Odeio matemática. Acho que essa é a pior matéria do mundo. Odeio também ficar nessa sala cheia de pessoas, onde a maioria não gosta de mim por eu ser “diferente”. Confesso que não sei o que elas querem dizer com isso, mas acredito que tenha algo relacionado com o fato de eu não conversar com todo mundo, ou por eu não me torturar tentando parecer simpática quando na verdade não sou. Talvez essa seja a diferença existente entre as pessoas e eu. Ah, claro, quase esqueci de dizer quem sou eu. Meu nome é Maria Julia, infelizmente, tenho 16 anos e estudo nessa mesma escola desde que tinha 7 anos, quando minha mãe abandonou meu padrasto Carlos, meu irmão Guilherme e eu.
Carlos ficou bastante depressivo quando minha mãe nos abandonou — Não sei se posso chamá-la de mãe, considerando o que ela fez com a gente — mas lutou para que pudesse continuar cuidando de mim e de meu irmão. E, se você está se perguntando o que aconteceu com meu pai, eu também estou já que nunca soube o que aconteceu com ele.
– Maria Julia, já que você está prestando tanta atenção na aula, me responda como posso encontrar o valor de X. — Disse o professor de matemática com aquele olhar cínico, voz irônica e cara de psicopata.
– O professor de matemática aqui é você. — Respondi, e o som de gargalhadas abafadas envolveu a sala.
– Mais uma gracinha e eu vou te tirar da sala.
– Por Favor.
– Chega. Eu quero prosseguir com a aula e sinto que não vai ser possível com você aqui.
– Beleza, até amanhã. — Peguei minha bolsa e caminhei rápido até a porta.
Enfim, livre.
É, acho que o Carlos vai receber uma ligação do diretor por causa disso, mas era caso de vida ou morte, não aguentava mais ficar dentro da sala. Caminhei até a frente da escola e esperei até que meu irmão saísse da aula para irmos pra casa. Ele estacionou o carro na minha frente e esperou até que eu entrasse para sair dirigindo rápido como sempre.
– Oi, Gui. — Falei
– Oi, Maju. — respondeu.
– Vai fingir que eu não estou aqui mais uma vez, Maria? — Disse Pedro, o melhor amigo idiota do meu irmão que é também meu vizinho.
– Não me chama de Maria, você sabe que eu não gosto, idiota.
– Foi mal, Maria, só queria que você falasse comigo. — Falou e riu.
Pedro é um completo babaca, sei que ninguém fala mais essa palavra hoje em dia, mas não consigo pensar em outra definição para ele. Meu irmão e ele têm 18 anos e os dois estudam na minha escola, infelizmente. Depois de algum tempo, chegamos.
– Valeu, Gui, até depois. Tchau, Maria, até depois também. — Disse ao ir para casa.
Não respondi.
– Isso ainda vai virar amor. — Guilherme falou enquanto saía do carro.
– Quem? Você e ele? — Perguntei.
– Claro que não. To falando de vocês dois, sempre se provocando e você fingindo que não gosta dele. Sabe que isso faz ele gostar mais de ti, né?
– Cala a boca, Guilherme. Você tá bêbado? Eu não finjo que odeio ele, eu realmente odeio e ele me odeia também. — Falei indignada.
– O ódio é o sentimento mais próximo do amor, Maju.
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