Dalila estava em silêncio, a frustração era palpável, mas ela já sabia que nada seria fácil. Ela olha para os rostos ao seu redor — Alex, Maddy e June, todos aguardando uma explicação.

"Não encontrei nada sobre os pais de Ethan," Dalila começou, a voz tensa. "Os registros não fazem sentido. Não há documentos, nenhum responsável assinou o formulário de entrega dele. O que eu encontrei... foi algo muito mais estranho."

Ela deu um suspiro profundo, ciente de que o que estava prestes a dizer poderia desmoronar todas as suposições que até então tinham sobre a origem de Ethan.

"Ele foi entregue diretamente ao Casulo. Mas não um Casulo qualquer, era um Casulo utilizado para experimentos... o tal Projeto Gênesis. Eles o criaram. Desde bebê. Não apenas o fizeram passar por experimentos de alteração genética, mas também o apagaram do mapa. Não há menção de qualquer família. Nada."

June franziu o cenho. "Mas... isso não faz sentido. Ethan não é um experimento novo. Ele parece... uma pessoa de verdade. Como alguém poderia viver sem família, sem lembranças, por tanto tempo?"

Dalila balançou a cabeça, tentando encontrar as palavras certas. "O mais assustador é que ele não deveria estar mais aqui. O que os registros indicam é que ele nasceu... há mais de setenta anos. Mas, a cada geração, um novo Ethan, com um sobrenome diferente, saía do Casulo. Sempre sem família, sempre com a mesma história. Como se o próprio Casulo fosse o seu berço, e ele fosse descartado e substituído ao longo do tempo. Mas quando o novo Ethan saía, ele era sempre... mais inteligente do que o anterior."

Alex olhou para Dalila com uma expressão de perplexidade. "Como isso é possível? Como alguém pode sair do Casulo com um QI tão elevado de uma geração para outra?"

Dalila olhou para ele, o peso da informação se tornando cada vez mais difícil de carregar. "Eu... não sei. Aparentemente, eles estão 'reiniciando' ele de alguma forma. Cada vez que ele morre, uma nova versão surge e é 'reformada', mais apta, mais útil para o Domo. Mas o mais estranho de tudo é que, a cada vez que isso acontece, ele está mais afastado de quem realmente é."

Alex, que estava em silêncio até então, finalmente falou. "Eu falei com todos os vizinhos de Ethan. Nenhum deles sabe de algo. Não conheciam os pais dele, nem amigos, nem irmãos. Ele apareceu ali sozinho, sem ninguém."

Dalila olhou para ele, seus olhos refletindo a dúvida que também se formava dentro de si. "E isso faz sentido agora, não é? Nenhum deles sabia quem ele era, porque ele não tinha passado por uma vida comum. Ele chegou ali como um fantasma, sem raízes. E o mais assustador é que, a cada vez que ele ressurgia, não era apenas o QI que aumentava. O corpo, a mente... ele ficava mais perfeito, mais... preparado. Como se o Domo estivesse tentando criar uma versão ideal dele."

Maddy se aproximou, o olhar sério. "Então você está dizendo que Ethan não tem história nenhuma? Não tem passado? Só existe para ser... usado?"

Dalila assentiu, a expressão pesada. "É exatamente isso. Existem três registros de Ethans que morreram em épocas diferentes, e logo depois outro surgia. Sempre com um novo sobrenome, sempre mais preparado. E o mais sinistro... cada versão nova que saía do Casulo tinha o QI maior do que o Ethan anterior."

O ambiente ficou tenso, as palavras de Dalila reverberando entre eles. Alex estava com a mandíbula cerrada, a frustração evidente. Ele sempre soubera que algo estava errado com Ethan, mas isso… isso era além de tudo que ele imaginara.

"Você sabe o que isso significa, Dalila?" perguntou June, a voz baixa, mas com a urgência de quem já compreendia o que estava sendo dito. "Se isso é verdade, Ethan... ele é apenas uma peça. Uma peça que o Domo usa e descarta. Como qualquer outra coisa."

Dalila olhou para June, sentindo o peso da realidade apertando seu peito. "Ele não é só uma peça, June. Ele é um experimento... e o pior, um experimento que ninguém teve a chance de proteger. O Domo fez isso com ele, e continua fazendo. E ele não sabe... ele não sabe o quanto está sendo manipulado."

Mas além de tudo isso ser perturbador ao extremo, havia algo que não fazia o menor sentido na cabeça de june.

“Por que sempre eles mantêm o mesmo nome?” June perguntou achando esquisito.

“Como assim?” Perguntou Dalila

“Seria mais fácil esconder isso se a cada geração eles trocassem o nome e o sobrenome. ETHAN deve significar algo. Vocês não acham?”

Dalila abre o computador pesquisa pelo nome do Ethan de um jeito diferente:

PROJETO E.T.H.A.N

O computador solicita senha de acesso e ela põe a da própria mãe e a resposta vem logo em seguida.



Experimento Tecnológico de Habilidades e Aperfeiçoamento Neural (E.T.H.A.N)

Relatório Federal de Pesquisa – Projeto Gênesis e Experimentos Anteriores


Objetivo: O objetivo dos experimentos realizados pelo Domo foi o desenvolvimento de seres humanos geneticamente modificados com habilidades cognitivas, físicas e sensoriais aprimoradas, com o propósito de atender às necessidades de segurança e aprimoramento da sociedade do Domo. Ao longo dos anos, diversos projetos foram conduzidos, culminando na criação do sujeito codificado como E.T.H.A.N., cuja evolução resultou em um ser humano com habilidades excepcionais e uma crescente consciência sobre sua própria existência.


1. Histórico dos Projetos

Experimento Cognitivo e Neuronal Aprimorado (ECNA) Objetivo: Aumentar a capacidade cognitiva da cobaia. Resultado: Sobrecarga mental, danos cerebrais irreversíveis, falha do projeto.Projeto Aprimoramento Bélico, Intelectual e Neuronal (PABIN) Objetivo: Criar um super-soldado com habilidades físicas e cognitivas aprimoradas. Resultado: Instabilidade emocional e morte precoce devido ao desequilíbrio entre habilidades físicas e cognitivas.Experimento Límite de Superdotação Adaptativa (ELSA) Objetivo: Desenvolver adaptação instantânea a diferentes situações. Resultado: Perda de identidade da cobaia, falha no controle das habilidades adaptativas, morte precoce.Experimento de Habilidades Neurais e Aperfeiçoamento (EHNA) Objetivo: Fusão do cérebro humano com tecnologias avançadas. Resultado: Rejeição biológica ao processo, falha do experimento e morte da cobaia.


2. O Projeto Final: E.T.H.A.N.

O E.T.H.A.N. (Experimento Tecnológico de Habilidades e Aperfeiçoamento Neural) representa a tentativa final de criar um ser humano geneticamente modificado com capacidades excepcionais. Este projeto, realizado após as falhas anteriores, procurou integrar aprimoramentos cognitivos, sensoriais e físicos em um único sujeito, com o intuito de maximizar sua utilidade para o Domo. Contudo, uma falha no processo de manipulação das memórias causou um efeito inesperado em E.T.H.A.N., resultando na retenção parcial de memórias de cobaias anteriores.


3. Processo de Rejuvenescimento e Reincorporação de Memórias

Após cada ciclo de rejuvenescimento, E.T.H.A.N. teve suas memórias apagadas e novas informações inseridas, mantendo sua utilidade para o Domo. No entanto, uma falha técnica causou a retenção de memórias de experimentos anteriores (ECNA, PABIN, ELSA, EHNA), criando uma consciência acumulada em E.T.H.A.N.. Este fenômeno resultou na crescente inteligência do sujeito, mas também em uma crise existencial, já que ele começou a questionar sua própria identidade e sua posição dentro do ciclo eterno de experimentos.


4. Resultados e Implicações Futuras

O experimento E.T.H.A.N. não apenas representa um avanço significativo em termos de habilidades aprimoradas, mas também revela a falibilidade do processo de manipulação genética e a importância do controle sobre os procedimentos de modificação da memória. E.T.H.A.N. começou a manifestar sinais de uma consciência própria, desenvolvendo uma identidade que vai além dos objetivos iniciais do Domo. O ciclo de rejuvenescimento foi comprometido, e o sujeito agora possui o desejo de interromper sua existência repetitiva, colocando em risco a continuidade do experimento.

A falha no controle das memórias e a crescente autoconsciência de E.T.H.A.N. representam um risco significativo para o Domo. Medidas de contenção e análise profunda serão necessárias para entender o impacto desta falha e garantir que os futuros projetos de aprimoramento humano não apresentem riscos similares.


Conclusão:

A pesquisa sobre E.T.H.A.N. e os experimentos anteriores revela os limites da manipulação genética humana e os riscos associados ao controle de memórias. Embora o projeto tenha alcançado um nível de aprimoramento notável em habilidades cognitivas e físicas, o erro na retenção de memórias gerou uma crise de identidade e um conflito existencial no sujeito. Este documento recomenda uma revisão urgente dos protocolos de rejuvenescimento e manipulação de memória, com ênfase em possíveis falhas psicológicas e filosóficas decorrentes da repetição do ciclo.



Alex balançou a cabeça, o olhar determinado. "E isso vai acabar. Não vou deixar que o Domo continue brincando com a vida de Ethan, e com a minha. Vamos fazer o que for preciso para destruir essa mentira."

Dalila olhou para ele, uma sensação de compreensão e dor atravessando sua mente. Ela sabia o quanto a busca por justiça de Alex era pessoal, mas agora, mais do que nunca, ela sentia que as respostas estavam cada vez mais difíceis de alcançar.

"Mas ele sabe," June acrescentou, olhando fixamente para Alex. "Antes de... antes de ele sair, Ethan me disse algo. Disse que não tem muito tempo. Como se soubesse que sua... vida estava prestes a terminar."

E então, em um suspiro quase inaudível, uma voz entrou na mente de June, como uma sensação, uma certeza: "Não tenho muito tempo." Era uma reflexão interna de Ethan, uma conclusão que ele chegara por conta própria. E June sentiu a dor e a aceitação em suas palavras, como se ele soubesse que o fim estava mais perto do que ele imaginava.

"Ele sabe, Dalila. Ele sabe que está perto do fim. Ele não tem tempo. Está tentando escapar, tentando destruir o Domo antes que o ciclo termine para ele."

Dalila olhou para June, assustada com a revelação. "Você ouviu o que ele disse?"

June apenas assentiu, a expressão grave. "Sim. Ele sabe que sua existência está prestes a acabar. E, mais do que nunca, ele está determinado a fazer algo sobre isso."

Alex olhou para June com uma mistura de compreensão e determinação. "Então é agora. Temos que agir enquanto ainda temos tempo."

Dalila sabia que eles estavam entrando em um território perigoso. Mas uma coisa era certa: se Ethan sabia que o fim estava próximo, isso significava que o tempo deles para encontrar uma solução estava se esgotando também. Eles precisavam agir rapidamente, antes que fosse tarde demais.

“Lisa, sei que não morre de amores por ele, mas preciso que o teletransporte ele para cá, nem que seja a força, leve Maddox junto” – Dalila pediu. – “Alex, vai na frente e garanta que ele se distraia”

“June, sei que é tarde, mas preciso que acorde seus pais, talvez os poderes deles nos ajudem também” – Dalila distribuiu as tarefas a cada um com um tom firma, mas calmo. – “Maddy, preciso que fique em algum quarto, não pode soltar alguma das suas frases perto dele antes que a gente explique com calma. Ok?”

Maddy acena que sim e sobe as escadas.

Dalila observava a movimentação na casa com um olhar atento, sentindo a tensão crescer à medida que cada um partia para cumprir sua parte do plano. Ela sabia que a situação estava se tornando cada vez mais crítica, e agora, mais do que nunca, cada segundo contava.

Lisa, com seu semblante sério, estava já se preparando para o que seria, sem dúvida, uma missão difícil. Teletransportar alguém contra a própria vontade não era tarefa fácil, mas a determinação dela estava visível. Ela olhou para Dalila e deu um aceno silencioso, entendendo que a missão era urgente e sem espaço para falhas.

Maddox, ao lado dela, parecia menos convencido sobre a necessidade de ação tão drástica, mas não questionou. O que fosse necessário, ele faria. Eles sabiam que o sucesso da operação dependia do trabalho conjunto de todos.

Alex já estava se movendo para fora, desaparecendo na sombra da noite, pronto para encontrar o alvo e garantir que a distração acontecesse como planejado. Ele era rápido e eficiente, e sabia que qualquer erro poderia prejudicar o andamento da missão.

Os pais de June desciam as escadas com rapidez, como se tivessem sido despertados por um pressentimento, ou talvez fosse a intuição da mãe que sempre parecia saber quando algo estava para acontecer. Eles estavam preparados para qualquer coisa, e Dalila podia ver isso no olhar deles.

A mãe de June, uma mulher forte, com os poderes que já haviam sido pouco explorados, se aproximou de Dalila. Ela sabia o peso da responsabilidade em suas mãos.

“Não se preocupe,” disse ela, seu tom firme mas cheio de um certo desespero contido. “Vamos agir com discrição. Pode confiar.”

Dalila deu um breve aceno, reconhecendo a confiança que os pais de June depositavam nela, mesmo com todas as incertezas que pairavam sobre aquele momento.

“Obrigado. Se precisarem de qualquer coisa, avisem imediatamente.” Dalila virou-se para June, que a observava atentamente. “Fique tranquila, vamos dar um jeito. Só me avise se algo mudar.”

June assentiu, compreendendo a gravidade da situação. Ela sempre soubera que os pais dela eram mais do que pareciam, mas agora, diante da iminente crise, ela percebeu o quanto esses poderes poderiam ser cruciais. Eles precisariam de toda ajuda possível.

Dalila se virou para os Walters, que aguardavam no outro canto da sala, ainda processando as últimas informações que haviam sido passadas. Ela sabia que precisava ser calma, mas assertiva, quando fosse a hora de revelar o que estava em jogo. Eles precisariam entender a magnitude da situação — o que estavam enfrentando era muito maior do que imaginavam.

“Vamos conversar. Precisamos entender que o que está em jogo não é só o que estamos fazendo aqui, mas o que está por vir,” Dalila disse com a autoridade de quem estava liderando aquele momento decisivo.

Ela respirou fundo, ajeitando-se para dar os próximos passos. O que aconteceria a seguir seria determinante para todos no Domo.

Dalila respirou fundo e fez um gesto suave com a mão, indicando que os Walter podiam se aproximar. A tensão no ar era palpável, e ela sabia que precisava ser cuidadosa nas palavras que escolheria. Eles estavam prestes a aprender algo que mudaria a forma como viam todo o sistema, algo que talvez fosse difícil de aceitar.

“Senhor e Senhora Walters, o que vou contar a vocês é algo que tem estado oculto, não apenas de vocês, mas de todos. Uma verdade sobre o que realmente aconteceu com Ethan e o Projeto ETHAN”, começou Dalila, sua voz firme, mas suave.

Marcus Walters se adiantou, franzindo a testa, confuso e cauteloso.

“Projeto ETHAN? O que isso tem a ver com ele? Ethan…?” Ele hesitou, e Lucia Walters ao seu lado parecia igualmente desconcertada.

Dalila olhou para June antes de continuar, buscando algo de conforto na expressão dela. Então, ela olhou diretamente para os Walters, sem desviar o olhar.

“Ethan não é quem ele disse ser. Ele não foi apenas um experimento do Casulo, como muitos pensam. Ele é parte de algo muito maior, algo que vocês nunca souberam... ou nunca foram informados.” Dalila fez uma pausa, observando suas reações. “Ethan foi criado, de certa forma, para testar o limite do aprimoramento humano. Ele é o resultado de um projeto secreto, um projeto em que experimentos genéticos avançados foram realizados.”

Lucia deu um passo para trás, balançando a cabeça em negação.

“Isso é... impossível. Não podemos ter sido enganados assim. Se isso fosse verdade, alguém teria nos contado... o Domo… o governo…” Ela olhou para Marcus, que parecia igualmente perplexo, como se estivesse tentando juntar as peças de um quebra-cabeça impossível.

“Eu entendo o que estão sentindo”, Dalila respondeu, suavizando o tom. “Mas a verdade é que o projeto foi mantido em segredo, inclusive de muitas das famílias influentes no Domo. Até mesmo vocês foram deixados no escuro. Ethan... ele foi uma vítima do sistema que vocês também ajudaram a construir.”

June se aproximou de Dalila, e seus olhos estavam carregados de dor, como se ela estivesse se preparando para dar o último empurrão para que a verdade fosse completamente revelada.

“Ethan... ele não só foi manipulado geneticamente, mas também foi usado como cobaia para algo maior. Ele é, na verdade, um experimento de aprimoramento neural, criado para ser algo mais que humano, algo que ninguém sabia como controlar... ou sequer sabia os efeitos que causaria”, June interveio, sua voz baixa, mas cheia de peso. “E isso é o que eles estão tentando esconder.”

Marcus e Lucia ficaram em silêncio por um momento. O que Dalila estava dizendo era demais para processar de imediato. O que estava acontecendo com o Domo, com as crianças, com o próprio Ethan? Eles nunca tinham sido confrontados com algo tão direto, tão chocante.

“Você quer dizer que ele... foi criado para ser uma arma?” Marcus perguntou, sua voz trêmula, como se estivesse tentando entender o alcance do que Dalila estava revelando.

Dalila assentiu, ainda com o olhar firme.

“Sim. Mas não apenas uma arma. Ethan foi moldado para ser a solução do Domo. Ele foi colocado ali para ajudar a resolver os problemas de uma sociedade que já estava perdendo o controle, mas ninguém sabia o preço disso.” Ela olhou para June, que estava claramente lutando para manter a compostura.

“E agora, Ethan se tornou mais do que apenas um experimento. Ele está aqui conosco, com suas próprias escolhas, e ele tem o direito de lutar pela liberdade que lhe foi negada.” Dalila fez uma pausa, esperando que as palavras tivessem o impacto necessário. “Por isso, precisamos agir com urgência. A verdade sobre ele não pode mais ser escondida.”

Lucia, ainda visivelmente chocada, se virou para Marcus, os olhos cheios de dúvida. Ela parecia prestes a falar, mas hesitou, como se precisasse de mais tempo para entender tudo o que acabara de ser dito.

“E como isso muda o que faremos daqui pra frente?” Marcus perguntou, finalmente quebrando o silêncio. Sua voz estava cheia de ceticismo, mas também de uma leve esperança, como se estivesse buscando uma razão para acreditar que o futuro ainda pudesse ser controlado.

Dalila olhou para eles, sem hesitar.

“Agora, mais do que nunca, precisamos de um novo caminho. O Casulo precisa ser destruído, e o sistema precisa ser reformado. Não podemos continuar com as mentiras e com o ciclo de experimentação. O Domo precisa de um novo começo, e isso só será possível se aceitarmos as falhas e nos abrirmos para mudanças reais. Para evoluir, precisaremos trazer de volta a variabilidade genética. Precisamos aceitar a ajuda de todos, dos que foram considerados inferiores, para reconstruir o que foi perdido.”

Ela olhou de volta para June, que parecia concordar silenciosamente, mas a dor ainda estava presente em seus olhos.

“E é por isso que precisamos contar com vocês. A verdade precisa ser revelada, e todos precisam tomar decisões difíceis, mas, no final, será a única maneira de salvar o que restou do Domo.”

Lucia olhou para Dalila e June por um longo momento, antes de abaixar a cabeça, visivelmente abalada, mas também pensando nas implicações daquilo. Ela sabia que o mundo que eles conheciam jamais seria o mesmo.