O Último Reino da Terra
1 Prólogo: O começo do fim
No futuro distante, a humanidade quase se extinguiu. Não foi um vírus. Não foi um fungo. O maior inimigo do homem sempre foi ele mesmo. Nações se destruíram em uma guerra brutal, um conflito devastador que ficou conhecido como a Guerra pela Vida.
Quando a poeira baixou, restou apenas uma nação. Para garantir sua sobrevivência, ergueram um imenso domo ao redor de suas terras, isolando-se do mundo exterior. O governo acreditava que somente um regime monárquico rigoroso poderia manter a ordem em meio ao caos.
Os fundadores do domo eram os poucos sobreviventes dos primeiros conflitos, escolhidos entre os mais inteligentes, os mais fortes, os mais habilidosos. Eles se tornaram a elite governante: uma família foi coroada monarca, enquanto as demais assumiram o controle do parlamento. Dentro do domo, a mediocridade não tinha espaço.
Os que nasciam ali recebiam o direito automático de permanecer. Mas para os que desejavam entrar, havia uma única exigência: serem excepcionais. Apenas os mais brilhantes, os mais capazes, os mais evoluídos tinham lugar naquela sociedade.
Com o passar das gerações, o isolamento transformou o domo em um laboratório da evolução. O aprimoramento genético tornou-se uma obsessão. Crianças prodígios surgiam a cada nova linhagem. Habilidades antes impensáveis tornaram-se comuns: força e agilidade sobre-humanas, telepatia, controle dos elementos. O reino, antes um refúgio, tornou-se uma superpotência.
Para o mundo exterior, era um império impenetrável. Para aqueles dentro dele, era um sistema perfeito.
Mas toda perfeição esconde falhas.
Com o tempo, algumas crianças começaram a nascer… comuns. Sem habilidades extraordinárias. Sem dons sobre-humanos. Apenas humanas.
A questão tornou-se inevitável: o que fazer com aqueles nos quais a evolução falhou?
Cientistas se debruçaram sobre o problema, buscando entender como dois pais excepcionais poderiam gerar filhos comuns. A probabilidade era mínima, tão pequena que sempre fora considerada impossível. Mas agora, o impossível era uma ameaça.
O dilema atingiu o coração do governo quando uma dessas crianças nasceu dentro de uma família fundadora.
A sociedade, antes unida, dividiu-se em dois lados opostos: aqueles que defendiam que toda vida nascida no domo deveria ser respeitada e aqueles que viam os sem-dons como uma anomalia, um erro a ser corrigido. Afinal, se ninguém comum era aceito de fora, por que aceitariam os que nasciam defeituosos por dentro?
O debate explodiu. O que parecia ser um reino perfeito se transformava em um campo de batalha silencioso. Pela primeira vez em séculos, a paz estava ameaçada.
Se essa nova geração fosse aceita, o domo perderia sua essência. Se fossem banidos, o governo provaria ser tão cruel quanto o mundo que haviam abandonado.
O tempo estava se esgotando.
O destino dessas crianças definiria o futuro do último reino da Terra.
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