Notas iniciais
Oiii, Bastante tempo sem posta né? Mas tem um motivo, publiquei um conto na amazon e todo o processo foi bem trabalhoso. Para quem estiver interessado, o conto se chama "Mil sonhos no metrô" e está incrível. Agora vamos de história!

Corro o mais rápido que consigo até a ala das empregadas sem fazer barulho. Vejo algumas mulheres andando, mas como não sei de quem se tratam ou se posso estar ali tento andar entre as colunas.

Quando chego à cozinha as mulheres já estão de pé, nenhuma delas parece perceber minha presença repentina, estou exatamente igual a elas, já que passei a noite em claro e nem ao menos tirei o uniforme.

— Megan, ótimo! Venha, você fara parte do grupo da refeição hoje. – Heloisa se aproxima de mim. – Então precisa ir para aquele lado, você ajudará a servir o café da manhã.

— Só uma pergunta antes: quando vamos comer algo? – Minha barriga dói pela noite acordada sem ingerir qualquer substancia.

A mulher a minha frente balança a cabeça e posiciona os braços na cintura. Assim, ela até lembra um pouco minha mãe quando brava.

— Que horas você acordou? Tomamos café há meia hora. – Ela revira os olhos. – Esqueça, pegue alguma coisa e coma, você tem cinco minutos antes que o trabalho comece de verdade.

Pego algumas frutas de um dos cestos e como rapidamente em um canto qualquer do lugar e depois vou para a formação junto do grupo para qual fui enviada. Para ser sincera, eu nunca tinha pensado que entrar num livro talvez pudesse ser tão cansativo quanto o mundo real, é o meu segundo dia aqui e já... Espera! Segundo dia! Mundo real! Estamos no livro há dois, o que vão achar do nosso sumiço? Nós estávamos na detenção e agora devem pensar que fugimos da cidade. Meus pais devem estar enlouquecendo, preciso sair daqui logo.

Antes que eu possa pensar em qualquer coisa sou interrompida pela mulher a frente do grupo, ela dá ordens organizando tudo e a todos. Uma bandeja é colocada em meus braços e sou empurrada para a fila de empregadas que se forma e frente á porta. Todas nós caminhamos pelo corredor e vamos em direção á uma parte que não cheguei a visitar ainda: o salão de refeições.

As paredes e faixas do local são iguais a de qualquer lugar do palácio. As janelas aqui são realmente grandes, mas todas são fechadas com vidro para evitar que pássaros e outros animais entrem e se aproveitem da mesa repleta de alimentos saborosos. A mesa, inclusive, é bem grande – como tudo neste lugar – e deve comportar umas quarenta pessoas confortável e espaçadamente. Algumas das mulheres estão posicionadas atrás das cadeiras, enquanto outras – eu incluída – estão mais afastadas com as bandejas em mãos.

E então mulheres que eu não tinha visto ainda entram pelo salão de refeições. Todas vestem vestidos muito bonitos e estão completamente arrumadas. Cada empregada próxima a mesa puxa uma cadeira para que essas mulheres possam se senta. Uma delas, a mais arrumada e enfeitada, se senta em uma das pontas, o que me faz supor que seja a princesa. As mulheres estão em silêncio, olhando uma para outras com um olhar estranho, como se guardassem um segredo.

Quando as portas do grande salão se abrem novamente e o homem dragão passa por elas, todas as moças do salão abaixam a cabeça. Repito o movimento, mas não me aguento e levanto o olhar, o que não passa despercebido para o homem. Ele para a minha frente, me encarando diretamente. Sinto as meninas próximas a mim prenderem a respiração, mas não sinto o mesmo medo, porque o olhar que ele me lança não é nada assustador. Seu olhar, na verdade, é que parece estar tomado de um medo disfarçado.

Interessante.

Tento ouvir os seus pensamentos, mas a magia nele é extremamente forte e tudo que ouço é um chiado, como se um rádio estivesse fora de sintonia. Quando percebe o que estou tentando fazer, Arthur desvia o olhar e retoma a atenção para sua caminhada lenta até a ponta da mesa. Sinto as meninas que antes prendiam a respiração relaxarem. O dragão se senta em sua cadeira e ergue a taça.

O grupo onde estou se movimenta – e eu os acompanho – até a mesa e retira a tampa de cada bandeja, depositando-a sob a mesa. Sou obrigada a servir uma das mulheres da mesa que me olha com uma superioridade irritante. Essas moças não parecem tão em apuros assim.

E talvez seja isso. Talvez as mulheres desse castelo não estejam em apuros.

....

Ok, nós estamos em apuros.

Vejo os homens preparando e testando as catapultas de madeiras e metais. Um dos caras está fazendo cálculos e mais cálculos para entender o quanto precisam puxar para ultrapassar os muros do castelo, parece até um engenheiro do nosso mundo. O quão difícil seria convencer aquele cara de que todos os seu tempo com cálculos fora um tempo perdido? Bem difícil, provavelmente, principalmente porque sou uma pessoa sem título nenhum nesse lugar.

Ah menos que eu finja ser uma pessoa importante de outro lugar.

Com uma ideia na cabeça corro para trás da estrutura maior no cercado, ali são conferidos os carregamentos – ou eu pelo menos acredito que é o fazem ali – por tanto deve haver uma caneta por algum lugar. Aproveito as pessoas distraídas e procuro em todos os possíveis lugares para colocar uma caneta.

E quando eu não encontro absolutamente nenhuma caneta é que me toco que estou procurando pela coisa errada. Quase consigo ouvir Megan me chamando de estúpido por isso. Nesse mundo não existem canetas. Resolvo procurar por uma pena e encontro uma mergulhada em um pote de tinta. Estou sem minha armadura, por isso pego a pena e começo a escrever em meu braço.

— Nossa, como a Locke consegue fazer uma letra tão bonita usando essa parada aqui? – Me pergunto quando descubro que usar uma pena não é nada parecido com usar uma caneta. Após terminar de escrever o que queria, corro de volta para o meu posto. – Comandante. – Chamo. O homem me encara não muito feliz por ter sido chamado. – Desculpe senhor, mas preciso falar com o general.

— E por que eu deveria ceder-lhe esta permissão?

— Tenho informações sobre a batalha que provavelmente vão interessar muito ao General. – Isso faz com que o Comandante suspire e aponte para a grande estrutura. Não perco nenhum segundo a mais ali, com medo de que o Comandante desista.

Ainda sou barrado por alguns minutos na entrada do lugar, mas quando confirmam que fui liberado por um superior, sou levado até o General.

— Você de novo? – O cavaleiro pergunta quando me vê. Ele está acompanhado de mais dois cavaleiros e os três pareciam muito concentrados no mapa na mesa até eu chegar.

— Tenho informações de onde vim, senhor. – Informo e o barbudo parece bem surpreso.

— Não havia batido a cabeça, garoto?

— Pensei que sim, senhor, mas quando tirei a armadura nesta manhã percebi algo em meu braço. – Estico o braço para que possam ler o que está escrito e eles se inclinam mais, curiosos. – Na verdade, eu não bati a cabeça, agora me lembro. Fui enviado de um reino realmente distante com informações sobre as batalhas contra o dragão e para que essas informações não caíssem em mãos erradas, minha memória foi retirada e escreveram isso em meu braço, para que eu lembrasse quando chegasse ao batalhão.

— Hum... essa história parece-me suspeita. Quando lhe encontrei, sua armadura tinha o brasão do nosso reino e isso ai no seu braço não me parece mais que letras aleatórias.

Não conseguem ler? Será que não consegui escrever certo. Dou uma olhada melhor em meu braço.

— Como? Aqui está claramente escrito “fale com o supremo no batalhão”.

— Em que língua? – Um dos outros cavaleiros pergunta.

— Inglês, é claro.

— Inglês? Que língua é essa? – O outro pergunta com um careta.

— Viram? Mais uma prova de que sou de um reino distante, nem ao menos conhecem minha língua natal e eu também eu tenho a marca do nosso brasão em meu pulso. – Essa última parte acrescento apenas para tentar dar mais credibilidade a minha história. Mas eles parecem convencidos de que a pena e a espada sob o livro no meu pulso esquerdo são mesmo um brasão. – Somos um reino extremamente poderoso, construímos nossos próprios dragões.

— Constroem?

— Sim, descobrimos como construir dragões que voam e cospem fogo sem usar da magia das feiticeiras, já que essas são muito duvidosas. – O General não parece totalmente convencido, mas, felizmente, não posso dizer o mesmo dos outros dois.

— Já ouvi muitos boatos sobre isso, mas nunca pensei que fosse real, impressionante.

E ai eles me pedem para contar o que pretendia contar quando cheguei. Começo a contar tudo o que Megan me disse, inclusive lhes conto que tenho um pouco de ajuda vinda de dentro do palácio, mas não falo da garota.

— Se for isso mesmo que está nos contando, garoto, nossos planos estão todos ao chão. – O General balança a cabeça decepcionado. Observo os outros dois cavaleiros, também bastante barbudos, olharem papel por papel em busca de uma parte do plano que ainda possa funcionar.

— Eu tenho um plano, senhor. – Não era um plano formado, mas já era melhor que nada. – Preciso que o senhor confie em mim, General, e até a noite terei a resposta para tudo.

Sim, eu fiquei completamente maluco para dizer isso, mas não tenho escolha, não podemos ficar para sempre nesse mundo.

— Ótimo, você tem minha confiança, garoto.

.......

O que eu preciso é chegar à princesa. Sinto que ela tem as respostas para as minhas perguntas, mesmo que não me diga nada diretamente. O grande problema é que o quarto de Arthur fica praticamente na entrada da torre onde fica o quarto da princesa. Sei disso porque fiquei um bom tempo analisando um mapa meio rabiscado que encontrei em uma das salas que fuxiquei quando ninguém estava vendo.

Por tanto, não posso simplesmente ir lá, o dragão com certeza sentiria. E não posso contar com a calma que ele aparentou durante o café. Preciso de uma desculpa para atravessar aquela parte do castelo.

Entro na cozinha e imediatamente parece que minha cabeça vai explodir, ainda não sei muito bem como lida com todos esses novos superpoderes e as vezes eles ficam completamente fora de controle. Vozes de todos os lados gritam em minha mente, olho em volta totalmente aturdida e as vejo no completo silêncio de seu trabalho. Enquanto parecem quietas e mansas por fora, na verdade por dentro gritam de ansiedade, todas sabem que algo está para acontecer e esse terror psicológico está tornando-as loucas.

“princesa”

Viro-me imediatamente ao ouvir essa palavra, como uma reação natural procuro por quem a disse, mas claro, não encontraria ninguém em específico, já que a voz estava na minha cabeça. Tento ignorar todas as vozes e me concentrar na voz que mencionou a princesa.

“Não acredito que sobrou para eu levar o chá da princesa. Odeio passar por aquele lugar, Arthur me dá arrepios.”

Isso! É disso que preciso!

Pego uma vassoura encostada na parede de pedra próxima a grande porta de madeira que dividia a cozinha do restante do palácio e vou em direção a grande mesa que tinha posicionada inúmeras bandejas com bules de chá, xícaras, potes de açúcar, leites e biscoitos aparentemente não muito gostosos. Todas eram idênticas bandejas de prata, com exceção de uma única na ponta feita de ouro. Aquela certamente pertencia a princesa ou ao homem-dragão, mas não ouvi nenhuma das meninas mencionar o nome dele ou deixar a entender que ele também receberia o chá.

Uma imagem perfeita do café da manhã aparece em minha mente, parece até uma foto tirada por uma câmera de alta resolução.

Será que engoli minha câmera fotográfica sem querer? Nhé, com toda certeza é mais um desses poderes estranhos.

Presto atenção na imagem e enxergo vinte e quatro lugares. Conto mais uma vez para ter certeza. Depois conto as bandejas na mesa: vinte e três bandejas, sendo vinte e duas de prata e uma de ouro. Não tenho mais dúvidas que a bandeja de ouro é para a princesa.

Uma garota está em frente a bandeja de ouro, terminando de posicionar minuciosamente o chá, quando ela tira as mãos do objeto e dá um passo para trás coloco a vassoura próxima a sua perna e ela tropeça. Se não fosse pela garota de costas, ela teria se estatelado no chão.

— Oh, me perdoe! Como sou desastrada, me perdoe, deixe eu lhe ajudar. – Estendo minha mão para que ela consiga recuperar o equilíbrio num falso desespero. – Me perdoe mesmo!

— Tudo bem. – ela parece um pouco confusa com o que acontecera.

— Não, não está nada bem! Olhe como sua perna está vermelha! Oh, se eu não fosse tão desatenta. Deixe-me recompensá-la por isso, levo essa bandeja enquanto você arranja um pano molhado para essa marca em sua perna.

— Não se preocupe, isso não é necessário. – Ela balança as mãos com um sorriso apaziguador.

— Ah, mas eu insisto. – Sorrio da mesma forma

— Tudo bem então, obrigada.

Pego a bandeja imediatamente, o que faz parecer que estou apenas arrependida por machuca-la, e ando apressada porta a fora. Me sinto uma pessoa horrível por forjar a situação de forma tão fria e calculista, mas sei também que no final esse ato vai salvar a todos.

Notas finais
Comentem, isso me ajuda pra caramba. Até o próximo cap!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.