O Último Pedido
3 Já basta
Notas iniciais
– ELIZA!!! DESLIGA ESSA DROGA DE GALINHA QUE ESTA CACAREJANDO A HORAS! EU AINDA TENHO ALGUNS MINUTOS DE SONO, DROGA! — Gritou meu pai me despertando de um sono profundo.
Olhei para o celular e lá estava a hora que não deveria estar! Eu realmente estava muito atrasada. Desliguei o alarme e no visor apareceu 4 mensagens do Willian, meu melhor amigo.
"Bom dia coisa do Will! Hj vou sair ás seis da matina... Pf n se atrase!"
"Liza... Me encontra 6:00 na garagem... É sério! Hj tem prova e eu preciso de vc... S-E-I-S H-O-R-A-S, nd de 6:01 ou 6:10! É seis hrs, n me faça subir ai"
"ELIZAAAA! KD VC? Subi ai, mas ninguém atendeu! Minha mãe já ta metendo o loko aqui"
"N deu pra esperar mais... Já fui! ):"
Levantei da cama atropelando tudo. Fui pro banheiro escovei os dentes e tentei dar um jeito naquela juba enorme, mas sem muito sucesso. Coloquei o uniforme mais rápido que pude e calcei os tênis mais práticos. O ruim era ter que achar meu óculos no meio daquela bagunça que eu chamava de cama. Quando achei... Sai correndo atrás de mochila, pasta e chaves!
Passei pela cozinha e vi minha mãe com aqueles cabelos emaranhados colocando a Maria Chiquinha da Ello no lugar correto enquanto a preguiçosa ainda sonolenta tomava seu café da manhã sentada no balcão.
– To indo! — disse já abrindo a porta.
– Ok... Vamos Elloisa, sua irmã vai te levar hoje para a escola!
– QUÊ? — falei alto demais.
Aquilo só podia ser brincadeira.
– Shiiiiu... Seu pai esta dormindo sua escandalosa! — fez cara feia enquanto Elloisa descia do banco.
– Mãe eu não posso levar a Elloisa! Eu tenho apenas meia hora pra tentar entrar na escola!
– Segunda-feira tínhamos combinado que você a levaria! Trato é trato!
Eu queria bater a cabeça na parede umas 3 vezes! Se eu perdesse aquela prova eu não ia mais poder participar do musical que batalhei tanto pra ser a protagonista.
– Ta! Então vamos logo! — apressei Deus e o mundo.
– Perai... Só deixa eu pegar a lancheira rapidinho!
– Argh! — murmurei — Vai logo mãe!
Então depois de alguns minutos ela me aparece com a bendita lancheira.
– Obrigada! — olhei pro visor do telefone — Agora tenho 27 minutos para levar a Elloisa e entrar na escola!
– Ai que dramática! — rolou os olhos — Vão com Deus! — falou assim que eu arrastava minha irmã porta a fora.
– Amém! — e bati a porta.
Pegamos o elevador e seguimos o mais rápido que podíamos. Era uma cena estranha... Elloisa parecia ser aqueles cachorros que são arrastados pra onde os donos querem que eles vão. Enquanto eu dava um passo ela dava 4 pra acompanhar. Olhei pra ela com uma dó enorme... Ela segurava minha mão com o rostinho cansado, com a outra chupava seu dedão como de costume. Tentei não pensar no filhotinho de cachorro e me concentrei na rota. A creche não era tão longe da minha escola, apenas algumas ruas de distância. Paramos na faixa.
– Dormiu que horas Ming Ming? – olhei com pressa para o semáforo que estava vermelho.
– Eu não sei, “talde”... — respondeu tirando o dedão da boca.
– Tarde? — adivinhei.
– Sim – concordou.
– Assistindo desenho de novo né?
– Sim, eu nunca tinha assistido aquele lá não – tagarelou.
– Hm... Mas tarde você dorme, ok?
– Ta bom! — colocou o dedo na boca novamente.
O sinal havia aberto, então atravessamos e apertamos o passo.
Chegando, levei-a até lá dentro e a entreguei para professora.
Olhei para o relógio, faltava 8min para às 07h00min, me desesperei e sai de lá correndo (praticamente).
Desci a rua da escola junto com os atrazildos de plantão, e geralmente isso não acontecia.
Nunca acontecia.
Hoje tinha prova de história e era muito importante, se eu não passasse não poderia participar da peça da escola, já que exigiam alunos que provassem o slogan da escola “100% dedicados na educação e na arte”. E claro isso contava como mais pontos para a futura faculdade. Minha escola é muito rigorosa e tudo contava pontos, sério, tudo. Estou no segundo colegial e lutando por pontos pra faculdade que só farei ano queque vem.
Passei pelo portão e subi as 2 escadarias correndo... Senhor González era legal, mas não tolerava atrasos de maneira nenhuma e já tinha se passado dez minutos dos cinqüenta minutos de aula e de prova. Juro que fiquei desesperada, eu estava ensaiando este musical há um mês e tinha conseguido o papel da protagonista, história era a única matéria que eu precisava passar pra o papel ser oficialmente meu, já que a queridinha do diretor o almejava, (sim, ela era minha substituta) a filha do diretor, Nadine Clarindo.
Bati na porta ofegante, suando e com certeza com o cabelo armado. Respirei algumas vezes até que a porta abriu.
– Senhorita Sartori... Atrasada? – arqueou a sobrancelha – Com certeza veio pra aula certa... Porque isso foi um fato histórico – disse irônico
– Desculpe senhor, posso entrar?
– Sabe bem que odeio esse tipo de coisa, não sabe? – insistiu
– Sim senhor, peço desculpas! Isso nunca mais vai acontecer...
– Espero que não senhorita... Pode entrar, teve sorte porque não distribui as provas, porém... Teve azar, pois houve uma rápida explicação do que ia cair...
Tudo bem, eu havia estudado e sabia tudo. Fui até minha carteira e pude ver o sorriso de satisfação de Willian e os olhos confusos de Vivian me pedindo explicações, mas os ignorei e me sentei.
– Tudo bem pessoal, já que todos estão aqui vou entregar as provas!
Assim fez, contava os alunos na fileira e pedia pra passar pra trás. Eu me sentava na última fileira do lado esquerdo perto das janelas. Atrás de mim sentava Willian e logo vinha Vivian.
Peguei a prova e li a primeira questão, estava muito fácil, a peça estava no papo. Comecei a fazê-la... Depositei toda a minha concentração nela, mas as vezes ficava irritada com as perguntas idiotas de certos alunos que me tirava totalmente o foco dela.
Quando aquele burburinho terminou assinalei uma das respostas e fui passando pra outra que havia algumas pegadinhas...
Já estávamos há alguns minutos fazendo a prova, então bateram na porta novamente, o silêncio foi quebrado facilmente e quando vimos era a secretária do diretor, Juliana.
– Sim? – disse senhor González.
– Licença senhor, mas a mãe da menina... – pigarreou – que o senhor deve conhecer acabou de chegar...
Juliana era tão mal em disfarçar. Todos da escola já sabiam que senhor González se envolveu novamente com uma guria do terceiro ano. Foi fofoca pra lá e pra cá, durante uma semana, Vivian me atualizava sempre... Não que eu ligava pra essas coisas, mas, tipo sempre ficava sabendo.
Senhor González não era de se jogar fora mesmo, ele não tinha família e nem nada do tipo. Se ele tiver 35 anos é muito... Alto, cabelos cacheados,olhos mel e barba cerrada. Bom, acho que se divertiu muito na faculdade, se é que me entende? Era o tipo de cara que comia quieto e não deixava vestígios (ou deixa agora)...
Como um cara tão inteligente podia se envolver com essas gurias de borboleta acesa? Elas são tão fúteis. O 3° ano é onde se encontra a maioria dos enojáveis. Chamo-as de “As dadas”, porque velho... Nunca vi tanto desespero em perder a virgindade. Sério... Eram os seres mais fúteis que havia visto. Eu com certeza era mais madura do que 10 juntas.
Mas voltando a história... Senhor González estava “pegando” duas dadas do 3° ano ao mesmo tempo e uma descobriu isso. Pra ferrar a outra contou pro diretor, que esta tentando desvendar esse mistério há uma semana. Muitos boatos estavam distorcidos de como “ele engravidou a menina” ou “eles transaram na mesa do diretor no intervalo”, mas Vivian era filha do diretor e me contava (mesmo eu não querendo) a história.
Não estou doida, sim... Minha melhor amiga é irmã de Nadine Clarindo.
Nadine era tão estúpida que repetiu um ano e teve que cair bem na nossa sala, o que eu odiava, porque ela me enchia a paciência e era uma das dadas.
Senhor González olhou pra turma e disse:
– Já volto... Senhorita Juliana, poderia olhá-los? Eles estão no meio de uma prova.
– M-mas senhor, eu tenho...
– Por favor? – insistiu
– Ta, tudo bem.
– Obrigado, isso não vai demorar – e saiu.
Juliana além de não saber disfarçar, não sabia se impor. No que era pra ser uma prova, virou uma cola. Willian meu melhor amigo começou a me cutucar com sua caneta desesperadamente enquanto eu tentava continuar a droga da prova.
– Liza... – chamou – Coisa do Will... – novamente – ELIZA! Pelo amor Deus, da pra me ajudar? – perguntou irritado quando o ignorei
– Por que não estudou Willian? Eu te chamei pra estudar! – sentei de lado e o encarei.
– E eu combinei contigo às seis da manhã na garagem pra vir pra esse inferno, mas você não apareceu, e eu não estudei porque tinha coisas mais importantes pra fazer, você sabe... – riu malicioso.
– Sério? Não me diga? Como foi? – fingi interessada.
– Ele foi lá em casa ontem! – dedurou Vivian enquanto escrevia algo na sua prova.
– Cala boca Vivian, não era pra você contar!
– Meu Deus, ela de novo? – disse incrédula – Ou você não superou ou você esta na seca Will!
– Cara... Ela deu mole e eu não me contive, eu falo pra você que te quero, mas você não acredita idiota, então se não tem cão caça com gato – mostrava seus dentes lindos novamente numa risada.
– Que nojo Willian! – disse.
– Que nojo mesmo – concordou Vivian.
– Já disse, namora comigo que eu não fico mais com ela – disse em tom de brincadeira e sorriu.
– Você é um pilantra Willian Guimarães, nem que eu pedisse pra você prometer isso, você faria...
– Coisa do Will, por você eu faria tudo – segurou minha mão e a beijou.
– Não acredite, ele continua um pilantra – pigarreou Vivian.
– Cala boca Vivian! Por essa menina eu beijo o chão – não aguentamos e rimos juntas daquela piada.
A sala ainda estava uma baderna e Juliana não se importava, continuamos conversando e Will continuou com suas brincadeiras de “falso-amor” quando uma pessoa se aproximou.
– Oi amor – sorriu Nadine, interrompendo nossas risadas e me fazendo rolar os olhos e logo soltar minha mão da de Will.
– Eae! De boa? – Willian disse enquanto parava de rir e segurava minha mão firme novamente, que insistia em soltar da dele.
– É... Queria saber por que passou reto e não falou comigo hoje e por que não respondeu minhas mensagens, sabe... Ontem fiz algo que não agradou? – olhava pra briga das nossas mãos que no final ficaram entrelaçadas.
– Wow! Muitas questões em jogo... – brincou, tentando tirar alguma risada minha, o que não conseguiu, porque aquilo era ridículo.
– Poxa Will, eu fico confusa você sabe! – disse manhosa.
– Quer mesmo discutir isso... Aqui? – arqueou a sobrancelha sussurrando.
– Se importa fedelha? — se dirigiu a mim com aquela cara de dada.
– Nadine, não precisa disso... – disse Willian, agora sério.
– Ah... Claro se importa de soltar a mão do meu namorado? – não ligou para o pedido — Não quero que ele pegue bactérias...
Era incrível a capacidade de ser tão fútil.
– Vê se não enche guria, ele é meu amigo – apertei mais a mão dele, a fim de provocar.
– Esse seu sotaque idiota do sul me irrita tanto – riu.
– Cala boca Nadine, deixa ela em paz, vai arrumar o que fazer! – pediu Vivian – Todo dia é essa merda!
– Não fode Vivian ou senão eu te ferro em dois tempos!
Esperava uma revidada de Vivian, mas ela aceitou aquilo e calou-se. Achei estranho.
– E de onde tirou que somos namorados? – perguntou Willian.
– Sempre fomos amor... – respondeu naturalmente.
Como aquilo me enojava... Will namorou Nadine por alguns meses logo quando fizemos 1 ano e meio de amizade. Nos conhecemos quando me mudei de Porto Alegre, ele mora no mesmo prédio que eu. Nos mudamos no começo de dezembro, época de férias, festas e essas coisas. Eu não queria estar aqui... Não mesmo! Mas meus pais acharam que era preciso. Eu morava com minha vó Mariana que cuidava da minha família e tipo, tinha mais amigos em Porto Alegre do que aqui. Lá era melhor, lá parecia meu lugar permanente. Mas infelizmente, minha protetora foi pro céu e tivemos que seguir nosso rumo, São Paulo. Um mês depois de me mudar minha mãe disse que a vizinha do 5° andar tinha nos convidado para um jantar e eu não queria ir, nem a conhecia e seria estranho, mas minha mãe queria fazer amigos, pois não aguentava mais ficar num lugar onde só havia estranhos. Fui contra minha vontade, quando chegamos era o apartamento do Willian, eu já tinha o visto algumas vezes jogando bola com alguns meninos enquanto eu acompanhava meus pais pro antigo salão de jogos que eles haviam alugado pros ensaios dos nossos instrumentos. Neste jantar, minha mãe conseguiu o que queria, pois logo estava intima da Dona Fátima que lhe indicou a escola que Willian estudava e essas coisas, e o seu Victor conversava com meu pai sobre algumas coisas nostálgicas de suas infâncias. Eu fiquei cuidando de Ello, me certificando que ela não quebraria a garça da Dona Fátima que ficava na mesa de centro... Willian ficou sentado no sofá sofisticado cinza de sua sala rindo das peripécias que Elloisa me pregava. Fiquei com raiva, mas toda vez que ele me encarava, com certeza, ficava toda vermelha. Ele tinha 15 anos na época e era muito atraente... Quer dizer, continua, mas agora ele é apenas meu amigo. Ele é atlético, cabelo escuro e liso, olhos azuis piscina e sorriso exuberante. Tipo... É o sonho de qualquer guria. Neste dia, ele me chamou pra jogar seu vídeo-game, mas eu disse algo como “não, obrigada, preciso cuidar da minha irmã”, o idiota foi falar pra minha mãe e depois da minha mãe insistir muito pra não ficar chato eu aceitei. Fomos pro seu quarto e cara, era muito legal, mas não demonstrei isso, acho... Sentei em sua cama com Elloisa no colo, ele ligou o vídeo-game e se gabou que havia ganhado do seu padrinho rico e que era de última geração. Depois de colocar o jogo disse: “primeiro as damas”, não achei ruim e peguei o controle, não sabia quando podia jogar aquilo outra vez. Elloisa começou a apertar em tudo e eu desesperada com medo dela quebrar e desfigurar, entreguei. “Hey, relaxa... Eu seguro ela enquanto você joga! Mas quando você morrer é minha vez, ta?” disse quando se recuperou do riso e a pegou de meus braços. Enquanto ele segurava Ello eu brincava no seu “vídeo-game-de-última-geração” e não demorou tanto eu perdi todas as minhas vidas, mas ele não parecia tão interessado no jogo, pois brincava e arrancava risadas de Ming Ming. Reiniciei o jogo e consegui passar de fase, mas quando finalmente consegui fazer isso, Elloisa havia derrubado seu abajur de cores neon no chão e fez um grande barulho... Joguei o controle na cama e fui ver se havia quebrado. Mas apenas trincou... “Putz” ele disse levando as mãos a cabeça. Fiquei tão preocupada que tirei Elloisa de lá e só sabia dizer: “Desculpa, eu compro outro pra você! Desculpa!”. Ele apenas sorriu e disse: “Relaxa, acontece! Não se preocupe. Ainda funciona!”. E eu continue a insistir que comprava outro, mas ele desconversou e sua mãe nos chamou pra comer. Jantamos e percebi o quanto eles eram finos e elegantes, também... Gente rica é assim né? Quando terminamos ele me chamou pra jogar de novo, dessa vez Elloisa ficou com minha mãe. Voltamos pro seu quarto e ficamos jogando contra, as vezes conversávamos, as vezes ficávamos em silêncio, as vezes ríamos e não demorou muito ficamos um pouco íntimos. O jantar pra minha mãe foi “100% proveitoso”, saímos de lá agradecendo por tudo e dona Fátima disse pra fazermos isso mais vezes e Willian disse que eu podia ir lá quando quisesse e que gostou muito da minha companhia. Ele era um guri legal, parecia um mauricinho metido, mas aparentava e era legal.
Minha mãe me fez estudar as férias toda pra fazer a prova da escola do Willian, já que não podíamos pagar tão caro, senão desse certo, ela me matriculava numa pública mesmo, mas eu precisava passar pra ganhar a bolsa e quando consegui passar na prova ela me matriculou em sua escola. Foi uma alegria só... Tipo valeu todo esforço, pois era pra algo que eu gostava. No começo do ano sua mãe sempre me oferecia carona, quando percebi nós éramos super amigos, ele me apresentou pra todos, inclusive Nadine e Vivian que eram suas amigas há algum tempo. Desde o início não fui com a cara da Nadine e tinha ciúmes porque ela era da turma dele, e fazia piadas do meu sotaque ou da minha cultura. Foi um começo abalado, mas ai conheci Vivian direito que era da minha turma e totalmente diferente de sua irmã. Começamos a nos falar quando as meninas tocavam no assunto “Jonas Brothers”, nossa banda predileta. Começamos a falar sobre o quanto éramos fãs e o quanto eles eram incríveis! E pronto, não teve como, os Jonas nos uniu e viramos melhores amigas inseparáveis. Mas nessa época eu percebi que estava “apaixonadinha” pelo Willian e passou alguns meses isso foi aumentando, as vezes ele parecia corresponder, o que era bom, mas tudo mudou quando eu fiquei sabendo que ele estava namorando com a bitch da Nadine. Me afoguei literalmente no copinho de coca-cola, mas depois esqueci aquela “paixãozinha aguda” que sentia e passava mais tempo com Vivian fazendo coisas dos nossos interesses (como beijar os pôsteres, morrer com os clipes novos e sonhar acordada). Mas Nadine sempre me perturbou, sempre dava um jeitinho de me humilhar na frente dos outros. Vivian sempre me apoiava e dizia que era inveja, pois a afeição que Will tinha comigo era o que ela queria. Então o ano acabou e Will terminou com a grudenta da Nadine que o perturba todos os dias por causa disso. Mas repetiu como ela. Nadine promete fazer coisas que nenhum garoto são negaria, então ele supre suas necessidades quando não tem muita opção e tenta sair pela tangente, mas ela deve ser o carma que ele tem que carregar seu colegial todo. Talvez não só ele...
– Bom... Me lembro que eu terminei! – esclareceu Willian.
– Se liga Willian, acha que pode passar lá em casa fazer o quer comigo, dizer coisas e depois vazar?
– Sabe o que é sexo sem compromisso Nadine? – perguntou Will.
– Não Willian! Você ta comigo e ponto! E solta à mão dele sua fedelha do caralho – tentou soltar nossas mãos arranhando meu pulso com aquelas unhas enormes.
Quando percebi todos da sala estavam prestando atenção no casinho que Nadine havia armado. Minha vontade foi de socar a sua cara até sangrar.
– Mas que porra garota... – irritou-se Willian — Acabou! Tenho que desenhar pra você entender?
– É tudo culpa dessa vadia do sul! – apontou pra mim — Por que você não volta pra porra de onde você veio sua fedelha do caralho? Ele me esqueceu por sua causa! Ele era M-E-U! Você estraga tudo, eu que tinha que estar na peça, eu que tinha! Você rouba tudo de mim, desde que chegou você roubou tudo... Eu te odeio por isso! Você é uma vadia que rouba tudo! – gritou
Nadine pareceu perceber a platéia, e todos estavam inclusos nela, principalmente a fofoqueira da secretária do diretor. Ela tinha o poder de fazer todos ficarem a seu favor, pois ela possuía o “poder”, ou seja, seu pai como diretor. Já fui pra direção umas três vezes por sua causa. Ela só podia ser maluca pelo Willian, porque não tinha explicação pra tanta intriga comigo.
– E todo mundo confirma isso, todos dessa escola são testemunhas disso, você roubou o Willian de mim – continuou – você roubou até minha irmã sua biscate! Ela era minha melhor amiga! Você estragou nossa relação! Você é uma puta ladra! Você nunca cansa de roubar as coisas dos outros? Sua invejosa! Foi isso que seus pais te ensinaram, roubar e querer as coisas alheias ou foi a vovozinha morta que passou isso de geração a geração?
Ela estava fazendo de novo, meus olhos começaram a marejar. Eu estava cansada daquela droga de humilhação, eu não sabia o que havia feito pra essa guria me odiar tanto. Eu só queria ficar em paz! Só isso... Todas as vezes que abaixei a cabeça pra ela foi pra não causar problemas pros meus pais ou perder a bolsa que ralei tanto pra conseguir, mas dessa vez eu não ia deixar ela fazer isso comigo. Não mesmo...
Me levantei e ela pareceu surpresa, devia estar despreparada, já que eu sempre escuto e ela sai rindo da minha cara, me chamando de cuzona. Ela deu um passo pra trás esperando um soco ou algo assim, Vivian e Willian se assustaram também e tentaram me segurar, mas pedi que me soltassem, pois minha intenção não era bater naquela cara azeda, apesar de querer isso, não era... Assim fizeram.
– Graças a Deus eles não me ensinaram a ser tão baixa como você... — comecei — Mas acho que devo uma resposta a você, não acha? Esse tempo que estive aqui ficava me perguntando o que eu tinha feito pra ti, pra você me odiar tanto... Mas você já me respondeu! E eu não tenho raiva de você... Já tive, mas agora eu só sinto dó! Porque a vidinha medíocre que você leva vai durar até você completar o ensino médio querida... E você acha mesmo que a escola te ama e que todas essas pessoas são suas amigas? Continue achando, já que se acostumou com sua orelhinha queimando né? – ri pelo nariz — Viver na falsidade é uma coisa que não almejo, só espero que você acorde e veja que sua vida é uma mentira... Aqui é uma escola e não um filme de Hollywood que você pode ser a Sharpay morena que tem tudo querida...
– Olha que ridícula gente! Você é... — interrompi.
– Opa... – falei mais alto – Você já falou e eu escutei todo esse tempo, minha vez de falar! – ela continuou com a cara de nojo, cruzando os braços e fingindo interesse- E se você quer mesmo me ofender na frente dos seus seguidores, vai em frente, isso não me atinge mais. E vamos acordar Nadine? Se dê o valor... Ele só te procura na hora do “vamos papar?”. Se tem uma lição que a minha vó me ensinou foi não ser “descartável”! Porque no caso aqui, “dar” pra ser amada, é deprimente! Juro... É muito! Sabe por quê? Porque as pessoas gostam de gente que se ama em primeiro lugar, gente vazia continua sendo um objeto de satisfação. E tem outra coisa que minha vó me ensinou: as pessoas só te odeiam porque elas querem ser o que você é, ou o que você tem! Quem tem seu brilho próprio não precisa mostrar que é especial, a pessoa simplesmente é! E esse deve ser seu problema! A invejosa aqui é você, desculpe por isso Vivian, mas eu realmente preciso dizer isso – olhei pra ela que assentiu — porque sem o imbecil produtor falido do seu pai você não é nada! E eu espero mesmo que você mude e acorde dessa sua vidinha mais ou menos, porque a vida passa e essas coisas que você julga ser importante, são fúteis, assim como você!
Por um momento estava mais leve, muito leve. Olhei ao redor e todo mundo começou a gritar... Acho que disse o que muita gente queria falar, mas vi Nadine quase pulando na minha garganta, mas aí Will conseguiu segurá-la, mas ela me xingava de tudo quanto era nome, foi quando uma voz grossa invadiu a sala pedindo silêncio e fazendo todo mundo se sentar.
– Então quer dizer que o professor sai 2 minutos e isso vira um ringue? Onde esta o comportamento de vocês? Me digam? – dirigiu pra sala toda – E senhorita Sartori levante-se, por favor... – me levantei – Que grande performance! – disse Augusto Clarindo se sentando na beira da mesa – não imaginava que daria um show... Logo você senhorita? – riu zombeteiro.
Mas que merda! – pensei.
– Senhor, eu posso explicar... – disse.
– Por favor... Dirija-me como Sr. Imbecil. Produtor. Falido. É mais apropriado a você não é? – queria rir, o que acho que o tirou do sério e foi até mim.
– Bom... Deixa eu te informar mocinha, o único que pode dar lição de moral nas minhas filhas sou eu! E se acha isso tão engraçado, vai rir uma semana limpando o banheiro feminino da escola, pode ser?
– O que? Ta Doid... Quer dizer, o que? – disse incrédula.
– Isso mesmo senhorita, uma semana! E ai de você se não cumprir isso! Pois não queremos um histórico sujo e perca de pontos, certo?
– Isso é... I-isso é injusto!
– Fiquei sabendo que a peça é muito importante pra você né?
– O senhor não faria isso!
– Ah... Faria sim, e não se preocupe ligarei pros seus pais, preciso contar a eles esse ocorrido inédito – sorriu – E a prova está cancelada, não admito desorganizações! Professor? – disse como um pedido de licença.
– Sim... Toda senhor – disse o professor González.
Me sentei incrédula... Aquela escola era uma merda. Como assim? Limpar banheiro? Eu só limpo o banheiro da minha casa porque é minha obrigação, mas o da escola? Qual é?
Nadine sorriu vitoriosa, dava pra ver o veneno no seu sorriso, dava pra ver a satisfação em seus olhos. Olhei pra trás, Willian e Vivian pareciam lamentar pelo ocorrido, mas eu já não estava mais preocupada com isso. O que me preocupava era a ligação. A situação de lá de casa não era uma das melhores, eu só não queria provocar ou criar aquela coisa. Aquela, sabe? Você sabe, não sabe? Argh... PROBLEMA! Eu não queria criar esse monstrinho, eu queria paz, mas quanto mais pedia, mas esse treco aparecia.
Passei até o final das aulas quieta, Will e Vivian pareceram entender e me deixaram um pouco com meus pensamentos que estavam tentando inventar uma ótima história pra enrolar meus pais, porque, aliás, eu tinha meus outros compromissos, eu tinha ensaios depois da escola, seria um desastre chegar atrasada ou qualquer coisa do gênero. Eu tinha que fazê-los desfazer essa palhaçada, eu sou ocupada demais pra limpar banheiro de Chico.
O último sinal havia batido, todos desceram pra sair, inclusive meus amigos que sempre me esperavam. Achei estranho, mas como eu não estava com o tico e o teco muito bom não me importei. Fui uma das últimas pessoas a descer pra ir embora, já que eu estava atrasada com as anotações. Vi Nadine no canto com Vivian e Willian. Fiquei surpresa e observava de longe. Vivian não apreciava a conversava e saiu logo, Willian parecia ouvir atenciosamente, mas parecia estar odiando a conversa. Fui descendo e Vivian deu um fraco sorriso ao me ver, fui até ela confusa.
– Ta... Tudo bem? – perguntei
– Hã? Ah... Sim, ta, claro, ta tudo bem – sorriu.
– Uhum, sei... – fingi acreditar.
– Sério, ta tudo bem! – afirmou – Olha estou indo, meu pai esta me esperando lá em cima. Se cuide, ta? Até amanhã!
Assenti e ela me abraçou quando percebeu que eu iria entrar no assunto “desculpa por xingar seu pai de produtor falido” ela ignorou e disse:
– Ah e não se preocupe com isso, não é nada – e saiu.
Olhei novamente pra cena, dessa vez enojada. Willian me viu e pareceu finalizar a conversa, Nadine segurou seu rosto em busca de um beijo, mas Willian tirou suas mãos imediatamente, ela pareceu indignada, ele continuava olhando pra mim e eu não conseguia entender o que estava acontecendo, ele não dava pistas com seu olhar, o que eu conhecia tão bem. Ela com sua força de vontade incansável tentou outro carinho, mas foi ignorada novamente, ele disse algo e saiu ao meu encontro. Ela virou pra trás percebendo minha presença e gritou alto o bastante para que ele entendesse:
– Você vai voltar! Pense bem Willian, pense bem!
Willian deu um suspiro forte, rolou os olhos piscina e me puxou pela mão a segurando forte, o que irritou a megera. Eu não estava entendendo nada, mas o acompanhei.
– O que foi aquilo? – perguntei confusa.
– Nada – disse.
– Qual é Willian? O que foi aquilo? – insisti.
– Já respondi! – afirmou.
– Nada? Como assim, nada? –perguntei nervosa – Meus dois amigos com a megera, não é nada? Não quero que façam isso por mim!
Agora eu estava entendendo.
– Isso o que garota? – encarou-me.
– Não quero que comprem minha briga!
Will deu risada.
– Acha que estávamos fazendo isso? – perguntou.
– Sim... Bom, eu acho! Quer dizer... Vocês estavam, não estavam? – devolvi outra pergunta indignada.
– O que acha?
– Não tenho outra opção a não ser essa... E é isso não é?
– Gosto de você porque é esperta – mostrou seu sorriso.
– Droga Willian! Mas que Droga!
Tentei usar as mãos pra expressar aquilo, mas só ai percebi que ainda estávamos de mãos dadas. Soltei e ele parecia confuso agora, já que estávamos assim há um tempo.~
– O que garota?
– Não quero que entrem nessa briga, entendeu?
– Mas você é nossa amiga e é injusto com você!
– Willian é injusto o que fiz pra Vivian... Eu xinguei o pai dela, ele não vai querer que andemos juntas e você com a megera, droga... O pai dela pode fazer algo com você... E ainda tem meus pais!
– Ele não vai fa...
– Vai sim Willian, não entende que vai? – o interrompi – Por favor, isso é coisa minha... – disse andando na frente.
Willian deu outro suspiro forte e foi atrás de mim me segurando pelo braço e me fazendo o encarar.
– Ele não pode fazer nada porra, somos seus amigos, estamos do seu lado! Da pra agora você entender isso?
– Eu só não quero criar mais problemas pra ninguém... Eu só não quero preocupar Willian! Fica fora disso – disse.
– Cala boca Eliza, a gente se preocupa porque amamos você sua idiota, a Vivian prefere você do que a irmã... Ela prefere você! E ela ta pouco se fodendo pro que o pai dela vai fazer.
– Mas...
– Mas nada caralho, aceite isso e pronto!
Agora ele quem andava na frente. Talvez estivesse ofendido por eu não compreender o que estavam fazendo por mim. Mas era mesmo difícil... Eu não queria arrumar mais confusão e eu os conhecia, eles poderiam aprontar algo pra menina e arruinaria tudo. Nunca mais iria ver Vivian, pois o pai dela acha que sou má influência e tem a irmã dela pra confirmar isso. E Willian? Ele acabaria como eu, só que limpando sêmen dos punheteiros que ele vive dizendo que encontra naquele banheiro quando ele vai mijar. Não era justo com eles e eu resistiria até eles desistirem.
Andamos alguns minutos em silêncio, até que resolvi pegar sua mão.
– O que é isso? – olhou pra mim.
– Mãos dadas – respondi.
– Pensei que...
– Você não gosta disso?
– Gosto! Mas...
– Então! Significa que estamos juntos sempre.
– Belo pedido de desculpas – sorriu e eu sorri também.
– Bom, eu tento! – me gabei.
Continuamos andando assim, o que me incomodava um pouco já que atraia olhares, já ele pareceu gostar.
– Vai pro ensaio? – ajeitou seu boné porque o vento estava meio forte.
– Hoje não...
– Por que? – parecia interessado.
– Não quero ir, eu invento algo dizendo que não vai dar...
– Preocupada com a ligação?
– Que ligação?
– Do papa Eliza, se liga! – curtiu com a minha cara – Do produtor falido...
– Ai que grosso – ri fraco – estou.
– Eles vão entender...
– Um dia... Mas hoje não!
– Não seja tão dura, sou mais sua palavra do que a dele, acredite eles vão entender.
– Espero Will – sorri.
Enfim chegamos ao prédio e ainda estávamos de mãos dadas. Seu Paulo, o porteiro nos cumprimentou e gritou:
– Ai sim rapaz! Demorou, mas conseguiu!
Aquilo me deixou um pimentão e arrancou risadas de Willian. Entramos no elevador e a Dona Lara do 4° andar e sua neta um ano mais nova que eu, se surpreendeu, disseram “Oi” e logo Dona Lara disse ao sair do elevador:
– Não se preocupe querida, arranjaremos outra paquerinha pra você!
Fechamos a porta e eu não pude deixar de rir, Willian se juntou a mim enquanto apertávamos os botões.
– Valeu – disse ele.
– Pelo o que? – falei me recuperando.
– Ela fazia a coitada da garota sempre levar algo pro meu apartamento, as vezes acho que ela que quer me pegar – brincou.
– Não tenho dúvidas!
O elevador parou no 5° andar, o seu. Ele abriu a porta e a segurou com o corpo.
– A gente vai se falando – eu disse.
– Ta! Boa sorte com seus pais, qualquer coisa me chama – beijou meu rosto – Tchau coisa do Will!
– Tchau pilantra – sorri e ele fechou a porta.
Agora era só ligar pro pessoal, inventar algo e esperar às sete da noite pra encarar meu problema.
Sai do elevador já com as chaves na mão, abri a porta e escutei aquela barulheira que ela fazia, mas dessa vez me assustei... Não com a porta, mas com as minhas coisas espalhadas pela casa.
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