Notas iniciais
Não sejam tão rudes, peguem leve nas críticas.

Ps: Não haverá continuação, ou seja "Capítulo 2".

Eu estava num shopping com a minha família, estava de noite, compramos várias coisas: livros, revistas e doces. Já estava ficando tarde, então fomos pra casa. Ao ligar a televisão, vejo que está passando jornal e de repente o repórter diz, em frente à um observatório:

— Infelizmente o mundo chegará a seu fim. Acabou de ser informado pela NASA de que um meteoro estaria indo em direção a Terra. Ela já passou por Saturno e as previsões são de chegar a Terra em 00:00 no horário de Brasília depois de amanhã. Obrigado a todos por viverem até esse momento. — Um silêncio prevaleceu. — Querida, eu te amo. — Então o repórter vem a chorar.

Em pânico, desligamos a televisão, minha mãe rapidamente pega o seu telefone e começa a ligar para todos os contatos. Minha irmã logo faz o mesmo.

Enquanto todos da casa se despedem de parentes, amigos, conhecidos e família distante, eu procuro me informar, entro no Facebook e percebo que aquilo tinha virado um caos: Fora aqueles que escreviam longos textos agradecendo a vida que teve, marcando mais de 50 pessoas no post, tinham os que faziam o upload de fotos deles mesmos, porém nus. Na descrição dessas fotos haviam escrito "Viver como não se houvesse amanhã." e "Qual o problema, o mundo vai acabar mesmo". Vi que a garota que eu gosto não estava Online e logo fiquei preocupado, então saí do Facebook e fui no Google procurar mais detalhes sobre o tal meteoro.

Depois de minutos procurando por uma fonte detalhada, consegui achar uma, e com o que eu li, descobri que esse tal meteoro era maior que a própria lua, estava vindo para a Terra e iria "aterrissar" primeiro na divisa entre a Rússia e a China. Desliguei o Notebook e fui dormir, mas dessa vez com minha mãe e minha irmã, todos juntos e abraçados, pois seria nossa última noite juntos.

Enquanto espero o sono me abraçar, num calor fervoroso do mesmo, escuto minha mãe chorar, e então ela aperta a minha mão e a da minha irmã e diz:

— Tomara que a gente se encontre na eternidade.

— Não se preocupe mãe, nós todos iremos para lá.

Então, segurando o choro, falo.

— Te amo mãe. Te amo mana. — Mas meu esforço se torna em vão e então começo a chorar, daí todos nós choramos e no meio dessa tristeza, minha irmã fala:

— Também amo vocês. Amo muito.

Depois de toda a comoção, eu finalmente durmo...

Acordei esperançoso de que tudo isso fosse um sonho, mas vejo que minha irmã e minha mãe estão arrumando as malas.

— Por que estão fazendo isso? — Perguntei curioso.

— Vamos pra casa de sua tia, a família toda vai se reunir lá para o momento final. — Respondeu minha mãe, enquanto colocava as camisas dela na mala.

— Momento final? Então o meteoro vai mesmo cair na Terra, né? — Perguntei já desanimado.

— Claro! Aliás, ele já deve estar a caminho. — Respondeu, dessa vez colocando as meias.

— Mãe, por que está colocando as roupas na mala? É o último dia da Terra, não precisamos de tantas roupas pra ver o mundo ver o seu fim.

— Não quero que pareça o último dia, e sim só mais um qualquer, que eu vou lá e me divirto, como sempre fiz. — Respondeu, fechando o zíper da mala. — Vá lá tomar banho, vista sua melhor roupa, e fique bem arrumado. — Acrescentou.

Sem questionar, obedeci, tomei meu banho, me preparei, peguei uma toalha e fui pegar minha roupa. Quando eu olho para a cama, vejo que sob ela está minha roupa favorita, todas bem limpas e perfumadas. Mas então lembro de uma coisa enquanto visto-as. Vou até minha mãe e falo:

— Pronto mãe, tô arrumado.

— Ótimo, abre lá a porta, seu tio já deve estar esperando no carro. — Disse, enquanto pentiava o cabelo.

— Então mãe... Eu não quero ir pra casa da minha tia. — Falei, enquanto engolia a seco, esperando o sermão que estava por vir.

— Por quê? — Respondeu, virando para mim.

— É que tem uma garota... E eu gosto dela... Aí eu queria passar meus últimos momentos ao lado dela. — Respondi casmurro.

— Entendo... Bom, já que é o último dia, não vou ficar te prendendo, pode fazer o que quiser. — Disse, guardando o pente na mala. — Pelo menos abra o porta.

— Certo! Muito obrigado! — Digo animado, correndo em direção a ela para dar o último beijo e abraço.

Então, pego a chave, abro a porta como ela pediu, viro pra ela e dou o último "Adeus". Saio em direção a rua, vejo que elá está completamente deserta em ambos os sentidos. Sento e espero algum ônibus ou carro passar. Após 15 minutos relembrando tudo que vivi até aqui, vejo um carro. Faço um sinal de carona e ele para, ao me aproximar, vejo que dentro do carro só está um senhor com o que parece ter seus 50 anos, um pouco careca e grisalho. Ele abre a porta e pergunta:

— Quem é você e para onde você vai?

— Eu sou Douglas e quero ir pra casa de uma amiga. — Respondi sem esconder nada.

— E vai fazer o quê na casa dela? — Perguntou, já abrindo a porta.

— Quero passar meu último dia ao lado dela. — Respondi.

— Então tá, pode entrar, mas se procurar alguma gracinha... — Falou, apontando pra uma pistola no porta objetos.

— Obrigado. Não se preocupe, não vou procurar encrenca. — Disse já entrando.

Então ele começou a dirigir, daí olhei pela janela e a visão que eu tinha era horrível: pessoas se prostituindo, roubando, usando drogas, brigando e matando. Era triste, parecia um apocalipse bíblico. O senhor me observou vendo a miséria nas ruas e falou.

— Muitas pessoas são fracas diante o último dia. Ao invés de aproveitarem ao máximo, se divertindo com a família ou amigos, preferem ficar na rua, estragando o que restou da vida.

— Verdade... A propósito, qual é o seu nome? — Perguntei, numa tentativa de me socializar e quebrar o silêncio.

— O meu nome não importa. Pra que bairro você vai? — Perguntou, sem tirar os olhos da estrada.

— Vila Laura. — Respondi, voltando meus olhos para a rua.

Então ele continua dirigindo até chegar no bairro, digo os detalhes até o prédio dela, paramos na porta e quando eu estava prestes a sair, ele grita:

— Espera!

— O que foi!? — Respondi assustado.

— Não vai dizer o último adeus? — Respondeu, olhando pra mim.

— Último adeus? — Perguntei confuso.

— Sim. O último Adeus... — Disse, rapidamente pegando a pistola no porta-objetos. — Não vai dizer? — Perguntou, apontando a arma para minha cabeça.

— A-Adeus. — Respondi com medo.

Então fecho os meus olhos e escuto o disparo. Achei que ficaria surdo. Quando abro os olhos,vejo a cabeça dele com um buraco, sangrando sob o volante e segurando a arma com a mão e o vidro da janela do lado dele coberta de sangue. Fiquei apavorado, nunca vi ninguém morrer na minha frente até então. Saio do carro e vou até o prédio.

Tudo estava tão deserto, olhava pra rua e não via nada se mecher. Tentei empurrar o portão e percebi que ele já estava aberto. Não tinha nenhum porteiro ou segurança, então entrei, andei em direção ao elevador, apertei o botão correspondente ao piso dela e esperei. Fiquei olhando o meu rosto no espelho do elevador, pensando no que tinha acabado de vivenciar. Então o elevador para, saio dele, vou até a dela, então bato na porta e quem me atende é a mãe dela, bem arrumada.

— Quem é você? — Perguntou ela, desconfiada.

— Eu sou Douglas. Cadê Juliana?

— O que você quer com minha filha?

— Eu sou amigo dela, minha família foi embora e me deixou vim aqui, porque falei que queria viver meus últimos momentos ao lado dela.

— Ela está no Playground. — Disse aliviada.

— Obrigado.

Então vou ao elevador, aperto o botão do térreo e espero ansiosamente.

Chegando nele, vou correndo ao playground e vejo Juliana sozinha, sentada. Então grito:

— Juliana!

Ela se vira, levanta, corre até mim e fala:

— Douglas!

— Iai, minha linda. — Disse sorrindo, enquanto faço um cafuné nela.

— Por que você está aqui? — Perguntou.

— Minha família foi para a casa da minha tia, mas eu não quis ir.

— Por quê?

— Porque eu queria viver minhas últimas horas do lado de quem mais amo. Você.

Ela fica corada e me abraça. Então ouvimos a voz da mãe dela gritando:

— Juliana! Vem que a gente já vai.

Daí Juliana vai até sua mãe e eu a acompanho. Chegando no portão, eu pergunto:

— Posso ir com vocês?

— É mãe, por favor, deixa ele ir. Ele tá sozinho! — Falou Juliana, tentando convencer.

— Hmmm. Tá bom, mas se comportem. — Disse enquanto descia a escada até a garagem.

— Certo! Obrigado! — Falei, seguindo-a.

Entramos no carro, a mãe e o padrasto de Juliana vão no banco da frente, enquanto nós 2 fomos no banco de trás, abraçados.

O carro dá partida e saímos dali. Eu tento chamar a atenção de Juliana para que ela não veja a tristeza no mundo de fora, mas minhas tentativas foram falhadas, pois não demora muito para que ela veja, enquanto fica calada.

No meio do silêncio, pergunto:

— Pra onde nós vamos?

— Olha, nós iríamos para a ilha, mas os Ferry Boats estão inoperantes, então decidimos que vamos ver o mundo acabar no lugar mais lindo da Bahia, no Farol da Barra. — Responde a mãe dela, olhando para nós pelo retrovisor.

Então o silêncio predomina novamente, e começo a fazer um carinho nela.

Após uns 30 minuitos de viagem, finalmente chegamos, e por incrível que pareça, a ambientação está viva. Não há miséria como nas outras ruas, apenas alegria, como se fosse um feriado. Várias famílias que provavelmente não se conhecem, dividindo os últimos sorrisos, tanto que até os mais velhos estão se se divertindo. Era pra isso ter ocorrido sempre, não só no último dia.

Mas já eram pra em torno de 19:40, restavam menos do que 5 horas para o fim. Imagino o que minha mãe e minha irmã estejam fazendo na casa da minha tia. Provavelmente estão na piscina, ou assistindo alguma coisa na televisão, ou até mesmo brincando. Quem sabe? Só espero que todos lá estejam felizes.

Depois de pensar um pouco, vejo que Juliana também está bastante pensativa, mas parecendo bem desanimada. Então para trazer de volta o tão lindo sorriso dela, tento chamar ela para brincar com as outras famílias,

— Pra quê? — Pergunta ela, deitada no meu colo.

— Ora, é o nosso último dia, vamos fazer de nossos últimos momentos uma fonte de sorrisos. Não podemos ficar deitados pensando no passado e lamentando do que poderíamos ter melhorado ele. Vamos esquecer o passado, viver o presente e esperar pelo futuro. — Digo, já levantando.

— Tá bom. — disse ela, também levantando.

— Vamos pra lá. — Falei, enquanto apontava para um grupo de pessoas.

Então sem perguntar, ela segura minha mão e andamos juntos até o grupo. Nesse grupo tinha um idoso, que estava dormindo, um homem usando o celular, uma mulher bebendo refrigerante, e não muito longe dali estavam 2 adolescentes e 3 crianças. Parecia que todos estavam brincando.

Andamos até o grupo, que chegamos, falei:

— Iai pessoal.

Todos param, Juliana continuava em silêncio. Após alguns segundos sem ninguém falar nada...

— Iai, tudo bem? — Falou um dos adolescentes.

— Tudo sim. — Respondi, já animado.

— Quer brincar com a gente? — Perguntou uma garotinha, aliás, a única do grupo.

— Claro! — Respondi. — Estão brincando de quê?

— Pega-pega. — Respondeu um menino, aparentando ter 10 anos.

— Tá bom. — Disse Juliana.

— Qual é o nome de vocês? — Perguntou o outro adolescente.

— Douglas.

— Juliana.

— DOUGLAS QUE PEGA!! — Gritou a garotinha, enquanto todos se distanciavam de mim.

Então depois de mais de 4 horas de brincadeira, cansamos, então nos despedimos do pessoal e fomos até o farol, próximo à praia, onde já dava pra ver uma esfera gigante de fogo caindo. Deitei minha cabeça no ombro de Juliana e disse.

— Sabe, é engraçado como o melhor dia da minha vida está sendo o último dela.

— Verdade.

— Finalmente vivemos a vida do jeito que ela tinha que ser vivida. — Digo, levantando minha cabeça e olhando pra ela.

— O ditado "viva a vida como se não houvesse amanhã." nunca foi tão verdadeiro. — Ironizou.

— Você tem algum arrependimento? — Perguntei curioso, voltando a olhar para o horizonte.

— Sim, o de não ter mudado o mundo com algo que eu fiz.

— Mas você mudou o meu mundo.

— É verdade, disso eu não me arrependo. Mas eu queria fazer tanta coisa... Visitar Paris, aparecer na TV, viajar o mundo...

— Não se preocupe, nada disso mais importa, não há pra quê guardar arrependimentos. Não vai ter mais ninguém no mundo amanhã pra falar que você não fez nada.

Após algum silêncio, ela pergunta:

— E você. Quais são seus arrependimentos?

— Nenhum. Minha vida é perfeita do jeito que é. Só lamento de viver ela tão intesamente no último momento dela.

23:59:50.

Me viro a ela.

23:59:51.

Abraço ela.

23:59:52.

Começo a chorar.

23:59:53.

Ela também se cai em lágrimas.

23:59:54.

Solto ela.

23:59:55.

Olho nos olhos dela.

23:59:56.

Olho pro horizonte.

23:59:57.

Olho para ela novamente.

23:59:58.

Me aproximo da boca dela, e começo a beijar-la.

23:59:59.

00:00:00.

– Fim. –

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