O Último Dragão Rei

10 A Verdade Além da Armadura


Notas iniciais
Pessoal. Estou realmente triste de ter tido tão poucos acessos na postagem do último capítulo. No Nyah, não tivemos nenhum comentário. No Spirit, quase nenhum. Queria deixar aqui um abraço para o ~NicolasSouza e para a Himeka-chan por não me deixarem falando com os grilos. E, claro, para Volt Akira que favoritou e está acompanhando a Fanfic no Nyah. Eu estava aqui pensando. O pessoal deve estar chateado de ficar tanto tempo sem a fanfic. Por isso estão me punindo tanto. Você precisa de um motivo pra comentar, certo? Você precisa de algo que te tire da cadeira e faça você aparecer nos comentários e me xingar. Eu estou te dando esse motivo agora. Eu dou um biscoito para quem postar um comentário nesse capítulo. Melhor. Eu te desafio a não postar um comentário. Eu te desafio a ler a história até aqui e não sentir nada. Atenção... VALENDO!

Os olhos de Taiki se abriram contra a sua vontade.

Estava chovendo. Seu corpo tremia de frio. Podia sentir o vento tocando sua pele e a chuva escorrendo em seu rosto. Porém, seus olhos não conseguiam discernir o caminho no meio da escuridão da noite.

Alguma coisa não estava certa. Toda vez que ele dava um comando, seu corpo não obedecia. O garoto não tinha controle de seus próprios membros. O mais estranho era que, mesmo sem que ele ordenasse, suas pernas estavam se movendo sozinhas.

Ele desistiu. Por enquanto, era mais importante descobrir onde ele estava.

Pelo que seus olhos podiam ver, era algum tipo de floresta. Havia muitas árvores à sua volta. Não eram árvores de nenhuma espécie que Taiki já tivesse visto antes.

Ele certamente não conhecia aquele lugar.

A chuva transformava o chão de terra em um lamaçal. O terreno ficava mais difícil de atravessar a cada segundo. As pernas de Taiki não estavam aguentando. Iriam falhar antes do próximo passo.

Exausto, Taiki se jogou contra o tronco de árvore mais próximo e deixou que a gravidade fizesse o resto. Ele sentia que, ainda que tivesse o controle de seu corpo de volta, seria impossível fazê-lo se mover agora.

O olhar cansado de Taiki vagou pelo cenário à sua volta. O único som que ele escutava era o da própria respiração descompassada, misturado com o som da chuva que não parava de cair. Ele seguiu seu instinto até que encontrou o que estava procurando.

Taiki se ajoelhou diante de uma poça de água que havia ali ao lado. Ele não havia reparado, mas sua garganta estava seca. O garoto aproximou suas mãos da poça e usou-as para saciar sua sede. Foi quando ele deu de cara com seu reflexo.

Seu rosto não era mais o de uma criança pequena de cabelo loiro. Era o rosto de um rapaz.

Um garoto que Taiki nunca havia visto antes.

Não dava para dizer sua idade só de olhar o seu rosto. Sua aparência era a de um jovem, de 18 ou 19 anos. Talvez um pouco mais. Seu cabelo era curto, negro como a noite que o cercava. A íris de seus olhos era escura como seus cabelos. Alguns de seus dentes, os caninos, eram anormalmente afiados.

Foi nesse momento que Taiki teve um pressentimento.

A sensação de que a pessoa que ele via naquele reflexo não era um ser humano.

Seu instinto fez Taiki querer fugir. Mas o corpo daquele rapaz também era o corpo de Taiki. Não havia maneira de escapar daquela realidade. Enquanto aquele rapaz tivesse controle de seus movimentos, Taiki não iria a lugar nenhum.

O reflexo sobre a água desapareceu. O rapaz de cabelos negros voltou a recostar-se sobre a árvore, respirando com dificuldade. Parte da água que ele tinha acabado de tomar estava escorrendo pelos cantos da boca.

“Eu posso senti-la...” – a voz do rapaz estava falhando. – “A morte... Está se aproximando...”

Era estranho. Dizer, com uma voz que não era sua, palavras que refletiam pensamentos que não eram os seus. Taiki estava enlouquecendo.

O rapaz de cabelos negros sentia as pálpebras ficarem cada vez mais pesadas. Com sorte, ele conseguiria dormir. Com mais sorte ainda, ele não precisaria acordar.

Taiki podia sentir. Aquele rapaz queria morrer.

Mas antes que o rapaz pudesse se entregar à quietude da noite, ele sentiu algo frio lhe tocar o pescoço. Uma lâmina. A ponta de uma espada feita de metal.

O rosto do rapaz de cabelos negros se ergueu de forma muito lenta. E ali, diante dele, estava um grupo de homens de armadura.

“Não se mexa.” – ordenou um deles. – “A partir de agora, você é nosso prisioneiro.”

Era fácil para o rapaz obedecer. Seus membros já não tinham mais forças para se movimentarem sozinhos.

“Você!” – o homem que parecia liderar a expedição apontou para outro membro de sua equipe – “Mande um aviso ao Apocalipse. Avisem Lorde Riku que encontramos o nosso homem.”

Ao som daquela ordem, o grupo de soldados começou a se dispersar para todos os lados. Um deles partiu pela escuridão a passos rápidos. Provavelmente foi o designado a entregar a mensagem.

Os outros começaram a cercar o rapaz de cabelos negros, apontando suas lanças para pontos vitais do prisioneiro.

“Vamos! De pé! Não tente nada de perigoso!”

Tum-Tum.

O rapaz sentiu um calafrio na espinha.

Tum-Tum.

Estava vindo. Ela estava vindo de novo.

Colocando as mãos sobre a cabeça, o rapaz de cabelos negros começou a gritar. A agonia e a dor que ele sentia eram passados para Taiki, que assistia à cena chocado.

Tum-Tum.

Os homens ergueram suas armas e prepararam-se para matar.

Tum-Tum.

Fiquem longe. Afastem-se de mim.

Tum-Tum.

Fiquem longe. Fiquem longe.

Mas a quantidade de vezes ele que repetisse não importaria. O rapaz não seria capaz de impedi-la.

O tempo passou a correr devagar.

Um a um, os soldados começaram a derrubas as suas armas. Em seguida, seus rostos começaram a se chocar contra o chão enlameado.

Seus corpos estavam inertes e sem vida. Seus olhos ainda estavam abertos. A expressão neles era de puro desespero.

Mas não foram só os humanos que sentiram o impacto.

As arvores mais próximas começaram a murchar. Suas folhas foram ao pouco se soltando dos galhos, secas como se fossem feitas de papel. Os pássaros e animais pequenos que passaram por ali simplesmente tiveram suas vidas sugadas.

Tudo ao redor daquele rapaz de cabelos negros morreu em um instante.

Os olhos do rapaz piscaram uma vez. Ele encarou um de seus braços, sentindo nojo de si mesmo. A chuva que continuava a cair dos céus mascarava as lágrimas que escorriam de seu rosto.

“Você precisa se apressar, Natsu.” – a voz do rapaz de cabelos negros silabou – “Eles irão me encontrar logo. E depois disso, eu temo que seja tarde demais.”

E da forma mais serena que pôde, o rapaz de cabelos negros adormeceu.

Na mesma hora, Taiki acordou assustado.

(...)

Lucy já estava até acostumada com aquele tipo de coisa. Já tinha virado até rotina para ela.

A garota estava descalça, pisando sobre o piso frio da cozinha de seu apartamento. Em suas mãos, havia uma xícara de chá quente. Ela ainda não tinha trocado o seu pijama, já que o lobby do seu apartamento ainda estava ocupado por aquele bando de marmanjos invasores.

Lucy bufou. Gray não fazia questão nenhuma de vestir-se durante o dia, então era natural que dormisse sem camisas, praticamente nu. O moreno era o mais comportado dos três, encostado na parede ao lado da escrivaninha.

Natsu era outro folgado. Estava ocupando mais espaço com seus braços e pernas abertos do que lhe foi oferecido. O garoto arrumou um lugar ao lado da cômoda onde Lucy guardava suas roupas. Dentro de uma das gavetas, a figura de Happy dormia abraçada com um travesseiro.

Sobre esses, Lucy estava acostumada. Não havia o que ser feito para corrigi-los.

O que intrigava a maga estelar eram as duas novas visitas que ela recebeu em sua casa no dia anterior.

Taiki estava vestido com um dos pijamas antigos de Lucy, já que era a única coisa que coube nele. Suas roupas ainda estavam secando no varal. O garoto estava abraçado com Sachi como se não quisesse mais soltá-la.

Ambos acabaram dividindo espaço com Lucy no meio de sua cama.

Ela não esperava por isso. No meio da noite, muito depois de Natsu e Gray finalmente acalmarem os ânimos e resolverem dormir, Lucy sentiu alguém mover o seu ombro.

De início, a loira resmungou alguma coisa e mandou a pessoa embora. Provavelmente era Natsu com mais alguma de suas brincadeiras bobas. Naquele momento, Lucy estava cansada. Ela só queria dormir.

Mas a pessoa insistiu em mover seu ombro discretamente, tentando acordá-la sem fazer barulho. Sabe, isso quase provocou um pandemônio...

Porque quando Lucy resolveu tirar satisfação por terem lhe acordado no meio da noite, ela estava pronta para invocar a própria Aquarius e varrer do mapa qualquer um que estivesse na sua frente.

Foi a partir daí que a surpresa começou. Porque de todos os seus convidados, aquele ela o que ela menos esperava encontrar ali, de pé, à sua frente.

“Taiki?” – ela lembrava-se claramente da conversa. – “O que houve?”

O garoto não respondeu de imediato. Em seus braços, ainda carregava uma Sachi adormecida como se ela fosse um bichinho de pelúcia. Ele ficou encarando Lucy por um bom tempo, como se estivesse escolhendo as melhores palavras que explicassem aquela situação.

Lucy notou que tinha alguma coisa errada. O pijama de Taiki estava encharcado de suor e sua pele estava pálida, branca como a lua. A expressão do garoto estava agitada, como se procurasse com os olhos alguma coisa no teto, nas janelas ou no chão.

“Eu tive um pesadelo.” – o garoto admitiu.

Certamente era algo que Lucy não esperava ouvir dele. O garoto misterioso, que apareceu do nada e foi corajoso suficiente para encarar Erza em combate foi reduzido a um garotinho assustado e indefeso.

Não, isso estava errado. Não importa o quanto Taiki fosse corajoso ou poderoso.

Ele ainda era uma criança.

“Ei...” – Lucy, que ficou sem saber o que dizer por um momento, teve uma ideia. – “Quer dormir aqui comigo?”

A reação dele foi imediata. Ele virou o rosto para o lado, mas não conseguiu esconder o quanto suas bochechas estavam ficando vermelhas. Só o que ele conseguiu foi concordar com a cabeça, sem ter coragem para encará-la nos olhos.

Lucy não julgou-o por isso. Ela simplesmente jogou o edredom cor de rosa para trás, abrindo um pouco de espaço. Taiki ajeitou-se, tomando cuidado para acomodar Sachi em seus braços de maneira a não acordá-la.

E depois que Lucy voltou a cobri-los com o edredom, Taiki começou a se acalmar. Seus olhos não paravam de encarar Lucy, como se precisasse vê-la por algum motivo. Aos poucos seus olhos foram se fechando, até que o garoto finalmente caiu no sono.

“Ei!” – a voz de Erza despertou a loira de seu devaneio. – “Você certamente está aérea hoje, Lucy.”

A maga estelar tentou disfarçar com um sorriso, tomando outro gole de seu chá.

“Jura? Eu nem notei.”

Sem querer, seus olhos foram parar de novo sobre a cama em que Taiki estava dormindo.

Era estranho ficar olhando para ele. Porque o coração de Lucy parecia ficar mais leve quanto mais ela encarava aquela cena?

Aqueles cabelo loiro, bagunçado além do concerto... A expressão do seu rosto, que parecia estranhamente familiar... Lucy se perguntava se aquilo era mesmo possivel.

Era como tentar lembrar de uma memória que ela nunca tinha esquecido.

“Lucy!” – já era a terceira vez que Erza tentava chamá-la. – “Já chega. O que houve ontem à noite? Não me lembro do Taiki indo dormir na sua cama.”

Pronto, elas tinham chegado naquele ponto. Por algum motivo, Lucy tinha medo do que Erza pudesse fazer com o garoto se ela não contasse a verdade. Não que valesse à pena mentir sobre um assunto tão pequeno.

Lucy expirou, derrotada, e contou a Erza o que havia acontecido.

“Pesadelo?” – a maga de armadura estava desconfiada. – “Isso de fato soa estranho.”

“Erza, ele é só um menino. Ficou assustado, só isso. Por favor, não faça nada com ele.”

Uh oh. Aquela última fala fez a expressão de Erza mudar ligeiramente.

“Oh... Então me diga, Lucy. O que exatamente eu não deveria fazer com ele?”

O olhar da maga de armadura era frio como as lâminas de suas espadas. Lucy sentiu que qualquer resposta que ela desse deixaria Erza furiosa, e isso era perigoso de várias maneiras.

A loira optou pelo silêncio, enquanto tomava um outro gole de seu chá. Alguma coisa estava lhe dizendo que aquele seria um dia complicado...

(...)

Mais tarde, naquele mesmo dia, Taiki trocou os pijamas por suas próprias roupas, agora limpas e perfumadas. Ele não se esqueceu de agradecer à Lucy, que só lhe respondeu com um sorriso.

Tão logo quanto Natsu e Gray acordaram, o dia voltou a ficar animado. Toda vez que Erza virava as costas, os dois pareciam prontos para explodir o apartamento de Lucy. Mas assim que estavam sob a mira da maga de armadura, os dois voltavam a se endireitar.

“Ei, Happy...” – Taiki se atreveu a perguntar. – “Eles são sempre assim?”

“Aye!” – o gato azul estava sorrindo. – “Esses são o Natsu e o Gray, pra vocês.”

“Mas está tudo bem mesmo?” – Sachi parecia preocupada. – “Não seria melhor pará-los?”

“Assim é mais divertido, não acham?” – Taiki e Sachi penderam as cabeças para o lado. – “E não se preocupem. Vai ficar tudo bem até a Erza descobrir.”

O grupo seguiu seu caminho até a floresta nos arredores de Magnólia, tomando o cuidado de não serem seguidos. Tendo Erza como guia, eles chegaram sem dificuldades ao limite do domo de energia que protegia o prédio da guilda.

Erza adiantou-se e empurrou os portões de madeira.

Novamente, a visão de Taiki lhe saltou os olhos.

Ele estava olhando para o mesmo salão antigo, cercado de várias faces conhecidas. Todos eram membros da Fairy Tail. O garoto os reconhecia de longe, já que a maioria deles esteve naquela arquibancada, torcendo pelo garoto na luta contra Erza.

Mas a cena de agora parecia um dia comum para todos eles. Não se via a tensão no ar do dia anterior. Todos os magos estavam sentados sobre as mesas, conversando entre si de forma barulhenta, como se as preocupações do dia anterior tivessem desaparecido.

“Sejam bem vindos de volta!” – uma voz alegre lhes cumprimentou. – “Erza! Pessoal!”

Uma moça bonita, de cabelos grisalhos e vestido vermelho virou-se para recebê-los. Em suas mãos, carregava bandejas cheias de copos e pratos de comida. Ela passeava pelos espaços vazios entre as mesas espalhadas pelo salão.

Claro, Taiki se lembrava daquela mulher. A moça que estava sempre sorrindo, que todos chamavam de Mira-san.

“Um bom dia, Mira.” – Erza cumprimentou a colega, formalmente – “O mestre está?”

Mira terminou de servir uma das mesas. O homem que estava lá a agradeceu, enquanto a mulher de vestido vermelho voltou-se para Erza e concordou com a cabeça.

“Sim, ele me pediu para avisá-la.Ele está esperando no local combinado.”

Isso encerrou o assunto. Erza seguiu adiante pelo salão enquanto Lucy, Natsu, Gray e Happy procuravam um lugar para se sentar.

O estômago de Taiki reclamou por um instante. Se ele pensasse bem, não se lembrava da última vez que tinha comido alguma coisa. Só de olhar para os pratos servidos nas mesas das pessoas, sentir o cheiro de comida, o garoto já tinha vontade de experimentar todos os pratos.

Tudo para ele seria novidade.

Ele e Sachi começaram a se acomodar ao lado de Lucy e Happy, todos prontos para saborear o seu café da manhã. Mas antes que conseguissem encontrar uma posição confortável, Taiki e sua companheira felina foram erguidos no ar.

Erza estava segurando os dois pela ponta das vestes, com um olhar sério em seu rosto.

“O que pensam que estão fazendo?” – a maga de armadura inquiriu.

Na hora, Taiki se lembrou de seu assunto urgente.

De fato, o café da manhã teria que esperar.

A maga de armadura guiou os dois novatos até o andar de cima. Ninguém se atreveu a segui-los, com medo do que Erza poderia fazer se alguém chegasse perto demais.

Taiki e Sachi a seguiram por entre os corredores de madeira até que pararam diante de uma porta antiga. De frente a ela estava Makarov, de braços cruzados nas costas e olhos fechados.

Assim que notou a chegada do grupo de Erza, o mestre cumprimentou-os de maneira animada. Em seguida, ele e a maga de armadura trocaram algumas palavras a respeito do assunto que seria discutido.

Taiki não estava prestando atenção. Por algum motivo, ele estava nervoso.

Não se preocupe tanto.” – a voz de sua mãe ecoava em sua cabeça. – “Não existe ninguém mais preparado do que a Erza para essa situação. Ela saberá o que fazer.

Ele sabia disso. Acreditava no julgamento de sua mãe.

A questão é que nada disso tornava sua história ridícula um pouco mais fácil de se acreditar.

(...)

Durante o tempo todo, a maga de armadura permaneceu em silêncio.

Taiki prosseguia seu relato de maneira contínua. Ele só interrompia seu raciocínio quando se esquecia de algum detalhe e Sachi tinha que interferir para ajudá-lo.

Erza era uma boa ouvinte. Só de olhar para o seu rosto, Taiki não conseguia saber que tipo de julgamento a maga estava fazendo. Ela não se atreveu a interromper uma única vez. Assim que terminava de assimilar as informações, a maga pedia para que o garoto prosseguisse.

Taiki contou tudo o que pôde. Fez exatamente o que sua mãe o havia ordenado a fazer.

Agora, Erza sabia de tudo o que ela precisava saber. Bem, quase tudo. Taiki manteve sua identidade em segredo.

Ela sabia que tipo de desastres lhe esperavam no futuro. Ela sabia que tipo de inimigo eles estavam enfrentando. Ela tinha noção do que deveria fazer para evitar as tragédias que viriam pela frente.

Mas ainda havia muitos detalhes faltando.

A informação da Lucy do Futuro não foi muito precisa. Erza só conhecia alguns dos nomes e locais que Taiki mencionou. Não havia uma direção certa dos planos do inimigo,ou mesmo de seus objetivos.

É exatamente por isso que Taiki estava nervoso. Não havia porque Erza acreditar nele. Ele podia ser só um garoto qualquer que inventou aquela história toda. Não havia provas. Havia muitas contradições.

A expressão no rosto de Erza era indecifrável. Ela fechou os olhos e encostou-se sobre a poltrona antiga em que estava sentada. A maga de armadura inspirou suavemente, soltando o ar de maneira despreocupada.

“Muito bem.” – ela parecia ter tomado uma decisão. – “Eu acredito em você.”

Assim. Fácil assim.

Ela não questionou sua razão. Não perguntou nada sobre o que não foi explicado. Taiki estava acreditando que Erza iria rir da cara dele, chamá-lo de maluco ou cortá-lo ao meio com uma espada.

Mas Erza acreditou em cada palavra. Era algo que nem mesmo a mãe de Taiki poderia prever.

“Você é louca?” – Taiki se levantou abruptamente de sua poltrona. – “Como você ousa? Como pode acreditar em mim tão facilmente?”

A maga de armadura o observava a reação dele. Olhar para aquele rosto, isento de emoção, estava deixando-o louco. Sachi só flutuava no ar, assistindo em silêncio.

“Eu podia estar mentindo pra você!” – o garoto continuou – “Poderia ser tudo uma armadilha! Eu poderia levar você e seus amigos para a morte se eu quisesse!”

Ele andava de um lado para o outro, incapaz de ficar parado. Erza nada fazia para impedi-lo. Ela só acompanhava o movimento dele com os olhos. Julgando-o. Interpretando-o.

“Porque você acreditaria? Porque qualquer um acreditaria? Você realmente quer que eu pense que você colocaria a vida de todos em risco por acreditar em tudo o que eu te disse? NÃO ME FAÇA RIR! Você seria uma idiota se fizesse isso!”

Aquilo foi o estouro. Erza colocou-se de pé.

Que ela venha, então. Taiki não estava com medo. Se todo o plano dependia de alguém tão ingênuo como a maga de armadura estava demonstrando ser, o futuro estava condenado.

Erza aproximou-se a passos lentos, enquanto Taiki se colocava em posição de batalha. Por um segundo, seu corpo se lembrou da surra que ele levou da maga no dia anterior. Ele não poderia vencê-la em combate.

Mas o garoto não recuou. Ele manteve sua posição e encarou Erza de frente, sem tentar fugir.

Quando ele sentiu que a maga de armadura ergueu um de seus braços na direção dele, Taiki instintivamente tentou proteger o rosto com os braços. Só depois ele reconheceu o quanto foi uma atitude inútil. Erza podia nocautea-lo atingindo-o em qualquer lugar.

Taiki não sentiu o golpe vindo. Nenhuma hostilidade emanava de da mulher de cabelo escarlate. Ele esperou por muito tempo, de olhos fechados.

O golpe não veio.

Em seu lugar, a mão direita de Erza estava acariciando a cabeça de Taiki.

Ele ficou sem palavras. Seus olhos estavam arregalados de surpresa.

“Eu não consigo imaginar o que você deve ter passado.” – a voz da maga soava serena – “É um fardo muito grande para se carregar sozinho.”

Taiki não tirou os braços da frente de seus olhos. Eles eram a única defesa que o garoto tinha contra o rosto da mulher que estava diante dele.

“Ela morreu, não foi? A sua mãe. É por isso que você sofre tanto. Você não quer perder mais ninguém.”

Taiki estava chorando. Ele não contou nada disso para ela. Ela não tinha como saber.

“Para Lucy não vir até aqui pessoalmente, ela deve ter ficado realmente desesperada. Ela preferiria morrer a mandar o próprio filho para uma tarefa tão perigosa.”

Taiki abaixou seus braços. Ela sabia de tudo. Lágrimas quentes também escorriam do rosto de Erza.

Só então o garoto percebeu que era exatamente por isso que sua mãe confiava naquela mulher que cabelos escarlates. Por trás da armadura que mantinha uma imagem firme e poderosa, Erza era gentil.

O tipo de pessoa a quem Taiki estava disposto a confiar sua vida.

“Você não está mais sozinho. A Fairy Tail sempre estará aqui pra você.”

Notas finais
E então, galera? O que acharam? Deixe para mim um comentário ou seu favorito. Se der, espalhem para os amigos. O apoio de vocês é muito importante. Sem vocês, não tem história. Agradeço de novo pelo seu tempo, pela sua paciência, e espero ver todos novamente no capítulo 11! Um abraço e até lá!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.