta regata.

O cabelo de Trunks descia loiro até a cintura, espetado, como na transformação de Super Saiajin. Seus olhos mantinham o tom azul esverdeado, mas por algum motivo ele já não tinha sobrancelhas.

Bulma só conseguia balbuciar, mal conseguindo formar palavras concretas. Trunks olhou para a câmera e respondeu.

– Eu estou bem, mãe. Não se preocupe.

– O que é que está acontecendo? — Jenna perguntou.

Trunks abriu a boca para responder, mas aparentemente Bulma recuperara o dom da fala e respondeu a pergunta da geneticista:

– Parece que nós acabamos de elevar a transformação saiajin a um nível, completamente novo. — ela respondeu, surpresa com as próprias palavras.

Trunks baixou os olhos para as próprias mãos, como se as visse pela primeira vez. Ele abriu e fechou os punhos, observando atentamente as faíscas causadas pela forte emissão de ki.

Jenna não conseguia tirar os olhos do monitor.

– Talvez se eu colhesse algumas amostras agora... — ela comentou baixinho, para si mesma.

– Não acho que seja uma boa ideia. — Trunks advertiu. — Não conheço essa transformação, e ainda não estou seguro de que consigo controlar. Não quero te ferir acidentalmente.

Jenna fechou a boca, que estivera o tempo todo aberta e assentiu devagar, como se confirmasse que também não queria ser ferida acidentalmente por um ser que tinha força suficiente para pulverizá-la da face da terra. Pegaria suas amostras mais tarde.

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Olhando para a concha protetora que envolvia a forma de Majin Bu, Babidi sorriu. A terra não tinha mais lutadores de grande poder que ele pudesse explorar. De alguma maneira os terríveis androides desapareceram antes que ele conseguisse chegar a eles para extrair seu poder. Ele acariciou a carapaça com suas mãos ossudas.

Não importava. Tinha meios para explorar forças de outros guerreiros em cantos diferentes da galáxia. Ao desaparecerem, os androides apenas adiaram seus planos.

– Quanto mais teremos que esperar? – a voz grave de Dabura se fez ouvir atrás ele.

Babidi franziu o cenho, irritado por ter sido interrompido em seus pensamentos. Mas suspirou, resignado. Quando tivesse Majin Bu, poderia se livrar dele.

– Não falta quase nada agora. – ele respondeu, sem tirar os olhos do ovo. Ao pensar no poder que estaria ao seu controle, Dabura sorriu. Nada poderia detê-lo quando Majin Bu despertasse. Ele seria invencível.

Notas finais
Sempre me perguntei como seria o conflito do Majin Bu com Mirai Trunks. Infelizmente é um personagem que depois da saga do Cell ficou esquecido...