O Último Reino da Terra
13 Capítulo 12: Confiança e Suspeita
June levantou a cabeça, os olhos cansados, mas ainda com um sorriso irônico no rosto. A voz de Lucia Walters, sempre tão firme, a fez dar uma leve risada. "Vocês não perdem a chance de me lembrar dos riscos, né?" Ela se ajeitou no sofá, tentando relaxar um pouco, mas a tensão ainda estava no ar.
"Sim, mãe, eu também gostei de ver os Wilson desesperados", ela disse, dando uma leve piscada, "mas não foi só isso. As imagens, as fotos... As pessoas estão começando a perceber a verdade. Não podemos mais voltar atrás." Ela suspirou, sabendo que as consequências dessa ação seriam grandes.
Lucia, sentando-se ao lado de June, olhou para ela com um olhar severo, mas com uma pontada de orgulho. "É, filha, foi um golpe e tanto. Mesmo que eu tenha meus próprios receios sobre o que isso pode trazer de volta para vocês, ver o pânico no olhar deles foi um alívio. Eles merecem ver o inferno que criaram."
Marcus Walters, por sua vez, estava mais focado nos detalhes. Ele olhou para June com uma expressão de preocupação. "Mas cuidado, você sabe como o jogo funciona. E agora, com o hacker... É verdade, ele é novo, né? Nenhum de vocês sabe hackear nesse nível. Não é como nos velhos tempos, quando vocês contavam com as conexões de sempre."
June ficou em silêncio por um momento, como se ponderasse suas palavras. Ela sabia que o hacker, um membro recente do grupo, tinha mostrado uma habilidade impressionante ao conseguir burlar a segurança dos sistemas de transmissão. Embora todos no grupo estivessem cientes de que a ação era um risco, ela não podia deixar de se sentir um pouco mais confiante.
"Ele é bom, pai", disse ela, com um tom sério. "Não estamos fazendo isso sem pensar. E todos estamos cientes de que o risco é enorme. Mas já passamos do ponto de não voltar atrás." Ela se sentou, o corpo cansado, mas a mente fervilhando com as possíveis repercussões do que havia acabado de acontecer. "O governo vai tentar se vingar. Mas isso só nos dá mais força. Não podemos perder essa oportunidade."
Marcus respirou fundo, os olhos analisando a situação. "Eu sei, June. Só se lembre, sempre que você mexe com esses níveis de poder, as consequências podem ser irreversíveis. E o hacker... precisamos saber mais sobre ele. Ele está conosco, mas é difícil confiar cegamente."
Lucia olhou para o marido, antes de voltar seu olhar para June. "Confiança, minha filha... isso é tudo o que resta nesse mundo. E esse hacker, seja quem for, terá que ser muito bom para sobreviver a tudo isso."
June sorriu, mas com um tom sombrio. "Eu sei. E vamos manter a vigilância. O importante é que fizemos a diferença hoje. O parlamento e a monarquia agora sabem que não estamos mais sozinhos." Ela se recostou no sofá, sentindo o peso do que estava por vir. "Agora, é só uma questão de tempo até que as ruas mostrem a verdadeira força."
A noite caía sobre a cidade, mas a tensão apenas aumentava. Sabiam que o verdadeiro jogo estava apenas começando.
Marcus e Lucia trocavam olhares, claramente ainda ponderando sobre as peças que haviam sido movimentadas naquele jogo complexo. O silêncio pairou por um momento, até que Marcus, sempre mais direto, não conseguiu se conter e perguntou: "Então, June... Como foi que o Andreas se encaixou nisso tudo? Quero dizer, ele está se saindo bem, mas qual foi o real motivo de colocá-lo como porta-voz no jornal? Não foi uma decisão aleatória, não é?"
Lucia também olhou para a filha, com uma expressão intrigada, mas com um toque de cautela. "É verdade. Não estou dizendo que ele não tem suas qualidades, mas você sabe como as coisas funcionam. Ele pode até ser convincente, mas um movimento como esse, colocar alguém nesse papel... isso deve ter um motivo bem pensado."
June ficou em silêncio por alguns segundos, processando a pergunta. Ela sabia que seus pais estavam atentos aos mínimos detalhes, e isso fazia parte do jogo, especialmente quando se tratava de alguém como Andreas. Ela respirou fundo, tentando não parecer apressada na resposta.
"Não foi algo que eu planejasse inicialmente, mas quando vimos a situação tomar proporções maiores, parecia o movimento certo." June parou para observar o rosto de ambos, verificando suas reações. "Andreas... Ele tem um jeito de falar que cativa. Ele não se intimida. Foi estratégico colocá-lo naquele papel. Ele tem o tipo de presença que conseguiria provocar as reações certas, não só no parlamento, mas na população também. E, mais importante, ele ainda não é um alvo claro. Ele estava ali para levar a mensagem, sem que a atenção ficasse toda em cima de nós." Ela deu de ombros, tentando mostrar uma confiança que não estava 100% ali. "Não seria prudente se expormos demais agora, não até termos mais apoio. O Andreas foi uma forma de dar um rosto mais 'neutro' à nossa causa, pelo menos por enquanto."
Marcus ainda parecia desconfiado. "Isso tudo soa bem, June, mas ele não tem um histórico tão limpo. Ele tem ambições, e você sabe o quanto isso pode ser perigoso. Pode ser que ele tenha ficado com a ideia de que essa 'oportunidade' é sua para tomar, se a coisa continuar escalando. Você tem certeza de que ele está realmente alinhado com o que vocês querem?"
Lucia assentiu, concordando com o marido. "Ainda temos muito a aprender sobre o Andreas. Não podemos apenas confiar no que vemos. Ele pode ser útil agora, mas e no futuro?"
June franziu o cenho, sentindo o peso da dúvida sobre Andreas crescer, mas ela sabia que, por enquanto, o importante era que o objetivo havia sido cumprido. "Eu entendo a preocupação de vocês, e não estou ignorando os riscos. Mas ele se mostrou leal até aqui, e a verdade é que não temos muitas opções. Se ele estivesse querendo tomar o controle ou se distanciar do grupo, já teria feito isso. Eu vou ficar de olho nele, pode deixar."
Lucia suspirou e, após um momento de silêncio, falou com uma voz mais suave: "Só lembre-se, querida, que confiança é algo que se constrói com o tempo. Ninguém é intocável. E você precisa saber quando é hora de cortar os laços."
Marcus levantou-se, caminhando até a janela para observar o céu escuro, pensando em todas as possibilidades que se desenhavam diante deles. "O jogo está apenas começando, June. E você não pode jogar sozinho. A confiança no grupo é fundamental, mas você também precisa estar atenta a quem mais pode estar jogando o jogo."
June, cansada, mas resoluta, fechou os olhos por um momento. Sabia que, no fim das contas, o risco de confiar em pessoas era o preço que tinham que pagar para derrubar o sistema. O que ela não podia prever era até onde o Andreas estava disposto a ir. "Eu sei, pai. E vou manter meus olhos bem abertos."
A noite estava tranquila demais para que June conseguisse descansar. Seus pensamentos, ainda agitados pelo turbilhão de conversas e revelações do dia, não a deixavam dormir. Ela se revirava na cama, procurando uma posição confortável, mas a mente não parava de correr. O tempo parecia mais lento do que o habitual.
De repente, um som suave, como um leve "psiu", atravessou o silêncio da casa. Ela reconheceu a voz imediatamente. Não era de seus pais. Ela olhou ao redor, se perguntando se tinha imaginado, mas logo a voz voltou, sussurrando diretamente em sua mente.
"Duvido que você esteja dormindo, June. Eu também não consigo. Me encontre na porta dos fundos."
Ela levantou uma sobrancelha, um sorriso cansado se formando nos cantos dos seus lábios. Ethan. Claro. Ele sabia quando ela estava inquieta, como se tivesse uma conexão direta com suas dúvidas e incertezas.
Sem hesitar, June se levantou da cama, vestindo rapidamente uma camisa e calças. Caminhou até a porta dos fundos, onde encontrou Ethan esperando na penumbra. Ele estava com a postura relaxada de sempre, mas seus olhos, ao contrário, estavam alerta, como se a noite tivesse trazido mais questões do que respostas.
"Você também não está conseguindo dormir?" June perguntou em tom baixo, observando-o com atenção.
Ethan deu uma leve risada, o som abafado pela noite. "Nem um pouco. Estava pensando em algumas coisas... E sabia que você também não iria dormir tão fácil depois do que aconteceu." Ele olhou para ela, ainda sorrindo, mas o olhar refletia algo mais sério. "Achei que seria mais... confortável falar em um lugar mais seguro."
June hesitou por um instante. Não queria levantar suspeitas, mas a necessidade de conversar com alguém parecia ser mais forte. "Você quer entrar? Podemos conversar um pouco na cozinha. Eu faço um chocolate quente. Nada melhor do que algo quente para espairecer."
Ethan assentiu, entrando com ela. Eles desceram as escadas em silêncio e se dirigiram até a cozinha. June pegou os ingredientes para o chocolate quente e, enquanto preparava, Ethan ficou ali, observando a movimentação. Ela podia sentir que ele estava tão tenso quanto ela. O ambiente calmo e familiar ajudaria a aliviar a tensão.
Enquanto o chocolate esquentava, eles se sentaram à mesa, ainda com as luzes apagadas, exceto pela lâmpada suave acima deles. O silêncio era confortável, mas a conversa logo tomou o caminho certo.
"Você está mais tranquilo agora?" June perguntou, sua voz baixa, como se quisesse evitar acordar os outros da casa.
"Sim... agora que estamos sozinhos," Ethan respondeu, olhando para ela, os olhos ficando um pouco mais sérios. "Eu queria entender onde você está, como se sente com tudo isso. Sei que você tem dúvidas, e sei que, com os pais por perto, é difícil deixar as coisas saírem de controle. Mas você não está sozinha nisso, June. Você tem aliados." Ele fez uma pausa, como se pesasse a importância de suas palavras. "E eu estou aqui, não só para te ajudar com os sistemas, mas para garantir que a resistência não se perca no caminho."
June o olhou, estudando suas palavras. Ela sabia que havia mais em Ethan do que ele deixava transparecer, mas por agora, ela se contentava com o que ele compartilhava. "Eu sei que você é mais do que apenas um hacker, Ethan. Sei que há mais intenções por trás do que você faz. Mas eu também sei que precisamos de você. Se a resistência vai dar certo, nós precisamos confiar uns nos outros."
Ethan sorriu levemente, quase como se estivesse aliviado por ela finalmente ter dito isso. "Não precisa se preocupar. Eu não vou deixar você na mão. Não agora."
Os minutos se passaram, e o chocolate quente foi consumido lentamente enquanto os dois compartilhavam um momento de compreensão silenciosa. Quando a conversa se acalmou, e o chocolate acabou, June percebeu que a tensão ainda pairava no ar.
"Então," ela disse, quebrando o silêncio, "o que mais está no seu plano? Como vamos lidar com o que vem depois?"
Ethan olhou para ela com uma intensidade renovada. "É complicado. Não podemos mais confiar apenas no que sabemos. O governo vai reagir, e nós temos que estar prontos para isso. Mas uma coisa é certa: é hora de dar o próximo passo."
Nesse momento, o som de uma porta rangendo no andar de cima quebrou o silêncio. June e Ethan trocaram um olhar rápido, e ela fez um gesto sutil para que ele fosse mais quieto.
Marcus, sempre atento aos sons ao redor, estava descendo as escadas. Ele já sabia que algo estava acontecendo. Como sempre, ele mantinha uma certa vigilância sobre tudo o que se passava ali. Ele havia escutado a movimentação e decidiu descer para ver quem estava com sua filha, mesmo que ele soubesse que o grupo estava cauteloso e não deixaria ninguém entrar sem uma boa razão.
Ele desceu mais alguns degraus e entrou na cozinha, os olhos fixos em June e Ethan. Ele não parecia surpreso, mas o olhar que lançou para Ethan foi cauteloso, como se já estivesse começando a montar peças em sua mente.
"Não consigo dormir também," Marcus disse, quebrando o gelo. "O que estão fazendo aqui, tão tarde?"
Ethan ficou em silêncio por um momento, mas não hesitou em responder. "Apenas um pouco de conversa, senhor Walters. Não se preocupe, não vou ser um incômodo."
Marcus o estudou com um olhar penetrante. "Você é o hacker que está ajudando minha filha e a resistência." Ele fez uma pausa, como se estivesse avaliando cada palavra. "É bom ver que há mais pessoas dispostas a se arriscar. Mas só me lembre de uma coisa, Ethan..." Ele deu um passo mais perto. "Não estou aqui para fazer amigos. Estou aqui para garantir que minha filha, e o que sobrou de nossa família, fique protegida."
Ethan manteve a calma, mas havia algo de calculado em sua postura. "Compreendo. Mas estamos do mesmo lado, senhor Walters. Eu estou aqui para garantir que todos nós saímos dessa vivos."
O clima ficou tenso por um momento, mas Marcus, sempre cauteloso, simplesmente acenou com a cabeça. "Então, mantenham isso em mente."
Com isso, ele se afastou, mas antes de subir novamente, deu um último olhar para Ethan. Algo em sua mente estava começando a se conectar. Ele sabia que o hacker não era alguém comum. Havia mais ali do que parecia.
Depois que Marcus subiu novamente, a tensão no ar não desapareceu completamente, mas June e Ethan se mantiveram em silêncio por alguns segundos, como se ambos estivessem absorvendo a interação com o pai dela. O olhar de Marcus não havia passado despercebido, e Ethan, que sempre tinha uma postura controlada, parecia agora mais consciente do quanto estava sendo avaliado.
June, quebrando o silêncio, inclinou-se ligeiramente para frente, seus olhos fixos em Ethan. "Então... isso não foi exatamente o que eu esperava. Acho que ele percebeu mais do que eu queria que ele percebesse."
Ethan deu um sorriso pequeno, como se tentasse aliviar a tensão que pairava entre eles. "É, seu pai é bom nisso. Ele tem uma maneira de ver mais do que os outros. Mas não se preocupe. Ele não vai criar problemas, desde que você mostre que não está sozinha nisso."
June suspirou, deixando os ombros caírem levemente. "Eu sei, mas... às vezes parece que estamos andando em um campo minado. Cada movimento, cada palavra... pode ser a última, se não tomarmos cuidado."
Ethan a observou, seus olhos mais suaves do que antes, como se compreendesse o peso da situação. "Eu sei o que é viver assim. Cada decisão pode te levar para o abismo ou te manter mais forte. Mas é por isso que a resistência existe, June. A gente não está só na luta; cada um de nós tem um papel, uma forma de fazer a diferença."
Ela olhou para ele, a seriedade nos olhos refletindo o quanto aquela conversa significava para ela. "E você... qual é o seu papel, Ethan? O que você realmente quer com tudo isso? Não estou dizendo que não confio em você, mas eu sei o que a resistência precisa, e, bem, não é exatamente alguém que fica apenas atrás das telas. Qual é o seu jogo?"
Ethan deu uma leve risada, mas não foi algo animado. Era mais uma risada nervosa, talvez até uma tentativa de aliviar a tensão que existia entre eles. "Meu jogo? Não sei se é um 'jogo'. Eu faço o que sei fazer. Eu manipulo os sistemas, entro onde ninguém mais consegue, e faço o trabalho sujo. Mas o que eu realmente quero... bem, isso é algo que ainda estou tentando descobrir."
June levantou uma sobrancelha, curiosa. "Você não tem certeza de suas intenções?"
Ele balançou a cabeça, um pouco frustrado. "Eu sei que o que estou fazendo é certo. Mas isso não significa que seja fácil. Estou aqui para garantir que o governo caia, mas não é só isso. Não estou fazendo isso só pela revolução. Eu também tenho minhas próprias razões. Todos nós temos, não é?"
June o olhou por um momento, pensativa. "Você não precisa me contar tudo, Ethan. Mas... eu sei que você tem uma missão. Não é só por causa dos outros, não é?"
Ele ficou em silêncio por um momento, a expressão séria. "Acho que você me entende mais do que eu pensei. Mas, por enquanto, o importante é que estamos do mesmo lado. E, por mais que seja complicado, eu confio no que estamos fazendo."
June olhou para ele, sentindo a intensidade da conversa. A confiança que estavam construindo era silenciosa, mas poderosa. "Você sabe que estamos todos na mesma linha tênue, certo? Mas, assim como você, eu também não vou deixar que nada nos pare."
A conversa continuou por mais alguns minutos, entre palavras sussurradas e olhares que diziam mais do que qualquer frase poderia expressar. Ambos sabiam que o que estavam fazendo era perigoso, mas o entendimento mútuo, a força em saber que compartilhavam um objetivo, tornou tudo mais suportável.
Quando o silêncio se instalou novamente, June terminou seu chocolate quente, colocando a caneca sobre a mesa. "Já está tarde. Acho que precisamos descansar, mesmo que nossa mente esteja em um turbilhão. Amanhã será outro dia... mais uma batalha."
Ethan olhou para ela, com um leve sorriso. "É, amanhã será outro dia. Mas, por enquanto, durma bem. Estaremos prontos para o que vier... isso é o que importa, June." Ele fez uma pausa, olhando para ela com um olhar que misturava sinceridade e uma pontada de preocupação. "Enquanto estivermos juntos nessa, podemos enfrentar qualquer coisa que venha. Não importa o que eu tenha em mente, agora o objetivo é o mesmo. Derrubar o sistema."
June assentiu lentamente, absorvendo as palavras dele. Havia algo em Ethan que ela ainda não conseguia decifrar completamente, algo que estava além da sua habilidade com os sistemas. Ela sabia que todos tinham suas motivações e que, no fundo, todos estavam presos a esse jogo arriscado. Mas a lealdade dele, por mais difícil de entender, era algo que ela não podia ignorar.
"Eu sei, Ethan," ela respondeu, "estamos todos aqui pelo mesmo motivo. E, por mais que haja segredos, o que importa é que cada um de nós contribui de uma forma que ninguém mais pode. Eu confio em você... por agora."
Ethan sorriu levemente, mas o sorriso não alcançou completamente seus olhos. "E eu confio em você também, June. Mas a verdade é que, quanto mais fundo vamos, mais difícil fica separar o que é realmente importante do que estamos dispostos a sacrificar por isso."
Ela se recostou na cadeira, seus pensamentos retornando ao que estavam enfrentando. A luta não seria fácil, mas sabia que o caminho que escolhera não tinha volta.
"Sim, e cada escolha nossa vai ter um preço. Mas não podemos pensar nisso agora. O que importa é o que estamos fazendo aqui e agora, como estamos agindo. O resto... a gente vai descobrindo no caminho."
O silêncio se instalou entre os dois, e dessa vez, foi mais confortável. Eles sabiam que havia mais a discutir, mais planos a serem feitos, mas naquele momento, o entendimento entre eles era suficiente. Eles não estavam sozinhos, e isso, por mais que as ameaças se multiplicassem, fazia toda a diferença.
A noite se estendeu até que o chocolate quente estivesse completamente consumido, e com isso, a sensação de que, apesar das incertezas, algo significativo estava sendo construído. Talvez fosse a confiança mútua que se formava aos poucos, ou a ideia de que, enquanto estivessem unidos, havia uma chance real de reverter o que parecia irreversível.
Antes de se despedirem, Ethan se levantou e fez um último comentário, um sorriso leve no rosto, mas os olhos carregados de uma emoção que June não conseguiu identificar completamente.
"Nos vemos amanhã, June. Só lembre-se: o próximo passo precisa ser dado com mais cuidado. O governo vai nos atacar de todos os lados. E quando menos esperarmos, vai ser a nossa vez de mostrar quem manda."
June olhou para ele com firmeza, seu olhar refletindo o peso da responsabilidade que carregava. "Sim. Vamos estar prontos."
Ele se afastou, saindo pela porta dos fundos com a mesma postura relaxada de sempre, mas ela sentiu o peso das palavras dele ecoando em sua mente. A resistência estava longe de ser segura, e o verdadeiro confronto ainda estava por vir. Ela sabia que, naquele momento, estava mais envolvida do que nunca, e que, se algum dia sairiam vitoriosos, seria pela coragem de agir, mesmo quando o futuro parecia sombrio demais.
Ela se sentou por um momento, refletindo sobre tudo o que havia ocorrido até agora, e então, com um suspiro profundo, subiu as escadas em direção ao seu quarto. Não havia tempo para descansar, não mais. A luta continuava.
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